DIREITO PROCESSUAL PENAL – PONTO 09
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DIREITO PROCESSUAL PENAL – PONTO 09


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e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa. (Redação dada pela Lei nº 11.313, de 2006)
Ocorre que as contravenções praticadas contra a União e suas entidades estão expressamente excluídas da competência da Justiça Federal \ufffd (A CF/88 previu uma verdadeira norma de exclusão de competência). Em razão disso, o conceito de infração de menor potencial ofensivo nos crimes de competência da Justiça Federal não abrange as contravenções penais. 
A jurisprudência dominante entende que estão excluídos do conceito de crimes de menor potencial ofensivo aqueles crimes cuja pena ultrapassar 02 anos, mesmo decorrente de concurso formal ou continuidade delitiva. Nesse sentido para os fins de suspensão do processo a Súmula n° 243 do STJ.
Súmula n.º 243 do STJ (DJU 05.02.2001) \u2013 O benefício da suspensão do processo não é aplicável em relação às infrações penais cometidas em concurso material, concurso formal ou continuidade delitiva, quando a pena mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela incidência da majorante, ultrapassar o limite de um (01) ano.
4) Conexão de infração de menor potencial ofensivo com crime comum 
Havia uma controvérsia no caso de conexão de infração de menor potencial ofensivo com crime comum, se deveria reunir (art. 78 do CPP) ou separar (art. 79 do CPP), já que as normas do CPP eram silentes sobre a matéria. 
Embora a doutrina defenda a separação dos processos (cf. GRINOVER et alii, Juizados especiais criminais, 5. ed., São Paulo : RT, 2005, p. 71), prevaleceu na jurisprudência a solução oposta (vide abaixo, por exemplo, o crime de usurpação com o crime ambiental em concurso formal), aplicando-se analogicamente o entendimento cristalizado na Súmula 243 do STJ. Esta solução prejudicava muito o autor do fato, porque era excluído dos benefícios previstos na Lei 9.099/95, tais como composição civil dos danos e transação penal. 
CRIMINAL. HABEAS CORPUS. EXTRAÇÃO DE AREIA SEM AUTORIZAÇÃO DO ÓRGÃO COMPETENTE COM FINALIDADE MERCANTIL. USURPAÇÃO X EXTRAÇÃO. CONFLITO APARENTE DE NORMAS. INOCORRÊNCIA. DIVERSIDADE DE OBJETOS JURÍDICOS. CONCURSO FORMAL CONFIGURADO. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.
I - O art. 2º da Lei 8.176/91 descreve o crime de usurpação, como modalidade de delito contra o patrimônio público, consistente em produzir bens ou explorar matéria-prima pertencente à União, sem autorização legal ou em desacordo com as obrigações impostas pelo título autorizativo. Já o art. 55 da Lei 9.605/98 descreve delito contra o meio-ambiente, consubstanciado na extração de recursos minerais sem a competente autorização, permissão concessão ou licença, ou em desacordo com a obtida.
II - Se as normas tutelam objetos jurídicos diversos, não há que se falar em conflito aparente de normas, mas de concurso formal, caso em que o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes.
III - Recurso conhecido e provido para cassar o acórdão recorrido, dando-se prosseguimento à ação penal.\ufffd
A Lei 11.313/06, adotando uma solução conciliadora, veio mudar este panorama em três pontos: 1) expressamente, mandou observar os fenômenos da conexão e continência regulados no CPP; 2) para não prejudicar o réu, mandou aplicar os institutos da transação penal e da composição civil dos danos quando o processo fosse atraído; 3) para a concessão dos benefícios devem as infrações serem analisadas de per si.
Art. 60. (...)
Parágrafo único. Na reunião de processos, perante o juízo comum ou o tribunal do júri, decorrentes da aplicação das regras de conexão e continência, observar-se-ão os institutos da transação penal e da composição dos danos civis
OBS: Os requisitos da suspensão condicional do processo não foram alterados, já que se trata de um instituto de sobreprocesso, aplicável a todos as jurisdições penais, com exceção da militar (art. 90-A \ufffd da Lei 9.099/95). 
