Teoria_Geral_do_Crime_-_1a_Parte
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como suporte psíquico do ato; na segunda hipótese, formula-se um juízo de vontade".
Como já afirmado, essa doutrina recebeu severa crítica de Welzel, que afirmava: o conteúdo da vontade, que antecipa mentalmente as consequências possíveis de uma conduta e que dirige, de acordo com o plano do autor, o suceder externo, foi convertido pelos naturalistas em simples reflexo causal externo da vontade do sujeito.
Além disso, a teoria mecanicista peca na doutrina da tentativa. Ela afirma que o conteúdo da vontade não pertence à conduta (ação), sendo que esta é apenas causa do resultado. Ora, para que se diga que existe tentativa de determinado crime é preciso dizer que houve uma conduta tendente à produção de certo resultado (que o sujeito desejou produzir certo evento), não alcançado por circunstâncias alheias à sua vontade. Então, na conduta da tentativa existe o conteúdo da vontade. E, se a conduta é a produtora do resultado, como afirmar-se isso na tentativa, que não tem resultado? Como diz Welzel, como se poderia definir a tentativa de homicídio, a não ser como uma ação com a qual o autor quer matar a um homem? Se o conteúdo da vontade (finalidade) é parte integrante e necessária para definir a tentativa, também deve ser assim quando o resultado é produzido.
Por esses motivos, embora tenha representando um grande avanço no seu tempo (início do século passado), a teoria causal da conduta mostrou-se falha.
Para lembrar:
Essa teoria sustentada por Franz Von Liszt, sob influência da filosofia positivista dominante em fins do século XIX e início do século XX;
Suas idéias pretendiam incorporar as leis da natureza no Direito Penal (daí o nome naturalista). Para essa teoria, a ação é considerada um puro fator de causalidade (daí o nome causal), uma simples produção do resultado, mediante o emprego de forças físicas. A conduta é simples exteriorização de movimento ou abstenção de comportamento, desprovida de qualquer finalidade, sendo desnecessário para caracterização do crime saber se houve dolo ou culpa, sendo necessário somente indagar quem foi o causador material;
Exemplo: um sujeito conduz seu veículo com prudência na via pública e, sem que possa prever, um suicida se joga na frente do veículo e, atingido por este, vem a falecer. Para a teoria naturalista, o motorista, que não quis matar nem agiu com culpa, cometeu homicídio, ficando a análise do dolo e da culpa para um momento posterior, quando da aferição da culpabilidade. Hans Welzel criticou essa teoria, pois para ele não se pode considerar apenas o aspecto material do delito, devendo-se também atentar-se para a natureza do comportamento reprovável;
Para Welzel, a teoria naturalista só se preocupa com o aspecto causal, o que gera dificuldades para explicar o delito omissivo (uma vez que o delito de omissão não pode originar nenhuma causalidade). A teoria causal também não conseguiu explicar a doutrina da tentativa. 
b) Teoria finalista ou finalismo penal (Hans Welzel)
A teoria finalista da ação, que tem em Welzel o seu criador e precursor, com fundamento nas ideias filosóficas de Honigswald e Nikolai Hartmann, constituiu-se na reação lógica contra os errôneos postulados da teoria causal da ação, produzindo efeitos na estrutura do tipo, da ilicitude e da culpabilidade. Efeitos até hoje verificados no Direito Penal.
A doutrina penal, mesmo antes de Welzel, havia percebido que a adoção da teoria causal da ação levava à perplexidade. Diante dela, não havia diferença entre a ação de uma lesão dolosa e de uma lesão culposa, uma vez que o resultado nos dois crimes é idêntico (ofensa à integridade corporal ou à saúde da vítima). O desvalor do resultado não constitui elemento diversificador. A diferença está na ação: é o desvalor da ação que faz com que um homicídio doloso seja apenado mais severamente do que um homicídio culposo, embora o resultado morte seja elementar dos dois delitos.
Assim, a doutrina notou que os crimes não se diferenciam somente pelo desvalor do resultado, mas \u2013 principalmente \u2013 pelo desvalor do comportamento típico. Com base nesses pensamentos iniciais, Welzel, socorrendo-se de ideias filosóficas, criou a teoria finalista da ação.
