FARMACOLOGIA 09 - Fármacos que agem no SNC e SNP - MED RESUMOS (DEZ-2011)
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FARMACOLOGIA 09 - Fármacos que agem no SNC e SNP - MED RESUMOS (DEZ-2011)


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Arlindo Ugulino Netto \u2013 FARMACOLOGIA \u2013 MEDICINA P3 \u2013 2008.2
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MED RESUMOS 2012
NETTO, Arlindo Ugulino.
FARMACOLOGIA
VISÃO GERAL DOS FÁRMACOS COM AÇÃO NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL E PERIFÉRICO
(Professora Edilene Bega)
O sistema nervoso (SN) € um aparelho nico do ponto de vista funcional: o sistema nervoso e o sistema 
end‚crino controlam as funƒ„es do corpo praticamente sozinhos. Didaticamente, podemos dividir o SN de duas formas:
\uf0fc Do ponto de vista anat…mico, podemos dividir o 
sistema nervoso em duas grandes partes: o 
sistema nervoso central (S.N.C.) e o sistema 
nervoso periférico (S.N.P.). O primeiro rene as 
estruturas situadas dentro do cr†nio (enc€falo) e 
da coluna vertebral (medula espinal), enquanto o 
segundo rene as estruturas distribu‡das pelo 
organismo (nervos, plexos e g†nglios perif€ricos). 
\uf0fc Jˆ do ponto de vista funcional, o sistema nervoso 
deve ser dividido em sistema nervoso somático 
(S.N.S.) e sistema nervoso autonômico 
(S.N.A.), de modo que o primeiro estˆ relacionado 
com funƒ„es submetidas a comandos conscientes 
(sejam motores ou sensitivos, estando relacionado 
com receptores sensitivos e com msculos 
estriados esquel€ticos) e o segundo, por sua vez, 
estˆ relacionado com a inervaƒ‰o inconsciente de 
gl†ndulas, msculo card‡aco e msculo liso.
Portanto, o sistema nervoso perif€rico, bem como os componentes dos sistemas nervosos somˆtico e 
auton…mico, apresentam as fibras nervosas ou nervos como importantes componentes. Funcionalmente, podemos 
classificar os nervos da seguinte maneira:
\uf0b7 Nervos aferentes (sensoriais): responsˆveis pela transmiss‰o da informaƒ‰o da periferia para o SNC.
\uf0b7 Nervos eferentes somáticos (motores): transportam informaƒ„es do SNC para os msculos esquel€ticos de 
maneira voluntˆria e direta.
\uf0b7 Nervos eferentes autonômicos: compreendem, coletivamente, ao sistema nervoso auton…mico (SNA). S‰o 
conhecidos como agentes executores pois, atrav€s deles, o SNC exerce o controle da maior parte dos sistemas 
corporais de maneira interrompida. 
Entretanto, devemos tomar nota que o sistema nervoso aut…nomo n‰o € independente do restante do sistema 
nervoso central; ao contrˆrio: o SNA € interligado e controlado pelo SNC por estruturas como o hipotˆlamo (que 
coordena vˆrios centros end‚crinos e viscerais para garantir a homeostasia), sistema l‡mbico (relacionado com est‡mulos 
emocionais) e com a formaƒ‰o reticular (conjunto de fibras que ligam estes centros viscerais encefˆlicos aos centros 
viscerais medulares). O sistema nervoso aut…nomo €, portanto, a parte do sistema nervoso que estˆ relacionada ao 
controle da vida vegetativa, ou seja, que controla funƒ„es como a respiraƒ‰o, circulaƒ‰o do sangue, controle de 
temperatura e digest‰o. Boa parte dos fˆrmacos estudados neste cap‡tulo se relaciona com estes componentes.
O sistema nervoso somˆtico (\u201csoma\u201d = parede corporal), por sua vez, € constituido por estruturas controlam 
aƒ„es voluntˆrias, como a contraƒ‰o de um msculo estriado esquel€tico, ou modalidades sensitivas elementares e 
facilmente interpretadas (conduzidas por fibras aferentes somˆticas, levando est‡mulos relacionados com tato, press‰o, 
dor, temperatura, etc.). Os fˆrmacos com aƒ‰o neste componente do sistema nervoso s‰o praticamente representados 
pelos relaxantes musculares, cujo uso pode ser til tanto para a cl‡nica m€dica (como em patologias que cursam com 
contraƒ‰o muscular patol‚gica) como na ˆrea cirrgica (partindo-se do pressuposto que o pr‚prio t…nus basal muscular 
possa ser impr‚prio para a realizaƒ‰o de certos procedimentos).
