FARMACOLOGIA 09 - Fármacos que agem no SNC e SNP - MED RESUMOS (DEZ-2011)
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FARMACOLOGIA 09 - Fármacos que agem no SNC e SNP - MED RESUMOS (DEZ-2011)


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para estimular receptores alfa e 
beta; inativaƒ‰o rˆpida; pequena penetraƒ‰o no 
SNC. Por terem uma configuraƒ‰o espacial muito 
semelhante s catecolaminas end‚genas, estes 
fˆrmacos podem sofrer aƒ‰o das enzimas 
biotransformadoras das catecolaminas: catecol o-
metiltransferase (COMT) e monoaminooxidase 
(MAO).
\uf0b7 Não-catecolaminas: n‰o apresentam o anel 
catecol. TŽm como principais caracter‡sticas: meia-
vida mais longa (por ter menor afinidade pelas 
enzimas biotransformadoras); maior acesso ao 
SNC. Ex: Fenilefrina, Efedrina e Anfetaminas.
INTERFERÊNCIA FARMACODINÂMICA NA BIOQUÍMICA DAS SINAPSES
A fenda sinˆptica (seja ela em n‡vel central ou ganglionar perif€rica) € repleta de prote‡nas que servem como 
s‡tios espec‡ficos de aƒ‰o farmacodin†mica. Vejamos agora um exemplo de como se dˆ a s‡ntese do neurotransmissor 
noradrenalina (NA) ou noraepinefrina (NE) em n‡vel neuronal e a sua interaƒ‰o com alguns fˆrmacos. 
Como sabemos, a NA € oriunda da transformaƒ‰o do aminoˆcido tirosina (a tirosina € formada, ainda em n‡vel 
sangu‡neo, a partir da fenilalanina, por meio da enzima fenilalanina hidroxilase \u2013 F.H.). Essa tirosina € captada por meio 
de receptores de membrana espec‡fico de fibras noradren€rgicas para dentro da fibra pr€-sinaptica. Nesse momento, ela 
€ convertida em DOPA, por meio da aƒ‰o da tirosina hidroxilase (T.H.). Esta € a etapa limitante da velocidade da 
produƒ‰o de NA, ou seja, a enzima tirosina hidroxilase € estimulada ou inibida pela concetraƒ‰o do produto final. 
A DOPA (que ainda n‰o funciona como neurotransmissor, mas € precursor da melanina) € descarboxilada pela 
DOPA-descarboxilase (D.D.), convertendo-se em dopamina (esta, se fosse no caso de uma fibra dopamin€rgica, seria 
empacotada em ves‡culas e exorcitada). Por aƒ‰o da dopamina hidroxilase (D.H.), a dopamina € convertida em 
noradrenalina, a qual € lanƒada na fenda sinˆptica por meio de exorcitose (em um processo totalmente dependente de 
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Ca2+) para interagir com receptores adren€rgicos p‚s-sinapticos (para realizar o seu efeito biol‚gico) bem como com 
receptores pr€-sinapticos (para realizar um contrabalanƒo, estimulando ou inibindo a sua s‡ntese, sendo eles: \u3b12 ou \u3b22). 
Em todo o processo previamente descrito, hˆ sitios de aƒ‰o de drogas que podem interferir negativa ou positivamente:
\uf0fc A tirosina hidroxilase (T.H.) € estimulada ou inibida deacordo com a concentraƒ‰o final do produto da cascata da 
reaƒ‰o, sendo portanto a reaƒ‰o limitante da velocidade na produƒ‰o de NA. Ela € inibibida com o aumento da 
concentraƒ‰o da Metiltirosina, funcionando como um anti-hipertensivo (e bastante popular, com o nome 
comercial de Alfametildopa, um anti-hipertensivo bastante utilizado para gestantes), uma vez que reduz a 
liberaƒ‰o de NA na fenda sinaptica, diminuindo inclusive a vasoconstricƒ‰o perif€rica e o d€bito card‡aco. Com 
essa interaƒ‰o, hˆ a apenas a produƒ‰o de um falso neurotransmissor: a metil-noradrenalina \u2013 que apresenta 
efeitos biol‚gicos bem mais reduzidos que a NA.
\uf0fc A liberaƒ‰o da NA pela fibra pr€-sinaptica se dˆ por meio de ves‡culas. Para que essas ves‡culas sejam 
transportadas pelo citoplasma e liberadas pela membrana, deve haver uma interaƒ‰o do citoesqueleto dessa 
c€lula nervosa com o Ca2+. Este ‡on €, portanto, fundamental para a liberaƒ‰o de NA. Inibindo as concentraƒ„es 
de cˆlcio na fibra pr€-sinaptica, tem-se a reduƒ‰o da NA na junƒ‰o neuro-efetora.
\uf0fc Al€m das enzimas de s‡ntese, tamb€m existem aquelas que degradam a NA ou seus intermediˆrios: em n‡vel 
neuronal, mais precisamente na membrana externa da mitocondria, econtramos a enzima monoaminooxidase 
(MAO); em n‡vel extra-neuronal, encontramos a enzima catecol o-metiltransferase (COMT), que realiza a 
degradaƒ‰o da NA ap‚s esta ser exorcitada.
