DIREITO PROCESSUAL PENAL – PONTO 09
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DIREITO PROCESSUAL PENAL – PONTO 09


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da pena e a infração posterior tiver decorrido período de tempo superior a 5 (cinco) anos, computado o período de prova da suspensão ou do livramento condicional, se não ocorrer a revogação.\u201d]. HC deferido para anular o processo contra o paciente desde a data de sua audiência e determinar a remessa dos autos ao Ministério Público do Estado de São Paulo, para que, afastado o óbice do caput do art. 89 da Lei 9.099/95, seja analisada a presença, ou não, dos demais requisitos necessários à concessão do sursis processual. Precedentes citados: HC 80897/RJ (DJU de 1º.8.2003) e HC 86646/SP (DJU de 9.6.2006). HC 88.157/SP, rel. Min. Carlos Britto, 28.11.2006. 
SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO - BALIZAS - APRECIAÇÃO. Incumbe ao julgador apreciar o concurso dos requisitos previstos no artigo 89 da Lei nº 9.099/95, não implicando invasão do espaço destinado ao Ministério Público a glosa de proposta efetuada. SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO - CONDIÇÕES - PRESUNÇÃO DE NÃO-CULPABILIDADE. O requisito de não estar sendo o acusado processado não encerra a presunção de culpabilidade, mas dado relativo a certa política criminal adotada. \ufffd
A proposta é feita oralmente ao autor do delito, especificando-se todas as suas condições. O juiz fiscaliza os requisitos legais, no entanto, não é obrigado a aceitá-la e caso venha a discordar pode remeter os autos ao Procurador-Geral, por analogia ao art. 28 do CPP. Embora o juiz não possa modificar a proposta do MP, salvo na hipótese de a pena de multa ser a única aplicável o juiz pode reduzi-la até a metade (art. 76, § 1°). 
Da sentença de homologação, é possível a interposição de recurso de apelação, no prazo de 10 dias. 
8 - Descumprimento do acordo da Transação Penal
 Em caso de descumprimento do acordo homologado, não se pode falar em conversão da pena restritiva de direitos em liberdade. O STF tem o entendimento de que deve ser declarado insubsistente o acordo, retornando-se ao status quo antes (oferecimento da denúncia ou queixa pelo autor).
Existia uma divergência em saber se quando fosse descumprido o acordo se poderia oferecer a denúncia ou se estaria impedido. Existia a posição jurisprudencial de que a homologação da transação fazia coisa julgada material, por isso não poderia oferecer denúncia. No entanto, houve julgamento em 2009, em sede de repercussão geral, no RE nº 602072 confirmando a posição acima:
Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, reconheceu a existência de repercussão geral, reafirmou a jurisprudência da Corte acerca da possibilidade de propositura de ação penal quando descumpridas as cláusulas estabelecidas em transação penal (art. 76 da Lei nº 9.099/95) e negou provimento ao recurso. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Eros Grau e, neste julgamento, o Senhor Ministro Carlos Britto. Plenário, 19.11.2009.
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TRANSAÇÃO PENAL. DESCUMPRIMENTO. ACORDO. POSIÇÃO DO STJ
A Turma concedeu a ordem e reiterou o entendimento segundo o qual não cabe o oferecimento de denúncia tanto no caso de não-pagamento da pena de multa substitutiva, quanto no de aplicação da pena restritiva de direito de prestação pecuniária, resultantes de transação. HC 60.941-MG, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, julgado em 21/9/2006.
TRANSAÇÃO PENAL. DESCUMPRIMENTO.
Faz coisa julgada formal e material a sentença que homologa a aplicação de pena restritiva de direitos decorrente de transação penal (art. 76 da Lei n. 9.099/1995). Assim, transcorrido in albis o prazo recursal e sobrevindo descumprimento do acordo, mostra-se inviável restabelecer a persecução penal. Precedentes citados: HC 91.054-RJ, DJe 19/4/2010; AgRg no Ag 1.131.076-MT, DJe 8/6/2009; HC 33.487-SP, DJ 1º/7/2004, e REsp 226.570-SP, DJ 22/11/2004. HC 90.126-MS, 6ª Turma, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 10/6/2010.
