DIREITO PROCESSUAL PENAL – PONTO 03
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DIREITO PROCESSUAL PENAL – PONTO 03


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crime for eleitoral, o prefeito será julgado pelo TRE
Declarando superado o Enunciado da Súmula 3 do STF (\u201cA imunidade concedida a deputados estaduais é restrita a justiça do estado\u201d), o Plenário negou provimento a recurso extraordinário interposto pelo Ministério Público Federal contra acórdão do STJ, proferido em habeas corpus, que, com base no disposto no § 2º do art. 53 da CF, revogara prisão preventiva do paciente, deputado distrital acusado da prática de crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva, parcelamento irregular do solo urbano e lavagem de dinheiro (CF: \u201cArt. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos ... § 2º Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão.\u201d). Entendeu-se que, em razão do mandamento explícito do art. 27, § 1º, da CF/88, aplicam-se, aos deputados estaduais, as regras constitucionais relativas às imunidades dos membros do Congresso Nacional, restando superada, destarte, a doutrina da referida súmula (CF: \u201cArt. 27. ... § 1º - Será de quatro anos o mandato dos Deputados Estaduais, aplicando-sê-lhes as regras desta Constituição sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades, remuneração, perda de mandato, licença, impedimentos e incorporação às Forças Armadas.\u201d). 
RE 456.679/DF, rel. Min. Sepúlveda Pertence, 15.12.2005. (RE-456679)
PRINCÍPO DA REGIONALIDADE: a CF criou 5 TRF: Juiz federal da 3ª região \u2013 SP e MS. Se cometer crime no RS, só é julgado no TRF da 3ª região. Crime estadual. Também é aplicado a prefeito. O STF aplica o princípio da regionalidade. Só pode ser julgado pelo TJ do Estado onde estiver contido o município em que ele é o chefe do executivo.
Princípio da simetria \u2013 algumas Constituições estabeleciam foro por prerrogativa de função para delegado de polícia, mas não há simetria. As constituições estaduais que estabelecem foro por prerrogativa para outras autoridades não podem atentar contra o princípio da simetria. 
Prerrogativa de Foro: Modelo Federal - 3
O Tribunal concluiu julgamento de ação direta ajuizada pelo Partido dos Trabalhadores - PT contra a alínea e do inciso VIII do art. 46 da Constituição do Estado de Goiás, na redação dada pela EC 29/2001, que, ampliando as hipóteses de foro especial por prerrogativa de função, outorgou ao Tribunal de Justiça estadual competência para processar e julgar, originariamente, \u201cos Delegados de Polícia, os Procuradores do Estado e da Assembléia Legislativa e os Defensores Públicos, ressalvadas as competências da Justiça Eleitoral e do Tribunal do Júri\u201d \u2014 v. Informativos 340 e 370. Por maioria, acompanhando a divergência iniciada pelo Min. Carlos Britto, julgou-se procedente, em parte, o pedido, e declarou-se a inconstitucionalidade da expressão \u201ce os Delegados de Polícia\u201d, contida no dispositivo impugnado. Entendeu-se que somente em relação aos Delegados de Polícia haveria incompatibilidade entre a prerrogativa de foro conferida e a efetividade de outras regras constitucionais, tendo em conta, principalmente, a que trata do controle externo da atividade policial exercido pelo Ministério Público. Considerou-se, também, nos termos dos fundamentos do voto do Min. Gilmar Mendes, a necessidade de se garantir a determinadas categorias de agentes públicos, como a dos advogados públicos, maior independência e capacidade para resistir a eventuais pressões políticas, e, ainda, o disposto no §1º do art. 125 da CF, que reservou às constituições estaduais a definição da competência dos respectivos tribunais. Vencidos, em parte, os Ministros Maurício Corrêa, relator, Joaquim Barbosa, Cezar Peluso e Carlos Velloso que julgavam o pedido integralmente procedente, e Marco Aurélio e Celso de Mello que o julgavam integralmente improcedente. 
