PROCESSUAL PENAL – PONTO 01
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PROCESSUAL PENAL – PONTO 01


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Assistência jurídica 
Extradição
Homologação de sentença estrangeira
Transferências de presos
EXTRADIÇÃO:
Conceito: é a entrega de um criminoso ou indiciado formulada pelo Estado onde se deu o delito ao Estado do qual se refugiou com o objetivo para se ver processado ou para cumprir a pena.
 
Fundamentos: busca da justiça universal e combate à impunidade.
Na extradição, em regra, há dois Estados, duas soberanias.
Há duas espécies de extradição:
Ativa \u2013 é aquela requerida pela república federativa do Brasil.
Passiva \u2013 é aquela requerida à república federativa do Brasil. 
Outras classificações:
Costume internacional - o Estado só extradita se existir tratado internacional ou a promessa de que será assinado (de reciprocidade). 
Extradição de fato ou de direito. A primeira é denominada de casos de abdução \u2013 o Estado vai e seqüestra, é retirado a força. Caso Humberto Alvarez Machain. A extradição é de direito quando pressupõe a existência de um procedimento jurídico. É a dita extradição verdadeira. Extradição de fato \u2014 sem a necessária participação do Estado requerido \u2014 ou, pura e simplesmente, um seqüestro, num ato de violação à soberania territorial, transgredindo consagradas normas de direito internacional.
Extradição instrutória ou executória. A primeira é a que se dá para que se veja processado. Ele ainda é acusado e será submetido ao devido processo legal ao Estado requerente. E a executória, é aquela que se dá para que o extraditando cumpra a pena auferida no devido processo legal.
Princípios aplicados à extradição:
Prevalência dos tratados \u2013 a extradição será normatizada e efetuada, tendo em vista o previsto no tratado que deverá prevalecer.
Especialidade \u2013 o estrangeiro só pode ser julgado no Estado requerente pelo crime que estiver no pedido de extradição. 
Da Identidade ou da dupla tipicidade \u2013 modelo do paralelismo. Para que se exista a extradição, necessário se faz que o fato que fundamenta a extradição também seja crime aqui no Brasil. Se o fato não for crime aqui ou se for contravenção não há que se falar em extradição. Não é necessário que seja os mesmos elementos normativos do tipo, mas precisa ser figura típica e antijurídica. 
Da reciprocidade \u2013 extraditaremos àqueles Estados que extraditam ao Brasil. art. 5º, LI, CF \u2013 o brasileiro nato não poderá ser extraditado (isso desde a CF/34). O naturalizado pode em 2 situações: 1) prática de crime comum antes da naturalização; 2) envolvimento comprovado em tráfico de drogas na forma da lei. 
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei; (lei de eficácia limitada. Determina uma lei. A lei não existe. Então, ele não poderá ser extraditado até que exista essa lei). 
Preferência da jurisdição nacional \u2013 muitas vezes o estrangeiro extraditando cometeu ato ilícito, antijurídico dentro do território nacional e deve-se aplicar a lei daqui e depois de processado e condenado e cumprido a pena, é que será extraditado, em regra. Pode haver exceção de cumprir parte da pena fora daqui.
Ne bis in idem \u2013 se pelo mesmo fato ele já cumpriu pena, ele não poderá ser extraditado. 
Da exclusão dos crimes políticos \u2013 art. 5º, LII, CF. Não será extraditado em caso de crime político ou de opinião. O STF diferencia crime político de crime comum com conotação política \u2013 este extraditamos. Para o STF, terrorismo é crime comum com conotação política. Ex.: caso Norambuena. 
LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião;
Da comutação \u2013 não extraditamos se a pena a ser aplicada for pena de morte ou prisão perpétua. Hoje não se extradita, mas STF já permitiu em razão da pena de prisão perpétua. 
Da jurisdição de delibação \u2013 ele não penetra no mérito, no erro, no acerto, na justiça da pena. Também recebe o nome de contenciosidade limitada. Adotamos o sistema Belga.
Quando não é permitida a extradição?
Contravenção penal;
Se a pena máxima pelo crime for inferior a 1 ano;
Crimes políticos ou de opinião;
Se já estiver extinta a punibilidade;
Se o crime deva ser julgado no Brasil;
Se o estrangeiro extraditando será julgado por tribunal de exceção;
Processo extradicional:
A competência para conhecer e julgar a extradição é do STF que decreta a prisão para fins de extradição. O Ministro Relator expede o mandado de prisão para fins de extradição. Em razão da cooperação para o progresso da humanidade existe a Interpol (polícia internacional \u2013 na França) e lá temos representante da polícia federal. Ela circulariza os mandados de prisão internacional e a lista tem várias cores. O STF decreta a prisão para fins de extradição. Pode ser feita por via diplomática ou por meio de autoridade central. 
Quanto tempo o cidadão pode ficar preso? O STF tem permitido, excepcionalmente, a liberdade provisória para o estrangeiro extraditando. Se a demora pelo Estado requerente for demais, permite-se a liberdade ou a prisão domiciliar, retendo o passaporte. A prisão para extradição tem natureza cautelar e é obrigatória para o processamento da extradição. 
A defesa alegará que a identidade não é a mesma do que se encontra no documento; defeito de forma nos documentos apresentados; ilegalidade da extradição \u2013 a defesa pode alegar que a condenação partiu de um juízo de exceção, que já está prescrito de acordo com a legislação nacional, que aqui no Brasil isso não é crime, é contravenção, nós extraditamos inimputável (aplicação de medida de segurança)? Existe uma decisão que permitimos a extradição porque houve a existência de crime. 
Condições estipuladas para o Brasil para fins de extradição:
Não ser preso, nem processado por fatos anteriores ao pedido extradicional;
Computado o tempo de prisão no Brasil para descontar no exterior;
Comutar a pena capital (de morte) pela pena privativa de liberdade. No caso do Norambuena (seqüestrador do Washington Oliveto) foi convertida a prisão perpétua pela pena de 30 anos;
Não entrega do extraditando para outro Estado, apenas para o que pediu;
Extraditando tem direito a advogado (defensor da União).
Súmula 01 e 421, STF: 
É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira, ou que tenha filho brasileiro, dependente da economia paterna. 
Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro.
O STF determinou a extradição, o Presidente da República pode se recusar a extraditar? 
Sim. Em função da discricionariedade do chefe do Estado para parte da doutrina. Já a decisão negativa do STF vincula o Presidente. 
ASSISTÊNCIA JURÍDICA:
Conceito: por exclusão. São os atos necessários à persecução penal do delito que não sejam a extradição, nem a homologação de sentença estrangeira, nem a transferência de preso. 
Conteúdo: art. 18.3 da Convenção das Nações Unidas contra a Criminalidade organizada e transnacional:
Tomada de depoimento de testemunhas;
Declarações de acusados;
Envio de peças processuais;
Medidas preventivas de constrições judiciais: busca e apreensões, congelamentos de contas bancárias;
Entrega de documentos;
Localização ou apreensão de bens;
Instrumentos do delito;
Qualquer outro tipo de assistência permitida pelo direito interno do país requerido (cláusula de encerramento). 
Ex.: confisco de bens, perícias, medidas preventivas probatórias de última geração: entregas vigiadas, teleconferência para colher depoimentos, interceptação de telecomunicações.
Legitimidade ativa para os pedidos de assistência internacional:
No séc. XIX, os legitimados ativos eram os juízes. 
No séc. XX, a autoridade competente no país estrangeiro. 
Mais para o final do século surgem convenções específicas que denominam algumas autoridades como competente para fazer o pedido: delegados, membro do