Acao_-_Teoria_e_Procedimentos_(ALUNO)_2012-1
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DisciplinaTeoria Geral do Processo13.413 materiais237.970 seguidores
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ou obscu-
ridade, nos termos do art. 535, I e II, do CPC, ou para sanar erro material. 2. Ino-
correntes as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material, não 
há como prosperar o inconformismo, cujo real objetivo é a pretensão de reformar 
o decisum, o que é inviável de ser revisado em sede de embargos de declaração, 
dentro dos estreitos limites previstos no artigo 535 do CPC. 3. A homologação da 
Sentença Estrangeira pressupõe a obediência ao contraditório consubstanciado 
na convocação inequívoca realizada alhures. In casu, o processo correu à revelia, 
e não há prova inequívoca, restando cediço na Corte que a citação por rogatória 
deve deixar estreme de dúvidas que a comunicação chegou ao seu destino. 4. É 
cediço que o trânsito em julgado da sentença alienígena não pode, no Brasil, ter 
maior força que a sentença nacional trânsita, sendo certo que no nosso ordena-
mento, a ausência de citação contamina todo o processo de cognição, ainda que 
vício aferível, apenas, quando da execução (art. 741 do CPC). 5. Deveras, no 
que pertine à sentença arbitral em si, objeto da homologação, em sendo o texto 
apresentado à chancela homologatória apócrifo (fl s. 5/8), sobressai impossível 
a identifi cação de quem concordou, em nome da requerida, com os termos de 
conciliação (fl s. 7/8; tradução fl s. 11/12) da \u201csentença de consentimento\u201d dos 
árbitros (fl s. 5/6; tradução fl s. 9/11). 6. É cediço na jurisprudência do Eg. STJ 
que a homologação de sentença estrangeira reclama prova de citação válida da 
parte requerida, seja no território prolator da decisão homologanda, seja no Bra-
sil, mediante carta rogatória, consoante a ratio essendi do art. 217, II, do RISTJ. 
7. Deveras, é assente na Suprema Corte que: \u201dA citação de pessoa domiciliada no 
Brasil há de fazer-se mediante carta rogatória, não prevalecendo, ante o princípio 
direcionado ao real conhecimento da ação proposta, intimação realizada no es-
trangeiro. Inexistente a citação, descabe homologar a sentença.(...)\u201d (SEC 7696/
HL, Relator Ministro Mar\u2014 co Aurélio, DJ de 12.11.2004). 8. Precedentes juris-
prudenciais do STF: SEC 6684/ EU, Relator Ministro Sepúlveda Pertence, DJ de 
19.08.2004; SEC 7570/EU, Relatora Ministra Ellen Gracie, DJ de 30.04.2004 
e SEC 7459/PT, Relator Ministro Nelson Jobim, DJ de 30.04.2004. 9. Outros-
sim, quanto ao thema iudicandum o Eg. STF decidiu: \u201cEMENTA: SENTENÇA 
ARBITRAL ESTRANGEIRA. CONVENÇÃO DE ARBITRAGEM. INEXIS-
TÊNCIA. COMPETÊNCIA NÃO DEMONSTRADA. HOMOLOGAÇÃO. 
IMPOSSIBILIDADE. 1. O requerimento de homologação de sentença arbitral 
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estrangeira deve ser instruído com a convenção de arbitragem, sem a qual não 
se pode aferir a competência do juízo prolator da decisão (Lei 9.307, artigos 
37, II, e 39, II; RISTF, artigo 217, I). 2. Contrato de compra e venda não as-
sinado pela parte compradora e cujos termos não induzem a conclusão de que 
houve pactuação de cláusula compromissória, ausentes, ainda, quaisquer outros 
documentos escritos nesse sentido. Falta de prova quanto à manifesta declaração 
autônoma de vontade da requerida de renunciar à jurisdição estatal em favor da 
particular. 3. Não demonstrada a competência do juízo que proferiu a sentença 
estrangeira, resta inviabilizada sua homologação pelo Supremo Tribunal Federal. 
Pedido indeferido.\u201d (SEC 6.753/UK \u2014 Reino Unido da Grã-Bretanha e da Ir-
landa do Norte, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 04.10.2002). 10. 
Por fi m, reportando-se às partes, às regras da A.A.A. (Associação de Arbitragem 
Americana) impunha-se anexá-las como método integrativo dos parâmetros da 
arbitragem, o que não restou efetivado, conspirando contra a homologação. 11. 
Embargos de declaração rejeitados.
AgRg no AgRg no REsp 588554 / SP ; AGRAVO REGIMENTAL NO 
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2003/0158916-4. 
Relator(a) Ministro PAULO GALLOTTI (1115). Órgão Julgador T6 \u2014 SEX-
TA TURMA. Data do Julgamento: 25/06/2004. Data da Publicação/Fonte: DJ 
11.06.2007 p. 382.
PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPE-
CIAL. PRAZO DE RECURSO DO MINISTÉRIO PÚBLICO. INÍCIO. JU-
RISPRUDÊNCIAS DO STF E DO STJ.
1. A exigência de intimação pessoal do representante do Ministério Público, 
prevista no art. 41, inciso IV, da Lei n° 8.625/1993, se aperfeiçoa com o recebi-
mento dos autos com vista, sendo irrelevante a data em que o seu representante 
põe o ciente, correndo a partir daquela oportunidade o prazo de interposição de 
qualquer recurso. 2. Agravo regimental improvido.
APELACAO. NOTA DE EXPEDIENTE REPUBLICADA ANTE FALHA 
CARTORARIA, QUE NAO INCLUIU O NOME DO PROCURADOR 
DOS AGRAVA\u2014 DOS. PRAZO RECURSAL. RECOMECA A CONTA-
GEM DO PRAZO A PARTIR DA PUBLICACAO DA NOTA, QUE CORRI-
GIU NOTA DE EXPEDIENTE ANTERIOR NA QUAL NAO CONSTOU 
O NOME DOS PROCURADORES DOS AGRAVADOS. A REPUBLICA-
CAO E CONSEQUENCIA DA IDENTIFICACAO DE NULIDADE DA 
INTIMACAO (ARTIGO 242, \u201cCAPUT\u201d, DO CPC), NÃO SE PODENDO 
CONCEBER A EXISTENCIA DE DOIS PRAZOS, UM PARA OS AGRA-
VANTES, OUTRO PARA OS AGRAVADOS. AGRAVO PROVIDO. (Agra-
vo de Instrumento nº 70001025824, Décima Sexta Câmara Cível, Tribunal de 
Justiça do RS, Relator: Genacéia da Silva Alberton, Julgado em 16/08/2000).
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LEITURAS OBRIGATÓRIAS
CARNEIRO, Athos Gusmão. Citação de réus já falecidos. Nulidade insaná-
vel do processo ajudicatório. Caso \u201cBarra da Tijuca\u201d, Revista de Proces-
so, set./out. 2004, nº 117, p. 221-238.
GOMES JUNIOR, Luiz Manoel; CARVALHO, Washington Rocha de. 
Ação declaratória de inexistência do processo em virtude da falta de ci-
tação de litisconsorte necessário, Revista de Processo, nº 104, out./dez. 
2001, p. 255\u2014 262.
LEITURAS COMPLEMENTARES
CÂMARA, Alexandre Freitas. Lições de Direito Processual Civil, vol. 1, 17 ª 
edição, Rio de Janeiro, Lumen Juris, 2008, p. 251-259.
DIDIER JR., Fredie. Curso de Direito Processual Civil, vol. 1, 9ª edição, 
Salvador, Podium, 2008, p. 453-468.
MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz. Curso de Pro-
cesso Civil, vol. 2, 6. ed. (em edições anteriores Manual do Processo de 
Conhecimento), São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007, p. 103-118.
MOREIRA, José Carlos Barbosa. Citação de pessoa falecida, Temas de Di-
reito Processual: quinta série, São Paulo, Saraiva, 1994, p. 77-84 (publi-
cado também na RP 70/7)
SOUZA, Gelson Amaro de. Validade do julgamento de mérito sem a citação 
do réu, Revista de Processo, nº 111, jul./set. 2003, p. 69-80.
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FGV DIREITO RIO 56
AULAS 07, 08 E 09. RESPOSTA DO RÉU E REVELIA
CASO
José e Maria, juntamente com quatro outras pessoas supostamente na mes-
ma situação, todos os seis servidores públicos do Estado do Rio Grande do 
Sul, pleitearam, em face desse Estado, o reconhecimento do direito à opção 
pela carreira da Defensoria Pública (direito previsto no art. 22 do ADCT). 
O suporte fático da pretensão (basicamente o exercício, até a instalação da 
Assembléia Nacional Constituinte, de atividade de assistência jurídica a ne-
cessitados) foi admitido pelo Estado, que, no entanto, argüiu obstáculos nor-
mativos outros para a denegação da pretensão. Em primeiro grau, a defesa do 
Estado convenceu o juiz, que julgou improcedente o pleito. Inconformados, 
os seis autores, entre eles José e Maria, apresentaram apelação, atacando os 
fundamentos jurídicos da sentença. Ocorreu então que o Tribunal gaúcho, 
apesar de dar provimento à apelação dos outros autores, manteve a improce-
dência em relação a José e Maria, mas por motivos diferentes dos utilizados 
pela sentença (o que, diga-se de passagem, é perfeitamente possível). Para o 
Tribunal, especifi camente José e Maria não comprovaram o suporte fático 
necessário à procedência do pedido (e realmente a prova trazida pelos dois 
não era cabal), sendo certo que a admissão dos fatos alegados pelo