PROCESSO PENAL – PONTO 4º
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PROCESSO PENAL – PONTO 4º


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designado para sua oitiva (art. 218 e 219, CPP).
Exceções:
a) art. 220, CPP: pessoa enferma, ou muito idosa etc; o juiz vai ouvi-la onde ela estiver; pessoa que não pode se locomover. O juiz desloca-se até onde está a testemunha, levando toda a estrutura para o registro do ato, e garantindo o contraditório (presença de advogado e do MP). Transformar o local em sala de audiência, garantindo a publicidade.
ATENÇÃO: Art. 225, CPP - possibilidade de produção de prova antecipada diante do potencial perecimento da testemunha. 
b) art. 221, CPP: Presidente da República, Vice-Presidente da República, Governador de Estado etc.; estas autoridades se entendem com o juiz, e marcam a hora, local e dia para serem ouvidas; o juiz vai até onde as testemunhas solicitarem levando toda a estrutura necessária. 
c) art. 222, CCP: testemunha que mora fora da comarca (\u201cprova fora da terra\u201d). É ouvida por meio de Carta Precatória (delegação de competência do juízo processante \u2013 deprecante, para o juízo onde a testemunha está domiciliada - juízo deprecado, devendo este último colher o depoimento). Caso esteja no estrangeiro, é ouvida por meio de Carta Rogatória (art. 222-A, CPP). Quando o Tribunal designar a oitiva de testemunha, é ouvida por meio de Carta de Ordem.
OBS: Ë evidente que a Justiça Federal pode delegar a função de oitiva para Juiz Estadual.
OBS: Quando se expede uma Carta Precatória, é imprescindível a intimação das partes. Intima-se da expedição, não da data da audiência (Súmula 273 do STJ; STF, HC 104.767/BA). Ocorre que, ainda que não haja a intimação da expedição, a nulidade daí decorrente é meramente relativa (Súmula 155 do STF), dependendo de comprovação do prejuízo e arguição oportuna, sob pena de preclusão.
OBS: A expedição de precatória não suspende o andamento do processo (art. 222, §1º, CPP), mesmo que passado o prazo para o cumprimento dela. Expirado o prazo, o processo terá seguimento normal. O juiz pode sentenciar mesmo sem a precatória (art. 222, §2º, CPP).
OBS: Art. 222, §3º, CPP \u2013 possibilidade de oitiva de testemunha que mora fora da jurisdição por meio de videoconferência.
OBS: Quando uma TESTEMUNHA é pessoal e regularmente intimada, e não comparece, o juiz pode estabelecer as seguintes sanções (arts. 218 e 219, CPP): 
I) mandar conduzir coercitivamente (polícia civil, polícia militar ou o oficial de justiça); 
II) aplicar multa (de 5 a 50 centavos: multa não atualizada monetariamente; não tem valor na prática);
III) impor o pagamento das diligências a ela;
IV) mandar processar por crime de desobediência.
DEVER DE PRESTAR COMPROMISSO: Em regra, a testemunha presta compromisso de dizer a verdade (art. 203, CPP).
Exceções (INFORMANTES) 
art. 206: parentes do réu; 
art. 208: menor de 14 anos, deficiente mental etc. 
OBS: Os informantes NÃO entram no número legal. 
ATENÇÃO: O índio presta compromisso.
D) DEVER DE DIZER A VERDADE: O que interessa é a verdade real; se a testemunha mentir ou calar, estará cometendo o delito de falso testemunho (art. 342, CP), crime contra a administração da Justiça. 
OBS: Início do processo por falso testemunho. Pode-se iniciar o processo por falso testemunho imediatamente, mesmo antes de terminar processo no qual o réu mentiu. Não é possível, entretanto, sentenciar o processo do crime de falso testemunho, antes que seja sentenciado o crime do processo no qual foi prestado o falso testemunho, por uma dependência lógica, já que o réu poderá se retratar, extinguindo a sua punibilidade (art. 342, §2º, CPP). Enquanto o juiz aguarda, a prescrição corre normalmente.
OBS: Prisão em flagrante no crime de falso testemunho: em tese, não há problema; mas, na prática, isso é muito raro e difícil. O juiz, depois do depoimento, e geralmente na sentença, extrai cópias e manda para o delegado (art. 211, CPP). Falso testemunho no plenário do júri: o falso testemunho tem que ser objeto de quesitação. Se a resposta for positiva, o juiz providenciará o envio de tudo para o delegado: a testemunha será presa em flagrante e o delegado vai lavrar o flagrante. Quando a testemunha mente em plenário, não há mais prazo para a retratação, porque o processo já foi sentenciado. Pode ser objeto de alegação em recurso.
