PROCESSUAL PENAL – PONTO 01
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PROCESSUAL PENAL – PONTO 01


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MP, autoridades judiciais (lato sensu), ex.: protocolo de assistência mútua em assuntos penais no MERCOSUL (de 1996). 
A doutrina dominante no Brasil afirma que são legitimados para efetuar o pedido as autoridades competentes, conforme o ordenamento do Estado requerente. No Brasil, o MP não pode afastar o sigilo bancário diretamente, salvo se houver dinheiro público envolvido. No entanto, o STF as normas de atribuição da competência devem ser a do Estado requerido (decisão de 2003 \u2013 carta rogatória 10536). Esta decisão do STF é vacilante. 
Legitimidade passiva para os pedidos de assistência internacional:
O destinatário final dos pedidos de assistência legal em matéria penal, independentemente da via em que o pedido é feito, será a autoridade do Estado requerido que tem a competência para realizar o ato solicitado. 
Modelos de transmissão da assistência penal internacional:
1) VIA DA CARTA ROGATÓRIA \u2013 é o caminho mais tradicional, mais conservador. A transmissão de uma cooperação jurídica caminha para um fim. É meio de colaboração entre poderes de Estados diversos em que um solicita cooperação ao outro estrangeiro. É um instrumento por meio do qual se roga à autoridade estrangeira que promova a realização de um ato. Os atos que podem ser praticados são: 1) atos processuais ordinatórios (citações, intimações, notificações etc), 2) atos instrutórios (produção de prova por meio de oitiva de testemunhas, realização de perícias, requisição de documentos. Qual é o ritual tradicional da carta rogatória na assistência internacional? O poder judiciário do Estado requerente solicita ao seu Ministro da Justiça que faça a cooperação internacional. Ele solicita ao Ministro das Relações Exteriores que encaminha para o Estado requerido via malote. Lá no Estado requerido, o consulado ou embaixada do Estado requerente remete ao Ministério das Relações Exteriores (Estado requerido) que envia para o Ministério da Justiça e este deve fazer o pedido ao poder judiciário. Aqui é o STJ que dá cumprimento à carta rogatória. O STJ verificará se a carta rogatória ofende a moral, a ordem pública e a soberania e dará sequência à execução da CR que se chama exequatur. Aí o STJ encaminha o pedido a um juiz federal.
Carta rogatória no Brasil: o \u2018cumpra-se\u2019 nas cartas rogatórias surge em 1894, por meio da L. 221. Quem dava o \u2018cumpra-se\u2019 era o poder executivo. A partir da CF 1934, o STF passou a ter competência para dar execução à carta rogatória. A partir da EC 45/04, a competência passa a ser do STJ. O CPC trata a partir do art. 201. O STJ editou a resolução nº9 de 2005. 
Quais diligências podem ser realizadas via carta rogatória? Fases de inquérito, de instrução processual ou no decorrer do julgamento. 
Carta rogatória ativa \u2013 é a expedida por autoridade judiciária da república federativa do Brasil. Não se faz necessário o exaquatur do STJ.
Carta rogatória passiva \u2013 é a requerida por uma autoridade judiciária estrangeira e recebida pelo poder judiciário nacional. Ela necessita do exequatur do STJ (art. 105, I, \u2018i\u2019, CF). 
O presidente do STJ que tem a competência para impulsionar a carta rogatória. Se ela for impugnada temos a distribuição para um dos ministros. Se não houver a impugnação, o presidente a impulsiona. Esta decisão de impulsionar a CR pode ser desafiada por meio de agravo regimental. 
Art. 7º, §único, Res. 9. \u2013 se o ato não ofende o patrimônio de algum cidadão ele dá andamento, caso contrário ele precisa decidir se ofende a soberania, a moral e os bons costumes. 
Art. 7º As cartas rogatórias podem ter por objeto atos decisórios ou não decisórios. 
Parágrafo único. Os pedidos de cooperação jurídica internacional que tiverem por objeto atos que não ensejem juízo de delibação pelo Superior Tribunal de Justiça, ainda que denominados como carta rogatória, serão encaminhados ou devolvidos ao Ministério da Justiça para as providências necessárias ao cumprimento por auxílio direto (o termo grifado foi empregado incorretamente). 
