PROCESSO PENAL - PONTO7º
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PROCESSO PENAL - PONTO7º


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dos autos (art. 583, CPP). 
Em regra, não tem efeito suspensivo (art. 584, CPP).
ATENÇÃO: Sob o ponto de vista estritamente legal, atualmente, por conta do art. 416, CPP, o assistente de acusação somente pode interpor RESE em uma hipótese: QUANDO HÁ EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE (art. 584, §1º, CPP). Vale lembrar, entretanto, que a doutrina e a jurisprudência vem ampliando o interesse recursal do assistente.
ATENÇÃO: No RESE, diferentemente da apelação (art. 600, §4º, CPP), não é possível a apresentação de razões no segundo grau, haja vista a possibilidade de retratação por parte do juiz.
2. APELAÇÃO
Encontra-se previsto no artigo 593, devendo ser interposto em 5 dias, com prazo para juntada das razões em 8 dias (art. 600, CPP). Com ou sem razões, os autos serão submetidos à instância superior (art. 601, CPP).
ATENÇÃO: A apresentação de razões e contrarrazões NÃO é obrigatória, e isso não impedirá o conhecimento e julgamento do recurso, pois o âmbito recursal é delimitado na interposição. De todo modo, o que se deve garantir são aos prazos para apresentação de razões e contrarrazões.
Diferentemente do RESE (interposto por instrumento), a apelação pode ser interposta por PETIÇÃO ou TERMO nos autos. A petição de interposição é dirigida ao magistrado \u201ca quo\u201d, que exercerá um juízo de prelibação. Intima-se apelante e apelado para a apresentação de razões e contrarrazões. A interposição por termo nos autos normalmente ocorre nos casos de sentença proferida oralmente, mas, nada impede que a parte se dirija ao cartório e peça para reduzir a termo a petição de interposição. O réu preso será intimado pessoalmente da sentença e poderá na mesma oportunidade assinar o termo de renúncia do recurso ou o termo de recurso, sendo esse tipo de apelação considerada como por termo nos autos. A expressão \u201cciente-Recorro\u201d não é um termo nos autos, mas, pode o juiz entender como tal. Entretanto, o juiz pode considerar como não o sendo, e, assim, o recurso não será recebido. 
OBS: Art. 600, §4º, CPP, autoriza a apresentação das razões diretamente no tribunal. Este expediente normalmente é utilizado pela defesa, embora não haja vedação à sua utilização pela acusação. A regra, no entanto, é bastante criticada, pois dá margem à procrastinação do feito.
OBS: No CPP, a apelação pode ser: a) principal (interposta pela parte); b) subsidiária/supletiva (interposta pelo assistente de acusação), 
A LEGITIMIDADE para apelar é conferida ao: a) réu, de próprio punho, em nome próprio (não precisa da capacidade postulatória), devendo as razões ser ofertadas por advogado, constituído ou nomeado pelo juiz; b) advogado.
ATENÇÃO: Nos Juizados Especiais Criminais, o recurso é encaminhado a um Colégio Recursal, a uma turma recursal, que é órgão colegiado de 1ª instância; o prazo é de 10 dias (art. 82, §1º, Lei 9.099/95), mas não há a duplicidade de atos, pois no mesmo ato a parte apela e apresenta razões. Entretanto, prevalece no STF o entendimento de que, assim como no procedimento comum, nos Juizados, o recurso pode ser interposto sem as razões, não havendo qualquer nulidade neste caso (HC 85.344/MS).
As HIPÓTESES DE CABIMENTO (art. 593, CPP) são as seguintes: I e II) das sentenças definitivas ou com força de definitiva (não sendo o caso de RESE) proferidas por juiz singular (FUNDAMENTAÇÃO LIVRE); II) das decisões do Tribunal do Júri (Súmula 713 do STF; FUNDAMENTAÇÃO VINCULADA; teoria da ASSERÇÃO: cabe ao recorrente afirmar um dos fundamentos legais):
a) ocorrer nulidade posterior à pronúncia; 
b) for a sentença do juiz-presidente contrária à lei expressa ou à decisão dos jurados; 
c) houver erro ou injustiça no tocante à aplicação da pena ou da medida de segurança;
d) for a decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos autos.
OBS: Com o advento da Lei 11.698/2008, a apelação passa a abranger mais duas hipóteses: contra sentença de impronúncia ou de absolvição sumária (art. 416, CPP).
ATENÇÃO: JUÍZO RESCINDENTE \u2013 o tribunal rescinde a decisão de 1º grau, eliminando-a.
