Acao_-_Teoria_e_Procedimentos_(ALUNO)_2012-1
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DisciplinaTeoria Geral do Processo13.413 materiais237.970 seguidores
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modifi cação ou revogação.
Finalmente, conforme artigo 811, do CPC7, o requerente da medida cau-
telar responderá, independentemente de culpa, pelos eventuais prejuízos que 
a execução da medida causar ao requerido, devendo tal indenização ser liqui-
dada nos mesmos autos do processo cautelar.
3.1 \u2014 Características do processo cautelar
a) Instrumentalidade hipotética \u2014 o provimento cautelar é instrumental 
ao processo principal, cujo êxito destina-se a garantir e proteger. Assim, o 
processo cautelar visa a assegurar a capacidade de o processo principal produ-
zir resultados úteis para o requerente da medida cautelar na hipótese de este 
vir a ser vitorioso no processo principal. Nesse sentido, é também possível 
afi rmar a sua independência do processo principal, já que seus atos desenvol-
vem-se em seqüência própria e distinta da seqüência dos atos integrantes do 
processo principal.
b) Provisoriedade \u2014 o provimento cautelar tem uma duração limitada na 
medida em que poderá haver a revogação da medida cautelar caso inexista o 
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direito alegado ou mesmo terá cunho satisfativo por meio do reconhecimen-
to da existência do direito.
c) Revogabilidade \u2014 surge em decorrência da provisoriedade. Por força 
desta característica, não há preclusão para o juiz, dentro do processo cautelar, 
quanto à possibilidade de concessão ou revogação da medida cautelar limi-
nar. Assim é que, ao examinar a petição inicial, o juiz pode deferir a liminar 
e, posteriormente, entendo não mais ser a mesma cabível, revogá-la ou vice-
versa.
d) Fungibilidade \u2014 é licito ao juiz, em razão de seu poder geral de cautela, 
conceder medida cautelar diversa da pretendida (requerida) quando for mais 
adequada à tutela do direito em questão. Desta forma, ajuizando o requeren-
te uma ação cautelar de busca e apreensão, pode o juiz ordenar um seqüestro, 
se julgar que este é mais conveniente. Para vários autores, no entanto, esta 
quarta característica acaba se convertendo em uma permissão legal para o 
julgamento extra petita.
4 \u2014 A TUTELA INIBITÓRIA
A tutela inibitória é um mecanismo preventivo, idôneo à prevenção da 
confi guração de ilícito. No direito brasileiro são formas efetivas de tutela 
inibitória o mandado de segurança e o interdito proibitório.
A tutela jurisdicional pode destinar-se a evitar o ilícito sem necessariamen-
te vislumbrar a reparação de um dano. Daí o papel da tutela inibitória de ser 
uma tutela específi ca que objetiva conservar a integridade do direito, visto 
que alguns direitos não podem ser ressarcidos e outros, mesmo que o sejam, 
não serão efetivamente satisfativos ao autor, o que vale dizer que é melhor a 
prevenção ao ressarcimento.
A tutela inibitória destina-se à garantia do direito em si, enquanto a res-
sarcitória substitui o direito originário por crédito equivalente. A primeira 
será requerida por meio de uma Ação inibitória de fazer ou de não fazer de 
cognição exauriente, fundamentada nos artigos 461 do CPC e 84 do Código 
de Defesa do Consumidor. Dada esta característica de ação, a tutela inibitória 
também poderá ser requerida liminarmente ou no curso da ação, por meio 
da tutela antecipatória.
A tutela inibitória é aplicável no plano coletivo por força dos artigos 11 
e 84 da Ação Civil Pública e do CDC, respectivamente, que autorizam e 
disciplinam aquele mecanismo. Um exemplo clássico é a venda de produtos 
nocivos à saúde do consumidor que podem ser objeto de tutela coletiva 
inibitória.