ADI 2587/GO, rel. orig. Min. Maurício Corrêa, rel. p/ acórdão Min. Carlos Britto, 1º.12.2004. (ADI-2587)
2.6.2 Exceção da verdade contra quem goza de foro especial por prerrogativa de função
CPP, Art. 85.  Nos processos por crime contra a honra, em que forem querelantes as pessoas que a Constituição sujeita à jurisdição do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais de Apelação, àquele ou a estes caberá o julgamento, quando oposta e admitida a exceção da verdade.
Cuida-se de ação penal por crime contra a honra (calúnia ou difamação) em que a vítima é titular de foro por prerrogativa de função.
Será admitida e instruída pelo Juízo em que estiver tramitando a ação penal, cabendo ao Tribunal o julgamento da exceção da verdade.
Note-se que o órgão de prerrogativa não julga a ação criminal, mas somente a exceção da verdade, nos termos do artigo 85, CPP. Se se provar que tudo que foi dito contra a autoridade estiver provado na exceção da verdade, será julgada procedente a exceção. 
Entretanto, caso não comprove, a exceção será julgada improcedente, os autos serão remetidos para a comarca e será julgado o autor da exceção da verdade, que virará réu. 
Essa exceção da verdade que vai para o TRIBUNAL vale somente para o crime de CALÚNIA. Em caso de difamação, a exceção da verdade é julgada pelo próprio juízo da comarca. Não se aplica o art. 85 fora dos casos de calúnia.
EXEMPLO: um advogado caluniou um dos juízes da comarca; o juiz ingressa com queixa-crime contra o advogado, na comarca em que ele exerce sua função. Outro juiz da comarca vai julgar essa causa. O advogado, em sua defesa, invoca a exceção da verdade contra o juiz querelante. 
No exemplo dado: a exceção é processada em primeira instância e, depois, remetida ao Tribunal para julgamento (exclusivamente da exceção da verdade). Duas hipóteses possíveis:
Primeira: o Tribunal julga procedente a exceção da verdade. Conseqüências: (a) extinção da queixa, por falta de justa causa (não há fato típico); (b) abre-se processo contra o juiz pelo delito respectivo.
Segunda: o Tribunal julga improcedente a exceção da verdade. Nesse caso retornam os autos ao juízo de 1º grau para que este julgue a queixa.
Outros julgados acerca do FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO:
***STJ:
A designação do Procurador-Geral a um Procurador Regional da República é feita para instituir longa manus, ou seja, é uma forma abrangente de exercício de atribuição do designante, o que, juridicamente, equivale à atuação do primeiro, sendo irrelevante se direta ou indiretamente. 3. Levando-se em conta que o presente pedido ataca ato do Procurador Regional que atuava por designação do Procurador-Geral da República, inviável o conhecimento deste mandamus por esta Corte (STJ). 4. Habeas Corpus não conhecido, determinando-se a remessa dos autos ao Supremo Tribunal Federal. (HC 185495/DF, Rel. Ministra LAURITA VAZ, Rel. p/ Acórdão Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, QUINTA TURMA, julgado em 15/02/2011, DJe 28/03/2011) Obs.: Esse mesmo HC 185495 subiu até o STF, que entendeu de forma contrária no informativo 646: vejamos - 1. A designação subscrita pelo Procurador-Geral da República, nos termos da Portaria PGR nº 96, de 19 de março de 2010, não desloca a competência da causa para o Supremo Tribunal Federal. Não-ocorrência de ato concreto praticado pelo Procurador-Geral da República a justificar a regra do art. 102 da Constituição Federal de 1988. 2. É pacífica a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal no sentido de que os membros do Ministério Público da União que oficiem em Tribunais estão sujeitos à jurisdição penal do Superior Tribunal de Justiça (parte final da alínea \u201ca\u201d do inciso I do art. 105 da CF/88). Tribunal a quem compete processá-los e julgá-los nos ilícitos penais comuns (RE 418.852, da minha relatoria). 3. Habeas Corpus parcialmente concedido tão-somente para determinar ao Superior Tribunal de Justiça que conheça e julgue, como entender de direito, o HC 185.495/DF.