FARMACOLOGIA 12 - Antiparkinsonianos - MED RESUMOS (DEZ-2011)
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FARMACOLOGIA 12 - Antiparkinsonianos - MED RESUMOS (DEZ-2011)


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Arlindo Ugulino Netto \u2013 FARMACOLOGIA \u2013 MEDICINA P3 \u2013 2008.2
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MED RESUMOS 2012
NETTO, Arlindo Ugulino.
FARMACOLOGIA
ANTIPARKINSONIANOS
(Professora Edilene Bega)
Descrita pela primeira vez por James Parkinson em 1817, a doença de Parkinson ou mal de Parkinson € 
caracterizada por uma desordem progressiva do movimento devido  disfun‚ƒo dos neur„nios secretores de dopamina
nos g…nglios da base, que controlam e ajustam a transmissƒo dos comandos conscientes vindos do c†rtex cerebral para 
os m‡sculos do corpo humano. James Parkinson descreveu os seguintes sinais da doen‚a:
\uf0fc Tremor em repouso: primeiro sintoma que se manifesta (justamente por uma 
falta de regula‚ƒo do comando do movimento em nˆvel dos n‡cleos da 
base), € um tipo de tremor que se manifesta quando o indivˆduo nƒo realiza 
nenhuma a‚ƒo com o membro. Por€m, quando o paciente move o membro, 
o tremor tende a parar, retornando quando o indivˆduo o membro entra em 
repouso novamente. ‰ caracterizado ainda por ser um sinal precoce da 
doen‚a, e que aumenta com o estresse.
\uf0fc Rigidez: manifesta-se na forma de hipotonia.
\uf0fc Bradicinesia/Hipocinesia: movimentos mais lentificados devido ao t„nus 
aumentado da musculatura. HŠ uma dificuldade para iniciar os movimentos 
al€m de uma perda dos movimentos automŠticos. Reduz-se, tamb€m, a 
amplitude dos movimentos.
\uf0fc Postura em Flexƒo: tamb€m associado  rigidez. Inicia-se nos bra‚os e vai
progredindo para o tronco e membros inferiores.
\uf0fc Perda de Reflexos Posturais
\uf0fc Fen„meno de Congelamento: hŠ um bloqueio motor, incapacidade 
transit†ria de executar movimentos ativos, apraxia da abertura das 
pŠlpebras. Os p€s parecem \u201cgrudados no chƒo\u201d.
CLASSIFICA‚O 
O parkinsonismo € entendido como uma sˆndrome hipocin€tica de diversas etiologias, sendo um dos mais 
frequentes dist‡rbios motores decorrentes de lesƒo do sistema nervoso central. ‰ vŠlido salientar que parkinsonismo nƒo 
€ sinonˆmia para doen‚a de Parkinson. Na realidade, a doença de Parkinson € considerada um parkinsonismo idiopŠtico 
(ou primŠrio), isto €, sem causa conhecida. Quando a causa da sˆndrome parkinsoniana € identificŠvel, temos um quadro 
de parkinsonismo secundŠrio (e pode ser causado por drogas, intoxica‚es ex†genas, forma‚es expansivas 
intracranianas, etc.).
A doen‚a de Parkinson, propriamente dita, € idiopŠtica, ou seja € uma doen‚a primŠria de causa obscura. A 
degenera‚ƒo que ocorre na doen‚a de Parkinson € por muitas vezes atribuˆda a neurotoxinas ambientais, fatores 
oxidativos, fatores gen€ticos ou envelhecimento cerebral. O que ocorre € uma degenera‚ƒo e morte celular dos 
neur„nios produtores de dopamina da via nigro-estriatal, ou seja, ocorre morte dos neur„nios que secretam dopamina 
entre a subst…ncia negra do mesenc€falo e o corpo estriado (n‡cleo caudado e put…men), sendo estes neur„nios 
indispensŠveis para a regula‚ƒo da motricidade.
EPIDEMIOLOGIA
Nos Estados Unidos, a prevalŽncia da Doen‚a de Parkinson € de 160 por 100.000 pessoas, embora haja uma 
tendŽncia de aumento desta prevalŽncia. HŠ mais de um milhƒo de pacientes s† nesse paˆs. Em outros paˆses 
desenvolvidos a incidŽncia € semelhante.
Cerca de 80% dos casos de Parkinsonismo acontecem na idade m€dia de 55 anos (20 aos 80 anos). Quando a 
doen‚a se desenvolve em indivˆduos menores de 20 anos, diz-se Parkinsonismo juvenil. Acomete 3 homens para cada 2 
mulheres, com uma prevalŽncia de 160 casos/100.000 hab. Aos 70 anos, a prevalŽncia sobe para 550casos/100.000 
hab.
ETIOLOGIA E PATOGENIA
A doen‚a de Parkinson € idiopŠtica. Admite-se que hŠ uma perda progressivas de 60% dos neur„nios secretores 
de dopamina da via nigro-estriatal. Quando o diagn†stico € feito atrav€s da manifesta‚ƒo dos sintomas, diz-se que jŠ 
ouve cerca de 80% dessa degenera‚ƒo, ou seja, jŠ existe um grande comprometimento. O problema € que a terapŽutica
que existe para minimizar os sintomas causados por esta degenera‚ƒo nƒo € suficiente para evitar a perda de outras 
fibras dopamin€rgicas.
