DIREITO PROCESSUAL PENAL – PONTO 03
100 pág.

DIREITO PROCESSUAL PENAL – PONTO 03


DisciplinaDireito Processual Penal I19.944 materiais149.025 seguidores
Pré-visualização39 páginas
que deveriam ser respeitadas por critérios definidos na lei local.\u201d Para não se ferir o objetivo desta atualização, remeto os colegas ao conteúdo final deste julgamento no Info. 668, ADI \u2013 4414.
Critério relativo: o critério de fixação da competência pelo local da consumação da infração, de qualquer modo, é relativo. Sua inobservância gera, por conseguinte, nulidade relativa. Não reconhecida de ofício pelo juiz e não argüida oportunamente pelo interessado, prorroga-se o foro.
Outros julgados acerca do LUGAR:
**STJ
Na hipótese de crime contra a honra praticado por meio de publicação impressa de periódico, deve-se fixar a competência do Juízo onde ocorreu a impressão, tendo em vista ser o primeiro local onde as matérias produzidas chegaram ao conhecimento de outrem, nos moldes do art. 70 do Código de Processo Penal. Remanesce, na prática, o resultado processual obtido pela antiga aplicação da regra de competência prevista na não recepcionada Lei de Imprensa. 3. Crimes contra a honra praticados por meio de reportagens veiculadas pela internet ensejam a competência do Juízo do local onde foi concluída a ação delituosa, ou seja, onde se encontrava o responsável pela veiculação e divulgação de tais notícias. (CC 106625/DF, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 12/05/2010, DJe 25/05/2010)
A competência para processar e julgar suposta prática de crime descrito no art. 7.º, inciso IX, da Lei n.º 8.137/90 é do foro em que estiver situada a empresa responsável pela comercialização dos bens ou produtos impróprios para o consumo e não daquela responsável pelo respectivo processo de produção e embalagem. (CC 200901711251, MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, STJ - TERCEIRA SEÇÃO, DJE DATA:04/06/2010.)
Tratando-se de queixa-crime que imputa a prática do crime de calúnia em razão da divulgação de carta em blog, na internet, o foro para processamento e julgamento da ação é o do lugar de onde partiu a publicação do texto tido por calunioso. 4. In casu, como o blog em questão está hospedado em servidor de internet sediado na cidade de São Paulo, é do Juízo da 13ª Vara Criminal dessa comarca a competência para atuar no feito. (CC 97201/RJ, Rel. Ministro CELSO LIMONGI (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP), TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/04/2011, DJe 10/02/2012)
2.7.2 2º critério: competência em razão do domicílio ou residência do réu
Domicílio (local onde o sujeito reside com ânimo definitivo); residência: não se exige ânimo definitivo.
Esse é o único caso em que a doutrina reconhece que a competência é definida no interesse da parte (artigo 73), no caso de ação penal privada EXCLUSIVA, a última poderá escolher o domicílio ou residência do réu, mesmo sabendo o lugar da infração.
Critério subsidiário ou supletivo: a competência em razão do domicílio ou residência do réu é subsidiária ou supletiva, isto é, somente é válida quando não se sabe qual é o local da consumação do crime. Exemplo: furto ocorrido dentro de um ônibus. Descobre-se o autor do furto, mas não se consegue identificar o local exato do furto. Firma-se a competência, nesse caso, pelo domicílio ou residência do réu (foro supletivo).
Acusado com mais de uma residência: nesse caso a competência firma-se pela prevenção (CPP, art. 72, § 1º).
Foro optativo: na ação penal privada, pode o querelante (que vai propor a queixa) optar entre o local da infração ou domicílio do réu. Chama-se isso de foro optativo ou foro de eleição.
2.8 JUÍZO COMPETENTE
2.8.1 3º critério: competência em razão da matéria (ou pela natureza da infração)
Esse critério fixa o juízo competente (não o foro). Em muitas comarcas, há varas especializadas (de tóxicos, de acidentes, de trânsito etc.). Nesses casos, fixa-se a competência em razão da matéria.
Tribunal do júri: tem sua competência fixada em razão da matéria. Julga os crimes dolosos contra a vida e conexos (consumados ou tentados). O legislador ordinário, por lei ordinária, pode ampliar a competência do Júri, nunca restringi-la. 
