PROCESSO PENAL - PONTO7º
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PROCESSO PENAL - PONTO7º


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Ext 1174/Confederação Helvética);
NÃO consumação da prescrição no Brasil e no Estado requerente;
Extraditando NÃO poderá ser julgado perante Tribunal ou Juízo de exceção no Estado requerente.
OBS: Havendo mais de um Estado interessado em extraditar o indivíduo pelo mesmo fato, a extradição deverá ser deferida àquele em cujo território a infração foi cometida (art. 79, Lei 6.815/80). Se forem fatos diversos, a preferência obedece à seguinte ordem: 1º) território em que tenha sido praticada a infração mais grave, segundo a lei brasileira; 2º) se a gravidade for idêntica, a Estado requerente que primeiro tiver solicitado a extradição; 3º) se os pedidos forem simultâneos, ao Estado de origem, ou, na sua falta, ao de domicílio do extraditando (art. 79, §1º, Lei 6.815/80). Havendo tratado ou convenção, no entanto, devem prevalecer as respectivas normas (art. 79, §3º, Lei 6.815/80).
A extradição se inicia mediante requerimento de Estado no qual o indivíduo deva cumprir pena ou ser processado penalmente. É necessária a existência de tratado de extradição ou a promessa de reciprocidade do Estado requerente (art. 76, Lei 6.815/80). O Estatuto do Estrangeiro prevê que a extradição será requerida por via diplomática ou inexistindo agente diplomático do Estado, diretamente, de governo a governo. O pedido de extradição deve estar na forma e ser instruído com os documentos referidos no art. 80. Chegando o pedido ao Estado brasileiro, no qual o Ministério das Relações Exteriores o recebe, deverá ser encaminhado ao Ministro da Justiça, que aí o encaminhará ao STF, onde será determinada a prisão do extraditando (art. 208 do RISTF), devendo permanecer preso até o julgamento final do pedido (art. 213, RISTF). 
ATENÇÃO: É de que se destacar que, inicialmente, a lei previa a prisão do extraditando por ato determinado pelo Ministro da Justiça. Atualmente, no entanto, é pacífico o entendimento de que a prisão para fins de extradição, assim como todas as demais prisões de caráter administrativo, somente podem ser decretadas por autoridade judicial (STF: HC 82.428/SP).
OBS: A jurisprudência mais recente do STF (Informativo 639 do STF: Ext 1.254 QO/ROMÊNIA) vem se orientando no sentido de que \u201c(...) a prisão preventiva para fins de extradição constitui REQUISITO DE POCEDIBILIDADE DA AÇÃO EXTRADICIONAL, não se confundindo com a segregação preventiva de que trata o CPP. Esse entendimento jurisprudencial já foi, por vezes, mitigado, diante de uma tão vistosa quanto injustificada demora na segregação do extraditando e em situações de evidente desnecessidade do aprisionamento cautelar do estrangeiro requestado (...)\u201d. \u201c(...) A prisão preventiva para fins extradicionais é de ser balizada pela necessidade e pela razoabilidade do aprisionamento\u201d. E, caracterizada a desproporcionalidade da medida no caso concreto, é de se impor o relaxamento da prisão, observadas as seguintes cautelas, sob pena de renovação do decreto prisional: a) depósito do passaporte do extraditando no STF; b) impossibilidade de sair do Estado em que reside sem autorização do Relator do processo de extradição; c) compromisso de comparecer semanalmente a juízo federal localizado no Estado de seu domicílio para dar conta de suas atividades; d) compromisso de atender a todo e qualquer chamamento judicial.
OBS: O art. 82 da Lei n° 6.815/80 prevê que em caso de urgência, antes do processo de extradição, poderá ser formulado pedido de prisão, por qualquer meio de comunicação, por \u201cautoridade competente, agente diplomático ou consular do Estado requerente.\u201d O pedido deve estar baseado em \u201csentença condenatória, auto de prisão em flagrante, mandado de prisão, ou, ainda, em fuga do indiciado\u201d (art. 82, §1º, Lei 6.815/80). Após a prisão, o Estado deverá formalizar o pedido de extradição no prazo de até 90 (noventa) dias (art. 82, §2º, Lei 6.815/80). Saliente-se, entretanto, que tal prazo vem sendo RELATIVIZADO pela jurisprudência (Informativo 593 do STF: PPE 623-QO/República do Líbano).
