Direito Processual Penal – Ponto 2.3 – Complemento
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Direito Processual Penal – Ponto 2.3 – Complemento


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ARNALDO ESTEVES LIMA, QUINTA TURMA, julgado em 03/12/2009; 
- HC 40.394/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEXTA TURMA, julgado em 14/04/2009; 
- HC 102.466/SP, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, QUINTA TURMA, julgado em 17/02/2009.
3.1.3) TRF1 
No TRF1, o princípio do promotor natural é amplamente admitido na 4ª e na 5ª Turmas, a exemplo dos seguintes julgados:
- MCI 2008.01.00.010959-9/MG, Rel. Desembargadora Federal Maria Isabel Gallotti Rodrigues, Conv. Juiz Federal Rodrigo Navarro De Oliveira, Sexta Turma,e-DJF1 p.1392 de 29/06/2009; 
- HC 2008.01.00.046311-0/MT, Rel. Desembargador Federal Hilton Queiroz, Quarta Turma,e-DJF1 p.53 de 28/11/2008; 
- HC 2008.01.00.019142-4/PA, Rel. Desembargador Federal I'talo Fioravanti Sabo Mendes, Conv. Juíza Federal Rosimayre Gonçalves De Carvalho (conv.), Quarta Turma,e-DJF1 p.300 de 17/06/2008; 
- AG 2006.01.00.026002-0/DF, Rel. Desembargador Federal Daniel Paes Ribeiro, Sexta Turma,DJ p.134 de 02/04/2007; 
- ACR 2001.34.00.026300-2/DF, Rel. Desembargador Federal Hilton Queiroz, Quarta Turma,DJ p.60 de 25/08/2005; e
- ACR 2001.32.00.005669-1/AM, Rel. Desembargador Federal Hilton Queiroz, Quarta Turma,DJ p.44 de 03/11/2004. 
Entretanto, na 3ª Turma, o Desembargador Federal Tourinho Neto nega a existência do princípio (p.ex.: HC 2008.01.00.024212-2/AM, Rel. Desembargador Federal Tourinho Neto, Terceira Turma,e-DJF1 p.24 de 08/08/2008).
3.2) Suspeição e impedimento do MP 
Como os juízes, os membros do Ministério Público estão sujeitos à argüição de suspeição e de impedimento (art. 258 do CPP: \u201cOs órgãos do Ministério Público não funcionarão nos processos em que o juiz ou qualquer das partes for seu cônjuge, ou parente, consangüíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive, e a eles se estendem, no que lhes for aplicável, as prescrições relativas à suspeição e aos impedimentos dos juízes\u201d).
4. Ofendido
Ofendido, ou vítima, é o sujeito passivo da infração penal. Em casos excepcionais, o Estado concede ao ofendido ou a quem legalmente o represente o jus persequendi, permitindo assim ao sujeito passivo do crime o jus accusationis (direito de acusar).
Ao acusador particular se reserva o nome de querelante e ao sujeito contra quem se pede a atuação da pretensão punitiva o de querelado.
O ofendido ou seu representante legal poderá ser também sujeito processual principal na chamada ação penal privada subsidiária da pública (art. 5.°, LIV, da CF e art. 29 do CPP), quando o órgão do Ministério Público não oferecer denúncia no prazo legal.
Obs.:
 a) O ofendido pode participar como assistente de acusação. 
b) Pode existir litisconsórcio impróprio entre MP e ofendido (até mesmo no Júri), quando houver crime de ação penal pública conexo com crime de ação penal privada. Esse litisconsórcio é chamado de impróprio porque são duas peças de acusação, um queixa e uma denúncia, que se reunirão em um mesmo processo por causa da conexão. Tem doutrinador que chama de Ação Penal Adesiva. 
c) a vítima pode ser conduzida coercitivamente para prestar depoimento (art. 201, § 1º, CPP). 
5. Acusado
O acusado é a pessoa contra quem se propõe a ação penal, ou seja, o sujeito passivo da pretensão punitiva, parte na relação processual. 
No inquérito, antes do recebimento da denúncia: indiciado.
Em verdade, indiciado é só após o indiciamento formal. Antes o certo é chamar de averiguado ou investigado.
Obs.: Existe julgado dizendo que o indiciamento só pode ser realizado durante o inquérito. Se não for realizado nesta fase e for indiciado durante o processo penal será considerado constrangimento ilegal (HC 145.935/SP, 5ª Turma do STJ. Dje 07/06/2012).