\uf0fc Hˆ uma s€rie de mecanismos que controlam os n‡veis de NA da fenda sinaptica: (1) a COMT degrada a NA na 
fenda, diminuindo a sua concentraƒ‰o e, portanto, a sua aƒ‰o efetora; (2) take-1: recaptaƒ‰o neuronal da NA; (3) 
take-2: recaptaƒ‰o tecidual da NA; (4) modulaƒ‰o enzimˆtica por meio dos receptores \u3b12 e \u3b22 da fibra pr€-
sinaptica; entre outros mecanismos.  de extrema import†ncia, portanto, a modulaƒ‰o da NA por meio dos 
receptores adren€rgicos do subtipo 2 na fibra pr€-sinaptica: altas concentraƒ„es de NA estimulam a express‰o 
do receptor \u3b12, que realiza um controle negativo sobre a produƒ‰o de NA; jˆ o NA em baixas concentraƒ„es tem 
maior afinidade por \u3b22, que estimula positivamente a produƒ‰o de NA. A Clonidina, que tamb€m age como anti-
hipertensivo, € um agonista \u3b12, baixando a press‰o arterial: ela estimula os receptores \u3b12 pr€-sinapticos, os 
quais modulam negativamente a liberaƒ‰o de NA na fenda sinˆptica e, consequentemente, inibindo a aƒ‰o da 
NA nos receptores que aumentariam a press‰o arterial: vasoconstricƒ‰o, taquicardia, etc.
\uf0fc As Anfetaminas (prot‚tipos dos \u201cArribites\u201d) e a Efedrina s‰o fˆrmacos que aumentam a concentraƒ‰o de NA na 
fenda por meio de uma competiƒ‰o na recaptaƒ‰o da NA nos seus receptores de take-1. Os receptores tem uma 
maior afinidade pela anfetamina, fazendo com que a NA aumente de concentraƒ‰o na fenda: em n‡vel do SNC, 
esse aumento na concentraƒ‰o estimula o estado de vig‡lia (impedindo o sono); em n‡vel perif€rico, hˆ uma 
exarcebaƒ‰o do efeito simpˆtico visceral.
\uf0fc A Cocaína e a Guanitidina tem um efeito similar ao dos fˆrmacos pr€-citados, mas com um outro mecanismo de 
aƒ‰o: estes bloqueiam o transportador da NA sem competir com ela.
\uf0fc Os inibidores da monoamina oxidase (iMAO) s‰o uma classe de fˆrmacos que atuam bloqueando a aƒ‰o da 
enzima monoamina oxidase, sendo utilizados no tratamento da depress‰o. Os fˆrmacos inibidores da MAO 
inibem a enzima monoamina oxidase (MAO), responsˆvel por metabolizar monoaminas como a noradrenalina, 
dopamina e serotonina, aumentando assim a concentraƒ‰o sinˆptica destas e condicionando maior excitaƒ‰o 
dos neur…nios que possuem receptores para estes mediadores. A Clorgilina age inibindo a MAO, aumentando a 
concentraƒ‰o das catecolaminas.
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OBS5: Os inibidores de MAO (iMAO), ou seja, inibidores da degradaƒ‰o das catecolaminas, s‰o exemplos de drogas 
classificadas como simpatomim€ticas de aƒ‰o indireta.
RECEPTORES ADRENÉRGICOS
As catecolaminas end‚genas e seus receptores s‰o as seguintes:
\uf0b7 Noradrenalina: afinidade por receptores \u3b11, \u3b12 e \u3b21 (tendo mais afinidade por receptores \u3b1)
\uf0b7 Adrenalina: afinidade por \u3b11, \u3b21 e \u3b12* (tendo maior afinidade por receptores \u3b2)
\uf0b7 Dopamina: afinidade por receptores dopamin€rgicos e ainda receptores \u3b1 e \u3b2 (\u3b1 > D > \u3b2)
\uf0b7 Dobutamina: € uma amina utilizada em casos de choque, atuando sobre receptores \u3b21, realizando uma 
taquicardia. N‰o tem, portanto, aƒ‰o vasopressora (sem causar isquemias renais, por exemplo).
Baseando-se na aƒ‰o desses receptores, tem-se que a noradrenalina € mais vasopressora que a adrenalina, 
pois estimula, ao mesmo tempo, a vasoconstricƒ‰o (por receptores \u3b11) e a taquicardia (por receptores \u3b21) do coraƒ‰o.
Jˆ a adrenalina, mesmo estimulando receptores \u3b21 (realizando uma taquicardia) e alguns receptores \u3b11 (realizando 
certa vasoconstricƒ‰o), ela ainda estimula receptores \u3b22 de alguns segmentos de vasos sangu‡neos, diminuindo e 
contrabalanceando a press‰o arterial. Isso porque existe um predom‡nio muito grande de receptores \u3b22 (para 
adrenalina) nos vasos que irrigam a musculatura esquel€tica, o que explica que os est‡mulos simpˆticos aumentam a luz 
dos vasos para que os msculos trabalhem o mˆximo poss‡vel em aerobiose.
OBS6: Nos casos de choques anafiláticos por hipersensibilidade, em que a press‰o arterial se encontra 
continuamente diminu‡da por vasodilataƒ‰o, broncoespasmo e aumento da secreƒ‰o, faz-se uso de Adrenalina 
subcut†nea ou endovenosa (n‰o se faz necessˆrio, neste