DIREITO PROCESSUAL PENAL – PONTO 5
29 pág.

DIREITO PROCESSUAL PENAL – PONTO 5


DisciplinaDireito Processual Penal I19.968 materiais149.678 seguidores
Pré-visualização10 páginas
\ufffd PAGE \* MERGEFORMAT \ufffd1\ufffd
DIREITO PROCESSUAL PENAL \u2013 PONTO 5
Processo: finalidade, pressupostos e sistemas. Procedimentos: crimes apenados com reclusão; crimes apenados com detenção; contravencional; crimes de abuso de autoridade; crimes de responsabilidade; crimes contra o meio-ambiente; entorpecentes; crimes contra a economia popular; crimes de imprensa; crimes contra o sistema financeiro nacional; homicídio e lesão corporal culposos; júri; crimes contra a honra; Lei n. 9.099/95 \u2013 aplicação na Justiça Federal. Atos processuais. Forma. Lugar. Tempo. Despachos. Decisões interlocutórias. Sentenças. Comunicações, forma, lugar, prazo. Citações e intimações. Revelia. Fixação da pena. Nulidades 
Atualizado em nov/2010
Atualizado por Rafael de Sousa Branquinho e Assis \u2013 08/2012
1 - PROCESSO: FINALIDADE, PRESSUPOSTOS E SISTEMAS. 
1 PROCESSO
Processo é um conjunto de atos que visa a solucionar um litígio. Processo = Procedimento em contraditório + relação jurídica processual
Procedimento é a ordem seqüencial dos atos.
Todo processo tem um procedimento. Em âmbito jurisdicional, não há procedimento sem processo.
Internamente o processo é uma relação jurídica triangular porque comporta: juiz, autor e réu.
1.1 CARACTERÍSTICAS DO PROCESSO
1.1.1 Público: visa à aplicação do direito penal, que é público.
1.1.2 Progressivo: o processo, conceitualmente, constitui uma \u201cmarcha para a frente\u201d.
1.1.3 Autônomo: pois a relação jurídica processual não se confunde com o direito postulado.
1.1.4 Abstrato e independente: o processo independe da procedência ou não do pedido.
1.1.5 Específico: o processo é sempre atrelado a um pedido, e assim sempre a uma ação. 
FINALIDADE \u2013 Processo \u201cé a atividade jurisdicional, na sua função específica de aplicar a lei.\u201d(Noronha). A finalidade do processo é compor a lide, pacificando as partes em contenda. Tourinho expõe: \u201cSe o processo é aquele conjunto de atos que se praticam com a finalidade de dar solução ao litígio...\u201d No campo do processo penal, não há alternativa para o titular da ação penal, independentemente das partes aceitarem a pretensão deduzida na inicial o Ministério Público ou o Querelante terão que se socorrer do Poder Judiciário para aplicar a pena. Mesmo no caso da transação penal dos juizados especiais federais, as partes têm que transigir em juízo. Diferentemente no campo civil, onde a intervenção estatal não é obrigatória. Para Nestor Távora, o processo penal tem uma finalidade mediata (pacificação social) e outra imediata (aplicação do direito penal em concreto).
PRESSUPOSTOS
Partindo do princípio de que, inexistindo diferença de natureza entre a ação penal e a ação civil, os pressupostos para a constituição e regular desenvolvimento do processo devem ser os mesmos em ambas:
Classificação: Didier
\u2022	Pressupostos de Existência:
a) Órgão investido de jurisdição;
b) Demanda (e não necessariamente lide);
c) Capacidade de ser parte (capacidade de exercer direitos e contrair deveres)
\u2022	Pressupostos de Validade:
Objetivos:
 a) intrínsecos: devido processo (obs: citação é uma condição de eficácia do processo para o réu)
 b) extrínsecos: ausência de litispendência, coisa julgada e perempção
Subjetivos: 
	