O processamento do pedido se encontra previsto no art. 85, Lei 6.815/90. Não cabe recurso da decisão do STF que concede a extradição (art. 83, Lei 6.815/80). E o indeferimento do pedido de extradição \u201cfaz coisa julgada\u201d, somente admitindo-se nova extradição por fato diverso (art. 88, Lei 6.815/80).
Concedida a extradição o fato é comunicado \u2013 via Ministério das Relações Exteriores \u2013 à missão diplomática do Estado requerente, que possui prazo de 60 dias para retirar o extraditando do território nacional. Findo o prazo e omisso o Estado requerente, o extraditando será posto em liberdade, se não houver razão para sua expulsão (art. 86, Lei 6.815/80). 
Mesmo sendo concedida a extradição, pode não ser possível a retirada do extraditando do território brasileiro, pelas razões do art. 89, Lei 6.815/80, dispositivo legal que não se confunde com o óbice do art. 77, V, Lei 6.815/80, pois neste o agente responde a processo ou foi condenado/absolvido pelo mesmo fato em que se funda a extradição, enquanto que naquele o agente responde a processo ou foi condenado por fato diverso. 
Por outro lado, o Governo poderá entregar o extraditando, ainda, que responda a processo ou esteja condenado por contravenção, nos termos do art. 90, Lei 6.815/80. Note-se que, enquanto responder a processo ou cumprir pena por CRIME a que foi condenado, o agente não será extraditado (art. 89, Lei. 6.815/80); em se tratando, no entanto, de CONTRAVENÇÃO, a existência de processo pendente ou mesmo condenação com pena a cumprir não impede a imediata entrega do extraditando.
OBS: A extradição, ainda que respeitadas todas as formalidades, somente será efetivada caso o Estado requerente assuma o compromisso (art. 91, Lei 6.815/80): \u201cI \u2013 de não ser o extraditando preso nem processado por fatos anteriores ao pedido (PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE; é possível, no entanto, ao Estado requerente formular pedido de EXTENSÃO, observadas as condições previstas no art. 77, Lei 6.815/80; Informativo 523 do STF: Ext. 1052 Extensão/Reino dos Países Baixos); II \u2013 de computar (DETRAÇÃO) o tempo de prisão que, no Brasil, foi imposta por força da extradição; III - de comutar em pena privativa de liberdade (limite máximo de 30 anos), a pena corporal ou de morte, ressalvados, quanto à última, os casos em que a lei brasileira permitir a sua aplicação; IV \u2013 de não ser o extraditando entregue, sem consentimento do Brasil a outro Estado que o reclame (vedação à REEXTRADIÇÃO); e V \u2013 de não considerar qualquer motivo político para agravar a pena\u201d. 
ATENÇÃO: Súmula 692 do STF - EXTRADIÇÃO E HC.
EXPULSÃO (arts. 65 a 75, Lei 6.815/80; arts. 100 a 109, Decreto 86.715/81)
A expulsão representa a exclusão de estrangeiro do território nacional, sem destino determinado, por ato discricionário do Chefe do Poder Executivo (Decreto), nos termos do art. 66, Lei 6.815/80. É discricionário porque o Estado brasileiro sempre pode deixar de expulsar o estrangeiro do seu território. No entanto, somente poderá expulsá-lo se presentes os seus requisitos legais. 
OBS: Vale salientar que o Decreto 3.447/00 delega competência ao Ministro de Estado da Justiça para resolver sobre a expulsão de estrangeiro do país.
Somente o Estado de origem/nacionalidade do indivíduo tem o dever de recebê-lo. Em regra, pode-se dizer que a expulsão ocorre nos casos em que o estrangeiro atentar contra a segurança nacional, a ordem política ou social, a tranqüilidade e a moralidade pública e a economia popular, cujas atitudes o tornem nocivo à convivência e aos interesses nacionais (art. 65, Lei 6.815/80). \u201cÉ passível, também, de expulsão o estrangeiro que: a) praticar fraude a fim de obter a sua entrada ou permanência no Brasil;b) havendo entrado no território brasileiro com infração à lei, dele não se retirar no prazo que lhe for determinado para fazê-lo, não sendo aconselhável a deportação; c) entregar-se à vadiagem ou à mendicância; ou d) desrespeitar proibição especialmente prevista em lei para estrangeiro\u201d (art. 65, p. único, Lei 6.815/80).
É de se notar, entretanto, que, se