Acao_-_Teoria_e_Procedimentos_(ALUNO)_2012-1
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DisciplinaTeoria Geral do Processo13.419 materiais238.705 seguidores
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do Órgão julgador, uma vez que qualquer ma-
nifestação judicial que não comporte o pedido seja por estar aquém deste, 
além deste ou fora do que foi pedido, ensejará vício da decisão21.
AÇÃO: TEORIA E PROCEDIMENTOS
FGV DIREITO RIO 30
22 \u201cArt. 103. Reputam-se conexas duas 
ou mais ações, quando lhes for comum 
o objeto ou a causa de pedir\u201d.
A isto se denomina princípio da congruência ou da correlação, que deve 
haver entre o pedido e a sentença. Assim, deve o autor, na petição inicial, 
delimitar exatamente o que pretende alcançar na demanda.
Destacamos que existem exceções ao princípio da congruência, tal como 
as hipóteses previstas nos artigos 461 do CPC e 84 do Código de Defesa do 
Consumidor (CDC), nas quais o julgador poderá conceder a tutela específi -
ca, também denominada de \u201cresultado equivalente ao do adimplemento\u201d; a 
aplicação de multa pelo magistrado de ofício.
Ocorrem hipóteses em que o texto legal impõe elementos que devem 
constar da decisão do julgador ainda que não tenha sido pleiteado pelo de-
mandante. Isto ocorrerá, por exemplo, com a imposição de juros legais (art. 
293), de correção monetária, dos honorários advocatícios de sucumbência 
(art. 20), prestações periódicas (art. 290), ainda que não tenham sido pedidos 
expressamente pelo autor. A estes elementos a doutrina denomina de pedidos 
implícitos.
O pedido se divide em mediato e imediato: pedido mediato é o bem da 
vida que se pretende alcançar através da demanda. É o bem da vida pretendi-
do pelo autor, ou seja, o bem ou interesse que se busca assegurar por meio da 
prestação jurisdicional. Por outro lado, existe a possibilidade do pedido ime-
diato, que é a providência jurisdicional pleiteada no sentido do provimento 
jurisdicional solicitado ao juiz que pode ter natureza declaratória, constituti-
va, condenatória, executiva ou cautelar.
O pedido, como regra, no CPC deve ser certo e determinado (art. 286). 
Entretanto, o próprio legislador admite algumas exceções em hipóteses nas 
quais, quando do início da demanda, tal precisão não puder ser exigida do 
autor, segundo o princípio da razoabilidade.
O pedido também pode ser alternativo, quando em razão da natureza da 
obrigação, esta puder ser prestada de mais de um modo. Assim, ainda que 
o autor não descreva a possibilidade de cumprimento de modos diversos, 
ou seja, que faça pedido alternativo, terá o réu a oportunidade de escolher o 
modo mais conveniente de cumprir com a obrigação.
Outra hipótese que poderá ocorrer na formulação do pedido é de que 
sejam feitos requerimentos que ensejem a cumulação de pedidos, que poderá 
ocorrer de forma simples, objetiva, sucessiva ou alternativa.
A cumulação simples ocorrerá quando as partes forem comuns e os pedi-
dos puderem ser formulados em demandas distintas, mas são conjugadas por 
medida de economia; a cumulação objetiva do pedido se processará quando 
houver vários pedidos do mesmo autor em face do mesmo réu, ainda que não 
haja conexão22. Ocorrerá a cumulação sucessiva de pedidos quando o segun-
do pedido somente puder ser apreciado se o primeiro for julgado procedente.
Por fi m, a cumulação alternativa ocorrerá quando o magistrado puder 
acolher o posterior, caso não acolha o anterior, o que o difere da cumulação 
AÇÃO: TEORIA E PROCEDIMENTOS
FGV DIREITO RIO 31
23 O tema valor da causa será tratado 
especifi camente na próxima aula, cujo 
tema é \u201cAspectos econômicos e éticos 
do processo\u201d.
24 Art. 261. O réu poderá impugnar, no 
prazo da contestação, o valor atribuí-
do à causa pelo autor. A impugnação 
será autuada em apenso, ouvindo-se 
o autor no prazo de 5 (cinco) dias. Em 
seguida o juiz, sem suspender o proces-
so, servindo-se, quando necessário, do 
auxílio de perito, determinará, no prazo 
de 10 (dez) dias, o valor da causa.
