RESUMO GERAL PV I
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RESUMO GERAL PV I


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pontos a serem observados para o diagnóstico das 
afecções do sistema digestório. 
 Cabe lembrar que o tamanho dos órgãos do sistema digestório sofrem radical 
mudança com o desenvolvimento do animal. A proporção rúmen-abomaso é de 1:2 
em animais com um mês de idade, invertendo-se para 2:1 no 3º mês, chegando a 
9:1 no adulto, na dependência da alimentação. 
- Projeção topográfica 
 No adulto, o rúmen ocupa principalmente o lado esquerdo do animal e seu 
volume chega a quase 150 litros nos bovinos. Tem como limite anterior uma linha 
que vai do 11º espaço intercostal na parte dorsal até o 7º espaço na parte ventral. O 
rúmen contrai-se ritmicamente e a freqüência destas contrações aumenta após a 
ingestão de alimentação grosseira e cessa após dois dias de jejum. 
 O retículo encontra-se apoiado na cartilagem xifóide entre o 5º e o 7º espaço 
intercostal. Projeta-se para ambos os lados, mas é mais proeminente do lado 
esquerdo. O omaso pode ser delimitado entre o 7º e o 9º espaço intercostal, no terço 
médio do lado direito e o abomaso, do 7º ao 11º espaço intercostal, no terço inferior 
do lado direito. A projeção topográfica do fígado encontra-se na parte superior do 
lado direito, entre o 11º e o 12º espaço intercostal, adjacente ao bordo caudal do 
pulmão. 
- Técnicas de exame 
 - inspeção abdominal: externa pode revelar aumentos de volumes em 
diferentes partes, cada uma com seu significado diagnóstico. 
 
 - palpação: auxilia tanto na avaliação do conteúdo das diferentes vísceras 
abdominais quanto na pesquisa de sensibilidade. Na palpação do rúmen, a sua 
contração pode ser sentida com a aplicação da mão fechada no vazio do flanco. 
Pode-se palpar o retículo de forma indireta, pressionando-o com um bastão de 
madeira ("prova-do-bastão"). Outras provas complementares para a pesquisa de 
sensibilidade do retículo podem ser empregadas, como o pinçamento da cernelha e 
a prova de Kalchschmidt (uso discutível). A palpação retal, ainda, é indispensável 
para o exame dos órgãos digestórios, particularmente dos intestinos. No caso do 
retículo, a palpação direta externa e a inspeção não são possíveis, devido sua 
posição intratorácica. 
 - percussão: tem, de forma geral, o mesmo objetivo da palpação, qual seja 
avaliar o conteúdo das vísceras e pesquisar sensibilidade. A percussão permite, 
também, a delimitação topográfica destas vísceras. De maneira geral, o abdômen 
apresenta sons maciços e submaciços na sua porção ventral e medial. A região 
hepática também apresenta som maciço. Na parte do vazio do flanco, tanto direito 
como esquerdo, encontram-se sons timpânicos. 
 - auscultação: é um potente recurso a ser empregado na análise funcional do 
sistema digestório. O rúmen apresenta uma crepitação constante que se exacerba 
durante a sua contração. Neste momento, pode ser auscultado, na porção ventral, o 
ruído de rolamento produzido pela movimentação do conteúdo ruminal durante a 
contração. O omaso apresenta uma crepitação discreta. O abomaso e o intestino 
apresentam ruídos de borborigma. 
 - percussão-auscultatória: particularmente útil no diagnóstico do 
deslocamento do abomaso. É importante, porém, salientar que a presença de 
"pings" abdominais não necessariamente significa o deslocamento do abomaso. Os 
"pings" podem aparecer nos casos de pneumoperitônio que acompanham os 
quadros de reticulo-peritonite traumática, nos timpanismos ruminais e na dilatação 
do ceco. 
- Exames complementares 
 - Suco de rúmen: colhido através de sonda esofágica própria e analisado 
segundo procedimentos bastante simples. Dentre estes procedimentos, os mais 
usuais e que podem ser realizados no campo são: 
\u2022 aspecto: normalmente é ligeiramente viscoso, mas pode apresentar-se 
aquoso (indigestão simples , acidose lática ruminal), com espumas 
(timpanismo espumoso) ou muito viscoso (excesso de saliva, desidratação). 
\u2022 coloração: dependendo da alimentação. 
\u2022 sedimentação e flutuação: em uma proveta de 100 mL deposita-se o suco e 
aguarda-se a separação em três fases (sedimento, líquido e flutuante). Essa 
 
