PROCESSO PENAL – PONTO 4º
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PROCESSO PENAL – PONTO 4º


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que têm dupla finalidade: a) garantir o ressarcimento da vítima em face do ilícito ocorrido; b) evitar o locupletamento ilícito do infrator. São procedimentos incidentais (autos apartados: arts. 129 e 138, CPP).
ATENÇÃO: As medidas assecuratórias, nos procedimentos que tenham por objeto crimes praticados por organizações criminosas, poderão ser determinadas por colegiado de 1º grau (art. 1º, I, Lei 12.694/12).
ATENÇÃO: Importa ressaltar que a análise abaixo contemplou as medidas assecuratórias previstas no CPP, não ingressando nas peculiaridades da legislação penal especial. De todo modo, visando evitar qualquer prejuízo, seguem os dispositivos legais extravagantes relacionados ao tema:
	- Arts. 4º a 6º, Lei 9.613/98 (Lavagem de Capitais), com recentes alterações da Lei 12.683/12.
	- Arts. 60 a 62, Lei 11.343/06 (Drogas). 
SEQUESTRO (arts. 125 a 133, CPP)
OBJETO: recai sobre o provento do delito, ou seja, bens adquiridos com o produto do crime, tanto imóveis (arts. 125 e 128, CPP;) quanto móveis (art. 132, CPP).
ATENÇÃO: Se o bem móvel é produto direto do crime (objeto sobre o qual recaiu a conduta criminosa; ex: dinheiro furtado), é passível de busca e apreensão (arts. 240 e segs., CPP). Se é provento do crime (obtido com a especialização do produto da infração; ex: carro adquirido com o dinheiro furtado), é cabível o sequestro (arts. 121 e 132, CPP).
CONDIÇÃO: \u201cindícios veementes da proveniência ilícita dos bens\u201d (art. 126, CPP).
Somente pode ser decretado pelo juiz (mesmo no IP): de ofício, ou a requerimento do MP, do ofendido, ou mediante representação da autoridade policial (art. 127, CPP).
MOMENTO: IP ou processo criminal.
EMBARGOS AO SEQUESTRO: ação autônoma que pode ser manejada pelo acusado, por terceiro de boa-fé (art. 130, CPP) e por terceiro possuidor (art. 129, CPP).
RECURSO: Apelação (art. 593, II, CPP).
LEVANTAMENTO (art. 131, CPP): 
se a ação penal não foi intentada em 60 dias;
se o terceiro prestar caução;
se sentença absolutória ou extintiva da punibilidade.
DESTINAÇÃO FINAL: Transitada em julgado a sentença condenatória, o juiz penal determinará a avaliação e a venda dos bens em leilão público, sendo a quantia arrecadada, no que não couber ao lesado ou ao terceiro de boa-fé, recolhida ao Tesouro Nacional (art. 133, CPP).
ATENÇÃO: SEQUESTRO \u2013 provento do ilícito; alienação pelo juízo criminal.
 \u2260
 ARRESTO \u2013 bens de origem lícita; alienação pelo juízo cível.
HIPOTECA LEGAL E ARRESTO (arts. 134 a 144, CPP)
OBJETO: recaem sobre bens de origem lícita de propriedade do acusado.
CONDIÇÃO: além da prova do dano causado pelo crime, a demandar reparação (art. 91, I, CP), exige-se a \u201ccerteza da infração e indícios suficientes da autoria\u201d (art. 134, CPP: deve ser interpretado sistematicamente com os arts. 136 e 137, CPP, de modo que não só a hipoteca legal exige esta condição, mas também o arresto de imóvel e de bens móveis).
ATENÇÃO: A título de esclarecimento, é importante destacar que o ARRESTO DE IMÓVEIS guarda pouca relação com o ARRESTO DE BENS MÓVEIS, embora ambos os institutos, sob prismas diversos, se relacionem à HIPOTECA LEGAL. 
- ARRESTO DE IMÓVEIS (art. 136, CPP): medida assecuratória que recai sobre imóveis de origem lícita, a serem submetidos, em momento ulterior, à hipoteca legal; trata-se de providência puramente cautelar dos direitos do lesado, em face do perigo da demora na especialização da hipoteca legal; caso não seja promovido o procedimento de especialização da hipoteca no prazo de quinze dias da determinação do arresto, será este revogado; enquanto a inscrição de hipoteca legal deve ser proposta durante o processo, a cautelar preparatória dela \u2013 o arresto de imóveis -, pode ser movida também durante o IP; todavia, em face da exiguidade do prazo para manejo do processo de inscrição de hipoteca legal (quinze dias), se o arresto de imóvel for requerido durante a fase investigativa, haverá maior risco de incidir hipótese para sua revogação; a decisão que decreta ou denega a medida é irrecorrível (plausível seria o MS como sucedâneo recursal).
