DIREITO PROCESSUAL PENAL – PONTO 03
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DIREITO PROCESSUAL PENAL – PONTO 03


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Havendo, no art. 96, III, da Constituição Federal de 1988, disposição expressa a respeito da competência dos Tribunais, e não sendo a competência legislativa do ente federado ilimitada, poder-se-ia inferir que tal determinação estivesse adstrita às hipóteses elencadas na Carta Magna. 3. O Supremo Tribunal Federal, no entanto, em recentes julgados, tem se posicionado no sentido de considerar legítima a ampliação das carreiras atingidas pelo foro especial. 4. No caso, o paciente já fora beneficiado por decisão do STF, em ação idêntica, na qual também alegava a incompetência do órgão julgador, estando evidenciada a violação ao princípio do juiz natural, pois a competência firmada na Constituição estadual permanece hígida. (HC 86001/RJ, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEXTA TURMA, julgado em 28/06/2011, DJe 03/08/2011)
Trata-se de pedido formulado pelo réu, após a inclusão do feito em pauta, de que este Superior Tribunal reconheça sua incompetência para julgar a ação penal e remeta os autos ao juízo de 1º grau, em razão de ter pedido exoneração do cargo de conselheiro de Tribunal de Contas estadual (TCE). A Corte Especial, por maioria, indeferiu o pedido, porque não há, nos autos, notícia da eficácia do ato de exoneração; pois, para tal, é necessário o deferimento, a publicação e a aprovação pelo TCE. Assim, manteve a competência deste Superior Tribunal para julgar ações penais contra conselheiro de Tribunal de Contas estadual (CF/1988, art. 105, I, a). QO na APn 266-RO, Rel. Min. Eliana Calmon, em 5/5/2010. STJ info 452
***STF:
O art. 400 do Código de Processo Penal, com a redação dada pela Lei 11.719/2008, fixou o interrogatório do réu como ato derradeiro da instrução penal. II \u2013 Sendo tal prática benéfica à defesa, deve prevalecer nas ações penais originárias perante o Supremo Tribunal Federal, em detrimento do previsto no art. 7º da Lei 8.038/90 nesse aspecto. Exceção apenas quanto às ações nas quais o interrogatório já se ultimou. III \u2013 Interpretação sistemática e teleológica do direito. (AP 528 AgR, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 24/03/2011, DJe-109 DIVULG 07-06-2011 PUBLIC 08-06-2011 EMENT VOL-02539-01 PP-00001 RT v. 100, n. 910, 2011, p. 348-354 RJSP v. 59, n. 404, 2011, p. 199-206)
O que o art. 86, § 4º, confere ao Presidente da República não é imunidade penal, mas imunidade temporária à persecução penal: nele não se prescreve que o Presidente é irresponsável por crimes não funcionais praticados no curso do mandato, mas apenas que, por tais crimes, não poderá ser responsabilizado, enquanto não cesse a investidura na presidência. 2. Da impossibilidade, segundo o art. 86, § 4º, de que, enquanto dure o mandato, tenha curso ou se instaure processo penal contra o Presidente da República por crimes não funcionais, decorre que, se o fato é anterior à sua investidura, o Supremo Tribunal não será originariamente competente para a ação penal, nem conseqüentemente para o habeas corpus por falta de justa causa para o curso futuro do processo. (HC 83154, Relator(a): Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, julgado em 11/09/2003, DJ 21-11-2003 PP-00008 EMENT VOL-02133-03 PP-00554) 
Renúncia de mandato: ato legítimo. Não se presta, porém, a ser utilizada como subterfúgio para deslocamento de competências constitucionalmente definidas, que não podem ser objeto de escolha pessoal. Impossibilidade de ser aproveitada como expediente para impedir o julgamento em tempo à absolvição ou à condenação e, neste caso, à definição de penas. Questão de ordem resolvida no sentido de reconhecer a subsistência da competência deste Supremo Tribunal Federal para continuidade do julgamento. 10. Preliminares rejeitadas. 2. No caso, a renúncia do mandato foi apresentada à Casa Legislativa em 27 de outubro de 2010, véspera do julgamento da presente ação penal pelo Plenário do Supremo Tribunal: pretensões nitidamente incompatíveis com os princípios e as regras constitucionais porque exclui a aplicação da regra de competência deste Supremo Tribunal. 4. O processo e o julgamento de causas de natureza civil não estão inscritas no texto constitucional, mesmo quando instauradas contra Deputado Estadual ou contra qualquer autoridade, que, em matéria penal, dispõem de prerrogativa de foro 7. A pluralidade de réus e a necessidade de tramitação mais célere do processo justificam o desmembramento do processo. (396 RO , Relator: Min. CÁRMEN LÚCIA, Data de Julgamento: 28/10/2010, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe-078 DIVULG 27-04-2011 PUBLIC 28-04-2011 EMENT VOL-02510-01 PP-00001)	
 Notificação ao Presidente da República. Incompetência do Supremo Tribunal Federal. Feito da competência do juízo federal de primeiro grau. O Supremo Tribunal Federal não tem competência originária para processar notificação civil ao Presidente da República. O Min. Gilmar Mendes destacou que, na espécie, não se trataria de notificação penal, mas sim genérica (Pet-AgR 4223, CEZAR PELUSO (Presidente), STF)
2.7 FORO COMPETENTE
O CPP estabelece alguns critérios:
competência em razão do local da consumação do crime;
competência em razão do domicílio ou residência do réu;
competência em razão da matéria (ou pela natureza da infração);
competência por distribuição;
conexão ou continência;
competência por prevenção (art. 83 do CPP).
2.7.1 1º critério: competência em razão do local da consumação do crime
FORO é o local onde o juiz exerce as suas funções (jurisdição). Abrange comarca (Justiça Estadual) e Seção ou Subseção judiciária (Justiça Federal). 
Nos termos do artigo 70 do CPP, é o local da consumação. No CPP, foi adotada a teoria do RESULTADO; no CP, foi adotada a teoria da UBIQUIDADE no tocante ao lugar do crime; na Lei 9.099/95 a teoria da ATIVIDADE. 
OBS: \u201cA adoção da teoria da ubiqüidade resolve problemas de Direito Penal Internacional. Ela não se destina à definição de competência interna, mas sim a determinada da competência da Justiça Brasileira.\u201d (Rogério Greco, pág. 133) 
	