TRANSAÇÃO PENAL. DESCUMPRIMENTO. ACORDO. JULGADOS DO TRF1
No TRF1, encontrei a seguinte decisão, tendo por relator OLINDO MENEZES. HC - HABEAS CORPUS \u2013 200501000687850 (DJ DATA:13/01/2006).
PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. EXAURIMENTO DE TRANSAÇÃO PENAL. REINÍCIO DA AÇÃO PENAL. COAÇÃO ILEGAL. 1. Segundo os precedentes, a sentença que homologa a transação penal é de natureza condenatória, gerando eficácia de coisa julgada, formal e material, em ordem a impedir a propositura ou o andamento da ação penal pelo mesmo fato, mesmo na hipótese de descumprimento, situação processual que, se configurada, traduz coação ilegal. 2. O cumprimento de acórdão do tribunal, em recurso criminal de decisão que remetera os autos ao juizado especial criminal federal, dando pela competência da vara federal criminal comum, pressupõe tempo processualmente hábil. Tendo havido transação penal, de resto já exaurida, torna-se impossível o reinício da ação penal sem ofensa ao princípio do non bis in idem. 3. Ordem de habeas corpus que se concede.
PENAL. PROCESSUAL PENAL. RECURSO EM SENTIDO ESTRITO. ART. 289, § 2º, DO CÓDIGO PENAL. SENTENÇA HOMOLOGATÓRIA DE TRANSAÇÃO PENAL. NATUREZA. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. EFICÁCIA DE TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL. PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO.
1. Em havendo a transação penal sido homologada, como se deu no caso em apreciação (fls. 27/28), a sentença que a homologa, prevista no art. 76, § 5º, da Lei n.º 9.099/95, apresenta natureza condenatória, gerando eficácia de coisa julgada material e formal e obstando a instauração de ação penal em desfavor do apontado autor do fato tido por delituoso, na hipótese de descumprimento do acordo homologado. Precedente jurisprudencial da 5.ª Turma do egrégio Superior Tribunal de Justiça.
(...)
4. Uma vez homologada a sentença de transação penal, constitui-se ela em título executivo judicial hábil a embasar eventual execução penal, incumbindo ao Estado exigir o que foi materialmente composto na transação penal, não mais se apresentando juridicamente possível a instauração de ação penal, em face de seu eventual descumprimento. Precedentes jurisprudenciais do egrégio Superior Tribunal de Justiça.
5. Recurso parcialmente provido.
(RSE 2008.35.00.016842-0/GO, Rel. Desembargador Federal I'talo Fioravanti Sabo Mendes, Quarta Turma,e-DJF1 p.166 de 05/05/2009)
CONSTITUCIONALIDADE DO INSTITUTO DA TRANSAÇÃO PENAL
Em relação à sua constitucionalidade, existem três fundamentos bastante convincentes:
A própria Constituição Federal prevê a transação penal no art. 98.
Não há ofensa ao devido processo legal nem ao princípio da presunção de inocência, pois, na transação penal, não se discute a culpabilidade do autor do fato, ou seja, ele não se declara em nenhum momento culpado, não havendo, tampouco, efeitos penais ou civis, reincidência, registro ou antecedentes criminais.
Não existe nenhuma possibilidade de se aplicar ao autor do fato, por força da transação penal, pena privativa de liberdade, pois é absolutamente impossível, à luz do nosso direito positivo, converter-se a pena restritiva de direitos ou a multa transacionada e não cumprida em pena de privação da liberdade, pois não haveria parâmetro para a conversão (no primeiro caso \u2013 art. 44, § 4º, CP) e porque o art. 182 da Lei de Execuções Penais foi expressamente revogado (no segundo caso). 
9 \u2013 EFEITOS DA SENTENÇA \u2013 A natureza jurídica da sentença que acerta a transação penal é homologatória, não é sentença condenatória nem absolutória. A sentença homologatória tem como efeitos: a) não gera maus antecedentes; b) não serve como título executivo no juízo cível; c) não gera reincidência; d) a transação efetuada com um dos co-autores ou partícipes não se estende nem se comunica aos demais; e) o juiz acaba sua função jurisdicional, limitando-se a atuar no feito em caso de erro material ou embargos declaratórios.
10 - Procedimento Sumaríssimo \u2013 Caso não ocorra a composição civil dos danos [somente na ação penal privada ou pública condicionada a representação] nem a transação penal (por não ter sido aceita ou por se tratar de