DIREITO PROCESSUAL PENAL – PONTO 5
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DIREITO PROCESSUAL PENAL – PONTO 5


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data da intimação; da audiência ou sessão em que for proferida a decisão, se presente a parte a ser intimada; do dia em que a parte manifestar nos autos ciência inequívoca da decisão (CPP 798, §5º). Exclui-se o dia do começo e inclui-se o do vencimento, com a observação de que tanto o termo inicial quanto o final devem ser dias úteis. Súmula 710 do STF: No processo penal, contam-se os prazos da data da intimação, e não da juntada aos autos do mandado ou da carta precatória ou de ordem. O prazo para o MP (intimação pessoal é prerrogativa do membro do MPF: LC 75/93, art. 18, II, h) conta-se a partir do ingresso dos autos na instituição, e não na data de seu efetivo encaminhamento ao membro que oficia no feito (STF HC 83255). Não há prazo em dobro para o MP; apenas para a Defensoria Pública (LC 80/94, art. 44, I). Sanções: o CPP 801 impõe perda de tantos dias de vencimento quanto os excedidos por juízes e promotores em seus feitos, além do dobro dos dias para contagem de tempo de serviço. Pacelli e Fischer entendem inconstitucional a previsão \u2013 ofensa à irredutibilidade dos subsídios. Deve-se impor a penalidade administrativa por eventual conduta desidiosa. De ordinário, ocorre também a preclusão (a não ser no caso de prazo impróprio).
ATOS DECISÓRIOS EM GERAL E CLASSIFICAÇÕES
	Os atos processuais praticados pelos órgãos jurisdicionais podem ser decisórios, instrutórios e de documentação. 
	a) Atos decisórios, ou jurisdicionais próprios: são os que solucionam questões do processo. 
	b) Os atos instrutórios: são aqueles em que a atividade do juiz está destinada a esclarecer a verdade dos fatos: interrogatório, ouvida de testemunhas etc.
	c) Os atos de documentação: são aqueles em que o juiz participa da documentação dos atos processuais, como os de subscrever termos de audiência, rubricar folhas dos autos etc.
	O juiz pratica atos de coerção? E atos de polícia processual? E atos administrativos no processo penal?
	Sim, como os de fazer conduzir a vítima (art. 201, § 1º, CPP - Lei nº 11.690/08), a testemunha (art. 218), o acusado (art. 260) etc.; atos de polícia processual, como os das sessões do júri (art. 497, I), das audiências (art. 794) etc.; e atos tipicamente administrativos, como os de alistamento de jurados (art. 439) etc. Ainda, fala-se de atos anômalos do juiz, como os de requisitar o inquérito policial (art. 5º, II), de recorrer de ofício (arts. 74, I e II, 746) etc.
	A mais corrente classificação das decisões, ou sentenças em sentido amplo, as divide em: 
	a) interlocutórias simples; 
	b) interlocutórias mistas; e 
	c) definitivas. 
	a) As DECISÕES interlocutórias simples são as que dirimem questões emergentes relativas à regularidade ou marcha do processo, exigindo um pronunciamento decisório sem penetrar no mérito da causa. Citam-se como exemplos: o recebimento da denúncia ou queixa, a decretação da prisão preventiva; o indeferimento do pedido de assistência ao Ministério Público, a concessão de fiança etc. Em regra essas decisões não comportam recurso, salvo disposição expressa em contrário (como a do art. 581, V), mas são normalmente atacáveis por outros remédios, como o habeas corpus, o mandado de segurança e a correição parcial. Distinguem-se elas dos meros despachos, que se relacionam apenas com o desenvolvimento normal do processo, como as designações de audiência, a vista dos autos às partes etc., e que também podem ser atacados por via de correição parcial quando tumultuarem o andamento do feito, como pode ocorrer, por exemplo, quando se inverte a produção de prova testemunhal.
	b) As decisões interlocutórias mistas, também chamadas de \u201cdecisões com força de definitivas\u201d, são as que encerram ou uma etapa do procedimento ou a própria relação processual, sem o julgamento do mérito da causa. Na primeira hipótese, são chamadas de interlocutórias mistas não terminativas, tendo como exemplo a pronúncia, que encerra a instrução perante o juiz, remetendo os autos ao Tribunal do Júri. Na segunda hipótese, são denominadas de interlocutórias mistas terminativas, como nos casos de rejeição de denúncia, de decisão pela ilegitimidade de parte etc., que encerram o processo sem a solução da lide.
	c) As decisões definitivas, ou sentenças em sentido próprio, são as que solucionam, a lide, julgando mérito da causa. Podem ser elas:
	condenatórias, quando acolhem, ao menos em parte, a pretensão punitiva; 
	absolutórias, quando não dão acolhida ao pedido de condenação. 
	As terminativas de mérito, também chamadas, sem muito rigor técnico, de definitivas em sentido estrito, em que se julga o mérito, se define o juízo, mas não se condena ou absolve o acusado, como é a hipótese de declaração da extinção da punibilidade (para Pacelli, aqui haveria decisão interlocutória mista). Ele não fala em terminativa de mérito. 
	SENTENÇA TERMINATIVA DE MÉRITO \u2013 JULGA O MÉRITO, MAS NÃO CONDENA NEM ABSOLVE O ACUSADO
	As decisões absolutórias podem ser próprias, que não acolhem a pretensão punitiva, liberando o acusado de qualquer sanção, e impróprias, que, embora não acolham a pretensão punitiva, reconhecem a prática da infração penal e infligem ao réu medida de segurança. 
		
