PROCESSO PENAL – PONTO 4º
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PROCESSO PENAL – PONTO 4º


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legal.	Por meio de sistema, o juiz seria simplesmente um matemático. Esse sistema traz uma certeza, mas diante de um caso concreto seria um absurdo. Conquanto não seja adotado no Brasil, existem alguns resquícios desse na legislação penal:
(a) Infração que deixa vestígios: é indispensável o exame de corpo de delito (não se quer nenhum outro tipo prova), nos moldes do art. 158, CPP.
(b) Quanto ao estado das pessoas, deverão ser observadas as restrições estabelecidas na lei civil (ex: comprovação da idade com certidão de nascimento), a teor do art. 155, p. único, CPP.
C) Sistema do livre convencimento motivado ou da persuasão racional do juiz: o juiz tem ampla liberdade na valoração das provas (todas as provas têm valor relativo), mas deve fundamentar seu convencimento. É esse o sistema adotado pelo CPP, no art. 155, bem como pela CF/88, no art. 93, IX.
OBS: CARACTERÍSTICAS DO SISTEMA DA PERSUASÃO RACIONAL
Todas as provas são relativas. Nenhuma prova possui valor absoluto (a confissão também não tem valor absoluto, necessita de outras provas).
Não existe hierarquia entre as provas (não se pode falar que uma prova material tem maior valor do que uma documental).
O juiz julga e somente pode julgar de acordo com as provas existentes no processo. Conhecimentos privados do juiz não podem ser invocados (o que não está nos autos não está no mundo, não pode nem sequer argumentar).
O juiz tem que valorar todas as provas produzidas (o juiz não pode deixar de valorar nenhuma prova colhida dentro do processo).
Motivação. Deve o julgador fundamentar a sua convicção (o juiz no processo penal não é como um jurado no Tribunal do Júri, no qual o jurado não tem que indicar a motivação).
Ausência de limitação quanto aos meios de provas. Como já mencionado, o CPP traz somente exemplificações dos meios de provas. Sendo as provas licitas e legitimas, ainda que inominadas, e sem qualquer regulamentação, poderão ser admitidas para a formação do convencimento do juiz.
OBS: Elementos Informativos X Prova
			ELEMENTOS DE INFORMAÇÃO
	PROVA
	Colhidos na fase investigatória (inquisitorial), sem a participação dialética das partes;
Não estão sujeitos ao contraditório;
Não há ampla defesa;
Prestam-se para a fundamentação de medidas cautelares e para a formação da opinio delicti (opinião do titular da ação penal).
	Em regra, é produzida na fase judicial, que é regida pelo sistema acusatório (acusador, acusado, juiz);
Observância do contraditório;
Observância da ampla defesa.
ATENÇÃO: No CPP, atualmente, também se adota o princípio da IDENTIDADE FÍSICA DO JUIZ, segundo o qual o magistrado que presidiu a instrução deve sentenciar (art. 399, § 2º, CPP). Jurisprudência: o princípio não ostenta caráter absoluto, comportando as exceções previstas no art. 132, CPC.
OBS: Provas Cautelares X Não-repetíveis X Antecipadas (art. 155, CPP)
Cautelares: aqueles em que existe um risco de desaparecimento do objeto em virtude do decurso do tempo. Neste tipo de provas o contraditório é diferido (são provas produzidas na fase investigatória). Ex: interceptação telefônica (degravação é juntada aos autos para que seja feito o contraditório); busca e apreensão. Não se pode deixar para decretar essas medidas no final do processo.
Não-repetíveis: aquelas colhidas na fase investigatória porque não podem ser produzidas novamente no curso do processo. O contraditório será diferido. Ex: exame de corpo de delito de um local de crime de homicídio.
Antecipadas: em razão de sua urgência e relevância, são produzidas antes de seu momento processual oportuno, e até mesmo antes de iniciado o processo, porém com a observância do contraditório real, perante a autoridade judicial. Ex: art. 225, CP (depoimento antecipado ou depoimento ad perpetuam rei memorium).
OBS: Art. 155, CP \u2013 \u201cEXCLUSIVAMENTE\u201d: Elementos informativos, de maneira isolada, não são aptos a fundamentar uma condenação. No entanto, não devem ser ignorados, podendo-se somar à prova produzida em juízo como mais um elemento na formação da convicção do juiz. Assim, a condenação deve sempre se basear nas provas colhidas em contraditório judicial, podendo apenas supletivamente, a título de reforço argumentativo, se basear nos elementos informativos do IP (STF: RE 287.658 e REAgr 425.734). 