separação deve ocorrer no máximo em 10 minutos. Na acidose lática ruminal, 
por exemplo, o suco não apresenta estas fases. 
\u2022 odor: característico nos casos de putrefação ruminal. 
\u2022 pH: normal de 5,5 a 7,0. 
\u2022 Redução do azul de metileno: em uma proveta de 50 mL, depositar 20 mL de 
suco de rúmen e acrescentar 4 mL de solução de azul de metileno 0,03%. 
Após a homogeinização o suco deve ficar azul. Em 3 a 5 minutos o suco deve 
volar à coloração inicial. Sucos inativos não recuperam o aspecto inicial 
(comparar com uma proveta sem azul de metileno). 
 
 - Láparo-ruminotomia exploradora: um recurso de grande utilidade, apesar 
de ser pouco empregado. Muitos clínicos tem certo receio em realizá-la, por medo 
das eventuais complicações pós-operatórias. Trata-se, entretanto, de procedimento 
relativamente simples e de raras complicações. A laparo-ruminotomia, além de ser 
um método semiológico, consiste também num recurso terapêutico importante. 
 - Detector de metais: este aparelho detecta se há ou não estruturas 
metálicas, não determinando, porém, se tais estruturas são pontiagudas e se 
realmente estão perfurando a parede do retículo provocando retículo-peritonite 
traumática. Em alguns animais, sobretudo nos importados, existe a prática de se 
colocar um ímã no retículo para a prevenção da doença. Quando estes animais são 
submetidos ao detector de metal evidentemente há uma resposta positiva. Para se 
determinar a presença de um ímã no interior do retículo deve-se aproximar da região 
xifóide uma bússola, observando-se o comportamento do ponteiro. 
 - Punção abdominal (paracentese): pode ser empregada no diagnóstico do 
deslocamento do abomaso, avaliando-se o pH do líquido visceral colhido. Esta 
punção pode, ainda, restringir-se ao espaço inter-visceral para colher o líquido 
peritoneal, muito útil no diagnóstico diferencial das ascites e peritonites. Para se 
pesquisar ascite/peritonite deve-se fazer a punção um palmo à direita do umbigo, na 
região mais baixa do abdome. Nos casos de retículo-peritonite traumática, pode-se 
puncionar logo após a cartilagem xifóide. Nos casos de ruptura de intestino pode-se 
puncionar entre o úbere e a dobra do joelho. 
 - Exame de fezes: além do tradicional exame coproparasitológico, pode 
revelar a condição funcional do sistema digestório através da avaliação 
macroscópica do tamanho das suas partículas. Além disso, avalia-se a presença de 
muco, fibrina e sangue. 
Pode-se, por fim, realizar exames microbiológicos específicos para se pesquisar a 
presença de agentes como salmonelas, E. coli e rotavirus. Podem ser citados, ainda, 
outros exames como a biópsia hepática, a endoscopia, a laparoscopia, a 
ultrassonografia, a radiografia e os testes de função hepática. 
 
 
- Abordagem propedêutica 
 Independentemente da causa e da sede do processo, os animais acometidos 
de enfermidades do sistema digestório apresentam sintomatologia básica comum 
caracterizada por apatia, anorexia ou hiporexia, perda de peso e diminuição da 
produção de leite. Todavia, alguns sintomas são particulares e merecem ser 
analisados individualmente. Destacam-se as lesões visíveis da cavidade oral 
(vesículas, úlceras, estomatite, etc.) e aqueles causados por obstrução do esôfago. 
Na região abdominal podemos observar dilatação, dor e timbre metálico. Por fim, a 
diarreia é um sinal facilmente detectável e indicativo de envolvimento intestinal. 
 - Lesões da cavidade oral 
 Quando se examina a cavidade oral, a primeira preocupação é identificar a 
presença de vesículas ou, quando estas se rompem, úlceras. A contaminação 
destas úlceras por bactérias secundárias pode provocar um quadro local purulento. 
A condição da língua e das mandíbulas também deve ser verificada. 
Devem, por fim, ser avaliadas lesões