Direito Processual Penal – Ponto 2.3 – Complemento
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Direito Processual Penal – Ponto 2.3 – Complemento


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os atos praticados são válidos até o reconhecimento do impedimento. 
Observações: Art. 252, III, CPP
a) Para o STF, magistrado que julgou recurso administrativo, pronunciando-se de direito sobre a questão está impedido de participar no julgamento de apelação criminal (STF \u2013 HC 86.963).
b) Antes da lei 11.719/08, entendia-se que o reconhecimento do impedimento estava condicionado à manifestação do Juiz quanto ao fato ou ao direito no processo, sendo que a mera prática de atos instrutórios não era causa de impedimento. Com a inserção do princípio da identidade física do juiz no processo penal, os tribunais passaram a entender que tendo o juiz participado da instrução do processo, deverá reconhecer seu impedimento com base no art. 252, III (STJ \u2013 HC 121.416).
2.1.2 Suspeição
As causas de suspeição estão no artigo 254 do mesmo Código:
Art. 254. O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes:
I \u2013 se for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer deles;
Maioria: tb se a amizade for entre juiz e advogado de qq das partes.
II \u2013 se ele, seu cônjuge, ascendente ou descendente, estiver respondendo a processo por fato análogo, sobre cujo caráter criminoso haja controvérsia;
III \u2013 se ele, seu cônjuge, ou parente, consangüíneo, ou afim, até o terceiro grau, inclusive, sustentar demanda ou responder a processo que tenha de ser julgado por qualquer das partes;
IV \u2013 se tiver aconselhado qualquer das partes;
V \u2013 se for credor ou devedor, tutor ou curador, de qualquer das partes;
VI \u2013 se for sócio, acionista ou administrador de sociedade interessada no processo.
O juiz pode afirmar sua suspeição, ainda, por razões de foro íntimo. 
A suspeição não pode ser declarada nem reconhecida quando a parte injuriar o juiz ou de propósito der motivo para criá-la (art. 256, CPP). Fundamento: dever de boa-fé processual.
A suspeição pode ser afirmada pelo juiz (em decisão irrecorrível) ou pelas partes mediante exceção (quanto ao assistente da acusação, Tourinho defende que pode apresentar exceção, mas Mirabete afirma a impossibilidade). O STF possui uma decisão de 1987 admitindo a possibilidade de que o assistente de acusação possa apresentar exceção: \u201cRE 113102/PB \u2013 PARAIBA RECURSOEXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ALDIR PASSARINHO Julgamento:  23/09/1987\u201d
Nos termos do 564 I CPP, as decisões tomadas por magistrado suspeito são nulas. 
 
2.1.3 Incompatibilidade
É de se notar que, enquanto os casos de suspeição e de impedimento encontram-se expressamente arrolados e tratam de fatos cuja configuração final ostenta boa dose de objetividade, bastando a só comprovação de sua existência para ser atingida a imparcialidade, as hipóteses de incompatibilidade, ao contrário, reclamam o exame detido de cada situação concreta, quando não afirmada de ofício pelo magistrado. Por isso mesmo, não se exige fundamentação judicial para a declaração ex officio de impedimento para a causa (STF HC 82798 \u2013 Info 315. Rel. Min. Pertcene). 
Ex.: nos juízos coletivos não podem funcionar no mesmo processo juízes que sejam parentes entre si. ( Aquele que chegou depois tem que se declarar incompatível. 
Um dos conceitos de incompatibilidade: é causa que afeta a imparcialidade do juiz prevista na lei de organização judiciária que não está listada entre as causas de suspeição e impedimento. (seria um conceito por exclusão)
2.2) Princípio da identidade física do juiz
Por fim, vale registrar que, no processo penal, o princípio da identidade física do juiz (princípio da imediatidade) foi integrado pela Lei n. 11.719/08, que incluiu o § 2º ao art. 399 do CPP: O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença. 
* Colocavam os Juízes Substitutos para fazer as instruções dos processos e os Juízes titulares só sentenciavam e isso não gerava nulidade. Agora, em tese, não pode mais. Com as exceções do art. 132, do CPC.
