PROCESSUAL PENAL – PONTO 01
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PROCESSUAL PENAL – PONTO 01


DisciplinaDireito Processual Penal I19.962 materiais149.478 seguidores
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bem como do direito ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório. V - Ordem denegada. (HC 96821, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 08/04/2010, DJe-116 DIVULG 24-06-2010 PUBLIC 25-06-2010 EMENT VOL-02407-02 PP-00319 LEXSTF v. 32, n. 380, 2010, p. 295-321) \u201cATENÇÃO\u201d \u2013 O STJ reviu seu entendimento, acompanhando esse do STF: 3. O Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao apreciar o Recurso Extraordinário nº 597.133/RS, de relatoria do Min. Ricardo Lewandowski, decidiu que os julgamentos de recursos proferidos por Câmara composta, majoritariamente, por juízes de primeiro grau não são nulos, eis que não violam o princípio do juiz natural. Em assim decidindo, o Excelso Pretório consagrou o entendimento de que são válidos os referidos julgamentos. 4. Em face da superação do entendimento, à época do julgamento do presente mandamus, firmado neste Sodalício, em juízo de retratação cumpre denegar a ordem impetrada em favor do Paciente. (HC 116651/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 07/06/2011, DJe 15/06/2011)
Habeas Corpus. 2. Homicídios duplamente qualificados. 3. Designação de magistrado para proceder à instrução e ao julgamento do feito. 4. Nulidade. Violação ao princípio do juiz natural. 5. Falta de juiz de direito na comarca. Vacância do cargo. Feito complexo. 6. Homenagem à duração razoável do processo. 7. Previsão em lei estadual. Ausência de ofensa ao princípio do juiz natural. 8. Ordem denegada. (HC 86604, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Segunda Turma, julgado em 28/06/2011, DJe-189 DIVULG 30-09-2011 PUBLIC 03-10-2011 EMENT VOL-02599-01 PP-00073)
1. O princípio do juiz natural foi encampado pelo ordenamento jurídico nas suas duas vertentes, uma proibindo a instituição de tribunais de exceção; e outra garantindo ao indivíduo o seu julgamento por autoridade judiciária com competência definida previamente no ordenamento jurídico. 2. Analisando hipótese análoga à verificada no caso, esta Corte já firmou o entendimento no sentido de que a convocação de juízes do primeiro grau de jurisdição para atuarem nos Tribunais não ofende o princípio do juiz natural, caso precedida de autorização legal. (HC 134463/GO, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 07/06/2011, DJe 31/08/2011)
1. A redistribuição do feito decorrente da criação do nova vara com idêntica competência - com a finalidade de igualar os acervos dos Juízos e dentro da estrita norma legal - não viola o princípio do juiz natural, mormente quando ocorre ainda na fase de inquérito policial, como na espécie. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. 2. O Supremo Tribunal Federal já se manifestou no sentido da inexistência de violação ao princípio do juiz natural pela redistribuição do feito em virtude de mudança na organização judiciária, uma vez que o art. 96, 'a', da Constituição Federal, assegura aos Tribunais o direito de dispor sobre a competência e o funcionamento dos respectivos órgãos jurisdicionais. (HC 102193/SP, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 02/02/2010, DJe 22/03/2010)
1. É pacífico o entendimento deste Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal no sentido de ser perfeitamente possível a convocação de juízes de primeiro grau para substituírem desembargadores nos Tribunais, quando, em conformidade com a legislação de regência, não há qualquer ofensa à Constituição Federal. 2. O caso em apreço não se amolda à hipótese acima, tendo em vista tratar-se de ação penal originária, porquanto, em última análise, refere-se às prerrogativas dos membros do Ministério Público que, por expressa previsão constitucional (art. 96, inciso III), possuem foro privilegiado por prerrogativa de função. 3. Prevendo o Regimento Interno do Tribunal de Justiça Estadual, vigente à época do julgamento do paciente, de que era necessária a presença de pelo menos dois terços de seus membros na sessão de julgamento, viola o princípio do juiz natural quando o referido quorum é completado com juízes de primeiro grau convocados. (HC 88739/BA, Rel. Ministro HAROLDO RODRIGUES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/CE), SEXTA TURMA, julgado em 15/06/2010, DJe 30/08/2010)
 
2.23 \u2013 PRINCÍPIO DO PROMOTOR NATURAL 
Qual é a dimensão do princípio do promotor natural? Segundo Fernando Capez, tal princípio também seria decorrência do art. 5º, LIII, da CF, ou seja, significa que ninguém será processado senão pelo órgão do MP, dotado de amplas garantias pessoais e institucionais, de absoluta independência e liberdade de convicção e com atribuições previamente fixadas e conhecidas. Com isso, o nosso ordenamento não admitiria o promotor de exceção, melhor dizendo, não admitiria nomeações casuísticas de membros do Ministério Público para determinados casos em desobediência às regulamentações anteriores.