- HIPOTECA LEGAL (art. 134 e 135, CPP): medida assecuratória que, assim como sua providência cautelar preparatória (arresto de imóvel), recai sobre imóveis de origem lícita, de propriedade do acusado, sendo que sua decretação só é cabível durante o processo; trata-se de direito real instituído sobre imóvel alheio para garantir uma obrigação de ordem econômica, sem que haja a transferência do bem gravado para o credor; seu procedimento está previsto no art. 135, CPP, sendo que da decisão do juiz de primeiro grau que determina ou nega a inscrição da hipoteca legal, cabe apelação (art. 593, II, CPP).
- ARRESTO DE BENS MÓVEIS (art. 137, CPP): medida assecuratória de caráter residual, subsidiário, complementar, a ser invocada quando não existam bens imóveis de origem lícita, ou em havendo, sejam insuficientes para viabilizar a indenização dos danos causados pela infração; será admissível nos termos que \u201cé facultada a hipoteca legal\u201d; portanto, não sendo possível se proceder à hipoteca legal, como medida residual, adota-se o arresto de bens móveis; a decisão que decreta ou denega a medida é irrecorrível (plausível seria o MS como sucedâneo recursal).
ESQUEMA:
			 CAUTELAR RESIDUALMENTE
		 PREPARATÓRIA SUBSIDIARIAMENTE
LEGITIMIDADE: ofendido (vítima) ou MP.
ATENÇÃO: O art. 142, CPP não terá incidência onde houver Defensoria Pública estruturada, valendo destacar, ainda, que o MP, desde a CF/88, não mais exerce a representação da Fazenda Pública. 
LEVANTAMENTO (art. 141, CPP): quando, por sentença irrecorrível, o réu for absolvido ou tiver extinta a sua punibilidade.
DESTINAÇÃO FINAL: tratando-se de bens de origem lícita, passada em julgado a sentença condenatória, os autos serão remetidos ao juízo cível, onde se efetivará o ressarcimento dos danos causados pelo ilícito criminal (art. 143 c/c art. 63, CPP).
ALIENAÇÃO ANTECIPADA (art. 144-A, CPP, incluído pela Lei 12.694/12)
Trata-se de instituto que já era previsto na legislação extravagante (ex: art. 60, §4º, Lei 11.343/06), vindo a ser generalizado pelo legislador com a Lei 12.694/12, diploma que inseriu o art. 144-A no CPP. A norma entrará em vigor em 25/10/2012.
ATENÇÃO: A Lei 12.683/12 inseriu na Lei de Lavagem de Capitais (Lei 9.613/98) o instituto da alienação antecipada (art. 4º-A).
Pressupõe uma medida assecuratória anteriormente implementada.
FINALIDADE: \u201cPreservação do valor dos bens, quando estiverem sujeitos a qualquer grau de deterioração ou depreciação, ou quando houver dificuldade para sua manutenção\u201d.
FORMA: leilão, preferencialmente por meio eletrônico (art. 144-A, §1º, CPP).
INCIDENTE DE FALSIDADE (ARTS. 145 A 148, CPP)
CONCEITO: Procedimento incidental (autos apartados: art. 145, I, CPP) que tem por fim a retirada de documento alegadamente falso, evitando, assim, erros judiciais.
ATENÇÃO: DOCUMENTO ORIGINÁRIO \u2013 gerado com o propósito de provar.
 \u2260
 DOCUMENTO EVENTUAL \u2013 pode servir como prova, mas não foi produzido para tal fim. 
LEGITIMIDADE: Pode ser suscitado pelas partes (MP, querelante ou acusado). Quando a arguição é feita por procurador, exige poderes especiais (art. 146, CPP).
OBS: A verificação de falsidade pode ser feita de ofício pelo juiz (art. 147, CPP).
PROCEDIMENTO: Previsto no art. 145, CPP. Desentranhamento do documento somente após a decisão que reconheceu a falsidade se tornar irrecorrível (inciso IV).
EFEITOS: O incidente não tem o condão de tornar indiscutível a falsidade do documento em todo e qualquer processo. Apenas produz efeitos no processo em que o incidente foi instaurado: a) retirada do documento dos autos b) remessa do documento, com o processo incidente, ao MP (detém a opinio delicti). Não há, portanto,