Acao_-_Teoria_e_Procedimentos_(ALUNO)_2012-1
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entre o fumus boni iuris simples \u2014 necessário à tutela cautelar \u2014 e 
qualifi cado \u2014 necessário à tutela antecipada.
O art. 273 do CPC, que regula a tutela antecipada, exige, ao contrário da 
tutela cautelar, prova inequívoca que convença o juiz da verossimilhança do 
direito alegado, isto é, prova que comporte um só entendimento e que possua 
sufi ciente força persuasiva para fazer verossímil (ou provável) a alegação do 
requerente. Desta forma, para fazer valer seu direito a uma tutela antecipató-
ria, é necessário que o requerente prove mais do que é preciso para a obtenção 
da tutela cautelar.
Visto isso, podemos apontar como principais características dos provimen-
tos cautelares a provisoriedade (pelo menos, a princípio), já que o processo 
principal reconhecerá a existência ou inexistência do direito, satisfazendo o 
direito ou revogando a medida cautelar, e a instrumentalidade hipotética ao 
processo principal.
O provimento cautelar pode ser requerido de forma autônoma, por meio 
de um processo cautelar preparatório ou por via incidental, isto é, no curso 
do processo principal já iniciado. Tanto numa como noutra, a cognição judi-
cial não será exauriente, mas sumária, já que a decisão será proferida de forma 
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mais expedita por basear-se em probabilidade favorável ao demandante em-
bora insufi ciente de convicção plena.
Assim, quanto ao momento em que a medida cautelar é requerida, poderá 
ser classifi cada em antecedente ou preparatória \u2014 se requerida antes da ins-
tauração do processo principal \u2014 e incidente ou incidental \u2014 se requerida 
no curso da ação principal. Tratando-se de medida cautelar preparatória, o 
requerente terá 30 (trinta) dias contados da efetivação da providência para 
ajuizar a ação principal (art 806 do CPC), sob pena de cessar a respectiva 
efi cácia.
Quanto à tipicidade das medidas cautelares, classifi cam-se em típicas ou 
nominadas e atípicas ou inominadas, referindo-se as primeiras àquelas ex-
pressamente previstas pela legislação processual e as segundas àquelas que 
podem ser requeridas ao juiz com base em seu poder geral de cautela, ao qual 
se refere o art. 798 do CPC.
Isso porque, de acordo com o art. 798, poderá o juiz determinar as medi-
das provisórias que julgar adequadas quando houver fundado receio de que 
uma parte, antes do julgamento da lide, cause ao direito da outra lesão grave 
ou de difícil reparação. Nesse sentido, com base no princípio da segurança 
das relações jurídicas, é possível requerer ao juiz uma medida cautelar não 
prevista em lei, como, por exemplo, a suspensão do protesto de um título 
de crédito e a suspensão dos atos praticados pelo interditando no curso do 
processo de interdição.
6 \u2014 DISTINÇÃO ENTRE MEDIDA LIMINAR E TUTELA CAUTELAR
A expressão tutela liminar não se confunde com a expressão tutela caute-
lar. Esta pode ser concedida em caráter liminar, mas também pode ser conce-
dida em caráter fi nal, isto é, após a prolação da sentença cautelar. Por outro 
lado, não apenas a tutela cautelar, como também a tutela satisfativa pode 
ser concedida em caráter liminar. Desta forma, o sentido das locuções tutela 
liminar e tutela cautelar não se confundem.
A tutela pode se denominar liminar ou fi nal, tendo em vista o momento 
do procedimento em que foi ela concedida. Tutela liminar é a proteção con-
cedida nos momentos iniciais do procedimento, normalmente, sem que se 
ouça a parte contrária. Por outro lado, para distinguir entre tutela cautelar e 
tutela satisfativa, tem-se em mira a natureza da tutela concedida. Enquanto a 
tutela cautelar visa assegurar a efi cácia do processo principal, a tutela satisfa-
tiva destina-se a proteger diretamente o direito subjetivo material.
Em suma:
1°) tutela liminar é a que se concede in limine litis, podendo possuir cará-
ter cautelar ou satisfativo, conforme a hipótese;
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2°) tanto a tutela cautelar quanto a tutela satisfativa podem ser concedidas 
no início ou no fi m do procedimento, sendo classifi cadas, no primeiro caso, 
como liminar, e, no último, como fi nal.