Inicialmente, depois da Lei Orgânica do Ministério Público (Lei 8.625/93) e Lei do MPU (LC 105/93), parecia não haver dúvidas sobre a existência desse princípio no nosso ordenamento jurídico. Não obstante isso, mais recentemente, parece que o STF vem negando a aplicabilidade desse princípio no nosso ordenamento jurídico, a saber: \u201cOFENSA AO PRINCÍPIO DO PROMOTOR NATURAL. (...) IV. - No julgamento do HC 67.759/RJ, pelo Plenário, os Ministros Paulo Brossard, Octavio Gallotti, Néri da Silveira e Moreira Alves adotaram posição de rejeição à existência do princípio do promotor natural. Os Ministros Celso de Mello e Sydney Sanches admitiram a possibilidade de instituição do princípio mediante lei. Assim, ficou rejeitado, no citado julgamento, o princípio do promotor natural.\u201d HC 67.759/RJ, Ministro Celso de Mello, RTJ 150/123.\u201d HC 85424/PI HABEAS CORPUS CARLOS VELLOSO - 23/08/2005 
PRINCÍPIO DO PROMOTOR NATURAL. O STF, por seu plenário, rejeitou a tese do promotor natural, porque dependente de interposição legislativa (HC 67.759, rel. Min. Celso de Mello, DJ 01.07.93). RE 387974/DF - DISTRITO FEDERAL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 14/10/2003
1. Não há afronta ao princípio da unidade do Ministério Público quando dois de seus representantes, dotados de autonomia funcional conferida pela CF (art. 127, §§ 2º e 3º, da CF) e atendendo ao interesse coletivo, atuam de maneira diversa no mesmo feito, como ocorreu no caso, em que houve a interposição de recurso de apelação por representante do Ministério Público diverso daquele que denunciou o paciente e opinou pela sua absolvição. (HC 112793/ES, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, QUINTA TURMA, julgado em 06/05/2010, DJe 24/05/2010)
2.24 \u2013 PRINCÍPIO DA VERDADE REAL OU MATERIAL 
Ao contrário do que ocorre com a verdade formal, em que o juiz depende, na instrução da causa, da iniciativa das partes quanto às provas e às alegações em que fundamentará sua decisão, contentando-se, portanto, com as provas produzidas pelas partes, diz-se que no processo penal se adota o princípio da verdade real, em que é dever do magistrado superar a desidiosa iniciativa das partes na colheita do material probatório, esgotando todas as possibilidades para alcançar a verdade real dos fatos, como fundamento da sentença. Não obstante esse princípio, a doutrina não nega que, por mais livre que seja a investigação das provas por parte do julgador, a verdade alcançada sempre será formal.
Vale anotar que, em princípio, qualquer meio probatório é válido, há liberdade de provas. Mas essa regra não é absoluta, é uma regra relativa, porque sofre restrições e exceções. EXEMPLO: confissão mediante tortura não é possível porque é prova ilícita; ou interceptação telefônica sem autorização do juiz. O direito de prova não é direito de usar todas as forças, é o direito de provar dentro dos limites permitidos. Há pessoas que são proibidas de depor, nos termos do artigo 317, isso é uma limitação à produção de provas, ou seja, ao limite de produção de provas. 
Os interesses são indisponíveis no processo penal e por isso o juiz deve buscar a verdade real nos autos; quando as partes forem inertes