DIREITO PROCESSUAL PENAL – PONTO 03
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DIREITO PROCESSUAL PENAL – PONTO 03


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Para Pacelli, A razão de ser da súmula n. 122 do STJ que entende como prevalente a competência da justiça federal no caso de conexão com crimes da justiça estadual reside no fato de que a competência da justiça federal está expressa na CR/88, enquanto que a da justiça estadual é residual, o que faz da Justiça Federal uma justiça especial no caso em que comparada diretamente com a Justiça Estadual.
Pode-se falar em JURISDIÇÃO POLÍTICA ou extraordinária, que não se confunde com a justiça especializada. Corresponde à atividade jurisdicional exercida por órgãos políticos alheios ao poder judiciário, com o objetivo de afastar o agente que comete crimes de responsabilidade. JURISDIÇÃO POLÍTICA (IMPEACHMENT): Presidente é Senado Federal (Lei 1079); Governadores são as AL (Lei 1079); Prefeito (Decreto 201) julgamento é das Câmaras Municipais.
É interessante mencionar que a expressão \u201ccrimes políticos\u201d é usada em dois sentidos: a) em sentido amplo = são aqueles cuja qualidade de funcionário público é uma elementar do delito. Ex. art. 312, CP e SS. São os crimes funcionais. Na constituição, os crimes de responsabilidade com este primeiro sentido são chamados de crimes comuns. B) crime de responsabilidade em sentido estrito = são aqueles que só podem ser praticados por determinados agentes políticos. Não tem natureza jurídica de infração penal, mas sim de infração político-administrativa \u2013 é o sentido utilizado no art. 52, CF.
Juiz do trabalho \u2013 não possui jurisdição criminal. Há uma exceção \u2013 Vide item 2.5.1.5
A CF estabeleceu 3 justiças especializadas:
Juiz do trabalho
Justiça militar
Justiça eleitoral
2.4.1 JUSTIÇA MILITAR 
2.4.1.1 Justiça militar estadual (art. 125, CF): a justiça militar dos Estados é composta:
Conselho de justiça militar - em 1ª grau de jurisdição. 
TJ \u2013 2º grau ou
Tribunal de Justiça Militar - Nos estados em que o efetivo da policia militar for mais de 20.000, cria-se o Tribunal de Justiça Militar (SP, RS, MG). Uma seção ou turma do TJ julgará. Artigo 125, § 3º, CF
§ 3º A lei estadual poderá criar, mediante proposta do Tribunal de Justiça, a Justiça Militar estadual, constituída, em primeiro grau, pelos juízes de direito e pelos Conselhos de Justiça e, em segundo grau, pelo próprio Tribunal de Justiça, ou por Tribunal de Justiça Militar nos Estados em que o efetivo militar seja superior a vinte mil integrantes. (EC 45/04)
É competente para julgar somente os crimes militares cometidos por militares e ações judiciais contra atos disciplinares militares \u2013 policiais militares e bombeiros (CF, art. 125, § 4º): jamais a justiça militar estadual julga civil. 
§ 4º Compete à Justiça Militar estadual processar e julgar os militares dos Estados, nos crimes militares definidos em lei e as ações judiciais contra atos disciplinares militares, ressalvada a competência do júri quando a vítima for civil, cabendo ao tribunal competente decidir sobre a perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação das praças. (EC 45/04)
A justiça militar dos Estados não julga os civis. Não há exceção.
Não existe conexão entre crime militar e crime comum. Há separação obrigatória dos julgamentos. 
Caso de um militar e de um civil que praticam em co-autoria um estupro: a solução é a separação dos processos: a Justiça comum julga o civil enquanto a militar julga o militar, com conseqüências completamente diferentes (de acordo com a letra da lei: as penas são diferentes, o estupro é crime hediondo no direito comum e não o é no direito militar etc.). 
A EC 45 deu à justiça militar dos estados, atribuição não penal, não-criminal. Juiz auditor militar julgará ações contra atos disciplinares. Artigo 125, § 4º, CF \u2013 neste caso, a justiça militar dos estados não julga matéria criminal, mas lato sensu cível.
A justiça militar não julga:
Crimes dolosos contra a vida \u2013 lei 9299/96 \u2013 lei Hélio Bicudo.