ATENÇÃO: Testemunha que NÃO presta compromisso pode ser processada por falso testemunho? Há polêmica sobre isso. 
1º) Testemunha, ainda que não preste compromisso, pode ser processada pelo delito tipificado no art. 342, CP, vez que este não exige, a título de elementar, que o agente tenha prestado compromisso de dizer a verdade.
2º) Se o próprio CPP dispensa o compromisso, fica claro que eventual falsidade não pode ser enquadrada no art. 342 do CP. Razões familiares afastam a necessidade de pena nesse caso.
E) DEVER DE COMUNICAR AO JUIZ EVENTUAL MUDANÇA DE ENDEREÇO (art. 224, CPP)
MOMENTOS RELEVANTES DO DEPOIMENTO:
1) identificação da testemunha;
2) advertência (de dizer a verdade) = COMPROMISSO;
3) perguntas sobre os fatos do processo.
ORDEM DOS DEPOIMENTOS:
1º) oitiva das testemunhas da acusação;
2º) oitiva das testemunhas da defesa.
Não pode haver inversão da ordem, sob pena de nulidade relativa (há que se provar o prejuízo). O juiz é passível de correição parcial, pois está tumultuando o processo.
Se possível, a vítima deve ser ouvida antes das testemunhas (art. 400, CPP).
ATENÇÃO: Arts. 222 e 400, CPP \u2013 Precatória e inversão da ordem de inquirição de testemunhas: INEXISTÊNCIA de nulidade (STJ: HC 167.900/MG).
MOMENTO DO ARROLAMENTO 
- Acusação: as testemunhas devem ser arroladas na peça de acusação, sob pena de preclusão.
- Defesa: testemunhas devem ser arroladas na defesa escrita, sob pena de preclusão.
ATENÇÃO: PRECLUSÃO \u2013 perda de um ato processual
 \u2260
 PEREMPÇÃO \u2013 perda do processo
OBS: Nada obsta que o juiz proceda à oitiva das testemunhas não arroladas, as quais são chamadas de testemunhas do juízo (art. 209, §1º, CPP). São extranumerárias. Prestam compromisso regularmente, salvo se constantes de uma das exceções (art. 208, CPP).
OBS: Reinquirição, de ofício ou a requerimento das partes, é possível, quando constatada a necessidade. 
NÚMERO MÁXIMO DE TESTEMUNHAS que podem ser arroladas pelas partes:
(a) no procedimento comum ou ordinário (sanção máxima cominada igual ou superior a 4 anos): admite-se até oito testemunhas para cada uma das partes (art. 401 do CPP). Em caso de vários fatos, a acusação poderá arrolar até 8 testemunhas para cada fato. Superando 8, o juiz pode ouvir as excedentes como testemunhas do juízo. Em se tratando de vários réus, podem ser arroladas até 8 testemunhas em relação a cada réu;
(b) no procedimento sumário (sanção máxima cominada inferior a 4 (quatro) anos): até 5 testemunhas (art. 532 do CPP);
(c) no procedimento sumaríssimo da Lei 9.099/95 (infração de menor potencial ofensivo): até 3 testemunhas;
(d) no Júri: até 8 testemunhas na 1ª fase (art. 406, §§2º e 3º, CPP), e até 5 testemunhas no plenário (art. 422, CPP);
(d) na Lei de DROGAS), até 5 testemunhas (artigo 54, III, Lei 11.343/06).
OBS: Testemunha arrolada não pode ser ARBITRARIAMENTE excluída pelo juiz.
OBS: NÃO entram no número legal:
testemunha que não presta compromisso: informante (art. 208, CPP);
 testemunha do juízo (art. 209, CPP);
testemunha que nada sabe/inócua (art. 209, §2º, CPP).
INCIDENTES POSSÍVEIS NO MOMENTO DA OITIVA
ATENÇÃO: Art. 205, CPP \u2013 dúvida sobre a identidade da testemunha: juiz procederá à verificação pelos meios ao seu alcance, podendo, entretanto, tomar-lhe o depoimento desde logo.
A) CONTRADITA (art. 214, CPP): Contraditar é impugnar; pretende-se com ela excluir a testemunha impedida de depor (ex: advogado que soube dos fatos no exercício da profissão, incidindo na vedação do art. 207, CPP). Há dupla finalidade: I) excluir a testemunha ou II) excluir o compromisso. Procedimento: ANTES do início do depoimento, contradita-se a testemunha, procedendo-se, então, à sua oitiva sobre