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 JUÍZO RESCISÓRIO \u2013 o acórdão do tribunal substitui a sentença do juízo de 1º grau.
OBS: Na alínea \u201cd\u201d, art. 593, III, CPP, o tribunal, ao julgar a apelação, profere juízo apenas RESCINDENTE, e não rescisório (art. 593, §3º, CPP). Nos demais casos, há juízo rescindente e rescisório (art. 593, §§1º e 2º, CPP). 
OBS: O PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO (art. 593, § 4º, CPP) determina que, quando cabível a apelação (recurso mais amplo no CPP), não se utiliza o RESE, mesmo que em tese cabível. Ex: ao julgar dois crimes, o juiz, em uma mesma sentença, condena por um crime (cabimento de apelação), e julga extinta a punibilidade quanto ao outro (cabimento de RESE). Neste caso, deve ser interposta unicamente a apelação.
OBS: Na apelação ordinária (crimes punidos com reclusão), há a figura do REVISOR. Na apelação sumária (demais crimes), NÃO existe revisor (arts. 610 e 613 do CPP).
3. PROTESTO POR NOVO JÚRI
Tratava-se de recurso EXCLUSIVO DA DEFESA. Era utilizado para realização de um novo júri, quando, em razão de um único crime, tivesse sido imposta pena de reclusão igual ou superior a 20 anos. Não havia necessidade de fundamentação, motivação. Só poderia ser utilizado uma vez. Prazo de interposição era 5 dias. Seu principal efeito era a ANULAÇÃO DO JULGAMENTO ANTERIOR, sendo o réu era levado a novo júri. Se o juiz não recebia o protesto, cabia carta testemunhável. Este recurso foi retirado do ordenamento jurídico brasileiro pela Lei nº 11.689/2008.
ATENÇÃO: Há doutrina minoritária que entende pela aplicabilidade desta espécie recursal aos crimes cometidos à época de sua vigência. Prevalece, no entanto, o entendimento de que a lei que rege o recurso é aquela vigente à época da decisão recorrida (tempus regit actum).
OBS: As penas NÃO podiam ser somadas para efeitos de cabimento do presente recurso, no concurso material. No CONCURSO FORMAL e no CRIME CONTINUADO, o aumento servia para o cômputo dos 20 anos mínimos para o cabimento do recurso. Nos CRIMES CONEXOS, as penas não podiam ser somadas. Em caso de crimes conexos podiam ser interpostos apelação e protesto por novo júri (art. 608). Nesta hipótese, a apelação aguardava o novo julgamento. Se o réu não apelasse quanto ao conexo, haveria coisa julgada.
OBS: Embora o art. 607, §1º, CPP, fosse expresso em vedar o protesto por novo júri quando a condenação superior a vinte anos decorresse de julgamento de apelação, havia controvérsia sobre sua possibilidade, ou não, quando a condenação decorresse de recurso. É que a parte final do dispositivo supra fazia remissão ao art. 606, do próprio CPP, o qual se encontra revogado. Por conta disso, alguns defendiam (LFG) que o § 1º, do art. 607, CPP, teria sido revogado com a revogação do art. 606, CPP. Outros (Capez), por sua vez, sustentavam que não poderia haver protesto quando a condenação fosse no julgamento de apelação. No STJ (REsp 33.259/SP e HC 74.633/SP) prevalecia o entendimento pela possibilidade do protesto. 
OBS: No segundo júri, a pena podia ser maior? Tudo depende do que fazia o MP. Se o MP concordava com a pena anterior, e não recorria, a pena nova NÃO poderia ser maior, em nenhuma hipótese. Por outro lado, se o réu MP concordava com a pena, a nova pena podia ser maior, porque não havia trânsito em julgado diante do recurso do MP, podendo a pena ser aumentada.
4. EMBARGOS INFRINGENTES E DE NULIDADE
Cabimento previsto no art. 609, p. único, CPP. São duas espécies recursais exclusivas da defesa (MP pode interpor em favor do réu), sendo-lhes comum o PRAZO (10 dias), e o fato de que somente são cabíveis contra decisão NÃO unânime do tribunal que julgar APELAÇÃO, RESE ou AGRAVO EM EXECUÇÃO. Os limites da impugnação, por sua vez, se encontram no voto vencido (somente pode se pedir o que o voto vencido concedeu).
OBS: EMBARGOS INFRINGENTES \u2013 versam sobre o mérito (jus puniendi).
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 EMBARGOS DE NULIDADE \u2013 versam sobre vício