AÇÃO: TEORIA E PROCEDIMENTOS
FGV DIREITO RIO 15
MATERIAL DE APOIO JURISPRUDÊNCIA
DIREITO AUTORAL. UTILIZAÇÃO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO 
DO TITULAR DO DIREITO AUTORAL, DE TRABALHO ARTÍSTICO 
EM REPRODUÇÃO DE OBRA FONOGRÁFICA, DIRECIONADA AO 
PÚBLICO NAS DEPENDÊNCIAS DE AGÊNCIAS DOS CORREIOS. TU-
TELA INIBITÓRIA QUE SE MOSTRA ADEQUADA. TUTELA PECUNI-
ÁRIA DEVIDA EM RAZÃO DA VIOLAÇÃO DO DIREITO. LEI 9.910/98, 
QUE NÃO REQUER, NOS TERMOS DOS SEUS ARTIGOS 29 e 68, A 
OBTENÇÃO DE LUCRO, PARA FINS DA PROIBIÇÃO. AGRAVO RE-
TIDO INFUDADO, DADO QUE A DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU É 
RESPALDADA PELO ART. 105 DO DIPLOMA DE REGÊNCIA. 1. A de-
cisão interlocutória, impugnada por intermédio de agravo retido, aplicou corre-
tamente o disposto no art. 105 da Lei nº 9.610/98 (\u201cArt. 105. A transmissão e 
a retransmissão, por qualquer meio ou processo, e a comunicação ao público de 
obras artísticas, literárias e científi cas, de interpretações e de fonogramas, reali-
zadas mediante violação aos direitos de seus titulares, deverão ser imediatamente 
suspensas ou interrompidas pela autoridade judicial competente, sem prejuízo 
da multa diária pelo descumprimento e das demais indenizações cabíveis, inde-
pendentemente das sanções penais aplicáveis; caso se comprove que o infrator é 
reincidente na violação aos direitos dos titulares de direitos de autor e conexos, 
o valor da multa poderá ser aumentado até o dobro.\u201d) para, em sede de tutela 
inibitória, determinar, de forma provisória, que a Ré, ECT, se abstivesse de uti-
lizar, em suas dependênciaS, de obras fonográfi cas sem a prévia autorização do 
titular do direito autoral. 2. Nos termos dos arts. 29 e 68 da Lei 9.610/98, a uti-
lização de obra artística, mediante a reprodução ambiental de obra fonográfi ca, 
requer a prévia autorização do titular do direito autoral, ainda que sua utiliza-
ção não seja destinada, direta ou indiretamente, à obtenção de lucro. 4. Agravo 
retido e apelo desprovidos. (TRF 2ª Região, Sétima Turma Especializada, AC 
200450010019110 \u2014 AC \u2014 APELAÇÃO CIVEL \u2014 418582 \u2014 Relator(a) 
Desembargador Federal THEOPHILO MIGUEL \u2014 Data::15/09/2009).
PROCESSUAL CIVIL. ADJUDICAÇÃO DE IMÓVEL PELA CEF. IN-
TEDITO PROIBITÓRIO. TURBAÇÃO. INEXISTÊNCIA. SENTENÇA 
EXTINTIVA (ARTIGO 267, I E VI, DO CPC). RECURSO IMPROVIDO. 
\u2014 Conforme noticiam os autos em apenso nº 2000.02.01.021875-7, notada-
mente na sentença de fl s. 33/35, foi indeferido o pedido de antecipação de tutela 
formulado pelo requerente, em Ação Ordinária nº 99.0016381-8, para que a 
CEF se abstivesse de repassar o imóvel a terceiros. \u2014Dessa forma, o autor de-
tinha a posse do imóvel em tela, em razão da propriedade sobre o bem, sendo 
certo que a CEF procedeu à adjudicação do imóvel, por execução extrajudicial, 
não havendo falar em turbação de posse por parte da exeqüente. \u2014O interdito 
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proibitório \u201cé adequado para os casos em que ainda não ocorreu a moléstia 
à posse, destinando-se este interdito a proteger o possuidor que vê sua posse 
ameaçada. Trata-se, pois, de uma demanda preventiva, de natureza inibitória. 
Denomina-se tutela inibitória a tutela jurisdicional, de caráter preventivo, desti-
nada a impedir a prática de atos ilícitos. O que se pretende, aqui, é impedir que 
se pratique o ato ilícito de moléstia à posse (turbação ou esbulho)\u201d (ALEXAN-
DRE FREITAS CÂMARA, Lições de Direito Processual Civil, Ed, Lumen Juris, 
RJ, 2000, páginas 261/262). \u2014Recurso improvido. Sentença mantida. (TRF 2ª 
Região, Quarta Turma, AC 200002010218733 \u2014 AC \u2014 APELAÇÃO CIVEL 
\u2014 232591 \u2014 Relator(a) Desembargador Federal BENEDITO GONCALVES 
\u2014 Data::25/10/2004).
5 \u2014 DISTINÇÃO ENTRE AS MEDIDAS DE URGÊNCIA
Comparando-se os requisitos necessários à concessão da tutela antecipada 
e da cautelar, uma leitura pouco atenta dos artigos 273 e 461 do CPC nos dá 
a falsa impressão de que eles são idênticos, já que ambas pressupõem fumus 
boni iuris (possibilidade ou, dependendo da corrente adotada, probabilidade 
de futuro provimento jurisdicional favorável ao autor) e periculum in mora 
(possibilidade de dano de difícil reparação em razão da inevitável demora do 
provimento jurisdicional principal).
A diferença, no entanto, consiste no grau do fumus boni iuris necessário à 
tutela antecipada e à tutela cautelar, sendo possível estabelecer uma diferen-
ciação