PROCESSUAL PENAL – PONTO 01
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PROCESSUAL PENAL – PONTO 01


DisciplinaDireito Processual Penal I19.994 materiais149.953 seguidores
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se trata. O fato atípico não pode jamais ser objeto de processo penal. Aqui, na verdade, não há exceção ao referido princípio, porque não há tipicidade, portanto, não se fala em conduta criminosa
O MP também não tem discricionariedade para decidir a acusação, é obrigado a acusar, desde que haja prova da materialidade e indícios da autoria. (art. 24, CPP). Princípio oposto: é o da oportunidade, que vigora na ação penal privada (a vítima, na ação penal de iniciativa privada, ingressa com a ação penal se quiser). 
O MP não pode dispor da ação penal e a autoridade policial não pode encerrar o IP. Para o STF, o MP não pode desistir do recurso no momento da apresentação das razões, porque decorre da obrigatoriedade da ação penal. Não é outra a dicção do art. 576, do CPP.
Não comparecimento do réu à audiência de conciliação no Juizado Especial. O juiz designa a audiência de instrução após a denúncia, a essa audiência o réu comparece, ou seja, depois da denúncia, ainda assim, o MP pode propor a transação, com nítida disposição da ação penal. Esse entendimento decorre do art. 79, da Lei 9.099/95, segundo o qual poderá ser feita a proposta caso antes ela não tenha ocorrido.
O mesmo ocorre com a possibilidade de disposição da ação penal, já que depois do oferecimento da denúncia, quando for pedida a suspensão do processo. 
2.14 PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE DA AÇÃO PENAL PÚBLICA 
O art. 42 do CPP diz que iniciado o processo o Ministério Público não poderá dispor da ação penal, ou seja, não pode abrir mão da persecução penal já em andamento. Mas pode pedir absolvição do acusado nas alegações finais? Sim (porque, afinal, acima de tudo, o MP atua como custos legis \u2013 CPP, art. 385). O MP também não pode desistir de recurso que ele interpôs (CPP, art. 576). 
Exceção: suspensão condicional do processo - Lei 9.099/95. Nesse caso o MP denuncia e ao mesmo tempo propõe a suspensão do processo, desde que o crime tenha pena mínima não superior a um ano - esse patamar mínimo de um ano não se alterou com a Lei 10.259/01, que ampliou o conceito de menor potencial ofensivo para dois anos. O STJ numa decisão (RHC 12.033) chegou a dizer o contrário, mas depois voltou atrás. 
Note-se que o presente princípio decorre do princípio da obrigatoriedade e vigora inclusive na fase do inquérito, conforme estabelece o art. 17 do Código de Processo Penal, o qual dispõe que a autoridade policial não poderá arquivar os autos do inquérito. 
Por outro lado, se o Ministério Público requer o arquivamento do inquérito, tal decisão será submetida ao juiz, e se este discordar, a apreciação será submetida ao Procurador Geral de Justiça, podendo este ter os seguintes posicionamentos (art. 28 CPP): 1) nomear outro membro do Ministério Público para oferecer a denúncia; 2) concordar com o pedido de arquivamento, devendo, neste caso, o juiz acatar tal decisão, por ser a mesma irrecorrível, 3) oferecer ele próprio a denúncia, e 4) pedir diligências complementares. Uma vez arquivado o inquérito ou as investigações, não há que se falar em recurso. A vítima nada pode fazer, a não ser tentar a descoberta de novas provas (quando o arquivamento se deu por falta de provas). Não cabe ação penal privada subsidiária na hipótese de arquivamento das investigações. 
2.15 PRINCÍPIO DA OPORTUNIDADE E DA DISPONBILIDADE DA AÇÃO PENAL PRIVADA 
Ao contrário do que ocorre com a ação penal pública, a ação penal privada se submete ao princípio da oportunidade, segundo o qual é a vítima quem tem total disponibilidade na propositura ou não da ação penal. Como decorrência disso, admite-se a renúncia ao direito de queixa, por exemplo.
O princípio da indisponibilidade não tem aplicação na ação penal privada (onde é possível o perdão da vítima). Na ação penal pública condicionada é mitigado, uma vez que é admissível a retratação da representação antes do oferecimento da denúncia (CPP, art. 25,interpretação a contrario sensu). 