2.2.1) Possibilidade de aplicação do 132 CPC 
Os tribunais estão aplicando em processo penal as regras do processo civil:\u201cem razão da ausência de regras específicas, deve-se aplicar por analogia o disposto no art. 132 do CPC, segundo o qual no caso de ausência por convocação, licença, afastamento, promoção ou aposentadoria, deverão os autos passar ao sucessor do Magistrado.\u201d (CC 99023/PR, 3ª Seção, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJU de 28/08/2009).
2.2.2) Possibilidade de interrogatório por precatória
HABEAS CORPUS. LATROCÍNIO. NULIDADE. INTERROGATÓRIO EFETUADO POR PRECATÓRIA. IDENTIDADE FÍSICA DO JUIZ. AGENTE PRESO EM OUTRO ESTADO.
AUSÊNCIA DO RÉU NAS AUDIÊNCIAS DE INSTRUÇÃO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO DEMONSTRADO. ORDEM DENEGADA.
1. O princípio da identidade física do juiz deve ser interpretado de acordo com as circunstâncias do caso concreto, porque o legislador, por certo, não proibiu a realização de interrogatório por precatória, nos processos em que tal medida é a única forma de dar andamento à ação penal.
2. A ausência do paciente às audiências de instrução não caracteriza nulidade, porque foram elas acompanhadas pelo defensor constituído, com exceção de apenas uma, realizada por precatória, de cuja expedição a defesa não fora intimada. E, nesta, a nulidade decorrente é relativa, nos termos do enunciado nº 155 do Supremo Tribunal Federal, e, em princípio, o tema não pode ser apreciado em habeas corpus, por exigir exame sobre eventual prejuízo à defesa, o que seria possível somente com o exame aprofundado de todo o processo, o que é pertinente somente nas instâncias ordinárias.
3. Coação ilegal não caracterizada.
4. Ordem denegada.
(HC 135.456/SC, Rel. Ministro CELSO LIMONGI (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP), SEXTA TURMA, julgado em 18/03/2010, DJe 24/05/2010)
3. Ministério Público
O Ministério Público surgiu como resultado da ampliação dos poderes de intervenção estatal, em substituição ao modelo acusatório privado. No Brasil, a instituição de um modelo essencialmente acusatório somente veio a lume com a Constituição da República de 1988, com uma completa redefinição do papel do Ministério Público na ordem jurídica.
O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis (art. 127 da CF).
É função institucional do Ministério Público promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei (art. 129, I, CF), estando credenciado a todos os atos destinados a efetivação do jus puniendi (requerer diligências, ser intimado, impetrar recursos, etc). Não obstante, o Parquet deve conduzir-se com imparcialidade, pois deve defender os interesses da sociedade e fiscalizar a aplicação e a execução das leis, podendo, inclusive, pleitear a absolvição do acusado e recorrer em favor do réu (órgão legitimado para a acusação e não órgão de acusação). É sua atribuição, ainda, o controle externo da atividade policial.
Para o exercício de suas amplas funções, o Ministério Público está rodeado de garantias destinadas a lhe proporcionar autonomia e segurança em qualquer de suas atribuições. A Constituição de 88 garantiu vitaliciedade (que, nos termos do art. 129 §3°, é assegurada após 02 \u2013 dois anos \u2013 de exercício), irredutibilidade de vencimentos e inamovibilidade. 
Os membros do MP estão sujeitos às seguintes vedações: receber, a qualquer título e sob qualquer pretexto, honorários, percentagens ou custas processuais; exercer a advocacia; participar de sociedade comercial, na forma da lei; exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra função pública, salvo uma de magistério; exercer atividade político-partidária, salvo exceções previstas em lei. Os componentes do Parquet admitidos antes da Constituição podem optar pelo regime anterior de garantias e vantagens (art. 29, § 3.°, ADCT).
O Ministério Público está estruturado em órgãos, sendo inerentes a eles os seguintes princípios institucionais:
1) unidade: é uma característica