PONTO PROCESSUAL PENAL –PONTO 06
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PONTO PROCESSUAL PENAL –PONTO 06


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as disposições de sentença ou decisão criminal e (2) proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado e do internado.
Em última análise, a finalidade da execução penal é concretizar os fins da pena:
- punição pelo mal causado;
- prevenção geral negativa (impedir que as outras pessoas pratiquem crimes);
- prevenção geral positiva (reafirmar nas outras pessoas a convicção de que a lei penal está em vigor e deve ser cumprida);
- prevenção especial negativa (impedir a reincidência);
- prevenção especial positiva (ressocialização do agente).
NATUREZA JURÍDICA
A natureza jurídica da EP é jurisdicional, porque em regra os conflitos de interesse existentes entre o MP (representando a sociedade) e o preso são resolvidos ou dirimidos pelo juiz.
Entretanto, há conflitos que excepcionalmente têm natureza jurídica administrativa, já que serão resolvidos pela autoridade administrativa. Assim nem todos os episódios serão decididos pelo juiz e sim pela autoridade administrativa. Exemplos: horário de banho de sol; algumas penalidades administrativas. 
Atenção: mesmo na atuação administrativa, pode o preso ou o MP procurar o Poder Judiciário. 
PRINCÍPIOS NORTEADORES
1) PRINCÍPIO DA LEGALIDADE
Art. 3o LEP: Ao condenado e ao internado serão assegurados todos os direitos não atingidos pela sentença ou pela lei.
2) PRINCÍPIO DA IGUALDADE
Art. 3o, parágrafo único, LEP: Não haverá qualquer distinção de natureza racial, social, religiosa ou política. Não é uma igualdade formal, mas uma igualdade material, na forma do inciso XII, do artigo 41.
3) PRINCÍPIO DA PERSONALIZAÇÃO DA PENA
Art.5o LEP: Os condenados serão classificados, segundo os seus antecedentes e personalidade, para orientar a individualização da execução penal.
Quem realiza classificação de cada preso é a COMISSÃO TÉCNICA DE CLASSIFICAÇÃO (CTC). Exatamente, aqui houve uma alteração (artigo 6o. antigo e novo).
	Competência da CTC
	Artigo 6o. antigo
	Artigo 6o. novo
	Execução de penas privativas de liberdade
	Só privativa de liberdade
	Execução de penas restritivas de direito
	Não 
	Incidentes de progressão e regressão
	Não
	Conversão de pena
	Não
	Não acompanhava a execução de preso provisório
	Condenado ou preso provisório
4) PRINCÍPIO DA JURISDICIONALIDADE
Garantir ao executado que sempre poderá o Poder Judiciário decidir os conflitos existentes na execução.
Art. 2º LEP - A jurisdição penal dos juízes ou tribunais da justiça ordinária, em todo o território nacional, será exercida, no processo de execução, na conformidade desta Lei e do Código de Processo Penal.
Parágrafo único - Esta Lei aplicar-se-á igualmente ao preso provisório e ao condenado pela Justiça Eleitoral ou Militar, quando recolhido a estabelecimento sujeito à jurisdição ordinária.
5) PRINCÍPIO DA RESSOCIALIZAÇÃO OU PRINCÍPIO REEDUCATIVO
Art. 1o LEP: A execução penal tem por objetivo efetivar as disposições de sentença ou decisão criminal e proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado e do internado.
6) PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL
Garante a todos do contraditório e a ampla defesa durante a execução penal.
COMPETÊNCIA. A JUSTIÇA FEDERAL E AS VARAS DE EXECUÇAO PENAL DA JUSTIÇA ESTADUAL
A competência do juiz da execução penal se inicia com o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. 
Em regra, é juiz especializado, mas pode o juiz da sentença cumular as funções de juiz da sentença e juiz da execução. O mesmo se aplica à atribuição do MP.
Nem sempre a competência para a execução penal é ditada pelo local da condenação. É muito comum a sentença ter transitado em julgado na comarca A e a execução ocorrer na comarca B. 