	SENTENÇA: CONCEITO, REQUISITOS FORMAIS, EFEITOS
	Conceito de sentença:
	O CPP não trouxe definição legal de sentença. Segundo o CPC, na antiga redação do art. 162, § 1º, \u201cé o ato pelo qual o juiz põe termo ao processo, decidindo ou não o mérito da causa\u201d.
	Espécies de sentença
	Sentenças suicidas: as que carregam uma contradição entre sua parte dispositiva e a fundamentação, e que são nulas ou podem ser corrigidas por embargos de declaração.
	Sentenças vazias: passíveis de anulação por serem desprovidas de fundamentação.
	Sentenças subjetivamente simples: proferida por um órgão singular
	Sentenças subjetivamente plúrimas: emanadas de órgão colegiado homogêneo.
	Sentenças subjetivamente complexas: proferidas por órgão colegiado heterogêneo, tal como o tribunal do júri.
	LFG fala em sentenças autofágicas, que reconhece a imputação, mas declara extinta a punibilidade, como ocorre com o perdão judicial.
	
Intimação da sentença
	O CPP, sobre o assunto, dispõe de regramento minucioso, como se observa do art. 392. Mas a doutrina (Ada Grinover, Eugênio Pacelli) entende que o princípio da ampla defesa exige intimação pessoal do acusado em qualquer hipótese. Não sendo o réu encontrado, independentemente da natureza da infração e de encontrar-se representado, ou não, por defensor constituído, deverá ser intimado por edital. O prazo para a impugnação da sentença contar-se-á da partir da última intimação realizada (do réu ou do defensor).
	PUBLICAÇÃO DA SENTENÇA
	É a transformação do ato individual do juiz, sem valor jurídico, em ato processual (NUCCI). É o ato de integração ao processo, pelo qual um escrito particular passar a ter significado processual (CANDIDO DINAMARCO) Não se confunde com uma das formas de comunicação do ato aos interessados, no caso, à acusação e à defesa, chamada publicação pela imprensa.
       
	 Art. 389.  A sentença será publicada em mão do escrivão, que lavrará nos autos o respectivo termo, registrando-a em livro especialmente destinado a esse fim.
Quando a sentença é pronunciada em audiência sua publicação ocorre na medida em está sendo prolatada, ou seja, ditada pelo juiz.
	Após publicada, regra geral, não se admite sua alteração.
	Art. 382.  Qualquer das partes poderá, no prazo de 2 (dois) dias, pedir ao juiz que declare a sentença, sempre que nela houver obscuridade, ambigüidade, contradição ou omissão
Citações, notificações e intimações no CPP e em leis especiais.
Citações: é modalidade de ato processual cujo objetivo é a chamamento do acusado ao processo, para fins de conhecimento da demanda instaurada e oportunidade de exercício, desde logo, da ampla defesa e demais garantias processuais.
Espécies: a) por mandado: é a