Acao_-_Teoria_e_Procedimentos_(ALUNO)_2012-1
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DisciplinaTeoria Geral do Processo13.423 materiais238.923 seguidores
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com aparência de verdadeiro e prova inequívoca signifi ca 
grau mais intenso de probabilidade do direito.
Também impõe o legislador, como condição ao deferimento da medida, 
que a antecipação dos efeitos não seja irreversível, havendo possibilidade de 
retorno ao status quo (art. 273, § 2°). Alternativas possíveis ao requisito da 
reversibilidade constituem a indenização por perdas e danos e a caução.
Não se deve confundir tutela antecipada com o julgamento antecipado 
da lide. Este se destina a acelerar o resultado do processo e está ligado à sufi -
ciência do conjunto probatório para possibilitar o julgamento defi nitivo do 
litígio, quer pela desnecessidade de prova oral em audiência, quer porque a 
controvérsia envolve apenas matéria de direito ou em razão da revelia (art. 
330, CPC).
Já a hipótese regulada pelo art. 273 é distinta porque não acarreta a solu-
ção defi nitiva e irreversível da situação litigiosa e permite, preenchidos seus 
AÇÃO: TEORIA E PROCEDIMENTOS
FGV DIREITO RIO 9
1 Há que se ressaltar que, a partir da 
nova sistemática da execução, inaugu-
rada pela Lei n° 11.232/2005, a expres-
são \u201cprocesso de execução\u201d foi restrin-
gida, somente se aplicando à execução 
de títulos executivos extrajudiciais e, 
em caráter excepcional, à execução de 
alguns poucos títulos executivos judi-
ciais (CPC, art. 475-N, parágrafo único). 
Assim, em regra, referida expressão 
tornou-se imprópria para os casos de 
efetivação de sentença, quando será 
tecnicamente correto falar-se apenas 
em execução em virtude da inexis-
tência de um processo de execução 
autônomo.
requisitos, a antecipação imediata dos efeitos da sentença, ainda que penden-
te recurso dotado de efeito suspensivo.
A reforma trazida pela lei 10.444 de 2002 procurou ainda mitigar as difi -
culdades enfrentadas pelos operadores do direito no tocante à correta com-
preensão do instituto da tutela jurisdicional antecipada, bem como da pró-
pria categoria das medidas urgentes, ao estabelecer a regra da fungibilidade.
Assim, dispõe a norma do § 7º do art. 273 que: \u201cSe o autor, a título de 
antecipação de tutela, requerer providência de natureza cautelar, poderá o 
juiz, quando presentes os respectivos pressupostos, deferir a medida cautelar 
em caráter incidental do processo ajuizado\u201d.
Embora o legislador refi ra-se apenas à possibilidade de substituição da 
tutela antecipada por cautelar, não pode haver dúvida, sob pena de compro-
meter a efetividade almejada pela reforma processual, de que a fungibilidade 
opera nas duas direções, sendo possível conceder tutela antecipada em lugar 
de cautelar. Isto porque, em direito, não há fungibilidade em uma só mão 
de direção. Se os bens são fungíveis, tanto se pode substituir um por outro, 
como outro por um, caracterizando o fenômeno denominado do duplo sen-
tido vetorial.
Enquanto os processo de conhecimento e execução1 oferecem tutela juris-
dicional imediata e satisfativa, através da qual se busca atender à pretensão do 
autor, o processo cautelar, disciplinado no Livro III de nosso Diploma Pro-
cessual, oferece uma tutela jurisdicional mediata de natureza instrumental e 
caráter não-satisfativo.
NOTA AO ALUNO
Restrições à concessão de tutela antecipada em face da Fazenda Pública \u2014 
Leis 8437/92 E 9494/97.
a) Lei 8.437/92:
Art. 1° Não será cabível medida liminar contra atos do Poder Público, no 
procedimento cautelar ou em quaisquer outras ações de natureza cautelar ou 
preventiva, toda vez que providência semelhante não puder ser concedida em 
ações de mandado de segurança, em virtude de vedação legal.
§ 1° Não será cabível, no juízo de primeiro grau, medida cautelar inominada 
ou a sua liminar, quando impugnado ato de autoridade sujeita, na via de man-
dado de segurança, à competência originária de tribunal.