De acordo com Hartmann, a ação está constituída pela direção do "suceder real", pelo desejado pelo agente, por interposição de componentes determinantes. A ação é uma atividade finalística humana. Partindo disso, Welzel afirma que a ação humana é o exercício da atividade finalista. É, portanto, um acontecimento finalista e não somente causal. A atividade finalista da ação se baseia em que o homem, consciente dos efeitos causais do acontecimento, pode prever as consequências de sua conduta, propondo, dessa forma, objetivos de distinta índole. Conhecendo a teoria da causa e efeito, tem condições de dirigir sua atividade no sentido de produzir determinados efeitos. A causalidade, pelo contrário, não se encontra ordenada dessa maneira. A causalidade é cega, enquanto a finalidade é vidente.
No homicídio, por exemplo, há uma série de condutas humanas tendentes à produção do resultado morte da vítima: compra da arma, escolha do local, emboscada, pontaria e disparo. Por isso, a vontade finalista pertence à conduta, quer dizer, aquilo que os mecanicistas chamam de conteúdo da vontade, que corresponde à vontade tendente à produção de determinado fim, pertence a conduta, primeiro elemento do fato típico (e não à culpabilidade, como sustentavam os causalistas).
A vontade abrange:
o objetivo que o agente pretende alcançar;
os meios empregados; e
as consequências secundárias.
A vontade finalista da ação se estende a esses elementos, ou sejam, aos resultados propostos pela vontade. Em relação ao não-proposto pela vontade, rege o princípio causal. A enfermeira, ensina Welzel, que sem pensar em nada aplica uma dose de morfina demasiado forte, de efeito mortal, realiza uma injeção finalista de cura, mas não uma ação finalista de homicídio. O sujeito que, na penumbra, atira num homem, supondo tratar-se de um tronco de árvore, realiza um tiro finalista de exercício, mas não uma conduta finalista de homicídio. Nos dois casos, o agente deve responder por homicídio culposo, pois não há a vontade finalista de matar (no primeiro caso há ação finalista da injeção para cura e, no segundo, exercício de tiro).
A doutrina finalista da ação não se preocupa apenas com o conteúdo da vontade, o dolo, que consiste na vontade de concretizar as características objetivas do tipo penal, mas também com a culpa. O Direito não deseja apenas que o homem não realize condutas dolosas, mas, também, que imprima em todas as suas atividades uma direção finalista capaz de impedir que produzam resultados lesivos. As ações que, produzindo um resultado, são devidas à inobservância do mínimo de direção finalista no sentido de impedir a produção de tal consequência, ingressam no rol dos delitos culposos.
Em determinado momento da evolução dogmática do Direito Penal, a doutrina entendia que o tipo só continha elementos exclusivamente objetivos. Essa ideia vingou até que foram descobertos os chamados elementos normativos e subjetivos do tipo. Aqui é importante fazer um parêntese: entre o causalismo e o finalismo houve o desenvolvimento da chamada teoria neoclássica (ou neokantista), tendo Frank e Mezger como seus grandes expoente, e que embora estivesse sedimentada em bases causalistas trouxe duas relevantes inovações que merecem elevada consideração: a) o neokantismo passou a admitir os chamados elementos normativos e subjetivos do tipo (recuperando a teoria dos valores de Kant); e b) inseriu a exigibilidade da conduta diversa como terceiro elemento da culpabilidade. Pois bem. Partindo desse ponto, Welzel entendeu que o dolo e a culpa pertenciam à ação e ao tipo. Se nos tipos com elementos subjetivos o dolo pertencia à conduta, por que nos outros crimes pertenceria à culpabilidade? Diante disso, a doutrina finalista passou a incluir o dolo e culpa na ação (conduta) e, por consequência, no tipo penal.
O seguinte exemplo é bastante ilustrativo do que sustenta
everaldo
everaldo fez um comentário
otimoooooooo
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Fabiana
Fabiana fez um comentário
O melhor !????✅????
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Wendell
Wendell fez um comentário
Ótimo!!!
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