 
Luiz Flávio Gomes \ufffd anota as seguintes conclusões: 
1ª) A força atrativa, para a reunião dos processos (como não poderia ser diferente), é do juízo comum (estadual ou federal) ou do tribunal do júri (estadual ou federal). Ou seja: seguindo o disposto no art. 78 do CPP manda a nova lei que no caso de crimes conexos haja reunião dos processos na vara comum ou no tribunal do júri.
2ª) A nova lei tem aplicação imediata (entrou em vigor no dia 28.06.06, data de sua publicação). Lei processual nova que altera ou que fixa competência tem aplicação imediata, incluindo-se os processos em andamento. Exceção: a exceção que existe a essa regra reside no processo que já conta com decisão de primeira instância. Nesse caso, não se altera a competência recursal (não incide a lei nova para alterar a competência recursal).
3ª) Manda a nova lei que, na vara comum ou no tribunal do júri, sejam observados os institutos da transação penal e da composição dos danos civis. Em outras palavras: a reunião dos processos não constitui fato impeditivo para a aplicação desses institutos. A vara comum ou o tribunal do júri conta com competência para isso.
4ª) Não quer a nova lei que se adote, em relação às infrações de menor potencial ofensivo, outra política criminal distinta do consenso. Apesar da conexão ou da continência (entre a infração de menor potencial ofensivo e outra do juízo comum), em relação à primeira (menor potencial ofensivo) deve-se seguir a política do consenso (não a conflitiva).
5ª) Deve-se respeitar, de outro lado, a opção relevante que a lei dos juizados já havia feito em favor da vítima. Havendo possibilidade de composição civil dos danos, não há como evitar que isso possa acontecer. A velha reivindicação da vitimologia (reparação dos danos em favor da vítima) continua preservada, mesmo que haja conexão de infrações.
6ª) A reafirmação da lei nova em favor do consenso (mesmo havendo conexão) afasta qualquer possibilidade de sua exclusão, salvo quando presentes os impedimentos para a transação penal contidos na própria lei dos juizados (art. 76): ter o agente sido beneficiado com outra transação nos últimos cinco anos, ter condenação definitiva anterior etc.
7ª) Em síntese: já não é possível somar a pena máxima da infração de menor potencial ofensivo com a da infração conexa (de maior gravidade) para excluir a incidência da fase consensual. A soma das penas máximas, mesmo que ultrapassado o limite de dois anos, não pode ser invocada como fator impeditivo da transação penal. 
8ª) A infração de menor potencial ofensivo (conexa) deve, dessa maneira, ser analisada isoladamente (é esse o critério adotado para a prescrição no art. 119 do Código penal). Cada infração deve ser considerada individualmente.
9ª) A infração penal conexa de maior gravidade não pode ser invocada como fator impeditivo da incidência dos institutos da transação ou da composição civil. A lei assim determinou. De outro lado, no que se refere a essa infração de maior gravidade, recorde-se que o agente é presumido inocente. Ela não pode, desse modo, ser fator impeditivo da transação penal.
10ª) O juízo comum (ou do júri), que é o juízo com força atrativa, deve designar, desde logo, uma audiência de conciliação (que deve ser prioritária). Primeiro, deve-se solucionar a fase do consenso (transação penal e composição civil). Depois, vem a fase conflitiva relacionada com a infração de maior gravidade. O processo penal, nesse caso, passa a ser misto: é consensual e conflitivo. Consensual num primeiro momento e conflitivo após.
11ª) Pode ser que caiba, em relação à infração de maior gravidade, suspensão condicional do processo. Na mesma audiência de conciliação as duas questões podem ser tratadas. Mas isso pressupõe denúncia quanto à infração de média gravidade (pena mínima não superior a um ano admite a suspensão condicional do processo).
12ª) Não pode haver denúncia (ou queixa) de plano em relação à infração de menor potencial ofensivo. Quanto a ela rege a audiência de conciliação (ou seja: a fase consensual da lei dos juizados). O acusador deve formular