Nutrição Animal 2
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Nutrição Animal 2


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livres de estresse, a ingestão diária corresponde a 5 ou 6% do peso 
corporal, ou seja, 2 a 5 kg de água por kg de matéria seca ingerida. Animais mais jovens possuem 
uma maior necessidade quando comparada aos adultos, devido sua maior perda pelos pulmões, 
superfície corporal e da menor capacidade em concentrar a urina. O maior consumo de água ocorre 
nas horas claras do dia. Quando os animais são alimentados em horários determinados, os padrões 
de consumo de água se modificam, ocorrendo picos em torno do horário de consumo de alimentos 
secos. Em ambientes quentes o consumo voluntário de água para baixar a temperatura corporal é 
importante e as variações do volume de água ingerida podem chegar a 60%. 
Os métodos convencionais de determinação de exigências de nutrientes não podem ser aplicados 
diretamente para a água, uma vez que esta é utilizada para manutenção dos tecidos, crescimento 
corpóreo, desenvolvimento fetal ou lactação. Além disso, os animais necessitam de água para 
desempenhar inúmeras atividades fisiológicas importantes, como termorregulação, homeostase de 
minerais, excreção de metabólitos, entre outros. Por isso, de modo geral, os animais devem ter 
acesso livre a uma fonte de água potável, salvo exceções como a muda forçada das aves poedeiras. 
A água é o nutriente mais importante para a vida. Diferente de outros nutrientes, onde uma 
deficiência poderia resultar em apenas uma queda no desempenho, uma falha no fornecimento de 
água pode levar a graves consequências, levando, em casos extremos, até à morte. Um dos principais 
sintomas de ingestão inadequada de água é a queda no consumo de alimento. Outros sintomas são: 
\u2022 desidratação, 
\u2022 aumento da frequência cardíaca, 
\u2022 aumento da temperatura corpórea, 
\u2022 aumento da frequência respiratória, 
\u2022 estado comatoso e morte. 
Recomenda-se a verificação periódica do sistema de fornecimento de água para evitar que 
problemas simples causem grandes prejuízos ao produtor. Atenção especial deve ser dada aos 
animais recém desmamados, pois a mudança do tipo de dieta (predominante líquida para sólida) 
deve ser acompanhada de um aumento no consumo de água, e às fêmeas em lactação que 
demandam uma quantidade muito superior de água em vista da produção de leite. O importante é 
garantir água fresca, de boa qualidade e sempre disponível para os animais. 
 
\u201cA não ingestão da quantidade de água adequada prejudica o potencial produtivo!\u201d 
 
\ufffd Regulação da ingestão voluntária de água 
As perdas de água dos animais são decorrentes de cinco vias: 
\u2022 pelos rins (urina), 
\u2022 intestinos (fezes), 
\u2022 pulmões (respiração), 
\u2022 pele (evaporação) 
\u2022 e produção de secreções (leite pelos mamíferos e ovos pelas aves). 
A regulação da ingestão voluntária de água é regida por dois mecanismos principais: a desidratação 
celular e o sistema renina-angiontensina. Estes mecanismos atuam estimulando a sede e induzindo o 
animal a consumir água. 
A consequência das perdas naturais de água pelo organismo é a diminuição do volume de líquido 
intravascular. Esta diminuição de volume resulta em hipotensão, devido à diminuição do débito 
cardíaco em decorrência da queda da volemia, e um aumento relativo da concentração plasmática 
de minerais, principalmente Na\u207a e Cl\u207b. 
Esses eventos são reconhecidos pelos osmorreceptores do hipotálamo e pelos rins desencadeando 
uma cascata de eventos fisiológicos que visam corrigir as alterações sistêmicas. 
A resposta fisiológica a essas alterações é a produção de hormônio antidiurético (ADH) pelo 
hipotálamo e de renina pelas células justaglomerulares dos rins. Estes mecanismos são mais 
eficientes nos animais adultos do que nos jovens, por isso o cuidado para garantir o consumo 
suficiente de água deve ser maior para os recém-nascidos, principalmente as aves, que não possuem 
o leite materno como fonte de água. 
 
