Sociologia Clássica - Durkheim, Weber e Marx
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Sociologia Clássica - Durkheim, Weber e Marx


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é apenas uma repetição da obra dos 
clássicos. Pelo contrário! Hoje, as transformações da sociedade e o questionamento dos 
paradigmas científicos, têm obrigado a sociologia a fazer um profundo questionamento de 
sua herança clássica. Atualmente, a sociologia contemporânea se vê desafiada a produzir 
grandes rupturas em relação à sociologia clássica. 
De um lado, os desafios com os quais a sociologia se vê confrontada, advém da 
própria realidade. Nos albores do século XXI, esta ciência se vê diante da necessidade de 
abordar realidades novas, que os clássicos da sociologia não conheceram. Fenômenos como 
a globalização, o desenvolvimento da informação, da robótica e da automação, a crise do 
sociedade do trabalho (desemprego estrutural), as guerras mundiais, a crise ecológica, a 
biotecnologia e muitos outros dados do mundo moderno, longe de serem fenômenos 
isolados, parecem apontar para uma nova configuração social, com características bastante 
diferentes das estruturas econômicas, políticas e culturais do período de formação da 
sociologia. 
Diante desta nova realidade, novas teorias se fazem necessárias, redefinindo e 
superando, em aspectos substanciais, a contribuição dos clássicos. Termos como terceira 
onda, pós-modernidade, pós-ideologia, pós-fordismo, sociedade informacional (ou pós-
industrial), sociedade de risco, segunda modernidade, modernização reflexiva e outros, 
apontam para a necessidade das ciências sociais redefinirem seu quadro teórico, seus 
conceitos e até mesmo seus paradigmas, visando construir em novo entendimento do 
mundo contemporâneo. A grande questão que se coloca é: as transformações estruturais 
que afetam as sociedades modernas, não estariam exigindo da sociologia contemporânea 
uma ruptura em relação a contribuição dos clássicos da sociologia? 
Como também é um fenômeno social, a ciência (e a própria sociologia) também 
está sendo afetada pelas modificações advindas do novo contexto sócio-cultural 
contemporâneo. Deste modo, as abordagens amplas e macro-estrutrurais dos clássicos tem 
sido questionadas, dando lugar a valorização de análises de alcance médio, dos aspectos 
micro-sociais do convívio social, da subjetividade, das interconexões entre o econômico-
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politico-cultural ou mesmo da fragmentação do social. Além disso, a interdisciplinaridade, 
a crise da ciência e a revisão de seu papel social, obrigam a sociologia a rever seus 
paradigmas teóricos, seus conceitos, suas explicações e, enfim, seu \u201cjeito\u201d próprio de 
abordar a realidade social.
Freqüentando conferências, congressos e revistas especializadas, o estudante logo 
perceberá que autores importantes e conhecidos da atualidade, como Alain Touraine, 
Jürgen Habermas, Claus Offe, Norbert Elias, Anthony Giddens, Ulrich Beck, Boaventura 
de Souza Santos e vários outros cientistas sociais, têm se dedicado a esta tarefa. Porém, 
longe de simplesmente abandonar a contribuição dos clássicos, é no confronto criativo com 
a dimensão teórica, empírica e política da sociologia clássica que este debate tem sido 
conduzido. É justamente pela sua capacidade de fornecer para estes teóricos pistas e até 
mesmo conceitos que possibilitem à sociologia contemporânea redefinir e reconstruir os 
paradigmas da sociologia é que Durkheim, Weber e Marx são autores sempre atuais. Pelas 
teorias que construíram, interpretações que realizaram e caminhos que apontaram, a 
contribuição dos clássicos está sempre presente na obra dos teóricos sociais 
contemporâneos, ainda que vários dos seus pressupostos estejam sendo discutidos, 
criticados e até mesmo superados. 
Portanto, o estudo dos clássicos da sociologia não cumpre apenas uma tarefa 
histórica. É justamente no confronto entre as contribuições dos fundadores da sociologia e 
as realidades emergentes do século XXI que a sociologia contemporânea busca os 
caminhos para o entendimento do mundo atual. A modernidade, na atual etapa de sua 
história, representa justamente um misto de continuidade-ruptura-inovação, diante da qual 
as peças e engrenagens teóricas construídas pela sociologia clássica representam um 
recurso indispensável para sua compreensão teórica e, inclusive, seu encaminhamento 
político. 
6. REFERÊNCIAS BIBILOGRÁFICAS
LUKÁCS, Georg. O marxismo ortodoxo. In Lukács. São Paulo: Ática, 1992, p. 59-
86. 
MARX, Karl. Para a crítica da economia política. In Os pensadores. Rio de Janeiro: 
Abril Cultural, 1978, p.107-257. 
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	SUMÁRIO
	Capítulo V \u2013 Sociologia Clássica: análise comparativa ........................................ 93
	I. VIDA E OBRAS
	Solidariedade Mecânica
	Solidariedade Orgânica
	Consciência coletiva
	Divisão social do trabalho
	Sociedades segmentadas
	Sociedades diferenciadas
	Direito repressivo
	Direito restitutivo
	Religião = 
	(crenças + ritos)
	Igreja
	ESFERA PROFANA
	Atividades cotidianas
	II. MATERIALISMO HISTÓRICO-DIALÉTICO 
	a) O idealismo dialético de Hegel
	1. Modo de produção primitivo
	Cultivo da terra
	2. Modo de produção escravista
	Cultivo da terra com base na escravidão
	O modo de produção asiático é a forma de organização social predominante no mundo oriental. Nestas sociedades, a propriedade da terra pertence ao Estado. Logo, a sociedade está dividida em duas classes fundamentais: os governantes (senhores) e os escravos. No modo de produção asiático existe um Estado fortemente centralizado, que controla toda a sociedade. É o que podemos perceber analisando os grandes impérios do mundo oriental, como o Egito, a Babilônia, a China ou mesmo as civilizações ameríndias dos Astecas, Incas e Maias. Nestas civilizações, a presença da religião é muito forte e os governantes são considerados seres divinos. 
	3. Modo de produção asiático (Oriente)
	Propriedade estatal e escravidão 
	4. Modo de produção feudal 
	Catolicismo
	Cultivo da terra/arrendamento
	5. Modo de produção capitalista
	Indústria
	III. MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA
	 Livro IV \u2013 Teorias da Mais-Valia (1905-1910), editada por Karl Kautsky
	Circulação
	IV. PROJETO POLÍTICO REVOLUCIONÁRIO