DIREITO PROCESSUAL PENAL – PONTO 03
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DIREITO PROCESSUAL PENAL – PONTO 03


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aos Juízes Federais, ocupantes de cargos cuja natureza jurídica não se confunde com a de funcionário público, mas sim com a de órgão do Poder Judiciário, o que reclama tratamento e proteção diferenciados, em razão da própria atividade por eles exercida. 3. O art. 95 da Constituição Federal, que assegura a garantia da vitaliciedade aos Magistrados, e o art. 35, VIII da LC 35/79, que dispõe sobre o dever destes de manterem conduta irrepreensível na vida pública e particular, revelam a indissolubilidade da qualidade de órgão do Poder Judiciário da figura do cidadão investido no mister de Juiz Federal e demonstram o interesse que possui a União em resguardar direitos, garantias e prerrogativas daqueles que detêm a condição de Magistrado. (CC 89397/AC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 28/03/2008, DJe 10/06/2008) \u2013 Obs.: Pacelli critica esse julgado: tem-se verdadeira personificação do cargo público, pois que se definira a competência da JF, embora o agente público não estivesse no exercício de suas funções. Na hipótese concreta a vítima não era o cargo, mas a pessoa. Não teria havido lesão ao serviço, mas à individualidade da pessoa humana
RE Criminal: Competência da Justiça Comum e SUS. \u201c(...) deferiu habeas corpus de ofício para anular o processo e reconhecer a competência da justiça comum estadual para o julgamento de administrador e de médico de hospital privado acusados da suposta prática do crime de concussão contra paciente vinculado ao Sistema Único de Saúde - SUS. Precedentes citados: HC 81912/RS (DJU de 13.9.2002); HC 56444/SP (DJU de 28.12.78); HC 71849/SP (DJU de 4.8.95); HC 77717/RS (DJU de 12.3.99).(RE 429171/RS, rel. Min. Carlos Britto, 14.9.2004. RE-429171)
Embora a concussão seja crime contra a Administração Pública, a jurisprudência entende que, nesta hipótese, quem sofreu o prejuízo foi o particular. 
SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL investido da função federal determina a competência da justiça federal, EXEMPLO: juiz de direito exercendo a função eleitoral é xingado por outrem. Os funcionários da justiça eleitoral são servidores públicos federais. O servidor público estadual pode ser nomeado para um grupo de trabalho federal, nessa hipótese será servidor público federal.
Teor de Súmulas importantes na nota de rodapé.\ufffd
Questão interessante é a falsificação de documento público federal. O STJ possui o entendimento de que quando o falso é praticado como meio para a consumação de um crime estelionato e este se dirige ao patrimônio de um particular, a competência será da Justiça Estadual conforme entendimento cristalizado na Súmula 107 do STJ (DJU DE 22/06/1994): \u201cCompete à Justiça Comum Estadual processar e julgar crime de estelionato praticado mediante falsificação das guias de recolhimento das contribuições previdenciárias, quando não ocorrente lesão à autarquia federal\u201d.
A seguir jurisprudência RECENTE acerca de documentos:
*Documentos:
**STJ
Compete à Justiça Federal processar e julgar eventual delito de falsificação de carteira da Ordem dos Advogados do Brasil. (CC 33198/SP, Rel. Ministro FELIX FISCHER, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 27/02/2002, DJ 25/03/2002, p. 175)
A Terceira Seção deste Superior Tribunal de Justiça vem decidindo que compete à Justiça Estadual processar e julgar o crime de falsificação de documento público, consistente na omissão de anotação de período de vigência do contrato de trabalho de único empregado, tendo em vista a ausência de lesão a bens, serviços ou interesse da União, consoante o disposto na Súmula 62/STJ. (CC 200802093406, JORGE MUSSI, STJ - TERCEIRA SEÇÃO, DJE DATA:03/08/2009.)
