Direito Processual Penal – Ponto 2.3 – Complemento
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Direito Processual Penal – Ponto 2.3 – Complemento


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a) recurso em sentido estrito contra a sentença que decretar a prescrição ou julgar por outro modo extinta a punibilidade (271 CPP);
b) recurso em sentido estrito contra a decisão q denegar ou julgar deserta a apelação interposta pelo próprio assistente (581 XV CPP);
c) apelação contra a sentença absolutória do Tribunal do Júri ou do juiz singular, se não for interposta apelação pelo Ministério Público no prazo legal (271 CPP), inclusive contra a sentença de impronúncia e contra a sentença de absolvição sumária, prolatadas ao final da 1ª fase do rito do júri (416 CPP).
A jurisprudência mais recente admite apelação contra sentença condenatória, para agravar a pena ou da parte não abrangida pelo recurso do MP.
d) carta testemunhável; 
e) embargos de declaração; 
f) recurso extraordinário (súm. 210 STF). 
Súm. 208 STF: O assistente do Ministério Público não pode recorrer, extraordinariamente, de decisão concessiva de "habeas corpus". Entretanto, os tribunais aceitam haver interesse de agir por parte do assistente quando do julgamento do HC puder resultar o trancamento da ação penal.
Há 2 correntes quanto à amplitude da intervenção do processo, mais especificamente sobre a (im)possibilidade de o assistente recorrer da sentença condenatória, as quais guardam íntima relação com os entendimentos vigentes a respeito do interesse do assistente. 
	O interesse do assistente limita-se a obtenção de uma sentença condenatória para satisfazer os prejuízos sofridos. 
	O assistente tem interesse na justa aplicação da lei: a tendência atual é no sentido de se conferir maior atenção aos interesses do ofendido (protagonismo da vítima = maior efetividade dos direitos fundamentais).
	( Doutrina mais tradicional (Tourinho Filho): o interesse do assistente seria a sentença condenatória, que já teria sido alcançado: falta-lhe interesse de recorrer contra sentença condenatória.
	STF e Pacelli: (...) o interesse do ofendido não está ligado somente à reparação do dano, \u2018mas alcança a exata aplicação da justiça penal\u2019\u201d (HC 71.453, 2ª Turma)
	O assistente só pode recorrer da sentença absolutória
	O assistente pode recorrer tanto da sentença condenatória como da sentença absolutória
Pacelli destaca que a interposição de recursos é cabível sob duas condições: inércia do Ministério Público e natureza da decisão a ser impugnada (art. 271 CPP). Caso o Ministério Público já tenha recorrido, ao assistente somente é cabível a apresentação de razões próprias. 
Observa-se, então, que, a par de (1) reforçar a acusação, o assistente também atua como (2) custos legis, assegurando \u201cum certo controle de qualidade e efetividade da atuação estatal na defesa dos interesses dos membros da comunidade\u201d (PACELLI). O interesse que move a vítima no processo penal \u2013 e que legitima sua presença como assistente \u2013 não gira apenas em torno de uma futura indenização (o que limitaria sua atuação, impedindo-a, por exemplo, de apelar para agravar a pena do réu). Ora, se a vítima, ao promover a ação privada subsidiária, tem atuação tão ampla quanto ao do MP (titular originário), não se pode afirmar que seu interesse é meramente econômico, à medida que faz as vezes do Estado-administração, que se mostrou omisso no momento em que se deveria pronunciar. O recurso supletivo do assistente visará, aqui, a coibir conseqüências maléficas advindas da omissão do MP. Não há razão para tratamento diferenciado entre a vítima enquanto parte principal na ação subsidiária e a vítima enquanto assistente de acusação (a única restrição é que o assistente atua para complementar a atividade do MP, ao passo que, na subsidiária, a vítima tem atuação ampla). Se o MP for eficaz, o assistente se revestirá da condição de mero coadjuvante. 
O STF possui três súmulas referentes à assistência, quais sejam:
Súmula n.° 208: O assistente do Ministério Público não pode recorrer extraordinariamente de decisão concessiva de habeas corpus.
Súmula n.° 210: O assistente do Ministério Público pode recorrer, inclusive extraordinariamente, na ação penal, nos casos dos arts. 584, § 1.°, e 598, do Código de Processo Penal.
Súmula n.° 448: O prazo para o assistente recorrer supletivamente começa a correr imediatamente após o transcurso do prazo do Ministério Público.
8.5) O assistente da defesa
Para Távora e Alencar, a Lei n. 9.099/95 também prevê a figura do \u201cassistente da defesa\u201d, qual seja, o reponsável civil que conduz a composição civil para a satisfação patrimonial da vítima, com repercussão direta na situação jurídica do infrator.\ufffd
9. Auxiliares da justiça
\u201cAuxiliares da justiça\u201d é a designação genérica dos auxiliares permanentes, cuja participação é obrigatória em todos os processos (oficial de justiça, escrivão, etc.), e dos sujeitos variáveis da administração da justiça, como os peritos e intérpretes. Em regra, os auxiliares da justiça gozam de fé pública (presunção juris tantum).
Aplicam-se as prescrições sobre suspeição aos auxiliares da justiça (art. 274, CPP). As partes podem arguir o embaraço, devendo o juiz decidir de plano, sem possibilidade de recurso (art. 105, CPP). Não se pode opor suspeição às autoridades policiais nos atos do inquérito, mas elas deverão declarar-se suspeitas, quando ocorrer motivo legal (art. 107, CPP).
Os peritos e os intérpretes são auxiliares eventuais da justiça para casos que exijam conhecimentos especializados. Possuem o mesmo dever de veracidade das testemunhas. São aplicáveis a eles, além das hipóteses de suspeição do juiz, mais três impedimentos: a) os que estiverem sujeitos a penas restritivas de direito de interdição temporária do exercício da profissão ou cargo público; b) os que tiverem prestado depoimento no processo ou opinado anteriormente sobre o objeto da perícia; c) os analfabetos e os menores de 21 anos.
\ufffd TÁVORA, Nestor; ALENCAR, Rosmar Rodrigues. Curso de Direito Processual Penal. 3. ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2009. p. 438.
\ufffd TÁVORA, Nestor; ALENCAR, Rosmar Rodrigues. Curso de Direito Processual Penal. 3. ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2009. p. 438.
\ufffd TÁVORA, Nestor; ALENCAR, Rosmar Rodrigues. Curso de Direito Processual Penal. 3. ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2009. p. 437.
\ufffd TÁVORA, Nestor; ALENCAR, Rosmar Rodrigues. Curso de Direito Processual Penal. 3. ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2009. p. 442-443.