DIREITO PROCESSUAL PENAL – PONTO 5
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DIREITO PROCESSUAL PENAL – PONTO 5


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especiais criminais (menor potencial ofensivo, já que a pena máxima é inferior a 2 anos).
Procedimento relativo aos crimes de Responsabilidade (Lei n.º 1.079/50 e Decreto-Lei nº 201/67).
O DL 201/67 trata da responsabilidade de agentes políticos em dois aspectos: a) infrações político-administrativas de Prefeitos/Vereadores, sujeitas a julgamento pelas Câmaras de Vereadores, com sanção de perda do mandato (art. 4º-7º); b) crimes de responsabilidade de Prefeitos \u2013 crimes comuns, de ação pública incondicionada do MP, julgado pelo Judiciário, acarretando, pena privativa de liberdade, perda do cargo e a inabilitação para o exercício de função pública por 5 anos (art. 1º).
À época da edição da lei, não havia prerrogativa de foro para Prefeito. Hoje, ele é julgado por Tribunal. Assim, tem-se a situação do Prefeito quando do recebimento da denúncia: 1) Prefeito que ainda está no mandato: observa-se o rito da Lei 8.038/90 (art. 1º-12) c/c Lei 8.658/93; 2) Prefeito que não está mais no mandato: não possui foro e segue o rito do DL 201, que é \u201ccomum\u201d (correspondente ao ordinário, antes da Lei 11.719/08), com as seguintes modificações: a) há \u201cdefesa prévia\u201d do acusado, em 5 dias, antes do recebimento da denúncia \u2013 se não for encontrado, será nomeado defensor, para apresentação da defesa; b) recebida a denúncia, há manifestação obrigatória sobre prisão preventiva; c) da concessão ou denegação da preventiva cabe recurso em sentido estrito, com efeito suspensivo, em autos apartados (5 dias). 
A Lei 1.079/50 aplica-se aos crimes de responsabilidade (cuja definição é de competência privativa da União) do: Presidente da República, Ministro de Estado (inclusive o Advogado-Geral da União e o Presidente do BACEN), Ministro do STF e PGR. O julgamento é feito pelo Senado (trata-se de infração político-administrativa) e a sanção é a perda do cargo e a inabilitação para o exercício de função pública (a lei diz 5 anos, mas a CR diz 8 anos). O STF diz que estas penas são autônomas: se houver renúncia, pode ser aplicada a inabilitação, apesar de não haver \u201cperda do cargo\u201d. No âmbito federal, tem-se o seguinte rito para julgamento do Presidente da República e Ministro de Estado (art. 14-38): 1) \u201cDENÚNCIA\u201d: é o mecanismo por meio do qual o cidadão leva ao conhecimento da Câmara dos Deputados o fato; 2) COMISSÃO ESPECIAL (CD): criada para emitir parecer, em 10 dias, abordando se a \u201cdenúncia\u201d será objeto de deliberação; 3) VOTAÇÃO: lido o parecer na Casa, a denúncia será objeto de votação (pela CR88: 2/3 de quórum). Antes disso, porém, há um debate, em que 5 representantes de cada partido poderão falar, por 1 hora, sobre o parecer, assegurando-se à comissão resposta a todos os apontamentos; 4) ACUSAÇÃO: admitida a denúncia, considera-se decretada a acusação pela CD (que acarreta suspensão das funções: prazo max. 180 dias \u2013 CR/88); 5) ENVIO AO SENADO: sendo crime de responsabilidade, vai para o SF, com a constituição de comissão de 3 membros (da CD) para acompanhar a acusação. OBS: para o Ministro de Estado, só vai para o Senado se for conexo com crime de responsabilidade do Presidente. Do contrário, vai para o STF, se houver denúncia do PGR, tal qual ocorre no crime comum. 6) NOTIFICAÇÃO DO ACUSADO: o Presidente do SF intima o acusado para comparecer; 7) PROCEDIMENTO: sob presidência do Presidente do STF, são lidas as teses de acusação e defesa e inquiridas testemunhas (podendo haver acareação), há debates orais de até 2 horas. 8) VOTAÇÃO: após debates, é feito um relatório, um debate entre senadores e a votação (2/3 segundo a CR/88). 9) CONDENAÇÃO: a condenação implica perda do cargo e inabilitação para o exercício de função pública (a CR/88 fala em 8 anos, embora a lei fale 5 anos). Aplica-se subsidiariamente o regimento interno das casas e o CPP. Para o PGR e Ministro do STF (art. 44-73), o rito é semelhante, com uma diferença: o feito começa já no SF (não há autorização da CD). O próprio SF vota, com base em parecer de comissão especial, se a \u201cdenúncia\u201d será ou não objeto de deliberação. A condenação, pela lei, depende de \u201cmaioria simples\u201d \u2013 a CR diz que a condenação pelo SF se dá por 2/3. A lei traz também procedimento de crimes de responsabilidade de Governador, que será julgado perante a respectiva Assembleia Legislativa; nos crimes comuns, responde perante o STJ. 