Parágrafo único. Não havendo im-
pugnação, presume-se aceito o valor 
atribuído à causa na petição inicial.
sucessiva em que um pedido somente será apreciado se o anterior for proce-
dente; no caso dos pedidos alternativos, somente o não acolhimento de um 
dos pedidos ensejará a apreciação do pleito seguinte.
Tão logo formulados os pedidos, o autor deverá indicar as provas que 
pretende produzir a fi m de demonstrar a verdade dos fatos alegados. Esta 
exigência não surte muita efi cácia em termos práticos, visto que em fase pos-
terior, de saneamento do processo, o juiz de ofício abrirá oportunidade para 
as partes produzirem provas.
O autor deverá atentar para a exigência do artigo 283, que determina a 
instrução da petição inicial com documentos obrigatórios, salvo motivo de 
força maior, sob pena de indeferimento da petição. Exemplifi ca-se: para a 
abertura do inventário, necessária faz-se a juntada da certidão de óbito.
Outro requisito da petição inicial é o valor da causa. A toda demanda 
deve ser conferido um valor, ainda que estimado, a ser conferido em moeda 
nacional, sob pena de ser considerada inepta a petição inicial23.
Este valor é um dado que serve para múltiplas funções: base de cálculo 
para as custas processuais, para as multas processuais, para defi nir competên-
cia, defi nir procedimento. Existem duas espécies de valor da causa:
1) legal: é aquele calculado nos termos do art. 259 do CPC:
Art. 259. O valor da causa constará sempre da petição inicial e será:
I \u2014 na ação de cobrança de dívida, a soma do principal, da pena e dos juros 
vencidos até a propositura da ação;
II \u2014 havendo cumulação de pedidos, a quantia correspondente à soma dos 
valores de todos eles;
III \u2014 sendo alternativos os pedidos, o de maior valor;
IV \u2014 se houver também pedido subsidiário, o valor do pedido principal;
V \u2014 quando o litígio tiver por objeto a existência, validade, cumprimento, 
modifi cação ou rescisão de negócio jurídico, o valor do contrato;
VI \u2014 na ação de alimentos, a soma de 12 (doze) prestações mensais, pedidas 
pelo autor;
VII \u2014 na ação de divisão, de demarcação e de reivindicação, a estimativa 
ofi cial para lançamento do imposto.
2) arbitrado: quando não houver previsão expressa no rol do art. 259 do 
CPC e o autor deve arbitrar o valor da causa. Toda vez que houver pedido 
ilíquido, o autor deverá arbitrar o valor da causa.
A atribuição de valor a causa pode ser controlada ex offi cio pelo magistrado 
ou por provocação do réu. Se o réu quiser controlar o valor deverá provocar 
a instauração de um incidente processual chamado impugnação ao valor da 
causa previsto no art. 261 do CPC24 (em autos apartados), que será resolvi-
AÇÃO: TEORIA E PROCEDIMENTOS
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do por decisão interlocutória, impugnável por agravo de instrumento. Não 
confundir a impugnação ao pedido (feito na contestação) com a impugnação 
ao valor da causa.
MATERIAL DE APOIO: JURISPRUDÊNCIA
ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. SERVIDOR PÚBLICO. 
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONCURSO PÚ-
BLICO. EXAME PSICOTÉCNICO. CRITÉRIOS SUBJETIVOS. ANULA-
ÇÃO PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. OFENSA AO ART. 535, II, DO 
CPC. NÃO OCORRÊNCIA. INÉPCIA DA INICIAL. INEXISTÊNCIA. 
AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Tendo o Tribunal de origem se pronunciado 
de forma clara e precisa sobre as questões postas nos autos, assentando-se em 
fundamentos sufi cientes para embasar a decisão, como no caso concreto, não há 
falar em afronta ao art. 535, II, do CPC, não se devendo confundir \u201cfundamen-
tação sucinta com ausência de fundamentação\u201d (REsp 763.983/RJ, Rel. Min. 
NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma, DJ 28/11/05). 2. \u201cO pedido é aquilo 
que se pretende com a instauração da demanda e se extrai a partir de uma in-
terpretação lógico-sistemática do afi rmado na petição inicial, recolhendo todos 
os requerimentos feitos em seu corpo, e não só aqueles constantes em capítulo 
especial ou sob a rubrica \u2018dos pedidos\u2019\u201d (REsp 120.299/ES, Rel. Min. SÁL-
VIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, Quarta Turma, DJ de 21/9/98). 3. Agra-
vo regimental não provido.