Arlindo Ugulino Netto \u2013 FARMACOLOGIA \u2013 MEDICINA P3 \u2013 2008.2
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O parkinsonismo induzido por drogas (Parkinsonismo secundário farmacológico) se dŠ por bloqueio dos 
receptores para dopamina, como os que fazem as drogas antipsic†ticas (neurol€pticos tˆpicos, principalmente), que 
bloqueiam os receptores de dopamina da via mesolˆmbica e, de maneira indireta, bloqueiam os receptores de dopamina 
da via nigro-estriatal. Geralmente, este tipo de parkinsonismo € encerrado quando se retira a administra‚ƒo da droga, 
sem que seja necessŠria a utiliza‚ƒo de drogas antiparkinsonianas.
FISIOPATOLOGIA DA DOENA DE PARKINSON
Na doen‚a de Parkinson, do ponto de vista fisiopatol†gico, admite-se que ocorre uma degenera‚ƒo dos 
neur„nios secretores de dopamina da via nigro-estriatal. Atribui-se esta degenera‚ƒo a uma a‚ƒo mais intensificada de 
radicais livres, jŠ que o sistema anti-oxidadante nƒo € tƒo eficaz em tais pacientes.
Como se sabe, o bom funcionamento do comando motor depende da integridade dos n‡cleos da base e de vias 
subsidiŠrias que auxiliam neste comando. Uma destas vias € composta pela subst…ncia negra do mesenc€falo. Seus 
neur„nios secretam dopamina como neurontransmissor principal. Esta dopamina deve interagir com receptores 
dopamin€rgicos de n‡cleos da base (mais especificamente, do striatum, formado pela cabe‚a do n‡cleo caudado e pelo 
put…men). A a‚ƒo ativadora da dopamina sobre os receptores D1 e inibidora sobre os receptores D2 do striatum € 
responsŠvel por um equilˆbrio fundamental que, ao t€rmino do circuito, resulta em uma estimula‚ƒo cortical adequada (a 
partir de uma inibi‚ƒo adequada do tŠlamo) para a produ‚ƒo do movimento via tracto c†rtico-espinhal.
Na doen‚a de Parkinson, de forma resumida, ocorre uma diminui‚ƒo da ativa‚ƒo dos receptores D1 e uma 
ativa‚ƒo dos receptores D2 (note que € um padrƒo contrŠrio ao normal, justamente devido  falta de dopamina na via 
nigro-estriatal). Este detalhe desregula todo o circuito dos n‡cleos da base e, com isso, toda a programa‚ƒo motora: 
fibras comandadas pelos receptores D1 deixam de inibir adequadamente o globo pŠlido medial, enquanto que fibras 
colin€rgicas comandadas por receptores D2, de uma forma indireta (via n‡cleo subtal…mico), acabam excitando demais 
este globo pŠlido. Como resultado disso, o globo pŠlido medial, por ter uma natureza inibit†ria, passa a exercer uma 
a‚ƒo inibit†ria exagerada sobre o tŠlamo, o qual excita pouco o c†rtex motor e este, via tracto c†rtico-espinhal, estimula 
pouco os neur„nios motores da medula, promovendo a bradicinesia caracterˆstica do parkinsonismo.
Vale salientar ainda que os receptores D2 do striatum sƒo responsŠveis por fibras colin€rgicas que estimulam a 
secre‚ƒo de GABA (neurotransmissor inibit†rio) pelas fibras que, quando ativadas, inibem o globo pŠlido lateral, o qual 
seria responsŠvel por modular o efeito excitat†rio do n‡cleo subtal…mico sobre o globo pŠlido medial. Portanto, em 
condi‚es normais, a dopamina inibe a produ‚ƒo de acetilcolina no striatum; em condi‚es patol†gicas, com a carŽncia 
de dopamina, ocorre aumento da acetilcolina, o que corrobora com a inibi‚ƒo excessiva do tŠlamo. 
Portanto, o que acontece na doen‚a de Parkinson € 
um quadro inverso ao que acontece na psicose: nesta, a 
dopamina encontra-se em elevadas concentra‚es,
principalmente, na via mesolˆmbica, acompanhado de queda 
nos nˆveis centrais de acetilcolina. JŠ no Parkinsonismo, a 
dopamina encontra-se em baixas concentra‚es (no esquema 
da balan‚a, encontra-se \u201cmais leve\u201d), quando comparada aos 
nˆveis de acetilcolina. O objetivo terapŽutico, no intuito principal 
de tratar os sintomas, € entƒo equilibrar a \u201cbalan‚a DOPAMINA 
x ACETILCOLINA\u201d com o uso de agonistas dopamin€rgicos, 
que tenham a‚ƒo principal na via nigro-estriatal (o que nem 
sempre € possˆvel), aumentando a secre‚ƒo de dopamina 
nesta via no intuito de frear a secre‚ƒo