CRIMES CONTRA O MEIO-AMBIENTE;
Lei 9.605/98 \u2013 arts. 25 ao 28 
CAPÍTULO IV
DA AÇÃO E DO PROCESSO PENAL
        Art. 26. Nas infrações penais previstas nesta Lei, a ação penal é pública incondicionada.
        Parágrafo único. (VETADO)
        Art. 27. Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multa, prevista no art. 76 da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, somente poderá ser formulada desde que tenha havido a prévia composição do dano ambiental, de que trata o art. 74 da mesma lei, salvo em caso de comprovada impossibilidade.
        Art. 28. As disposições do art. 89 da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, aplicam-se aos crimes de menor potencial ofensivo definidos nesta Lei, com as seguintes modificações:
        I - a declaração de extinção de punibilidade, de que trata o § 5° do artigo referido no caput, dependerá de laudo de constatação de reparação do dano ambiental, ressalvada a impossibilidade prevista no inciso I do § 1° do mesmo artigo;
        II - na hipótese de o laudo de constatação comprovar não ter sido completa a reparação, o prazo de suspensão do processo será prorrogado, até o período máximo previsto no artigo referido no caput, acrescido de mais um ano, com suspensão do prazo da prescrição; (pode durar até cinco anos)
        III - no período de prorrogação, não se aplicarão as condições dos incisos II, III e IV do § 1° do artigo mencionado no caput;
        IV - findo o prazo de prorrogação, proceder-se-á à lavratura de novo laudo de constatação de reparação do dano ambiental, podendo, conforme seu resultado, ser novamente prorrogado o período de suspensão, até o máximo previsto no inciso II deste artigo, observado o disposto no inciso III;
        V - esgotado o prazo máximo de prorrogação, a declaração de extinção de punibilidade dependerá de laudo de constatação que comprove ter o acusado tomado as providências necessárias à reparação integral do dano.
Responsabilidade da PJ
O direito brasileiro é de tradição de tronco romano-germânico, como direito escrito. Sempre vigorou o PRINCÍPIO SOCIETAS DELINQUERE NON POTEST, ou seja, a sociedade nunca pode delinqüir.
Já na tradição do direito anglo-saxão, há responsabilidade penal da pessoa jurídica (EUA e INGLATERRA), vigendo o PRINCÍPIO SOCIETAS DELINQUERE POTEST.
No direito francês, há uma certa penetração do pragmatismo da common law. Na França, há aceitação da responsabilidade penal da pessoa jurídica (MESTRE). 
No Brasil, o constituinte de 1988 rompeu com a tradição secular do PRINCÍPIO SOCIETAS DELINQUERE NOM POTEST, permitindo a responsabilidade penal da pessoa jurídica nos crimes ambientais e contra a ordem financeira (artigo 173, § 5o., CF). 
Mas esse último dispositivo NÃO foi regulamentado, assim, não se pode dizer que existe a responsabilidade penal da pessoa jurídica no campo dos delitos contra ordem econômica ou financeira.
O artigo 3o, da Lei 9.605/98, regulamenta a responsabilidade penal das pessoas jurídicas.
A pessoa jurídica deve responder pelos crimes ambientais porque o meio ambiente (direito de 3a dimensão) precisa ser protegido, porque somente a sanção penal pode ser capaz de evitar que a conduta lesiva seja praticada, mas não se pode deixar de punir a pessoa humana que esteja por trás da pessoa jurídica, esse é o SISTEMA DA DUPLA IMPUTAÇÃO, já que se deve punir a pessoa jurídica, sem prejuízo da pessoa humana que realiza a conduta em nome da pessoa jurídica.
A outra âncora é a TEORIA DA RESPONSABILIDADE POR RICOCHETE ou POR EMPRÉSTIMO, ou seja, a pessoa humana realiza a conduta e tudo