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DisciplinaDireito Administrativo I56.133 materiais1.021.398 seguidores
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no artigo 109. 
 
9 \u2013 Competitividade \u2013 A lei proíbe a existência de cláusulas que comprometam, 
restrinjam ou frustrem o caráter competitivo da licitação ou que estabeleçam preferências 
ou distinções em razão da naturalidade, da sede ou domicílio dos proponentes ou de 
qualquer outra circunstância impertinente ou irrelevante ao objeto do contrato (art. 3º, § 1, 
I). 
Entretanto, não há afronta ao princípio da competitividade quando só um interessado 
atende ao chamamento da entidade licitante ou quando, ao final da fase de classificação, 
só restar um concorrente, se para essas ocorrências ninguém agiu irregular ou 
fraudulentamente. 
 
10 \u2013 Padronização \u2013 O artigo 15, I da Lei 8.666/93 estabelece que as compras 
efetuadas pela Administração Pública devem atender ao princípio da padronização. 
Padronizar significa igualar, uniformizar, estandardizar. Deve a entidade compradora, em 
todos os negócios para a aquisição de bens, observar as regras básicas que levam à 
adoção de um modelo, um padrão, que possa satisfazer com vantagens as necessidades 
das atividades que estão a seu cargo. 
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Sempre que possível deve ser adotada a padronização, cabendo à Administração defini-la 
dentre os vários bens similares encontráveis no mercado ou criar o seu próprio padrão. 
Na primeira hipótese, a escolha recairá, conforme a natureza do bem, sobre uma marca 
(bens móveis), uma raça (animais) ou um tipo (alimento), por exemplo; na segunda, criará 
o próprio bem e este será o padrão. 
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Resumo: Lei das Licitações Comentada \u2013 por Desconhecido 
A eleição da marca ou a adoção de padrão próprio somente pode acontecer mediante 
prévia e devida justificativa, lastreada em estudos, laudos, perícias e pareceres técnicos, 
em que as vantagens para o interesse público fiquem claramente demonstradas, sob 
pena de caracterizar fraude ao princípio da licitação. Por isso, a padronização deve ser 
objeto de processo administrativo, aberto e instruído com toda a transparência possível e 
conduzido por uma comissão de alto nível, chamada de comissão de padronização. 
Embora o processo de padronização não seja contencioso, os produtores de bens 
similares que não concordem com o padrão adotado, por entenderem ser ilegal ou 
injustificada a escolha, podem contestar o processo em outro processo, administrativo ou 
judicial. 
Sempre que a padronização seja possível e vantajosa para a Administração Pública, 
qualquer bem pode ser padronizado. A impossibilidade de padronização pode ocorrer por 
uma circunstância material (ex. uma produção artística) ou jurídica (ex. se a lei vedar a 
padronização). 
 
11 \u2013 Procedimento formal \u2013 O princípio do procedimento formal impõe a vinculação da 
licitação às prescrições legais que a regem em todos os seus atos e fases. Essas 
prescrições decorrem não só da lei, mas também do regulamento, do caderno de 
obrigações e até do próprio edital ou convite. A Lei 8.666/93, em seu artigo 4º, estabelece 
que todos quantos participem da licitação têm direito público subjetivo à fiel observância 
do pertinente procedimento, que caracteriza ato administrativo formal. 
 
