Sociologia Clássica - Durkheim, Weber e Marx
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Sociologia Clássica - Durkheim, Weber e Marx


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democracia
Em Weber existe uma das mais cuidadosas análises do fenômeno da organização 
burocrática. Ao analisar as estruturas burocráticas da sociedade, Weber busca suas origens 
históricas (Egito, Principado Romano, Estado Bizantino, Igreja Católica, China, Estados 
europeus modernos e grandes empresas capitalistas modernas). Além disso, ele analisa suas 
vantagens, suas tarefas, sua relação com o direito, os meios de administração e muitos 
outros aspectos. Para Weber, a burocratização da vida atinge a todas as esferas da vida 
social, não apenas o Estado. De acordo com o autor \u201ca burocracia moderna funciona da 
seguinte forma específica.
1. Rege o princípio de áreas de jurisdição fixas e oficiais, ordenadas de acordo com 
regulamentos, ou seja, por leis ou por normas administrativas; 
2. Os princípios da hierarquia dos postos e níveis de autoridades significam um 
sistema firmemente ordenado de mando e subordinação, no qual há uma 
supervisão dos postos inferiores pelos superiores;
3. A administração de um cargo moderno se baseia em documentos escritos (os 
arquivos), preservados em sua forma original ou em esboço;
4. A administração burocrática (...)supõem um treinamento especializado e 
completo;
5. A atividade oficial exige a plena capacidade de trabalho do funcionário, sendo o 
tempo e a permanência na repartição delimitados;
6. O desempenho do cargo segue regras gerais , mais ou menos estáveis ou 
exaustivas, e que podem ser aprendidas \u201c (1982, p. 229-232).
Para Max Weber, o crescimento do Estado e a complexidade dos problemas que este 
têm de resolver, coloca sérios entraves para a democracia, pois distancia o cidadão das 
decisões fundamentais. Neste quadro, diz Weber, a democracia funciona apenas como um 
método de seleção: o cidadão deve escolher os quadros para o governo do Estado. 
d) Classe, estamento e partido
A grande novidade da teoria da estratificação social de Weber, é buscar compreender 
as diferentes posições do indivíduo na sociedade não a partir de um único critério, mas a 
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partir de sua inserção em várias esferas da realidade. Portanto, se do ponto de vista 
econômico, as pessoas estão divididas em \u201cclasses sociais\u201d; do ponto de vista político elas 
se encontram em diferentes \u201cpartidos\u201d e quanto ao aspecto cultural, elas podem se 
diferenciar em diferentes tipos de \u201cestamentos\u201d. 
A classe diz respeito aos interesses econômicos das pessoas e as diferenças na posse 
de bens. O partido se relaciona com a diferente distribuição do poder e; finalmente, o 
estamento tem a ver com os estilos de vida das camadas sociais, juntamente com o prestígio 
e a honra conferidas a cada uma. 
e) Político profissional 
No texto \u201cA política como vocação\u201d , encontramos uma fascinante análise de Weber 
sobre a origem e a condição do \u201cpolítico profissional\u201d . De acordo com Weber, com o 
aparecimento do Estado, \u201cem todos os países do globo, nota-se o aparecimento de uma 
nova espécie de políticos profissionais\u201d. Na seqüência, ele afirma: \u201c há duas maneiras de 
fazer política. Ou se vive para a política ou se vive da política. Nessa oposição não há nada 
de exclusivo. Muito ao contrário, em geral se fazem uma e outra coisa ao mesmo tempo, 
tanto idealmente quanto na prática\u201d . Em seguida, completa: \u201c Daquele que vê na política 
uma permanente fonte de rendas, diremos que \u201cvive da política\u201d e diremos, no caso 
contrário, que \u201cvive para a política\u201d (1967, p. 62 e 64-65). 
Ao refletir sobre os desafios da vida política, Weber percebe que os governantes 
estão divididos entre o apelo de uma \u201cética da convicção\u201d e uma \u201cética da 
responsabilidade\u201d. Na ética da convicção, o indivíduo permanece fiel às suas concepções 
e valores, independente das conseqüências práticas que isto possa ter. No entanto, o político 
deve guiar-se pela ética da responsabilidade e deve antes se perguntar pelas 
conseqüências de suas ações e decisões. São as conseqüências políticas de sua decisões que 
respondem pela moralidade de seus atos.
Weber deixa claro que a ética da convicção não significa ausência de 
responsabilidade, nem que a ética da responsabilidade implica em ausência de convicção. 
Todavia, completa: \u201c não é possível conciliar a ética da convicção e a ética da 
responsabilidade, assim como não é possível, se jamais se fizer qualquer concessão ao 
princípio segundo o qual o fim justifica os meios, decretar, em nome da moral, qual o fim 
que justifica um meio determinado\u201d (idem, p. 115). 
5. BIBLIOGRAFIA
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5.2. Textos Complementares
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ARON, Raymond. As etapas do pensamento sociológico. 4. Ed. São Paulo: Martins Fontes, 1993. 
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CAPÍTULO IV
KARL MARX
Ao contrário de Durkheim e Weber, 
Marx nunca