Assim é que, com base no art. 804 do CPC, pode o juiz conceder liminar-
mente ou após justifi cação prévia a medida cautelar, sem ouvir o réu, quando 
verifi car que este, ao ser citado, poderá torná-la inefi caz. Neste caso, poderá 
o juiz condicionar a efetivação da medida cautelar liminarmente concedida à 
prévia prestação de contra-cautela pelo requerente, isto é, de caução real ou 
fi dejussória, a fi m de assegurar a reparação dos danos que o requerido, even-
tualmente, venha a sofrer.
Embora o artigo aluda apenas à concessão liminar quando o réu, sendo 
citado, possivelmente torne a providência inefi caz, a concessão liminar se 
legitima sempre que, nas circunstâncias, se mostre necessária para preservar o 
suposto direito ameaçado, quer parta do réu, quer não, a ameaça, confi gurá-
vel até em fato de natureza.
A medida liminar pode ser concedida de ofício pelo juiz na medida em 
que a lei não exige requerimento do autor. Para que a liminar seja concedida, 
é preciso que o juiz verifi que a presença cumulativa do fumus boni iuris e do 
periculum in mora a serem demonstrados pelo requerente.
Atualmente, em vista do mandamento constitucional contido no art. 5º, 
XXXV, garantidor do acesso à ordem jurídica justa, é preciso que seja analisa-
do o caso concreto, devendo o juiz, com base em seu poder geral de cautela, 
deferir liminarmente a providência cautelar, seja ela preparatória ou inciden-
tal, quando entendê-la indispensável para a garantia do direito do requerente.
Nesse sentido, encontra-se o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n° 
8.069/90) que, na linha da interpretação sempre mais favorável ao menor e 
com base na eqüidade, permite que o juiz conceda não apenas a liminar de 
ofício, mas a própria medida cautelar de ofício, conforme se depreende do 
art. 153 da Lei.
Quanto à natureza jurídica dos requisitos para concessão da medida limi-
nar, inicialmente tentou-se considerá-los como condições da ação, em uma 
analogia entre a Teoria Geral do Processo cautelar e a Teoria Geral do Processo.
Contudo, a nosso ver, não há como negar que tais requisitos representam 
o próprio mérito do provimento cautelar, na medida em que se confundem 
com a questão principal, observados os limites cognitivos desta modalidade 
processual.
MATERIAL DE APOIO JURISPRUDÊNCIA
REsp 556.980, Rel. Min. Aldir Passarinho Jr., Quarta Turma, julgamento 
unânime em 17/11/09. CIVIL E PROCESSUAL. AÇÃO CAUTELAR AN-
AÇÃO: TEORIA E PROCEDIMENTOS
FGV DIREITO RIO 19
TECIPATÓRIA DE AÇÃO ORDINÁRIA INDENIZATÓRIA MOVIDA 
POR REVENDEDORA DE AU\u2014 TOMÓVEIS CONTRA FABRICAN-
TE. LIMINAR CONCEDIDA PELO JUÍZO SINGULAR. ASTREINTES 
COBRADAS EM EXECUÇÃO PROVISÓRIA SEM CAUÇÃO. LIMINAR 
DEFERIDA EM CAUTELAR PELO STJ EM OUTRA CAUTELAR IN-
CIDENTAL AO RESP, PARA SUSTAR O LEVANTAMENTO DE MAIS 
VALORES. AGRAVO DE INSTRUMENTO NÃO CONHECIDO AO 
FUNDAMENTO DE FALTA DE PEÇA. PEÇA, QUE, NA PARTICULAR 
SITUAÇÃO DOS AUTOS, ERA INEXIGÍVEL. CITAÇÃO E INTIMAÇÃO 
NULAS. NULIDADE DO PROCESSO DECRETADA DESDE O SEU INÍ-
CIO. RESTITUIÇÃO DAS ASTREINTES. CPC, ARTS. 234, 12, VI, E 215. 
RISTJ, ART. 257.
REsp 991.030, Terceira Seção, Rel. Min. Maria Th ereza de Assis Moura, 
julgamento em 14/05/08. PROCESSO CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. VIO-
LAÇÃO AO ART. 535 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL AFASTADA. 
RESTITUIÇÃO DE PARCELAS PREVIDENCIÁRIAS PAGAS POR FOR-
ÇA DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. VERBA ALIMENTAR RECEBIDA 
DE BOA FÉ PELA SEGURADA. RECURSO ESPECIAL AO QUAL SE 
NEGA PROVIMENTO.
1. A questão da possibilidade da devolução dos valores recebidos por força 
de antecipação dos efeitos da tutela foi inequivocamente decidida pela Corte 
Federal, o que exclui a alegada violação do artigo 535 do Código de Processo 
Civil,