Sociologia Clássica - Durkheim, Weber e Marx
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Sociologia Clássica - Durkheim, Weber e Marx


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CARLOS EDUARDO SELL
SOCIOLOGIA CLÁSSICA:
Durkheim, Weber e Marx
I T A J A Í
2001
SUMÁRIO
Apresentação............................................................................................................. 03
Introdução ................................................................................................................ 04
Capítulo I \u2013 Sociologia: origens e abordagens ...................................................... 08
1. Origens da sociologia ............................................................................08
2. Augusto Comte ..................................................................................... 11
3. Dimensões de análise ............................................................................ 15
Capítulo II \u2013 Émile Durkheim ................................................................................ 26
1. Vida e obras .......................................................................................... 26
2. Teoria sociológica funcionalista ........................................................... 28
3. Modernidade e divisão social do trabalho ............................................ 32
4. Projeto político conservador.................................................................. 40
Capítulo III \u2013 Max Weber ....................................................................................... 45
1. Vida e obras ........................ ................................................................ 45
2. Teoria sociológica compreensiva ........................................................ 47
3. Modernidade e racionalização ........... ................................................. 56
4. Projeto político: neutralidade .............................................................. 64
 Capítulo IV \u2013 Karl Marx ........................................................................................ 70
1. Vida e obras ..................... ................................................................... 70
2. Materialismo histórico-dialético ......................................................... 73
3. Modo de produção capitalista .............................................................. 84
4. Projeto político revolucionário ............................................................. 88
Capítulo V \u2013 Sociologia Clássica: análise comparativa ........................................ 93
1. Diversidade sociológica ..................................................................... 93
2. Teoria sociológica ............. ................................................................. 94
3. Teoria da modernidade ....................................................................... 99
4. Projeto Político ............... .................................................................. 102
5. Continuidades e rupturas ................................................................... 105 
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APRESENTAÇÃO
Prezado estudante! Este trabalho tem a intenção de oferecer-lhe um roteiro didático 
para o estudo da teoria social clássica a partir de seus autores mais representativos: Émile 
Durkheim, Max Weber e Karl Marx.
 Ao longo da história do pensamento social, foi se firmando a tradição de considerar a 
obra destes três pensadores como fundamental para a construção da sociologia. Ao se 
deparar com esta disciplina, os iniciantes das ciências humanas sempre se defrontam com o 
estudo de suas obras. E, diante disto, surge uma pergunta inevitável: afinal, por que o 
pensamento de Durkheim, Weber e Marx se tornou tão fundamental? 
Nascido no ambiente da sala de aula, este texto quer ajudá-lo a dar uma resposta para 
esta pergunta. Além disso, ele quer também mostrar-lhe não só a importância que estes 
autores tiveram para história da sociologia, mas, principalmente, a importância que eles 
possuem ainda hoje para o entendimento do mundo contemporâneo. Longe de ser uma 
mera volta ao passado, o estudo da teoria social clássica representa um verdadeiro 
mergulho no presente. Enveredar pelos seus caminhos representa a possibilidade de 
compreensão do mundo em que vivemos e, portanto, de um pouco de nós mesmos. 
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INTRODUÇÃO 
Clássicos, dizem os estudiosos, são autores sempre atuais. É por isso que nós estamos 
sempre relendo suas obras. Resta então a pergunta: qual a atualidade dos clássicos? 
Consultando outros textos de teoria sociológica, você logo perceberá que existem muitas 
respostas para esta questão e cada uma delas têm a sua parcela de verdade. Portanto, é 
interessante examinar com cuidado o que elas dizem. 
Uma primeira formulação para a questão da validade dos clássicos, bem poderia ser 
aquela elaborada por Michel Foucault, e que nos lembra que, para se consolidarem, os 
\u201csaberes\u201d tendem a construir uma interpretação unilinear e evolucionista de sua história. 
Esta interpretação tem como objetivo legitimar o trabalho intelectual do presente louvando 
o passado; bem como desacreditar interpretações concorrentes. Com certeza, a sociologia 
não está imune a este processo. Basta lembrar que a elevação dos autores mencionados ao 
papel de \u201cclássicos\u201d é uma construção posterior às suas obras. Envolve, portanto, uma 
papel seletivo em relação ao passado. Muita gente importante poderia ainda ser lembrada e 
até equiparada ao papel de clássicos, mas, foram esquecidos. O que esta intepretação nos 
ajuda a perceber, enfim, é que estabelecer quem é clássico ou não, também é uma questão 
de \u201cpoder\u201d! 
Uma segunda resposta para a mesma questão adota em enfoque histórico. Nesta 
perspectiva, Durkheim, Weber e Marx são importantes para o estudo da sociologia porque 
são os pioneiros desta ciência. Assim, sua importância para as ciências sociais seria a 
mesma de Platão e Aristóteles para a filosofia, ou de Galileu Galilei e Copérnico para a 
física, e assim por diante. Logo, o que justifica seu estudo, é que os clássicos do 
pensamento social são uma etapa da história da sociologia. Não estudá-los seria esquecer 
as origens e os passos cronológicos desta ciência. 
Para a vertente histórica, o fundamental no estudo dos clássicos é perceber que eles 
foram os primeiros responsáveis pela criação de uma série de conceitos e teorias que ainda 
hoje são adotados pela sociologia. Ainda que possam ter se modificado, termos como 
\u201cclasse social\u201d, \u201ccapitalismo\u201d, \u201cação social\u201d, \u201cestratificação social\u201d, \u201cgrupos sociais\u201d e 
muitos outros - que são conceitos típicos na análise sociológica - começaram a ser 
elaborados no período clássico. Como hoje eles ainda continuam a ser usados, é preciso 
voltar ao passado e entender por que e como eles foram criados e utilizados. Para o enfoque 
histórico a importância do estudo dos clássicos tem a ver especialmente com a questão da 
linguagem sociológica, suas origens e transformações. 
Todavia, mesmo que admitamos que cada uma das interpretações acima tem a sua 
parcela de verdade, a sociologia sempre considerou que o papel de seus fundadores é algo 
muito mais do que arbitrário ou ainda mera curiosidade histórica. O papel de \u201cclássicos\u201d 
reservado a Durkheim, Weber e Marx deve-se às virtudes e qualidades de suas próprias 
obras e teorias. De acordo com esta interpretação, \u201cos clássicos (...) são fundadores que 
ainda falam para nós com uma voz que é considerada relevante. Eles não são apenas 
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relíquias antiquadas, mas podem ser lidos e relidos com proveito, como fonte de reflexão 
sobre problemas e questões contemporâneas1\u201d .
Portanto, é aqui que está o eixo da questão. Para mostrar ao estudante, porque, nas 
ciências humanas, o estudo dos fundadores da sociologia é tão importante, é preciso 
demonstrar quais são as questões levantadas por