2.16 PRINCÍPIO DA INDIVISIBILIDADE DA AÇÃO PENAL 
Previsto no art. 48, do CPP. O ofendido pode escolher entre propor ou não a ação. Não pode, porém, escolher dentre os ofensores qual irá processar. Ou processa todos, ou não processa nenhum. Caso haja propositura contra apenas parte dos agentes, há renúncia tácita no tocante aos não incluídos, o que acarreta a extensão a todos nos termos do art. 49, do CPP. A queixa deve ser rejeitada. Não se fala em tal princípio no tocante à ação penal pública, porque, para esta, aplica-se o princípio da obrigatoriedade, isto é, o MP, de acordo com os elementos de informação colhidos, pode optar por denunciar apenas um dos réus, deixando para denunciar os demais num momento posterior, caso haja sucesso na colheita de outros elementos de informações suficientes para fundamentar a denúncia. (Caderno do LFG e jurisprudência do STF e STJ)
2.17 PRINCÍPIO DA INDADMISSIBILIDADE DA PERSECUÇÃO PENAL MÚLTIPLA (NE BIS IN IDEM) 
É conhecido pela seguinte frase: ninguém pode ser processado e julgado duas vezes pelo mesmo fato. Em recente artigo, publicado no Boletim Científico 16 da Escola Superior do Ministério Público da União (Ano 04 \u2013 Julho/setembro de 2005), o Procurador Regional da República Rodolfo Tigre Maia assim explica o princípio: \u201cNessa linha, provisoriamente pode-se antecipar que sua utilização jurídica, por via de regra, é associada à proibição de que um Estado imponha a um indivíduo uma dupla sanção ou um duplo processo (ne bis) em razão da prática de um mesmo crime\u201d (p. 27). 
Segundo esse jurista, tal princípio não tem previsão expressa na nossa CF. Não obstante, defende ser eloqüente sua manifestação na legislação infraconstitucional brasileira em três diplomas básicos: o Estatuto do Estrangeiro, o CP e o CPP. O primeiro, no seu art. 77, incs. III e IV, acaba por abordar o assunto. O CP aborda o tema ao tratar da aplicação da lei penal no espaço e da sentença estrangeira (art. 5º e 8º). O CPP, por sua vez, finda por versar sobre o tema quando dispõe sobre a coisa julgada, a litispendência e a revisão criminal. Além desses dispositivos, Rodolfo Tigre Maia salienta a previsão de tal princípio em Tratados e Convenções Internacionais: a) o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, que recebeu adesão brasileira em 1992, estabelece que \u201cNinguém poderá ser processado ou punido por um delito pelo qual já foi absolvido ou condenado por sentença passada em julgado, em conformidade com a lei e com os procedimentos penais de cada país\u201d(cláusula 7 de seu art. 14); e, b) a Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), que já foi ratificada e promulgada por intermédio do Decreto n. 678/92, segundo a qual \u201cO acusado absolvido por sentença transitada em julgado não poderá ser submetido a novo processo pelos mesmos fatos\u201d (Item 04, Cláusula 8ª).
Jurisprudência: Os institutos da litispendência e da coisa julgada direcionam à insubsistência do segundo processo e da segunda sentença proferida, sendo imprópria a prevalência do que seja mais favorável ao acusado. (HC 101131, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 25/10/2011, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-029 DIVULG 09-02-2012 PUBLIC 10-02-2012)
2.18 PRINCÍPIO DA SUFICIÊNCIA DA AÇÃO PENAL 
O processo penal é promovido independentemente de qualquer outro e nele se resolvem todas as questões que interessarem à decisão da causa \u2013 O artigo 92 do CPP constitui exceção ao princípio da suficiência, uma vez que a questão prejudicial heterogênea obrigatória referente ao estado civil da pessoa deve ser, peremptoriamente, resolvida através do processo civil, suspendendo-se o processo penal até o deslinde da causa cível.
2.19 PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA 
Art. 5º, LV, CF \u2013 Garantia de REAÇÃO. Torna a defesa real, efetiva e concreta. O réu tem o direito de ser pessoalmente citado da acusação contra si (Pacto de São José da Costa Rica), é indispensável para condenação ( a única exceção ao art. 366 é a prática de crimes de lavagem de dinheiro