Teoria_Geral_do_Crime_-_1a_Parte
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se realiza sob o influxo anímico (não há vontade).
Quanto à coação irresistível, é preciso distinguir. Se se trata de coação física (vis absoluta), em que o sujeito pratica o movimento em consequência de força corporal exercida sobre ele, não há conduta (ex.: forçar fisicamente alguém a assinar um documento falso. Nesse caso, o autor do falso é o coator). Se se cuida, porém, de coação moral (vis compulsiva), a conduta existe, mas não há culpabilidade (ex.: forçar alguém a assinar um documento falso mediante grave ameaça). Neste último caso, existe a conduta, sendo pois uma ação juridicamente relevante, mas não há de se falar em culpabilidade, aplicando-se a regra do art. 22, 1ª parte, CP (coação moral irresistível, que é causa de exclusão da culpabilidade). Em tal situação, existe vontade (embora viciada), sendo esta suficiente para constituir a ação, mas não para gerar juízo de reprovação sobre o agente, pois não há culpabilidade em sua conduta (não lhe era exigível agir de modo diverso)\ufffd.
Como exemplos clássicos, citados pela doutrina, de ausência de conduta, podem ser lembrados ainda os casos de movimentos praticados durante o sonho ou sonambulismo, sob sugestão ou hipnose e em estado de inconsciência\ufffd.
ATENÇÃO! O mesmo não ocorre com os \u201catos instintivos\u201d, formas de reação espontânea motivada por uma necessidade interna. Como ensina Maggiore, o ato instintivo se distingue do reflexo, pois este é puramente fisiológico e se dirige a um só órgão. O instintivo, pelo contrário, pode ser acompanhado de um elemento psíquico, como o sentimento, requerendo a participação de vários órgãos. Inclui também os \u201catos automáticos\u201d, resultantes de prolongada repetição dos mesmos movimentos. Nestes casos (atos instintivos ou automáticos) o ato pode ser controlado pela atenção, o que basta para que seja considerado conduta tipicamente relevante. Mezger, estudando o assunto, diz que é preciso distinguir o ato reflexo do atuar impulsivo, que tem sua origem num processo anímico. São as "ações em curto-circuito", que se realizam sem colaboração e iludindo a personalidade, total ou parcialmente. Havendo um querer, ainda que primitivo, participando do processo genético do movimento corpóreo, não se exclui de antemão a conduta.
Para lembrar:
Não haverá conduta sem vontade;
o caso fortuito ou força maior eliminam a vontade, inexistindo a conduta e, por consequência, o fato típico; 
os atos-reflexos (causados por excitação de um nervo sensitivo) não caracterizam a conduta, pois não há vontade; 
a conduta praticada mediante coação física (vis absoluta) elimina a vontade; no entanto, a conduta praticada mediante coação moral (vis compulsiva), ainda que seja irresistível, não exclui a vontade, apesar de neste caso não haver culpabilidade;
também não há conduta nos casos de movimentos praticados durante o sonho ou sonambulismo, sob sugestão ou hipnose e em estado de inconsciência;
nos atos instintivos e nos atos automáticos (\u201cações em curto-circuito\u201d) não se pode falar em ausência de conduta, pois nesses casos há, ainda que diminuído, processo anímico gerador da vontade.
Teorias da conduta
	Vários são as teorias que procuraram definir, sob o ponto de vista jurídico-penal, o conceito de conduta. Dentre elas, destacam-se:
a) Teoria clássica, naturalista, mecanicista ou causal (Von Liszt e Beling)
Conceitua a conduta como um comportamento humano voluntário no mundo exterior, consistente num fazer ou não fazer, sendo estranha a qualquer valoração sobre a finalidade da conduta.
Remonta ao início do século passado.
Beling, grande expoente da teoria, dizia: ação é um comportamento corporal (fase objetiva da ação), produzido pelo domínio sobre o corpo (liberdade de energia muscular, fase subjetiva da ação), isto é, comportamento corporal voluntário consistente num fazer (ação positiva), ou seja, um movimento corporal, como levantar a mão etc., ou num não fazer (omissão), isto é, distensão dos músculos (a expressão "ação" é aqui empregada como sinônimo de "conduta").