	CP
	CPP
	LEI 9099
	TEMPO DO CRIME
	AÇÃO
(artigo 4O.) \u2013 Juizados também adotou
	
	
	LUGAR DO CRIME
	UBIQUIDADE
(artigo 6o. competência internacional)
	RESULTADO
(artigo 70. direito interno)
	ATIVIDADE
TEMPO DO CRIME (AÇÃO): Não poderia ser outra a teoria que não essa: a) TEORIA DO RESULTADO \u2013 se a conduta é lícita perante o ordenamento jurídico, lícito é o resultado, seria injusto que não fosse assim. b) TEORIA DA UBIQUIDADE \u2013 não é lógico considerar-se um fato cometido sob a eficácia de duas leis diferentes, ao mesmo tempo.
Está prevista no art. 70 do CPP. É critério relativo (não absoluto). Não se pode confundir local da consumação do crime com o local do exaurimento (fato previsto no tipo penal que ocorre após a consumação. Exemplo: na extorsão, o recebimento do dinheiro é mero exaurimento do crime, não consumação). O crime de extorsão é formal e consuma-se no momento e no local em que ocorre o constrangimento para se faça ou se deixe de fazer alguma coisa. Súmula nº 96 do Superior Tribunal de Justiça. 2. Hipótese em que a vítima foi coagida a efetuar o depósito, mediante ameaça proferida por telefone, quando estava em seu consultório, em Rio Verde/GO. Independentemente da efetivação do depósito ou do local onde se situa a agência da conta bancária beneficiada, foi ali que se consumou o delito (em Rio Verde). Precedentes. (CC 115006/RJ, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 14/03/2011, DJe 21/03/2011)
Local da consumação, nesse caso, é a comarca onde se deu o constrangimento ilegal visando à obtenção de vantagem econômica.
Quando os limites territoriais são incertos, o CPP (Art. 70, § 3º) determina que deve lançar da PREVENÇÃO (primeiro ato decisório) (medidas cautelares no curso do IP). Ex.: Fazenda entre os municípios de Itarana e Itaguaçu. A apreciação de HC na fase de inquérito, tendo como o delegado como autoridade coatora, não previne o juízo. Manter o flagrante também não previne o juízo.