b) Consumo Voluntário 
Quantidade de alimento ingerido espontaneamente por um ou mais indivíduos em um período c/ 
livre acesso (Pereira et al., 2003). 
A capacidade de um alimento ser ingerido pelo animal depende de vários fatores que interagem em 
diferentes situações de alimentação, comportamento animal e meio ambiente. 
O controle do consumo envolve estímulos de fome e saciedade, que operam por intermédio de 
vários mecanismos neurohumorais. Os mecanismos homeostáticos que regulam o consumo 
procuram assegurar a manutenção do peso corporal e as reservas teciduais durante a vida adulta. 
Os mecanismos homeorréticos ajustam o consumo para atender as exigências específicas de vários 
estágios fisiológicos, como crescimento, prenhês e lactação. 
O apetite ou impulso de alimentação é uma função dos requerimentos energéticos, determinados 
pelo potencial genético ou pela condição fisiológica (MERTENS, 1994). 
A maioria dos animais de produção é alimentada à vontade, ou seja, tem livre acesso ao alimento na 
maior parte do tempo. Para que a produção seja eficiente é necessário elevar o nível de consumo 
voluntário, pois em geral, quanto mais o animal come, mais ele produz e se torna mais eficiente. 
Qualquer decréscimo no consumo voluntário tem efeito significativo sobre a eficiência de produção. 
 
\ufffd Mecanismos de regulação do consumo voluntário 
Pode ser regulado por três mecanismos: o psicogênico, que envolve o comportamento do animal 
diante de fatores inibidores ou estimuladores relacionados ao alimento ou ao ambiente; o fisiológico, 
onde a regulação é dada pelo balanço nutricional, e o físico, relacionado com a capacidade de 
distensão do rúmen do animal (MERTENS, 1994). Por esta razão, tamanho e condição corporal, raça e 
\u201cstatus\u201d fisiológico e as características da dieta são fatores universalmente aceitos como 
determinantes do consumo voluntário. 
Segundo Curtis, (1983) \u201cos animais comem para atender suas necessidades de energia\u201d, ou seja, a 
ingestão de energia metabolizável é feita no sentido de manter as necessidades de energia para 
mantença, crescimento e formação dos produtos, respectivamente. Por isso a importância de se 
respeitar a correta relação de energia/proteína na formulação de uma ração, evitando dessa forma 
desbalanços ao animal. 
Várias teorias têm demonstrado o mecanismo pelo qual o animal controla o consumo de alimento. 
O centro da saciedade e o centro da fome localizados no hipotálamo estão envolvidos neste 
mecanismo, sendo que o estímulo de um inibe a ação do outro. Quando o animal está saciado, há 
um estímulo no centro da saciedade que inibe o centro da fome, causando diminuição do consumo. 
O apetite do animal de alguma forma diminui o estímulo sobre o centro da saciedade, o que diminui 
a inibição sobre o centro da fome e desta forma a ingestão de alimento é aumentada (Curtis, 1983). 
A presença de Grelina no estômago envia o sinal para o hipotálamo que gera a sensação de fome, 
quando o animal come, a quantidade de grelina no estômago diminui e o animal tem a sensação de 
saciedade. 
Ingestão restrita e à vontade são relevantes somente para alimentação em cocho (animais 
confinados ou em estábulos). Em condições de pastejo há outros fatores físicos que limitam a 
ingestão. Onde os termos disponibilidade e acessibilidade são usados com frequência. A 
disponibilidade de forragem é determinada pela taxa de pastejo dos animais, densidade e morfologia 
das plantas. Outros fatores como, por exemplo, o esforço realizado pelo animal para percorrer 
grandes distâncias até fontes de água pode limitar a alimentação e, portanto, a ingestão. 
A pastagem sempre oferece um grau de seleção, até mesmo em condições de ingestão limitada: o 
grau depende da densidade e morfologia das espécies forrageiras presentes na pastagem. Assim 
acessibilidade e seleção estão inter-relacionadas. É importante