PONTO PROCESSUAL PENAL –PONTO 06
61 pág.

PONTO PROCESSUAL PENAL –PONTO 06


DisciplinaDireito Processual Penal I19.947 materiais149.161 seguidores
Pré-visualização23 páginas
de prisão em flagrante se daí resultar prejuízo.
Hipóteses em que há afastamento do flagrante \u2013 há algumas hipóteses nas quais o flagrante não será configurado:
o CTB prevê que nos crimes de trânsito, em sendo prestado socorro à vítima pelo agente, estará afastado o flagrante;
nos Juizados Especiais Criminais, se o agente preso em flagrante assinar um termo de comparecimento ao juizado não terá o flagrante mantido; 
a apresentação espontânea do agente à autoridade policial afasta o flagrante, mas, não impede a decretação de prisão preventiva, nos termos do artigo 317, CPP.
Contravenções penais: não é possível a lavratura do auto, exceto se há recusa de comparecimento em juízo.
Flagrante e excludentes de antijuridicididade: pelo CPP cabe o flagrante, podendo ser lavrado, cabendo ao juiz conceder liberdade provisória. Não cabe preventiva (art. 314, Lei 12.403/11) Solução jurídica: lavrar o auto para a documentação, mas não recolher ao cárcere. Note-se que a lei não diz isso, cabe ao juiz liberar em caso de excludentes de ilicitude. 
DAS CAUTELARES DISTINTAS DA PRISÃO. INOVAÇÃO DA LEI 12.403/2011. PREVISÕES GERAIS, APLICÁVEIS TAMBÉM ÀS PRISÕES:
Art. 282. As medidas cautelares previstas neste Título deverão ser aplicadas observando-se a: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).
I - necessidade para aplicação da lei penal, para a investigação ou a instrução criminal e, nos casos expressamente previstos, para evitar a prática de infrações penais; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
II - adequação da medida à gravidade do crime, circunstâncias do fato e condições pessoais do indiciado ou acusado. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
§ 1o As medidas cautelares poderão ser aplicadas isolada ou cumulativamente. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
§ 2o As medidas cautelares serão decretadas pelo juiz, de ofício ou a requerimento das partes ou, quando no curso da investigação criminal, por representação da autoridade policial ou mediante requerimento do Ministério Público. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). 
OBSERVAÇÃO: A doutrina defende que o Juiz somente pode atuar de ofício no processo já deflagrado. Na investigação, somente provocado, quer pela autoridade policial, quer pelo MP. 
§ 3o Ressalvados os casos de urgência ou de perigo de ineficácia da medida, o juiz, ao receber o pedido de medida cautelar, determinará a intimação da parte contrária, acompanhada de cópia do requerimento e das peças necessárias, permanecendo os autos em juízo. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
§ 4o No caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas, o juiz, de ofício ou mediante requerimento do Ministério Público, de seu assistente ou do querelante, poderá substituir a medida, impor outra em cumulação, ou, em último caso, decretar a prisão preventiva (art. 312, parágrafo único). (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). 
OBSERVAÇÃO: Para Pacelli, nessa hipótese, a preventiva pode ser decretada mesmo sem os requisitos do art. 313. O referido artigo diz que a preventiva somente pode ser aplicada em casos de crimes dolosos punidos com pena superior a quatro anos (culposos não) ou então em caso de reincidência, por exemplo. Nada obstante, para Pacelli, esses são requisitos somente aplicáveis à preventiva autônoma ou então à aplicada em substituição a prisão em flagrante. Se for a preventiva subsidiária (em substituição a outras cautelares pessoais, ela não dependerá das condições do art. 313, e as condições do art. 312 (garantia da ordem pública, garantia da instrução processual ou da aplicação da lei penal, por exemplo) reputam-se preenchidas pelo próprio fato do descumprimento das demais cautelares.
§ 5o O juiz poderá revogar a medida cautelar ou substituí-la quando verificar a falta de motivo para que subsista, bem como voltar a decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
§ 6o A prisão preventiva será determinada quando não for cabível a sua substituição por outra medida cautelar (art. 319). (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
OBSERVAÇÃO: Isso é expressão do princípio da proporcionalidade, em sua vertente da necessidade (ou vedação de excesso \u2013 Übermassverbot). Se as demais cautelares pessoais atendem ao propósito, a preventiva não é necessária e constituiria uma restrição excessiva aos direitos do réu.
Art. 283. Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de sentença condenatória transitada em julgado ou, no curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).
§ 1o As medidas cautelares previstas neste Título não se aplicam à infração a que não for isolada, cumulativa ou alternativamente cominada pena privativa de liberdade. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). \u2013 Expressão do princípio da proporcionalidade ou da homogeidade.
§ 2o A prisão poderá ser efetuada em qualquer dia e a qualquer hora, respeitadas as restrições relativas à inviolabilidade do domicílio. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
DISPOSIÇÕES ESPECÍFICAS PARA AS CAUTELARES PESSOAIS DISTINTAS DA PRISÃO.
Art. 319. São medidas cautelares diversas da prisão: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).
I - comparecimento periódico em juízo, no prazo e nas condições fixadas pelo juiz, para informar e justificar atividades; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).
II - proibição de acesso ou frequência a determinados lugares quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado permanecer distante desses locais para evitar o risco de novas infrações; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).
III - proibição de manter contato com pessoa determinada quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado dela permanecer distante; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).
IV - proibição de ausentar-se da Comarca quando a permanência seja conveniente ou necessária para a investigação ou instrução; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
V - recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga quando o investigado ou acusado tenha residência e trabalho fixos; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
VI - suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica ou financeira quando houver justo receio de sua utilização para a prática de infrações penais; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
VII - internação provisória do acusado nas hipóteses de crimes praticados com violência ou grave ameaça, quando os peritos concluírem ser inimputável ou semi-imputável (art. 26 do Código Penal) e houver risco de reiteração; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
VIII - fiança, nas infrações que a admitem, para assegurar o comparecimento a atos do processo, evitar a obstrução do seu andamento ou em caso de resistência injustificada à ordem judicial; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
IX - monitoração eletrônica. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
§ 1o a 3º (Revogados pela Lei nº 12.403, de 2011).
§ 4o A fiança será aplicada de acordo com as disposições do Capítulo VI deste Título, podendo ser cumulada com outras medidas cautelares. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
Art. 320. A proibição de ausentar-se do País será comunicada pelo juiz às autoridades encarregadas de fiscalizar as saídas do território nacional, intimando-se o indiciado ou acusado para entregar o passaporte, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).
Legitimidade para requerer as cautelares (Pacelli): na investigação, MP e autoridade policial (juiz de ofício não). No processo, juiz de ofício; MP ou querelante; ou assistente. Quanto ao assistente, a doutrina divergia, mas a nova lei pacificou a sua legitimidade.
Mesmo nos crimes inafiançáveis, segundo Pacelli,