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Patrimonio Historico e Cultral Brasileiro

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Faculdade UNYLEYA
CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO EM ANTROPOLOGIA
ALBENI LIMA DE FRANÇA
PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL BRASILEIRO
SANTO ANTONIO DO TAUÁ-PA
2018
Faculdade UNYLEYA
CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO EM ANTROPOLOGIA
ALBENI LIMA DE FRANÇA
PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL BRASILEIRO
 	 		 Atividade apresentada Faculdade Unyleya como parte integrante do conjunto de tarefas avaliativas da disciplina Arqueologia. Orientador: Paulo Renato Lima
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SANTO ANTONIO DO TAUÁ-PA
2018
Patrimônio Histórico e Cultural Brasileiro
	Não podemos dispor sobre a preservação do patrimônio histórico e cultural sem antes compreender seus conceitos. Além disso, é importante entender que esse patrimônio está vinculado a um conjunto de linguagens – escritas e verbais - e representações materiais e imateriais. Uma vasta herança de celebrações que expressam a identidade de diversas culturas humanas, e relevantes espaços de memória que são sacralizadas nos grupos sociais. Também se constitui na expressão da forma de sentir e pensar um acontecimento histórico. Ao se contemplar um espaço de relevância histórica, esse espaço evoca lembranças de um passado que, mesmo remoto, é capaz de produzir sentimentos e sensações que parecem fazer reviver momentos e fatos ali vividos que fundamentam e explicam a realidade presente. Paes Loureiro, ao falar sobre identidade amazônica descreve a cultura como “fisionomia intelectual, artística e moral de um povo, ao longo de sua história” (LOUREIRO, 1995).
 	Essa memória pode ser despertada através de lugares e edificações, e de suportes que, em sua materialidade, são capazes de fazer rememorar a forma de vida daqueles que no passado deles se utilizaram. Cada edificação, portanto, carrega em si não apenas o material de que é composto, mas toda uma gama de significados e vivências ali experimentados. Desse modo, podemos dizer que a idéia de patrimônio designa um bem destinado ao usufruto de uma comunidade, constituído pela acumulação contínua de uma diversidade de objetos que se congregam por seu passado comum: obras e obras primas das belas artes e das artes aplicadas, trabalhos e produtos de todos os saberes das comunidades humanas.
	Mas é bom ressaltar que a passagem da noção de patrimônio histórico para a de patrimônio cultural, percorreu um caminho lento, passando de uma visão reducionista que enfatizava a noção do patrimônio nos aspectos históricos consagrados por uma historiografia oficial, para uma nova perspectiva mais ampla que incluiu o “cultural” mais amplo e complexa - incluindo diversos produtos do sentir, do pensar e do agir humano - e não se restringindo mais à arquitetura, ainda que seja indiscutível a presença de edificações como um ponto alto da realização humana. 
	Esse patrimônio compreende três grandes categorias: a primeira engloba os elementos pertencentes à natureza, ao meio ambiente; a segunda refere-se às técnicas, ao saber e ao saber-fazer; e a terceira trata mais objetivamente do patrimônio histórico, que reúne em si toda a sorte de coisas, artefatos e construções resultantes da relação entre o homem e o meio ambiente e do saber-fazer humano, ou seja, tudo aquilo que é produzido pelo homem ao transformar os elementos da natureza, adequando-os ao seu bem-estar, como destaca Françoise Choay (2001).
	È importante ressaltar que o patrimônio histórico também abrange manifestações culturais intangíveis, como as tradições orais, a música, idiomas e festas, além dos bens artísticos. Com isso, as festas populares expressam as formas identitárias de grupos locais, onde o motivo de encontro, de fé ou simplesmente de celebrar atrai e identificam devotos e indivíduos de mesma identidade. Assim sendo, o patrimônio histórico-cultural não é apenas o acervo de obras raras ou da cultura de um passado distante; é a valorização e o conhecimento dos bens culturais que podem contar a história ou a vida de uma sociedade, de um povo, de uma comunidade. 
Patrimônio Histórico e conservação no Brasil
	A preservação de bens patrimoniais deve ter por finalidade conservar traços da vida das sociedades em determinada época, conservado o valioso, seja pelo valor do material, seja por uma herança histórica. A conservação de bens patrimoniais deve ter por objeto edificações com significado coletivo para comunidade, onde se perpetua a memória de uma sociedade preservando-se os espaços utilizados por ela na construção de sua história. 
	Uma política de preservação não pode ter como objeto apenas a preservação dos bens patrimoniais e resistir às pressões do mercado de imóveis. Uma política de preservação deve ir além, abrangendo todo o universo que constitui a preservação patrimonial. O que torna um bem dotado de valor patrimonial é a atribuição de sentidos ou significados que tal bem possui para determinado grupo social, justificando assim sua preservação. É necessário compreender que os múltiplos bens possuem significados diferentes, dependendo do seu contexto histórico, do tempo e momento em que estejam inseridos. Seus significados variam também de acordo com os diferentes grupos econômicos sociais e culturais, conforme assevera Roger Chartier, todo receptor é, na verdade, um produtor de sentido, e toda leitura é um ato de apropriação ( CHARTIER, 1990).
	No Brasil, historicamente, pode-se observar que a política de preservação do Patrimônio Histórico nunca foi uma prioridade, apesar de que em 1937, no governo de Getulio Vargas, ter sido criado o IPHAN – INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL – que segue realizando um trabalho contínuo de identificação, proteção, documentação e promoção do patrimônio cultural – formas de expressão; modos de criar artístico, científico e tecnológico; obras, documentos, objetos e qualquer espaço destinado às manifestações culturais; além dos conjuntos urbanos, arqueológicos, paisagísticos, paleontológicos, de valor histórico, ecológico e científico. Contudo, é imprescindível analisar que anos antes, em 1922, a Semana de Arte Moderna, idealizada por artistas como Anita Malfatti, Di Cavalcante, Mário e Oswald de Andrade, Monteiro Lobato, entre outros, romperam com padrões estéticos classicistas e deram inicio a um grande movimento que traria bons resultados á arte, de um modo geral no Brasil, entre esses, a criação do referido Instituto.
 	A “consciência histórica”, de fato, ainda não se consolidou como marco importante na transmissão do conhecimento, na identidade e na memória nacional. Basta fazer um breve passeio por nossas cidades para identificar, em todos os níveis, o descaso com o nosso patrimônio. Na verdade, a experiência brasileira, a esse respeito, é muito clara: a manipulação oficial do passado, incluindo-se o gerenciamento do patrimônio, é, de forma constante, reinterpretada pelo povo. Como resumiu António Augusto Arantes (1990: 4): “o patrimônio brasileiro preservado oficialmente mostra um país distante e estrangeiro, apenas acessível por um lado, não fosse o fato de que os grupos sociais o reelaboram de maneira simbólica”. 
	Desde a proclamação da República, em 1889, não por acaso um dos dois termos na bandeira nacional “ordem e progresso” sintetizam um país que busca a modernidade, onde qualquer edifício moderno é considerado melhor do que um antigo. No Brasil, é interessante notar que a importância da Igreja Católica na colonização ibérica do Novo Mundo explica a escolha estratégica de se preservar as igrejas na América portuguesa. 
	Belém do Pará pode ser considerado um mau exemplo da influencia do mercado e especulação imobiliária na preservação do patrimônio histórico. Desde o declínio da extração da Borracha e Consequentemente da economia, Belém, produtora de grandes investimentos em patrimônio e cultura, passou a ser apenas um ponto periférico dos grandes centros econômicos do país. É verdade que de uns anos pra cá, com a reestruturação do conceito
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