Os crimes dolosos contra a vida praticados por oficiais militares ou corpo de bombeiros serão julgados pelo TJ ou JF. Dependendo do crime.
Se matar policial federal: justiça federal. 
Numa visão constitucional é evidente que essa disparidade não se justifica. Nota-se que a Justiça militar estadual, desse modo, só pode julgar alguns crimes (militares) assim como algumas pessoas (só militares e bombeiros). 
Sua competência está regida por dois critérios conjugados: ratione materiae e ratione personae. Militar que mata civil dolosamente: competência do Tribunal do Júri (Justiça comum). Militar que comete outros crimes contra civil: competência do juiz auditor (competência singular) (EC 45/04).
A partir da EC 45 é o juiz auditor militar, de forma singular, que julga crimes militares cuja vítima seja civil. § 5º, artigo 125.
§ 5º Compete aos juízes de direito do juízo militar processar e julgar, singularmente, os crimes militares cometidos contra civis e as ações judiciais contra atos disciplinares militares, cabendo ao Conselho de Justiça, sob a presidência de juiz de direito, processar e julgar os demais crimes militares. (EC 45/04)
Crime militar contra civil \u2013 será julgado de forma singular pelo juiz auditor. É para evitar proteção. 
A EC/45 (artigo 124, § 4o.) afirma que a Justiça Militar Estadual tem competência para julgar matéria NÃO criminal quando fala em ATOS DISCIPLINARES MILITARES. A justiça militar não julga os crimes dolosos contra a vida. A justiça estadual militar NUNCA pode julgar o civil, a federal pode, nos termos da CF/88. 
O PM quando pratica crime militar será julgado no Estado de sua corporação (Súmula 78, STJ).
Súmula 78 do STJ \u2013 COMPETE A JUSTIÇA MILITAR PROCESSAR E JULGAR POLICIAL DE CORPORAÇÃO ESTADUAL, AINDA QUE O DELITO TENHA SIDO PRATICADO EM OUTRA UNIDADE FEDERATIVA. 
A Lei 4.898/65 trata de abuso de autoridade e determina que o julgamento do militar será feito pela Justiça Estadual. Se o policial cometer abuso de autoridade, será julgado pela justiça comum estadual e não pela justiça militar. 
Guarda municipal, metropolitano \u2013 não é militar.
Polícia rodoviária federal \u2013 é servidor público federal civil. Não é militar. 
Súmula 172, STJ: \u201ccompete à justiça comum processar e julgar militar por abuso de autoridade, ainda que praticado em serviço\u201d. O abuso de autoridade não está previsto no Código Penal Militar, razão pela qual nunca é da competência da justiça militar.
2.4.1.1 Justiça militar federal: é competente para julgar os crimes militares cometidos contra as forças armadas: Exército, Marinha e Aeronáutica. Pode julgar civil, a justiça militar estadual nunca. Como se vê, o que determina a peculiaridade da Justiça militar federal é o critério da ratione materiae.
A Justiça Militar federal pode julgar militar ou civil, já que a Constituição Federal no seu art. 124 fala em crimes militares definidos em lei. Já a Justiça Militar estadual só pode julgar os policiais militares ou os bombeiros militares nos crimes militares definidos em lei. Neste sentido, é a Súmula 90 do STJ (DJU DE 26/10/1993): Compete à Justiça Estadual Militar processar e julgar o policial militar pela prática do crime militar, e à Comum pela prática do crime comum simultâneo àquele.
CPM, Art. 9º Consideram-se crimes militares, em tempo de paz: (exclui a mera reprodução da lei seca referente a esse art. 9º)
A justiça militar da União julga:
Membros ou componentes das forças armadas;
Civis, pela prática de crimes militares. 
Crimes militares \u2013 estão previstos no DL 1.001/69. 
Crimes militares próprios e impróprios 
Justiça militar da União é composta:
STM
Tribunais militares \u2013 ainda não foram criados. 
Auditorias militares (em primeiro grau de jurisdição). São divididas em:
Conselho de Justiça Militar permanente \u2013 julga praças e não oficiais;
Conselho de Justiça Militar especial \u2013 julga oficiais.
Os civis podem cometer crime militar, mas julgados pela justiça militar da UNIÃO. A justiça militar da União só possui jurisdição criminal.
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