DIREITO PROCESSUAL PENAL – PONTO 03
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DIREITO PROCESSUAL PENAL – PONTO 03


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Não se exige uma relação de acessoriedade entre os crimes em que, no exemplo acima, o furto constituiria um elementar do crime de receptação.
2.8.3.2 Da continência (art. 77 do CPP)
(a) continência por cumulação subjetiva: ocorre quando duas ou mais pessoas são acusadas de uma mesma infração. Não se pode confundir, portanto, a continência subjetiva (crime único cometido por várias pessoas) com a conexão intersubjetiva (vários crimes).
(b) continência por cumulação objetiva: ocorre em todas as hipóteses de concurso formal de crimes (concurso formal: ocorre quando o agente com uma só conduta comete dois ou mais crimes, isto é, causa ofensa a vários bens jurídicos autônomos).
2.8.3.3 Efeitos da conexão ou da continência:
Os dois principais efeitos da conexão ou continência, como já foi destacado acima em breves linhas, são:
(a) unidade de processo e de julgamento (processo único, julgamento único para todos os crimes ou todos os autores do crime ou dos crimes);
(b) prorrogação do foro ou do juízo competente: um dos foros ou juízos em concorrência conta com força atrativa e será de sua competência o julgamento de todos os crimes ou autores do crime ou dos crimes.
2.8.3.4 Qual é o juízo ou foro que tem força atrativa?
(a) concurso entre competência do júri e outro órgão da jurisdição comum: a força atrativa é do júri. Estupro em conexão com homicídio: tudo vai para julgamento pelo Tribunal do Júri.
Exceção: crime do júri em conexão com crime eleitoral (nesse caso: separam-se os processos).
Nos termos da recente súmula 721 do STF, \u201ca competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição estadual\u201d. Este verbete sumular deve ser conjugado com o princípio da simetria, já que utiliza a expressão exclusivamente. O Poder Constituinte decorrente possui liberdade de conformação para outorgar o foro por prerrogativa de funções a outras autoridades que não aquelas não previstas na Constituição Federal. Neste caso, somente se aplicaria aos crimes comuns de competência da Justiça Estadual, não alcançando os crimes dolosos contra a vida de alçada do júri e nem os crimes afetos às Justiças Especializadas. Vide págs. 35 e 36.
Vereador que mata uma pessoa será julgado pelo Júri (não pelo TJ).
(b) concurso entre jurisdições da mesma categoria: valem as seguintes regras específicas:
1ª) local da infração mais grave: um roubo em Campo Grande e um furto em Dourados: prepondera o primeiro foro; primeiro verifica-se a qualidade da pena e depois a sua quantidade
2ª) maior número de infrações: dois furtos em Araraquara e um furto em Piracicaba: prepondera o primeiro foro;
3ª) infrações punidas igualmente e mesmo número delas: um furto em Marabá e outro em Belém: fixa-se o foro pela prevenção.
(c) concurso entre jurisdições de categorias distintas: se um juiz é acusado de corrupção juntamente com um escrevente, prepondera a competência originária do juiz (Tribunal de Justiça no caso, que irá julgar os dois, em razão da continência). Concurso entre crime da Justiça estadual e Justiça Federal: prepondera esta última (Súmula 122 do STJ).
Súmula n.º 122 do STJ (DJU DE 07/12/1994) \u2013 Compete à Justiça Federal o processo e julgamento unificado dos crimes conexos de competência federal e estadual, não se aplicando a regra do art. 78, II, "a", do Código de Processo Penal. [independentemente de a infração ser a mais grave ou não]
Jurisprudência correspondente com a Súmula n. 122/STJ:
**STJ
Evidenciando-se que os fatos narrados nos inquéritos, instaurados perante a Justiça Estadual, relacionam-se com os da ação penal em curso perante a Justiça Federal, e não se mostrando motivo efetivamente relevante para a separação facultativa dos feitos, soluciona-se a controvérsia pelo reconhecimento de possível conexão, oportunizando-se tal reconhecimento, assim como eventual aditamento da denúncia na Esfera Federal, ante a incidência da Súm. nº 122 desta Corte. (HC 21681/SP, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 17/06/2003, DJ 18/08/2003, p. 215) OBS.: Para Pacelli, A razão de ser da súmula n. 122 do STJ que entende como prevalente a competência da justiça federal no caso de conexão com crimes da justiça estadual reside no fato de que a competência da justiça federal está expressa na CR/88, enquanto que a da justiça estadual é residual, vale dizer, comparando-se as duas Justiças, uma em face da outra, a Justiça Federal seria especial perante a justiça comum dos Estados. 