No processo, após o recebimento da denúncia: réu, imputado, perseguido, denunciado, querelado.
Na execução penal, após a sentença condenatória: condenado, apenado, sentenciado.
Só estão legitimadas a serem acusadas as pessoas que podem ser sujeitos passivos de uma pretensão punitiva. Não podem ser acusados os animais, os mortos, as coisas, os que gozam de imunidade (parlamentar ou diplomática), os menores de 18 anos (estão sujeitos apenas às normas estabelecidas na legislação especial \u2013 Estatuto da Criança e do Adolescente). Os inimputáveis por doença mental, desenvolvimento mental incompleto ou retardado têm legitimação passiva, pois a eles pode ser aplicada medida de segurança, devendo ser representado por curador. 
A Constituição Federal assegura diversos direitos e garantias ao acusado (tanto no curso do inquérito, como no processo e na execução da pena), tais como: devido processo legal, presunção de inocência, assistência jurídica integral, ampla defesa, inadmissibilidade de provas ilícitas, etc. (vide art. 5.° da CF).
O acusado deve ser identificado com nome e demais dados da pessoa. O artigo 259 combinado com o art. 41, ambos do CPP, permitem a propositura de ação penal apenas com a descrição das características físicas do indivíduo, sem seu nome e qualificação. A hipótese não é usual, nem recomendável, só devendo ser adotada em casos extremos. A qualquer tempo, se for descoberta a qualificação do acusado, far-se-á a retificação nos autos, sem prejuízo da validade dos atos precedentes.
O acusado pode deixar de comparecer ao interrogatório ou aos demais atos do processo. O comparecimento é um direito e não um dever e a ausência injustificada do acusado causa apenas a revelia. Entretanto, se o acusado não atender à intimação para o interrogatório (o réu não está obrigado a responder às perguntas que vierem a ser formuladas no interrogatório), reconhecimento ou qualquer outro ato que, sem ele, não possa ser realizado, o juiz poderá determinar a condução coercitiva à sua presença (art. 260, CPP).
Obs.: Nucci e Pacelli entendem que é inconstitucional a condução coercitiva do réu apenas para o interrogatório. Hoje entende-se que o interrogatório é ao mesmo tempo um meio de defesa e de prova. Forçar o réu a comparecer ao interrogatório seria contrário ao princípio esculpido no art. 5º, LXIII, da CF. No entanto, não descatam a possibilidade de condução coercitiva do réu para a identificá-lo ou qualificá-lo, por exemplo. Nucci afirma que quanto a qualificação o réu não tem direito ao silêncio. 
5.1) Responsabilidade penal da pessoa jurídica
A responsabilidade penal da pessoa jurídica ainda é um tema controvertido na doutrina, mas as pessoas jurídicas possuem capacidade processual para figurar no pólo passivo de ação penal ambiental (§ 3º do art. 225 da CF e art. 3º Lei 9.605/98). A CF prevê a responsabilidade penal das PJ nos crimes contra a ordem econômica e financeira e contra a economia popular (173 § 5º, CF), mas ainda não há responsabilidade penal da PJ nesse âmbito, por falta de regulamentação. Portanto, atualmente, a PJ somente pode ser denunciada em crimes ambientais.
Há duas correntes doutrinárias que interpretam diferentemente a questão: 
MINORIA: as sanções penais somente são aplicáveis às PF, restando às PJ as sanções administrativas; os adeptos dessa corrente fazem uma leitura topográfica do texto;
MAIORIA: não correlaciona, como a primeira, entre sanção penal e PF, de um lado, e sanção administrativa e PJ, de outro. Para esta corrente, tanto a PF quanto a PJ estão sujeitas, simultaneamente, a sanções penais e administrativas, as quais independem da responsabilidade civil. As sanções penais e administrativas estão previstas na Lei n. 9.605/98 (Lei dos crimes ambientais, mas que traz, além disso, as sanções administrativas). 
Mireille Delmas-Marty imputa a responsabilidade diretamente à PF e indiretamente à PJ (responsabilidade penal por ricochete ou indireta). S
egundo o STJ, é válida a responsabilidade penal da PJ, tendo acolhido a teoria da dupla imputação: o crime deve ser imputado à PF e também à PJ: 
"Admite-se a responsabilidade penal da pessoa jurídica em crimes ambientais desde que haja a imputação simultânea do ente moral e da pessoa física que atua em seu nome ou em seu benefício, uma vez