A CF delimitou a competência mínima do Tribunal do Júri. Nada impede que seja ampliada (a não ser o bom senso e a razoabilidade). O Tribunal do Júri pertence à Justiça comum (Estadual ou Federal).
O crime de GENOCÍDIO é julgado por quem? Cuida de crime autônomo e de ação múltipla. Quando cometido mediante homicídio dos membros do grupo, será conexo com o crime contra a vida - Vide item 2.5.1.12
Juizados criminais: são competentes para conhecer todas as infrações cuja pena máxima de prisão não ultrapasse dois anos. 
2.8.2 4º critério: competência por distribuição
A distribuição fixa o juízo (vara) competente (não ainda o juiz, necessariamente).
Distribuição antes da denúncia ou queixa: a distribuição do inquérito, por exemplo, já fixa o juízo competente (mesmo antes da ação penal).
2.8.2.1 COMPETÊNCIA RECURSAL
A competência recursal será tratada no estudo dos recursos. Mas duas observações devem ser feitas:
TPI = julga os indivíduos. Jurisdição complementar.
CORTE INTERAMERICANA = São José da Costa Rica. Ela julga os Estados, por falta de jurisdição, ou seja, por impunidade.
Jurisprudência: ***STF - O juízo de primeiro grau não pode rescindir acórdão de instância superior, mesmo na hipótese de existência de nulidade absoluta, sob pena de violação das normas processuais penais e constitucionais relativas à divisão de competência. (...) apenas o tribunal prolator de uma decisão teria competência para, nas hipóteses legais e pela via própria, rescindir, originariamente, seus julgados. Asseverou-se que o órgão colegiado limitara-se a anular a decisão do juízo de primeira instância que rescindira indevidamente o seu julgado, sem manifestar-se, expressamente, sobre eventual nulidade decorrente da falta de intimação do paciente. Assim, não competiria ao STF analisar, per saltum, essa questão. HC 110358/SP, rel. Min. Ricardo Lewandowski, 12.6.2012. \u2013 info 670.
2.8.3 5º critério: conexão ou continência
Ocorre conexão ou continência quando há um vínculo entre vários crimes ou entre vários autores de um só ou de diversos crimes.
Natureza jurídica: é critério que altera a competência. A rigor, não fixa, altera.
2.8.3.1 Da conexão (art. 76 do CPP)
Conexão é o nexo, a dependência recíproca que os fatos guardam entre si, ou seja, é a dependência recíproca que os fatos guardam entre si. Existe quando duas ou mais infrações estiverem entrelaçadas por um vínculo, um nexo, um liame que aconselha a junção dos processos (CONEXOS).
Efeito da conexão: a reunião das ações penais em um mesmo processo e o julgamento único (de todas as infrações penais).
A conexão pode ser: a) intersubjetiva; b) objetiva (lógica ou material); c) instrumental (ou probatória). 
intersubjetiva: ocorre quando dois ou mais crimes são cometidos no mesmo momento por várias pessoas reunidas ou por várias pessoas em concurso, embora diverso o tempo e o lugar (várias pessoas em co-autoria cometem vários roubos), ou por várias pessoas umas contra as outras. 
SIMULTANEIDADE: diversas pessoas reunidas (SEM CONCURSO DE AGENTES)
POR CONCURSO: várias pessoas em concurso (EM CONCURSO DE AGENTES)
POR RECIPROCIDADE: várias pessoas umas contra as outras 
(b) objetiva ou lógica: ocorre quando um crime é cometido para facilitar a execução de outro (teleológica) ou para ocultar outro crime, impunidade do autor do fato ou para assegurar vantagem em relação a outro crime (causal ou consequencial). 
TELEOLÓGIA: para garantir a execução de outra infração. EX: o sujeito mata o pai para estuprar a filha
CONSEQÜENCIAL: garantir vantagem, oculta ou garantir impunidade de outra.
(c) instrumental ou probatória ou processual: ocorre quando a prova de um crime é relevante para o reconhecimento ou prova de outro crime. O tráfico de entorpecentes tem conexão probatória com o crime de lavagem de capitais (praticado em razão do tráfico). A receptação tem conexão com o furto precedente.