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Guia Normas NBR 15575

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meio de absorver esse volume de informações: determinação em estudá-las 
e analisá-las para saber aplicá-las corretamente.
O papel do arquiteto é fundamental e para tanto ele tem de estar preparado e instrumentado para 
participar decisivamente desse processo de forma segura. As consequências positivas são inúmeras, 
mas somente com o domínio da Norma os arquitetos poderão assegurar e incrementar a sua 
valorização profissional nesse grande mercado de trabalho.
O Projeto de Arquitetura é responsável pelo processo no qual uma construção é concebida e 
também por sua representação formal ou partido arquitetônico. No “partido arquitetônico”, também 
conhecido como estratégia ou conceito, está implícita a discussão de aspectos como implantação e 
distribuição do programa, estrutura e relações de espaço, internos e externos, quesitos ambientais 
etc., todas elas questões centrais para os arquitetos na concepção dos projetos, sempre permeadas 
por outros temas relativos às atividades criativas, como composição, estilo e estética.
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ABNT NBR 15.575
Além das atribuições já definidas no Manual de Escopo de Arquitetura: Asbea (2012), a Norma 
incumbe ao projeto de arquitetura:
- especificações compatíveis com VUP e Utilização, considerando as atividades de manutenção 
 previstas na fase de projeto;
- considerações sobre as condições de exposição e uso previstas para cada empreendimento;
- especificações incluindo características de desempenho de cada material e/ou sistema;
- indicação das simulações e dos ensaios a serem efetuados na fase de projeto;
- detalhamento dos sistemas construtivos adotados.
Habitualmente a coordenação de projetos é exercida por uma equipe interna à empresa 
construtora ou cumulativamente pelo projeto de arquitetura. Entretanto atualmente está difundida a 
modalidade de profissionais ou empresas terceirizadas contratadas especificamente para essa 
função, por vezes compartilhada entre dois ou mais agentes. 
Ainda segundo o Manual de Coordenação de Projetos: AGESC (2012) a coordenação deve ter um 
amplo conhecimento relativo às diversas especialidades de projeto, sendo de extrema utilidade que 
conheça técnicas construtivas e possua experiência quanto à execução de obras.
Na atribuição de coordenador, papel definido no Manual do Coordenador de Projetos: AGESC 
(2012), o arquiteto deverá em relação à Norma ter as seguintes posturas:
- garantir que as soluções técnicas dos projetos complementares estejam coerentes com a VUP 
 e a utilização definidas no projeto de arquitetura;
 - obter os registros das premissas dos projetos;
- obter declarações ou memória de cálculo dos projetos das várias disciplinas quando 
 necessário;
- ter o registro das diretrizes de manutenção para os materiais e sistemas especificados nos 
 projetos das diversas disciplinas.
3. O QUE MUDA COM A NORMA
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ABNT NBR 15.575
A Norma de Desempenho traz para o desenvolvimento dos empreendimentos residenciais 
preocupações com a expectativa de vida útil, o desempenho, a eficiência, a sustentabilidade e a 
manutenção dessas edificações, em resumo insere o fator qualidade ao edifício entregue aos usuários. 
Para avaliar o impacto desses aspectos no custo das edificações, relembramos um conceito 
largamente difundido para análise e tomada de decisão financeira ou ambiental no desenvolvimento de 
empreendimentos:
O CCV se refere ao custo total de propriedade ao longo de toda a vida de um determinado bem 
segundo o guia ‘’Guidelines for Life Cicle Cost Analysis, Land and Buildings da Stanford University, 
October 2005'’. Os custos consideram os custos financeiros (relativamente mais simples de quantificar 
e apropriar) e também os custos ambientais e sociais (mais difíceis de valorar).
 
Tipicamente, os centros de custos inclusos no CCV incluem planejamento, projetos, aquisição de 
terra, construção, operação, manutenção, renovações, recuperações, depreciação, custo financeiro 
do capital e descarte.
 