§ 2° O disposto no parágrafo anterior não se aplica aos processos de ação 
popular e de ação civil pública.
AÇÃO: TEORIA E PROCEDIMENTOS
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§ 3° Não será cabível medida liminar que esgote, no todo ou em qualquer 
parte, o objeto da ação.
§ 4° Nos casos em que cabível medida liminar, sem prejuízo da comunica-
ção ao dirigente do órgão ou entidade, o respectivo representante judicial dela 
será imediatamente intimado. (Incluído pela Medida Provisória nº 2,180-35, 
de 2001)
§ 5o Não será cabível medida liminar que defi ra compensação de créditos 
tributários ou previdenciários. (Incluído pela Medida Provisória nº 2,180-35, 
de 2001)
Art. 2º No mandado de segurança coletivo e na ação civil pública, a liminar 
será concedida, quando cabível, após a audiência do representante judicial da 
pessoa jurídica de direito público, que deverá se pronunciar no prazo de setenta 
e duas horas.
Art. 3° O recurso voluntário ou ex offi cio, interposto contra sentença em 
processo cautelar, proferida contra pessoa jurídica de direito público ou seus 
agentes, que importe em outorga ou adição de vencimentos ou de reclassifi cação 
funcional, terá efeito suspensivo.
Art. 4° Compete ao presidente do tribunal, ao qual couber o conhecimento 
do respectivo recurso, suspender, em despacho fundamentado, a execução da li-
minar nas ações movidas contra o Poder Público ou seus agentes, a requerimento 
do Ministério Público ou da pessoa jurídica de direito público interessada, em 
caso de manifesto interesse público ou de fl agrante ilegitimidade, e para evitar 
grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à economia públicas.
§ 1° Aplica-se o disposto neste artigo à sentença proferida em processo de 
ação cautelar inominada, no processo de ação popular e na ação civil pública, 
enquanto não transitada em julgado.
§ 2° O presidente do tribunal poderá ouvir o autor e o Ministério Público, 
em cinco dias.
§ 3° Do despacho que conceder ou negar a suspensão, caberá agravo, no 
prazo de cinco dias.
§ 2o O Presidente do Tribunal poderá ouvir o autor e o Ministério Público, 
em setenta e duas horas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2,180-35, de 
2001)
§ 3o Do despacho que conceder ou negar a suspensão, caberá agravo, no 
prazo de cinco dias, que será levado a julgamento na sessão seguinte a sua inter-
posição. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2,180-35, de 2001)
§ 4o Se do julgamento do agravo de que trata o § 3o resultar a manutenção 
ou o restabelecimento da decisão que se pretende suspender, caberá novo pedido 
de suspensão ao Presidente do Tribunal competente para conhecer de eventual 
recurso especial ou extraordinário. (Incluído pela Medida Provisória nº 2,180-
35, de 2001)
AÇÃO: TEORIA E PROCEDIMENTOS
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2 Art. 7º § 2º da Lei 12.016/2009: Não 
será concedida medida liminar que 
tenha por objeto a compensação de 
créditos tributários, a entrega de mer-
cadorias e bens provenientes do exte-
rior, a reclassifi cação ou equiparação 
de servidores públicos e a concessão de 
aumento ou a extensão de vantagens 
ou pagamento de qualquer natureza.
§ 5o É cabível também o pedido de suspensão a que se refere o § 4o, quando 
negado provimento a agravo de instrumento interposto contra a liminar a que 
se refere este artigo. (Incluído pela Medida Provisória nº 2,180-35, de 2001)
§ 6o A interposição do agravo de instrumento contra liminar concedida nas 
ações movidas contra o Poder Público e seus agentes não prejudica nem condi-
ciona o julgamento do pedido de suspensão a que se refere este artigo. (Incluído 
pela Medida Provisória nº 2,180-35, de 2001)
§ 7o O Presidente do Tribunal poderá conferir ao pedido efeito suspensivo 
liminar, se constatar, em juízo prévio, a plausibilidade do direito invocado e a 
urgência na concessão da medida. (Incluído pela Medida Provisória nº 2,180-
35, de 2001)
§ 8o As liminares cujo objeto seja idêntico poderão ser suspensas em uma 
única decisão, podendo o Presidente do Tribunal estender os efeitos da suspen-
são a