PONTO PROCESSUAL PENAL –PONTO 06
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PONTO PROCESSUAL PENAL –PONTO 06


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às exigências da individualização da pena; 
Xlll - audiência especial com o diretor do estabelecimento;
XIV - representação e petição a qualquer autoridade, em defesa de direito;
XV - contato com o mundo exterior por meio de correspondência escrita, da leitura e de outros meios de informação que não comprometam a moral e os bons costumes.
Parágrafo único - Os direitos previstos nos incisos V, X e XV poderão ser suspensos ou restringidos mediante ato motivado do diretor do estabelecimento.
Art. 42 - Aplica-se ao preso provisório e ao submetido à medida de segurança, no que couber, o disposto nesta Seção.
Art. 43 - É garantida a liberdade de contratar médico de confiança pessoal do internado ou do submetido a tratamento ambulatorial, por seus familiares ou dependentes, a fim de orientar e acompanhar o tratamento.
Parágrafo único - As divergências entre o médico oficial e o particular serão resolvidas pelo juiz de execução.
EXECUÇÃO DAS PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE
São três os sistemas norteadores da execução de uma pena privativa de liberdade:
1) SISTEMA FILADÉLFIA
O reeducando cumpre a pena privativa de liberdade integralmente na cela, sem dela nunca sair. É um sistema drástico na execução de uma pena privativa de liberdade.
2) SISTEMA ALBURN OU ALBURNIANO OU SILENT SISTEM
O preso trabalha durante o dia e se recolhe durante a noite à cela, SEM SE COMUNICAR com ninguém. É o sistema do silêncio. Desse sistema que nasceu a comunicação por meio de mímica entre os presos.
3) SISTEMA PROGRESSIVO OU INGLÊS
O preso inicia o cumprimento da pena privativa de liberdade isolado na cela, mas durante a execução ele passa para uma fase seguinte que é a prestação para o trabalho comunitário recolhendo-se à cela somente à noite. E por fim consegue cumprir a pena com liberdade condicional.
A execução da pena no Brasil é feita de maneira progressiva, já que permite a progressão no regime de pena. 
Os regimes de cumprimento de pena no Brasil estão ligados para sua fixação INICIAL aos seguintes aspectos (artigo 33, CP):
tipo de pena
quantidade da pena
antecedentes
circunstâncias judiciais
RECLUSÃO:
Maior de 8 anos = FECHADO
maior que 4 e menor ou igual a 8 anos + não reincidência = SEMI-ABERTO
maior que 4 e menor ou igual a 8 anos + reincidência = FECHADO
igual ou menor que 4 anos + não reincidência = ABERTO
igual ou menor que 4 anos + reincidência = FECHADO (súmula 269, STJ = admite a adoção do SEMI-ABERTO*, se favoráveis as circunstâncias judiciais), essa súmula atenuou um pouco o rigorismo do CP.
* Nos termos do art. 33 do Código Penal, proíbe-se ao réu reincidente a fixação do regime aberto, em qualquer caso, e do semiaberto, quando a pena for superior a 04 anos. Incidência da Súmula n.º 269/STJ. (STJ - HC 233.361/SP, Rel. Ministro GILSON DIPP, QUINTA TURMA, julgado em 26/06/2012, DJe 01/08/2012)
Ainda, quanto ao regime fechado, este ano (2012), em um julgado importante, por maioria de votos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal concedeu, durante sessão extraordinária realizada no dia 27 de junho de 2012 o Habeas Corpus nº. 111840 e declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 2º da Lei nº. 8.072/90, com redação dada pela Lei 11.464/07, o qual prevê que a pena por crime hediondo (inclusive tráfico de drogas, equiparado) será cumprida, inicialmente, em regime fechado. Assim, deve o juiz atentar para as circunstâncias do caso concreto, com base no art. 33 do CP.
DETENÇÃO:
Não existe regime inicial fechado.
Superior a 04 anos = SEMI-ABERTO
Menor ou igual a 04 anos + NÃO reincidência = ABERTO
Menor ou igual a 04 anos + reincidência = SEMI-ABERTO
Exemplo: pessoa condenada a um crime de roubo praticado contra uma pessoa idosa. O juiz aplicou ao condenado primário uma pena de 05 anos e 04 meses. O crime é punido com reclusão. Regime é o SEMI-ABERTO, nos termos do artigo 33, § 3o., CP. Mas há juiz que se insurge e coloca em regime fechado, isso não é mais possível em razão das súmulas 718 e 719. 