ÔNUS DA PROVA
A) Conceito: é o encargo que tem a parte de provar a veracidade do fato alegado. Não há o dever de provar, há somente um encargo.
B) Ônus da prova objetivo \u2260 Ônus da prova subjetivo
1) Objetivo: é entendido como uma regra de julgamento. Se, ao final do processo, houver dúvida, deve o juiz absolver o acusado (princípio do in dubio pro reo).
2) Subjetivo: é entendido como o encargo que recai sobre as partes na busca pela formação da convicção do julgador.
C) Ônus da acusação (o que o MP tem que provar): 
1) Existência de fato penalmente ilícito;
2) Autoria;
3) Relação de causalidade;
4) Elemento subjetivo: dolo (demonstrado a partir dos elementos do caso concreto) ou culpa.
ATENÇÃO: Teoria da cegueira deliberada. Recentemente, foi utilizada no caso do BACEN. Ocorre nos casos em que o sujeito prefere evitar o conhecimento. Se o agente, deliberadamente, evita o conhecimento quanto à origem ilícita dos bens, responde a título de dolo eventual pelo crime de lavagem de capitais.
ATENÇÃO: Teoria da ratio cognoscendi ou da indiciariedade foi adotada pelo CP. Assim, se o fato é típico, presume-se que é ilícito (\u201conde há fumaça \u2013 tipicidade \u2013, provavelmente, mas nem sempre, haverá fogo \u2013 ilicitude\u201d). Então, cabe ao MP somente provar a tipicidade, pois o restante vem por consequência.
D) Ônus da defesa (o que a defesa deve provar):
a) Fatos extintivos do direito de punir, tais como prescrição e decadência;
b) Fatos impeditivos, tais como causas excludentes da culpabilidade;
c) Fatos modificativos, tais como excludente da ilicitude.
ATENÇÃO: Se, ao final do processo, houver dúvida quanto à presença de causa excludente da ilicitude ou da culpabilidade, deve o juiz absolver o acusado (art. 386, VI, CPP). Então, a certeza é importante na hora da condenação.
OBS: Sistema inquisitorial X Sistema acusatório:
1) Sistema inquisitório: extrema concentração de poder nas mãos do órgão julgador; o acusado é mero objeto de investigação; não há separação entre as funções de acusar, defender e julgar.
2) Sistema acusatório: separação entre as funções de acusar, defender e julgar, criando-se um processo de partes; o acusado é sujeito de direitos; o Poder Judiciário tem a função de garante das regras do jogo. Adotado pela CF/88, no art. 129, I.
ATENÇÃO: Art. 3º, Lei 9.034/95 - permitia que o juiz pessoalmente realizasse diligências. Em relação aos sigilos bancário e financeiro, o STF entendeu que o art. 3º teria sido revogado pelo advento da LC 105/01 (que passou a dispor sobre o sigilo). Por outro lado, em relação aos sigilos fiscal e eleitoral, o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º por violação ao princípio da imparcialidade e ao sistema acusatório (ADI 1.570/DF).
OBS: O art. 156, I, CPP, tem sido alvo de muitas críticas principalmente no que toca à possibilidade de o julgador, antes mesmo do início da ação penal, produzir provas de ofício. Em verdade, o entendimento predominante na jurisprudência atual é que no \u201csistema processual penal acusatório, mormente na fase pré-processual, reclama deva ser o juiz apenas um magistrado de garantias, mercê da inércia que se exige do Judiciário enquanto ainda não formada a opinio delicti do Ministério Público\u201d. (Informativo 671 do STF: Ag. Reg. no Inq. 2.913/MT). Portanto, durante o curso do inquérito, o juiz pode determinar a produção de provas consideradas urgentes e relevantes, tais como, a interceptação telefônica, a busca e apreensão em domicílio, dentre outras, porém, tais medidas pressupõem prévio requerimento da autoridade policial (somente pode requerer durante o IP) ou do Ministério Público (pode requerer durante o IP ou durante a aÇÃO pENAL).
OBS: Quanto ao art. 156, II, CPP,