O juiz da execução pode ser de local diverso do local do trânsito, nas seguintes hipóteses:
01: se o réu foi condenado a pena privativa de liberdade, será competente o juiz do local onde o condenado estiver preso. A execução penal vai atrás do preso.
02: se o réu foi condenado pela Justiça Federal, mas cumpre pena em estabelecimento estadual, será competente o juiz da justiça estadual (Súmula 192 do STJ).
 É competente o Juízo da Vara das Execuções Criminais do Estado, a deliberação sobre os incidentes da execução da pena, ainda que provisória, de preso condenado pela Justiça Federal e que se encontra cumprindo pena em estabelecimento sujeito à Administração Estadual. Inteligência da Súmula 192/STJ." (TRF/1ª Região, ACR 2007.33.00.013715-3/BA, Rel. Des. Federal Mário César Ribeiro, 4ª Turma, unânime, e-DJF1 de 17/04/2009)
03: se o réu foi beneficiado por SURSIS e penas restritivas de direito, será competente o juízo do local do domicílio do réu.
04: se o réu foi condenado à pena de multa, a competência será da comarca da condenação.
Foro por prerrogativa de função
A competência para a execução será da própria autoridade da condenação. O foro por prerrogativa de função se estende até para a execução penal.
Início da competência da execução: o início da execução penal é distinto do início da competência do juiz, que ocorre com o trânsito em julgado. A execução somente começa com a expedição de guia de recolhimento e conseqüente prisão. A execução somente se inicia com a prisão. Evidenciado o trânsito em julgado da condenação, nos termos do art. 66, inciso I, da Lei de Execuções Penais, compete ao Juiz da execução "aplicar aos casos julgados lei posterior que de qualquer modo favorecer o condenado".
DIREITOS DO PRESO
Nos termos do artigo 3o, os direitos do preso que não foram atingidos pela sentença, estão protegidos pela LEP: Ao condenado e ao internado serão assegurados todos os direitos não atingidos pela sentença ou pela lei.
Parágrafo único - Não haverá qualquer distinção de natureza racial, social, religiosa ou política.
1) DIREITOS POLÍTICOS
Basta a condenação para a suspensão dos direitos políticos. O STF já se manifestou no sentido de que basta a condenação definitiva para a suspensão, independentemente do regime e da quantidade de pena. Mas há doutrina minoritária defendendo que, se o regime for compatível, pode-se manter os direitos políticos.
2) FORMAS DE ASSISTÊNCIA
Art. 10 - A assistência ao preso e ao internado é dever do Estado, objetivando prevenir o crime e orientar o retorno à convivência em sociedade.
Parágrafo único - A assistência estende-se ao egresso.
Art. 11 - A assistência será:
I - material;
Il - à saúde; 
III - jurídica; 
IV - educacional; 
V - social; 
Vl - religiosa.
3) ROL DOS DIREITOS
O artigo 41 (alterado recentemente) traz um rol exemplificativo dos direitos do preso.
O inciso XVI está prevendo um atestado de pena que será emitido anualmente registrando quanto tempo falta para cumprir de pena, visando a garantir a hipertrofia da condenação. A responsabilidade pela falta de cumprimento desse dever é do juiz da execução penal e não da autoridade administrativa.
O parágrafo único estabelece quais são os direitos que podem ser restringidos por ato administrativo: inciso V (recreação), X (visita) e XV (contato com o mundo exterior). Todos os demais são absolutos.
Art. 41 - Constituem direitos do preso:
I - alimentação suficiente e vestuário;
II - atribuição de trabalho e sua remuneração;
III - previdência social;
IV - constituição de pecúlio;
V - proporcionalidade na distribuição do tempo para o trabalho, o descanso e a recreação;
Vl - exercício das atividades profissionais, intelectuais, artísticas e desportivas anteriores, desde que compatíveis com a execução da pena;
Vll - assistência material, à saúde, jurídica, educacional, social e religiosa;
Vlll - proteção contra qualquer forma de sensacionalismo;
IX - entrevista pessoal e reservada com o advogado;
X - visita do cônjuge, da companheira, de parentes e amigos em dias determinados; 
Xl - chamamento nominal;
Xll - igualdade de tratamento salvo quanto