Existindo indícios de que a motocicleta objeto de roubo perpetrado em detrimento de particular foi, posteriormente, utilizada pelos mesmos agentes para cometer o delito previsto no art. 157, § 2º, incisos I e II do CP, contra empresa pública federal (EBCT), configura-se a hipótese de conexão descrita no art. 76, inciso II, do Código de Processo Penal, incidindo na espécie a Súmula 122/STJ, a qual determina que "compete à Justiça Federal o processo e julgamento unificado dos crimes conexos de competência federal e estadual, não se aplicando a regra do art. 78, II, a, do Código de Processo Penal". (CC 200900692749, JORGE MUSSI, STJ - TERCEIRA SEÇÃO, DJE DATA:19/04/2010 LEXSTJ VOL.:00249 PG:00225.)
Inexistindo conexão entre o delito de moeda falsa e o outro crime de competência do Juízo Estadual, não há que se falar em competência da Justiça Federal. 2. Inaplicabilidade do enunciado n. 122 da Súmula deste Superior Tribunal de Justiça. Precedentes. (CC 110702/RS, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 22/06/2011, DJe 01/08/2011
Alega, ainda, a ocorrência da perpetuatio jurisdictionis daquele juízo estadual, sendo ilegal o encaminhamento do feito ao juízo federal. Ocorre, porém, que os fatos descritos perante a Justiça estadual, resultando na prisão dos acusados, estavam relacionados com aqueles que foram objeto da Operação Marambaia, responsável pela investigação de um grupo especializado no tráfico internacional de entorpecentes, em cujo processo o paciente é réu. Por isso, o Tribunal a quo determinou a reunião do feito que tramitava no juízo estadual com aquele que tramitava no juízo federal, encaminhando os autos ao último. O Min. Relator manteve esse entendimento porquanto caracterizada a chamada conexão intersubjetiva por concurso, aplicando-se ao caso a Súm. n. 122/STJ, a qual preceitua o seguinte: \u201cCompete à Justiça Federal o processo e julgamento unificado dos crimes conexos de competência federal e estadual, não se aplicando a regra do art. 78, II, a, do Código de Processo Penal\u201d. HC 95.339-SP, DJe 1º/7/2010; HC 160.026-BA, DJe 23/2/2010, e HC 173.401-SP, DJe 26/6/2010. HC 169.989-RS, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 28/2/2012. STJ \u2013 info 492
A Seção, ao conhecer do conflito, decidiu que, inexistindo conexão entre os delitos de tráfico de drogas e o de moeda falsa, não seria o caso de reunião do feito sob o mesmo juízo para julgamento conjunto. Na espécie, o réu foi surpreendido trazendo consigo, dentro de uma mochila, um tablete de maconha e certa quantidade de dinheiro aparentemente falso. Sustentou-se que, embora os fatos tenham sido descobertos na mesma circunstância temporal e praticados pela mesma pessoa, os delitos em comento não guardam qualquer vínculo probatório ou objetivo entre si \u2013 a teor do disposto no art. 76, II e III, do CPP. CC 116.527-BA, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 11/4/2012. (info 494 - STJ)
(d) concurso entre jurisdição comum e jurisdição especial: extorsão e crime eleitoral: prepondera a Justiça especial (eleitoral). Exceção: homicídio e crime eleitoral: cada crime é julgado pelo seu juízo natural (júri e Justiça eleitoral, respectivamente). Jurisprudência correspondente: ***STF: 4. Em se verificando, porém, que há processo penal, em andamento na Justiça Federal, por crimes eleitorais e crimes comuns conexos, é de se conceder "Habeas Corpus", de ofício, para sua anulação, a partir da denúncia oferecida pelo Ministério