DIREITO PROCESSUAL PENAL – PONTO 09
34 pág.

DIREITO PROCESSUAL PENAL – PONTO 09


DisciplinaDireito Processual Penal I19.937 materiais148.716 seguidores
Pré-visualização14 páginas
ação privada) abre-se a oportunidade para que o Ministério Público oferte sua denúncia ou o ofendido apresente sua queixa. A denúncia deve ser ofertada oralmente (art. 77) ou se o Ministério Público entender complexa a causa, poderá requerer ao Juiz o encaminhamento das peças existentes ao Juízo comum. Oferecida a denúncia ou queixa, será reduzida a termo e se entregará cópia ao acusado que será citado e cientificado do dia e hora da audiência de instrução e julgamento (art. 78). A citação do acusado deverá ser feita pessoalmente (no próprio juizado ou por mandado).
O número de testemunhas é de 05 (cinco), por parte. Dispensa-se o formal exame de corpo de delito, substituindo-se por boletim médico ou prova equivalente (art. 77, § 1°). A defesa deve apresentar o rol testemunhas da defesa dentro de 05 (cinco) dias antes da realização da audiência de instrução e julgamento. 
Aberta a audiência de instrução e julgamento haverá o seguinte rito: 1) será dada a palavra ao defensor para responder à acusação. 2) Caso a denúncia seja rejeitada, cabe apelação com prazo de 10 (dez) dias, se for aceita a denúncia não cabe recurso. 3) A vítima é ouvida. 4) Nessa ordem, as testemunhas de acusação e defesa são ouvidas (O acusado deve trazer suas testemunhas à audiência, ou requerer a sua intimação, com antecedência mínima de 5 dias) e, por fim, o interrogatório do acusado. 5) Em seguida passa-se aos debates orais (por analogia ao sumário o prazo de 20 minutos para cada parte) e à prolação da sentença. O assistente pode ser admitido após o recebimento da denúncia. As provas são produzidas em audiência, podendo ser limitadas a critério do juiz, quando as achar excessivas.
No rito sumaríssimo, antes do recebimento da peça vestibular, abre-se para a defesa a possibilidade de oferecer por escrito sua defesa. O réu somente é interrogado após a oitiva das testemunhas arroladas pela acusação e defesa. 
11 - Recurso 
Os recursos do juízo monocrático são dirigidos à Turma Recursal (órgão de segunda instância dos Juizados Especiais, composto por três juízes em exercício no primeiro grau de jurisdição), excluindo-se o prolator da decisão recorrida. O julgamento realizado pelas turmas recursais dispensa o acórdão. 
Obs.: Lembrar da criação de cargos de juiz federal de turmas recursais de Juizados Especiais.
a) Apelação: deve ser interposta no prazo de 10 (dez) dias, acompanhada das razões. Se a apelação não estiver acompanhada de razões terá que ser apresentado no decêndio legal para ser conhecida. A apelação terá cabimento nas seguintes hipóteses: a) rejeição da denúncia ou queixa; b) sentença homologatória da transação; c) sentença de mérito. 
b) Embargos de declaração: podem ser opostos no prazo de 05 (cinco) dias, suspendendo o prazo para interposição de outro recurso e são cabíveis nas hipóteses da sentença ou acórdão apresentar obscuridade, contradição, omissão ou dúvida.
Além disso, das decisões das Turmas Recursais é cabível a interposição de recurso extraordinário, inclusive HC, não sendo cabível \u2013 no entanto \u2013 a interposição de recurso especial. 
Para Cezar Roberto Bitencourt e Ada Pelegrini Grinover, a previsão destes recursos na Lei 9.099/95 não exclui a possibilidade de interposição dos recursos previstos no CPP. 
As turmas recursais também têm competência para julgar habeas corpus e mandado de segurança relativos a atos dos juizados. Já a revisão criminal é da competência do TRF ou TJ (???). 
Ao contrário do RE, o REsp somente é cabível de julgamento de TJ ou TRF.