12 \u2013 Adjudicação compulsória \u2013 Por esse princípio, a Administração, uma vez concluído 
o procedimento licitatório, só pode atribuir o seu objeto ao legítimo vencedor. É o que 
prevê o artigo 50 da Lei 8.666/93, ao dispor que a Administração não poderá celebrar o 
contrato com preterição da ordem de classificação das propostas, nem com terceiros 
estranhos ao procedimento, sob pena de nulidade. 
A adjudicação ao vencedor é obrigatória, salvo se este desistir expressamente do contrato 
ou não o firmar no prazo prefixado, a menos que comprove justo motivo. A 
compulsoriedade veda também que se abra nova licitação enquanto válida a adjudicação 
anterior. 
Observe-se, porém, que o direito do vencedor limita-se à adjudicação, ou seja, à 
atribuição a ele do objeto da licitação. Não tem ele direito ao contrato imediato, já que a 
Administração pode, licitamente, revogar ou anular ou procedimento, ou, ainda, adiar o 
contrato, quando haja motivos para tais condutas. O que não se permite é que a 
Administração contrate com outrem enquanto válida a adjudicação, ou que, sem justa 
causa, revogue o procedimento ou adie indefinidamente a adjudicação ou a assinatura do 
contrato. Agindo com abuso de poder na invalidação ou no adiamento, a Administração 
fica sujeita a correção judicial de seu ato ou omissão e a reparação dos prejuízos 
causados ao vencedor lesado em seus direitos, quando cabível. 
O que existe é um direito de preferência na adjudicação, e não um direito à adjudicação 
ou ao contrato. Daí porque Maria Sylvia Zanella di Pietro diz ser equívoca a expressão 
adjudicação compulsória. 
 
13 \u2013 Ampla defesa \u2013 Sendo a licitação um procedimento administrativo, é a ela aplicável 
o princípio constitucional da ampla defesa. A Lei nº 8.666/93, em seu artigo 87, § 2º, 
menciona expressamente o direito de defesa prévia do interessado, no caso de aplicação 
de sanções. 
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Resumo: Lei das Licitações Comentada \u2013 por Desconhecido 
2. EXCLUSÃO DA OBRIGAÇÃO DE LICITAR 
 
O artigo 37, XXI da Constituição, ao exigir licitação para os contratos ali mencionados, 
ressalva \u201cos casos especificados na legislação\u201d, ou seja, deixa em aberto a possibilidade 
de serem fixadas, por lei ordinária, hipóteses em que a licitação deixa de ser obrigatória. 
 
Note-se que a mesma ressalva não se contém no artigo 175 da Constituição, que, ao 
facultar a execução de serviço público por concessão ou permissão, exige que ela se faça 
\u201csempre através de licitação\u201d. 
 
A Lei nº 8.666/93 prevê três situações de exclusão do procedimento licitatório: a licitação 
dispensada (art. 17), a licitação dispensável (art. 24) e a licitação inexigível (art. 25). A 
diferença básica entre dispensa e inexigibilidade está em que na dispensa há 
possibilidade de competição, enquanto na inexigibilidade tal possibilidade não existe, 
porque só há um objeto ou uma pessoa que atenda às necessidades da Administração. 
 
 
2.1. Licitação dispensada (art. 17) 
Embora a dispensa de licitação seja uma faculdade da Administração, há casos já 
determinados por lei, que escapam à discricionariedade administrativa. É o que se 
denomina licitação dispensada. 
 
Essa espécie de exclusão aplica-se à alienação de bens. Sendo dispensada a licitação, a 
Administração não precisa praticar nenhum ato para formalizar a inexistência do 
procedimento licitatório. A desnecessidade de qualquer ato da Administração Pública para 
liberar-se da obrigatoriedade de licitar, nos casos de licitação dispensada, distingue-a da 
licitação dispensável e da licitação inexigível, já que nessas duas últimas hipóteses há 
necessidade de autorização, nos termos do § 2º do art. 54. 
 
Em regra, sendo a licitação dispensada, não há necessidade de justificativa, a não ser 
para a concessão de direito real de uso de bens imóveis ou para a doação com encargo 
(art. 17, §§ 2º e 4º), por força do disposto no artigo 26. 
 
A alienação de bens da Administração Pública depende da existência de interesse 
público, de avaliação e de licitação. Quando a alienação recair sobre imóvel pertencente à 
Administração direta ou a entidades autárquicas e fundacionais, dependerá, ainda, de 
autorização legislativa, sendo que a licitação deverá ser na modalidade de concorrência. 
Em se tratando de imóvel pertencente a empresa pública ou sociedade de economia 
mista, deve haver avaliação e concorrência. Neste último caso, a alienação pode 
depender, também, do atendimento de exigências impostas por leis especiais, como é o 
caso de autorização da assembléia geral para a alienação de bem imóvel pertencente a 
uma sociedade de economia mista. 
 
O elenco de hipóteses de licitação dispensada, do artigo 17, é taxativo, não sendo 
permitido