Súmula 718 do STF - A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o permitido segundo a pena aplicada. 
Súmula 719 do STF - A imposição do regime de cumprimento mais severo do que pena aplicada permitir exige motivação idônea. 
Entretanto o juiz pode aplicar o regime mais severo desde que fundamente, não na gravidade em abstrato, mas na gravidade EM CONCRETO, ou seja, o caso concreto FOI EXTREMAMENTE GRAVE. As súmulas se complementam (Bittencourt afirma que são contraditórias).
ESTABELECIMENTOS PENAIS
São os lugares apropriados para o cumprimento da pena nos regimes fechado, semi-aberto e aberto, bem como para as medidas de segurança. Servem, ainda, exigindo-se a devida separação, para abrigar os presos provisórios. Mulheres e maiores de 60 anos devem ter locais especiais (art. 82, LEP).
Determina a lei que os presos provisórios fiquem separados dos condenados definitivos e, dentre estes, deve haver divisão entre primários e reincidentes. O preso que, ao tempo da prática da infração penal, era funcionário da administração da justiça (policiais, agentes de segurança de presídios, funcionários do fórum, carcereiros, juízes, promotores etc.) ficará sempre separado dos demais (art. 84, LEP).
A lotação do presídio deve ser compatível com sua estrutura e finalidade, havendo o controle por parte do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (art. 85, LEP). 
Existe autorização legal para que o condenado possa cumprir a pena um unidade federativa diversa daquela onde tem origem a sua sentença, em presídio estadual ou da União. O primeiro presídio federal foi em Catanduvas/PR, e a de Mossoró foi a última, mas já há outros. Atualmente a configuração é a seguinte:
	Região
	Nº Estab.
	Capacidade
	Localização
	Situação
	Norte
	01
	208
	Porto Velho/RO
	Concluída
	Nordeste
	01
	208
	Mossoró/RN
	Concluída
	Centro Oeste
	01
	208
	Campo Grande/MS
	Inaugurada em 21/12/2006
	Centro Oeste
	01
	208
	Brasília/DF
	Em planejamento
	Sul
	01
	208
	Catanduvas/PR
	Inaugurada em 23/06/2006
	Total
	05
	1.040
	 
	 
Denomina-se penitenciária o presídio que abriga condenados sujeitos à pena de reclusão, em regime fechado (art. 87 da LEP). Deve haver cela individual, com dormitório, aparelho sanitário e lavatório, em local salubre e área mínima de seis metros quadrados (art. 88 da LEP). Nas penitenciárias femininas, haverá seção para gestante e parturiente, bem como creche, com a meta de assistir ao menor desamparado cuja responsável esteja presa (art. 89 da LEP). As penitenciárias masculinas devem ficar afastadas do centro urbano, mas não tão distantes a ponto de impedir o acesso de visitas (art. 90 da LEP).
Denomina-se colônia penal agrícola, industrial ou similar o estabelecimento destinado ao cumprimento de pena em regime semiaberto (art. 91 da LEP). Os alojamentos serão coletivos, mas sempre com salubridade e evitando-se a superlotação.
Denomina-se casa do albergado o lugar destinado ao cumprimento da pena em regime aberto, bem como para a pena de limitação de fim de semana (art. 93 da LEP). O prédio deverá situar-se em centro urbano, separado dos demais estabelecimentos, sem obstáculos físicos impeditivos da fuga, uma vez que, não só o albergado fica fora o dia todo, trabalhando, como também o regime conta com sua autodisciplina e senso de responsabilidade (art. 36 do CP). 
Prevê a LEP a existência de Centros de Observação Criminológica, onde devem ser realizados os exames gerais, em especial o exame criminológico, que será encaminhado à Comissão Técnica de Classificação (art. 96).
Os hospitais de custódia e tratamento psiquiátrico destinam-se a quem cumpre medida de segurança de internação (inimputáveis ou semi-imputáveis). 
Denomina-se cadeia pública o local destinado ao recolhimento