Habeas Corpus contra Turmas Recursais: Antigamente era o STF (Súmula 690 do STF: Compete originariamente ao Supremo Tribunal Federal o julgamento de habeas corpus contra decisão de turma recursal de juizados especiais criminais), mas mudou de orientação sem, no entanto, cancelar a súmula .
Ato de Turma Recursal de Juizado Especial Criminal e Competência
O Tribunal, por maioria, mantendo a liminar deferida, declinou da sua competência para o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, a fim de que julgue habeas corpus impetrado contra ato da Turma Recursal do Juizado Criminal da Comarca de Araçatuba - SP em que se pretende o trancamento de ação penal movida contra delegado de polícia acusado da prática do crime de prevaricação \u2014 v. Informativo 413. Entendeu-se que, em razão de competir aos tribunais de justiça o processo e julgamento dos juízes estaduais nos crimes comuns e de responsabilidade, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral (CF, art. 96, III), a eles deve caber o julgamento de habeas corpus impetrado contra ato de turma recursal de juizado especial criminal. Asseverou-se que, em reforço a esse entendimento, tem-se que a competência originária e recursal do STF está prevista na própria Constituição, inexistindo preceito que delas trate que leve à conclusão de competir ao Supremo a apreciação de habeas ajuizados contra atos de turmas recursais criminais. Considerou-se que a EC 22/99 explicitou, relativamente à alínea i do inciso I do art. 102 da CF, que cumpre ao Supremo julgar os habeas quando o coator for tribunal superior, constituindo paradoxo admitir-se também sua competência quando se tratar de ato de turma recursal criminal, cujos integrantes sequer compõem tribunal. Vencidos os Ministros Sepúlveda Pertence, Cármen Lúcia e Celso de Mello que reconheciam a competência originária do STF para julgar o feito, reafirmando a orientação fixada pela Corte em uma série de precedentes, no sentido de que, na determinação da competência dos tribunais para conhecer de habeas corpus contra coação imputada a órgãos do Poder Judiciário, quando silente a Constituição, o critério decisivo não é o da superposição administrativa ou o da competência penal originária para julgar o magistrado coator ou integrante do colegiado respectivo, mas sim o da hierarquia jurisdicional. STF, HC 86.834/SP, rel. Min. Marco Aurélio, 23.8.2006.
Ato de Turma Recursal de Juizado Especial Criminal: RMS e Competência do STF
Não cabe ao STF o conhecimento de recurso ordinário interposto contra decisão denegatória de mandado de segurança emanada de turma recursal de juizado especial criminal. Com base nesse entendimento, a Turma negou provimento a agravo regimental em recurso ordinário em mandado de segurança em que se alegava o cabimento do recurso. Entendeu-se que a Constituição é taxativa (art. 102, II, a) quanto à interposição de recurso em mandado de segurança, o qual só cabe contra acórdão de tribunal superior, e que, apesar de as turmas recursais funcionarem como segunda instância recursal, enquadram-se como órgãos colegiados de primeiro grau. Ademais, afastou-se a pretensão de interpretação, por analogia, com o recurso em habeas corpus interposto contra órgão colegiado de 1º grau, haja vista tratar-se de orientação superada em face do que decidido, pelo Plenário, no HC 86.834/SP (j. em 23.8.2006), no sentido de que compete aos tribunais de justiça processar e julgar habeas corpus impetrado contra ato de turma recursal de juizado especial criminal.
RMS 26.058 AgR/DF, rel. Min. Sepúlveda Pertence, 2.3.2007. (RMS-26058, Informativo STF 457).
12 \u2013 SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO \u2013 A suspensão condicional do processo é hipótese prevista no art. 89 da Lei 9.099/95 e não foi alterada pela vigência da Lei n° 10.259/01. Por essa norma o membro do Ministério Público pode, ao propor a denúncia, ofertar a suspensão do processo, mediante condições pelo prazo de 02 a 04 anos. A proposta de suspensão somente é cabível na hipótese do eventual beneficiário atender aos seguintes requisitos: a) não estar sendo processado; b) não ter sido condenado por outro crime somado aos demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (art. 77 do CP: I - o condenado não seja reincidente em crime doloso; II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias autorizem a concessão do benefício). 
A pena mínima arbitrada na condenação