Muitas vezes não se abre ao contraditório a carta rogatória. Art. 8º, Res. 
Art. 8º A parte interessada será citada para, no prazo de 15 (quinze) dias, contestar o pedido de homologação de sentença estrangeira ou intimada para impugnar a carta rogatória. 
Parágrafo único. A medida solicitada por carta rogatória poderá ser realizada sem ouvir a parte interessada quando sua intimação prévia puder resultar na ineficácia da cooperação internacional. 
Existem atos multilaterais que regram as cartas rogatórias = convenção interamericana sobre carta rogatória, protocolos do MERCOSUL, 
Existem atos bilaterais. Ex.: com a Itália, Portugal, França que regram a expedição de carta rogatória. 
Cartas rogatórias e medidas executórias:
Medidas executórias são as que possam criar gravame ao patrimônio jurídico de um cidadão dentro do território nacional. Em tese, essas medidas executórias ofendem o patrimônio jurídico do cidadão. São medidas assecuratórias, dispostas no CPP, a partir do art. 120. Ex.: arresto, seqüestro, hipoteca legal. 
A Lei 221/1894 proibia medidas executórias através de carta rogatória. O STF não dava o exequatur às cartas rogatórias que continha medida executória, sob o fundamento de que medidas executórias a partir de cartas rogatórias ofenderia a ordem pública, a soberania nacional. Essas medidas deviam ser encaminhadas via homologação de sentença estrangeira e como isso exigia trânsito em julgado essas cautelares ficavam sem procedimento. Crítica que se faz ao STF: essa jurisprudência vai até 2000 e se fundamentava em cartas rogatórias que transmitiam processos civis com partes privadas, entre particulares. Aplicava as regras e decisões cíveis em processo penal. De 2000 a 2004, o STF amenizou o seu posicionamento e passou a permitir medidas executórias em carta rogatórias. Em 2004 passa a competência para o STJ que modifica essa posição do STF e passa a analisar se a ordem pública foi violada caso a caso, não de forma genérica como STF até o ano de 2000 (art. 7, Res.9).
O STF e as cartas rogatórias passivas: 
1º) medidas executórias como busca e apreensão, seqüestros não podem ser viabilizados por carta rogatória, deve-se se seguir o caminho da homologação de sentença estrangeira com a necessidade de que todos os seus requisitos sejam atendidos. 
2º) permite a realização de medidas executórias por meio da via da carta rogatória, desde que possuam regramento em convenções internacionais (de 2000 a 2004 \u2013 MERCOSUL \u2013 protocolo de lãs lenhas).
Ex.: penhora de bens (CR 215), penhora de cotas de sociedades (CR 374), sigilo bancário (CR 691).
A convenção de Palermo contra o crime organizado transnacional tem regras sobre carta rogatória. 
2) VIA AUTORIDADE CENTRAL - é um órgão técnico administrativo geralmente localizado junto ao poder executivo, cuja função é o incremento do fluxo de informações sem fazer qualquer juízo de valor. Celeridade sem qualquer atribuição de natureza jurisdicional. No Brasil, em regra, a autoridade central é o Ministério da Justiça. O MJ, no ano de 2003, cria o DRCI (depto. de recuperação de ativo e cooperação internacional). 
A lei 9.613/98 (lei de lavagem de dinheiro), art. 14 \u2013 esta lei cria o COAF (conselho de operações de atividades financeiras) que fazem parte representante de várias autoridades centrais, ligado ao Ministério da Fazenda. COAF é uma unidade de inteligência financeira, ele circula as informações a respeito da lavagem de dinheiro. Não é autoridade central. 
Na maioria dos tratados, a autoridade central é MJ, exceto em dois: Canadá e Portugal que é o PGR. 
A resolução 45, ONU recomenda que a cooperação jurídica fuja da carta rogatória e seja feita via autoridade central. 
MLAT (Brasil e EUA) \u2013 tratado legal de assistência mútua \u2013 aqui está presente a autoridade central. 
Espécies de assistência via autoridade central:
- ativa \u2013 uma autoridade brasileira pede a autoridade central do Brasil, que verifica se os pressupostos