a) imparcialidade do juiz		
b) competência do juiz
c) capacidade processual (de estar em juízo)/legitimidade ad processum
d) capacidade postulatória
SISTEMAS PROCESSUAIS
Segundo as formas com que se apresentam e os princípios que os informam são três os sistemas processuais utilizados na evolução histórica do direito: o inquisitivo, o acusatório e o misto.
SISTEMA INQUISITIVO Tem suas raízes no Direito Romano, quando, por influência da organização política do Império, se permitiu ao juiz iniciar o processo de ofício. Revigorou-se na Idade Média diante da necessidade de afastar a repressão criminal dos acusadores privados e alastrou-se por todo o continente europeu a partir do Século XV diante da influência do Direito Penal da Igreja e só entrou em declínio com a Revolução Francesa. 
Concentração das funções de acusar, defender e julgar na figura do juiz. Não há contraditório ou ampla defesa. O processo é normalmente escrito e secreto e se desenvolve em fases por impulso oficial. A confissão é elemento suficiente para a condenação, permitindo-se inclusive a tortura, etc. O réu é OBJETO do processo e não sujeito.
O SISTEMA ACUSATÓRIO tem suas raízes na Grécia e em Roma, instalado com fundamento na acusação oficial, embora se permitisse, excepcionalmente, a iniciativa da vítima, de parentes próximos e até de qualquer do povo. O sistema acusatório floresceu na Inglaterra e na França após a revolução, sendo hoje adotado na maioria dos países americanos e em muitos da Europa. No direito moderno, tal sistema implica o estabelecimento de uma verdadeira relação processual com o actum trium personarum, estando em pé de igualdade o autor e o réu, sobrepondo-se a eles, como órgão imparcial de aplicação da lei, o juiz. No plano histórico das instituições processuais, apontam-se como traços profundamente marcantes do sistema acusatório: a) o contraditório, como garantia político-jurídica do cidadão; b) as partes acusadora e acusada, em decorrência do contraditório, encontram-se no mesmo pé de igualdade; c) o processo é público, fiscalizável pelo olho do povo; excepcionalmente permite-se uma publicidade restrita ou especial; d) as funções de acusar, defender e julgar são atribuídas a pessoas distintas e, logicamente, não é dado ao juiz iniciar o processo (ne procedat judex ex officio); e) o processo pode ser oral ou escrito; f) existe, em decorrência do contraditório, igualdade de direitos e obrigações entre as partes, pois non debet licere actori, quod reo non permittitur; g) a iniciativa do processo cabe à parte acusadora, que poderá ser o ofendido ou seu representante legal, qualquer cidadão do povo ou um órgão do Estado. 
O SISTEMA MISTO, ou sistema acusatório formal, é constituído de uma instrução inquisitiva (de investigação preliminar e instrução preparatória) e de um posterior juízo contraditório (de julgamento). Embora as primeiras regras desse processo fossem introduzidas com as reformas da Ordenança Criminal de Luiz XIX (1670), a reforma radical foi operada com o Code d\u2019Instruction Criminelle de 1808, na época de Napoleão, espalhando-se pela Europa Continental no século XIX. É ainda o sistema utilizado em vários países da Europa e até da América Latina (Venezuela). No direito contemporâneo, o sistema misto combina elementos acusatórios e inquisitivos em maior ou menor medida, segundo o ordenamento processual local e se subdivide em duas orientações, segundo a predominância na Segunda fase do procedimento escrito ou oral, o que, até hoje é matéria de discussão.
Adotamos o sistema acusatório não ortodoxo, pois o juiz não é um espectador estático, tendo iniciativa probatória e possibilidade de concessão do HC de ofício.
Estabelece \u201co contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes\u201d (art. 5º, LV); a ação penal pública é promovida, privativamente, pelo Ministério Público (art. 129, I), embora se assegure ao ofendido o direito à ação privada subsidiária (art. 5º LIX); a autoridade julgadora é a autoridade competente \u2013 juiz constitucional ou juiz natural (art. 5º, LIII, 92 a 126); há publicidade dos atos processuais, podendo a lei restringi-la apenas quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem (art. 5º, LX).
 A doutrina tem procurado distinguir certos princípios característicos do processo penal moderno, principalmente no que se refere ao sistema acusatório. Tais princípios, porém, não são exclusivos desse sistema e a ausência ou atenuação de alguns deles não o descaracterizam. Os principais são os do estado de inocência, do contraditório, da verdade real, da oralidade, da obrigatoriedade, da oficialidade, da indisponibilidade do processo, do juiz natural e da iniciativa das