Franz von Liszt ensinava que se deveria partir da noção simples do ato, abstraindo-se sua significação jurídica.
Nesta teoria a conduta é concebida como um simples comportamento, sem apreciação sobre a sua ilicitude ou reprovabilidade. É denominada naturalista ou naturalística porque incorpora as leis da natureza no Direito Penal. Nos termos dessa teoria, a conduta é um puro fator de causalidade. Daí também chamar-se causal. Para ela a conduta é o efeito da vontade e a causa do resultado. Tudo gira em torno do nexo de causalidade: vontade, conduta e resultado. A vontade é causa do comportamento e este, por sua vez, é causa do resultado. Tudo isso se analisa sob o prisma naturalístico, de acordo com as leis da natureza, sem qualquer apreciação normativa ou finalística.
Entre nós, a teoria mecanicista era adotada por José Frederico Marques\ufffd, que afirmava: ação ou omissão se situam no plano naturalístico do comportamento humano, isto é, no mundo exterior por serem um "trecho da realidade" que o Direito submete, ulteriormente, a juízo de valor, no campo normativo. Em outra passagem, assinalava: A ação em sentido lato é "acromática", como o diz Jiménez de Asúa, por isso que é focalizada sem qualquer conteúdo finalístico ou normativo. Não se examina, assim, se a conduta do agente, no plano da tipicidade, está ligada intencionalmente ao resultado, tampouco a sua causa finalis em qualquer dos aspectos que possa oferecer.
Manifestação externa da vontade, a conduta humana era vista como um acontecer que tem por impulso causal um processo interno \u2013 pouco importando qual seja o conteúdo ou o alcance da vontade que gerou a conduta. Era também a posição de Aníbal Bruno, que sustentava "um conceito puro da ação, isento de todo juízo de valor, de toda referência a elemento próprio de qualquer dos outros componentes conceituais do crime"; a ação tomada como pura realização da vontade no mundo exterior.
A teoria foi objeto de muitas críticas, a partir da década de 30 do século passado.
Para Hans Welzel, seu principal crítico, no moderno Direito Penal o centro de interesse não é o efeito jurídico produzido pelo resultado, mas sim a natureza do comportamento reprovável e a finalidade do agente. Diante disso, cai por terra a teoria naturalista da ação, uma vez que se importa somente com o aspecto causal da questão, encontrando enormes dificuldades para mal explicar o delito omissivo. Se, de acordo com os princípios mecanicistas, do nada, nada pode ser produzido, não se compreende como a omissão possa sofrer a incidência da relação de causalidade. Como diz Maurach, a conduta omissiva não pode gerar nenhuma causalidade.
Além disso, a teoria naturalista se fundamenta nas leis das ciências naturais. Ora, o Direito Penal existe para reger e proibir condutas no meio social \u2013 é, portanto, uma ciência social, não uma ciência natural. Diante disso, os seus postulados não devem sofrer a incidência reitora exclusivamente dos princípios das ciências naturais (notadamente o método empírico). Como o delito é um fenômeno jurídico e social, as normas que o regem devem ter por fundamentos princípios jurídicos e sociológicos, baseados nos postulados das ciência sociais, que tem como objeto de estudo a convivência social.
É errôneo distinguir a conduta em duas partes, como fez a teoria causal: processo causal exterior e conteúdo subjetivo da vontade. A conduta era vista como o efeito da vontade, sem considerar o conteúdo da vontade, ou seja, a finalidade do comportamento. Enquanto a ação pertence ao fato típico, abarcando apenas a vontade (simples voluntariedade), o conteúdo da vontade pertence à culpabilidade. Era a opinião de José Frederico Marques: "A voluntariedade da conduta ativa não se confunde com a projeção da vontade sobre o resultado. O querer intencional de produzir o resultado é matéria pertinente à culpabilidade, e não à ação. Não se confunde, assim, a voluntariedade da ação com o juízo sobre a culpabilidade do fato punível e ilícito. No primeiro caso, verifica-se a existência da vontade
everaldo
everaldo fez um comentário
otimoooooooo
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Fabiana
Fabiana fez um comentário
O melhor !????✅????
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Wendell
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Ótimo!!!
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