Hipótese em que empresa privada deixa de anotar na CTPS da empregada os dados referentes às atualizações ocorridas no contrato de trabalho, com o fito de frustrar direitos trabalhistas, dando origem a reclamação trabalhista. Não se vislumbra qualquer prejuízo a bens, serviços ou interesses da União, senão, por via indireta ou reflexa, do INSS na anotação da carteira, dado que é na prestação de serviço que se encontra o fato gerador da contribuição previdenciária. Entendimento da Súmula n.º 62 do STJ. 2. A competência para julgar crime de falsificação de documento público, consistente na ausência de anotação de atualização do contrato de trabalho de empregado é da Justiça Estadual, pois inexistente lesão a bens, serviços ou interesse da União. Súmula n.º 62 do STJ. (CC 201001706595, MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, STJ - TERCEIRA SEÇÃO, DJE DATA:25/11/2010.)
Hipótese em que o agente falsificou Carteira de Habilitação de Arrais Amador (para condução de embarcação), cuja emissão é realizada pela Marinha do Brasil, órgão integrante das Forças Armadas. II. Delito de falso cometido por sujeito ativo civil, que apresentou a documentação no ato de fiscalização naval exercida através da Polícia Federal. III. Competência da Justiça Federal (Precedentes do Supremo Tribunal Federal). (CC 200901887335, GILSON DIPP, STJ - TERCEIRA SEÇÃO, DJE DATA:01/12/2010.)
O uso de documento ideologicamente falso em processo trabalhista extrapola a simples esfera de interesses individuais dos litigantes, pois evidencia a intenção de induzir em erro a Justiça do Trabalho. 2. No caso dos autos, ao valer-se de cartões de ponto em tese ideologicamente falsificados perante a Justiça Trabalhista para obter verbas que foram consideradas improcedentes, o recorrente ofendeu diretamente a prestação jurisdicional, ou seja, serviço público federal, motivo pelo qual compete à Justiça Federal, nos termos do artigo 109, inciso IV, da Constituição Federal, processar e julgar o delito de uso de documento falso. Doutrina. Precedentes. 3. Conquanto o tema ainda enseje certa controvérsia, prevalece o entendimento de que, constatada a incompetência absoluta, os autos devem ser remetidos ao Juízo competente, que pode ratificar ou não os atos já praticados, nos termos do artigo 567 do Código de Processo Penal, e 113, § 2º, do Código de Processo Civil. Doutrina. Precedentes. 4. Na hipótese em exame, já foi proferida sentença condenatória pelo Juízo absolutamente incompetente, no que se refere a delito de uso de documento falso, pelo que se impõe a anulação tão somente do édito repressivo quanto ao ponto, facultando-se a ratificação, pela Justiça Federal, dos demais atos processuais anteriormente praticados, inclusive os decisórios não referentes ao mérito da causa. (RHC 23500/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 05/05/2011, DJe 24/06/2011)
Idêntico raciocínio pode ser aplicado quando o particular se passar por servidor público federal para cometer crime contra particular. - a pratica de delito por particulares que se passam por agentes rodoviarios federais, contra passageiros de onibus de turismo, por si so, não justifica o deslocamento da competencia para a justiça federal. (CC 21.822/PR, 3ª Seção, Rel. Ministro FELIX FISCHER, julgado em 13.05.1998, DJ 29.06.1998 p. 22)
O STF possui entendimento diverso quanto ao crime de falsum:
Falsificação de Documento Público e Competência [ Informativo 445 do STF]. A falsificação de documento público, por si só, configura infração penal praticada contra interesse da União, a justificar a competência da Justiça Federal (CF, art. 109, IV), ainda que os documentos falsos tenham sido utilizados perante particular. (...) prática dos crimes de uso de documento falso e de falsificação de documento público, consistentes na utilização de falsa certidão negativa de débito do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS junto à instituição financeira privada para obtenção de financiamento. Entendeu-se que a credibilidade, a fé pública e a presunção de veracidade dos atos da Administração foram diretamente atingidas. Asseverou-se, ademais, que, no caso, objetiva-se a proteção dos interesses da referida autarquia, de forma a compelir o devedor da previdência a saldar sua dívida antes de adquirir qualquer empréstimo. HC 85773/SP, rel. Min. Joaquim Barbosa, 17.10.2006. (HC-85773)
Crime de Falsificação. Uso