Boa parte dos fˆrmacos que atuam no sistema nervoso tamb€m funciona em n‡vel central (partindo-se do 
pressuposto que os sistemas nervosos aut…nomo e somˆtico apresentam importantes componentes dentro do SNC, 
alguns fˆrmacos podem atuar em n‡vel central para obter resultados farmacol‚gicos perif€ricos). Entretanto, as principais 
classes farmacol‚gicas que agem em n‡vel central e tratam de afecƒ„es que acometem, principalmente, o SNC (como a 
doenƒa de Parkinson, a depress‰o e a esquizofrenia, al€m de outras classes relacionadas ao SN, como os opiˆceos, os 
anticonvulsivantes e anest€sicos gerais) ser‰o vistas em cap‡tulos espec‡ficos.
Arlindo Ugulino Netto \u2013 FARMACOLOGIA \u2013 MEDICINA P3 \u2013 2008.2
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CONSIDERA‚ES SOBRE O SISTEMA NERVOSO AUTƒNOMO
O sistema nervoso autônomo (SNA), também conhecido como visceral ou da vida vegetativa, é responsável por 
coordenar a inervação das estruturas viscerais, sendo ele muito importante para a integração da atividade das vísceras 
no sentido da manutenção da homeostase.
O componente aferente deste sistema é responsável por conduzir impulsos nervosos originados em receptores 
viscerais (visceroceptores) a áreas específicas do sistema nervoso central. O componente eferente leva impulsos de 
certos centros até as estruturas viscerais, terminando, pois, em músculos lisos, músculo cardíaco ou glândulas. Por 
definição neuroanatômica, denomina-se sistema nervoso autônomo apenas o componente eferente deste sistema 
visceral, que se divide em simpático e parassimpático. O principal objetivo deste tópico é, pois, apontar as principais 
características das vias eferentes do SNA.
GENERALIDADES SOBRE O SNA
O sistema nervoso autônomo está relacionado com o controle das funções corporais, pois é o responsável pelas 
respostas reflexas de natureza automática e controla a musculatura lisa, a musculatura cardíaca e as glândulas 
exócrinas. Desta maneira, é ele quem realiza o controle da pressão arterial, aumento da frequência respiratória, os 
movimentos peristálticos, a secreção de determinadas substâncias, etc.
Apesar de ser denominado como sistema nervoso autônomo, ele não é independente do restante do sistema 
nervoso: na verdade, ele é interligado ao hipotálamo e á formação reticular, centros que coordenam respostas 
comportamentais e viscerais para garantir a homeostasia do organismo.
A organização estrutural do ramo 
eferente do SNA difere daquela do sistema 
nervoso somático, visto que as fibras 
eferentes somáticas se originam dos 
corpos celulares localizados no sistema 
nervoso central (SNC) e inervam o músculo 
estriado sem sinapses interpostas. Em 
contraste, o componente eferente do SNA é 
representado, basicamente, por dois 
neurônios, em que neurônios pré-
glanglionares, que surgem de corpos 
celulares no eixo cerebroespinhal, fazem 
sinapses com neurônios pós-
gangloinares, que se originam em 
gânglios autônomos fora do SNC. Desta 
forma, podemos resumir que a unidade 
funcional do SNA se resume nos dois 
neurônios principais de suas vias eferentes: 
\uf0fc O primeiro neurônio (chamado de 
pré-ganglionar) tem seu corpo 
celular localizado no cérebro ou na 
medula espinal. Seu axônio deixa o 
SNC para fazer sinapse com o 2º 
neurônio localizado em gânglios 
nervosos autonômicos.
\uf0fc O segundo neurônio (chamado de 
pós-ganglionar) tem seu corpo 
celular localizado em gânglios fora 
do SNC. Seus axônios alcançam o 
órgão visceral.
DIVISÃO DO SNA E DIFERENÇAS ENTRE O SISTEMA NERVOSO SIMPÁTICO E PARASSIMPÁTICO
Como já foi mostrado antes, o SNA apresenta dois componentes: a divisão simpática e a divisão parassimpática. 
Ambas as partes coordenam os aspectos fisiológicos que ocorrem continuamente no dia-a-dia do ser humano, 
adaptando-o as mais adversas situações que ocorrem no meio.
Embora sejam duas partes de um mesmo sistema, os componentes simpático e parassimpático diferem em 
muitos pontos, sejam eles anatômicos, bioquímicos ou funcionais. Basicamente, o SNA simpático medeia reações de 
luta e estresse, enquanto que o SNA parassimpático medeia reações de repouso e digestão.
Em resumo, falemos agora das principais diferenças entre estes dois componentes, ressaltando:
\uf0fc Diferenças anatômicas;
\uf0fc Diferenças bioquímicas ou farmacológicas;
\uf0fc Diferenças funcionais ou fisiológicas.