O custo da manutenção e operação pode ser significativamente maior que o custo inicial de um 
imóvel. Ainda que um imóvel tenha sido concebido com uma vida útil de projeto de 30 ou 50 anos, 
provavelmente ele desempenhará sua função a contento por bem mais tempo que isso. Para esses 
bens, os custos de manutenção, operação, reformas e adequações devem ser balanceados e 
discutidos.
 
Uma análise de custo de vida é um processo que requer intensa alimentação de dados. O retorno 
final é extremamente dependente da qualidade e precisão dos dados fornecidos. Esperamos que a 
Norma de Desempenho permita uma coleta e maturação da qualidade dos dados necessários para 
essas análises.
O papel do arquiteto, considerado peça-chave pela Norma de Desempenho, deve ser o de sempre 
explicitar em seus projetos os níveis de desempenho desejados, bem como o de compilar e definir as 
vidas úteis esperadas para cada sistema.
As análises de CCV decorrentes dessas definições podem abrir uma nova janela de oportunidades 
para os arquitetos, que poderão assessorar (ou serem assessorados) tecnicamente em um novo rol de 
serviços a serem ofertados e contratados independentemente do escopo principal do desenvolvimento 
de projetos.
Os arquitetos devem atentar, porém, para os custos adicionais decorrentes do correto levantamento 
de dados para especificação de sistemas e definição de vida útil de projeto, bem como os custos de 
manutenção dessas informações de forma adequada até o fim da vida útil dos empreendimentos.
Recomendamos fortemente após a leitura e análise da planilha anexa:
a adoção de um sistema de especificação de materiais que inclua a referência a normas técnicas 
e ensaios pertinentes;
a indicação clara em documentação de projeto dos níveis de desempenho definidos com o 
contratante, lembrando-se de que os níveis mínimos são obrigatórios;
a indicação clara em projeto dos usos e equipamentos previstos para cada ambiente, inclusive 
cobertura, ático etc. Caso não haja uso previsto declarar na documentação;
a exigência da apresentação pelos fornecedores à construtora de ensaios que comprovem o 
atendimento à norma para iniciar o fornecimento de materiais e/ou serviços;
a indicação em projeto dos ensaios previstos na norma e o condicionamento de sua execução e 
conformidade para liberação da execução.
O custo do ciclo de vida (CCV)
4. A ESTRUTURA DA NORMA ABNT NBR 15.575
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ABNT NBR 15.575
Segundo a própria Norma de Desempenho seu foco está no comportamento em uso dos elementos 
e sistemas do edifício no atendimento dos requisitos dos usuários e não na prescrição de como os 
sistemas são construídos.
 
Sob essa ótica a Norma foi organizada a partir dos elementos do edifício levando em consideração 
as condições de implantação e as exigências dos usuários definindo os requisitos (características 
qualitativas) aos quais se pretende atender, estabelecendo critérios (grandezas quantitativas) para 
esse atendimento e sua forma de avaliação.
Os requisitos dos usuários devem ser atendidos de forma a promover segurança, habitabilidade e 
sustentabilidade, tendo para cada um desses tópicos solicitações particulares e expressos pelos 
seguintes fatores (Norma ABNT NBR 15.575, 2013):
5.1. SEGURANÇA
 - Segurança estrutural 
 - Segurança contra o fogo
 - Segurança no uso e na operação 
5.2. HABITABILIDADE
 - Estanqueidade
 - Desempenho térmico 
 - Desempenho acústico 
 - Desempenho lumínico 
 - Saúde, higiene e qualidade do ar 
 - Funcionalidade e acessibilidade 
 - Conforto tátil e antropodinâmico 
5.3. SUSTENTABILIDADE 
 - Durabilidade 
 - Manutenibilidade 
 - Impacto ambiental 
Figura 1: Resumo esquemático da estruturação da Norma
 
Exigências dos
Usuários
Condições
de Exposição
Requisitos
Métodos de Avaliação
Critérios
Qualitativos

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