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Lesao Corporal

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DIREITO PENAL III
5º Período
Assunto: Crimes contra a pessoa
TÍTULO I – DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
Capítulo II: Das Lesões Corporais 
Art. 129 – Lesão Corporal
1.1. Bem Jurídico tutelado
Tutela-se a integridade física e a saúde do ser humano.
1.2. Sujeitos
Sujeitos ativo e passivo do crime podem ser qualquer pessoa (crime comum). O crime admite o concurso de pessoas, nas duas modalidades (coautoria e participação).
Quanto ao sujeito passivo, existem características especiais a serem observadas nos casos do § 2º, V e § 9º. Repetidas lesões em um mesmo sujeito passivo configuram crime único se ocorrem em um mesmo contexto fático. OBS: Autolesão. Nascituro vítima de lesão corporal. 
1.3. Adequação Típica
Tipo objetivo: ofender (causar mal, lesionar, atacar, ferir) a integridade corporal (normalidade das funções físicas, anatômicas) ou a saúde (normalidade das funções fisiológicas e psicológicas do corpo) de outrem - objeto material (outro ser humano vivo, que não o agente). 
OBS: Princípio da insignificância. 
Consentimento do ofendido. 
Violência no esporte.
Tipo Subjetivo: vontade livre e consciente (dolo genérico, direto ou eventual) de realizar a conduta típica. Não há especial fim de agir. Existe previsão para a modalidade culposa, no parágrafo 4º. 
OBS: preterdolo. 
Progressão criminosa.
1.4. Consumação e Tentativa
O crime se consuma com a efetiva lesão à vítima. OBS: prova da lesão. 
Tentativa perfeitamente admissível (exceto na lesão culposa e nos casos de preterdolo), embora seja difícil a prova. Geralmente, ocorrerá na forma de tentativa branca. 
1.5. Lesão qualificada
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Lesão grave (§ 1º)
Incapacidade para ocupações habituais por mais de 30 dias
Tais ocupações não têm conteúdo econômico, mas sim funcional. Necessidade de comprovação do prazo (de natureza penal) através de perícia e exame complementar. Não basta a cura do ferimento para cessar a incapacidade. O que importa é se, mesmo ainda pendente de cicatrização, a vítima já pode retomar suas atividades habituais.
Perigo de vida
Probabilidade concreta de morte, atestada por diagnóstico médico. Não é perigo presumido, mas real. O perigo não deve estar abrangido pelo dolo do agente. A extensão ou sede da lesão, por si só, não fazem presumir o perigo de vida.
Debilidade permanente de membro, sentido ou função
Debilidade é funcionamento defeituoso, redução ou enfraquecimento de capacidade. O termo ‘permanente’ deve ser entendido não como ‘eterno’, mas sim como ‘duradouro’, sem previsão de recuperação.
Aceleração de parto
Antecipação do nascimento do feto. É indispensável que o feto esteja vivo na época da lesão, bem como é indispensável que o mesmo nasça vivo e sobreviva (mesmo que brevemente). Também é necessário que o agente conheça a gravidez.
Lesão gravíssima (§ 2º)
Incapacidade permanente para o trabalho
Impossibilidade de exercer atividade laboral. O alcance do termo ‘permanente’ é o mesmo já estudado acima.
Enfermidade incurável
Trata-se de doença que a medicina, em seu estágio atual, não oferece cura. (lepra, sífilis, epilepsia, tuberculose, etc.). No que tange à AIDS, há na doutrina posições considerando a transmissão dolosa do HIV como forma de homicídio, mas esta posição é minoritária na jurisprudência.
Perda ou inutilização de membro, sentido ou função
O caso aqui é de perda de membro (ex. casos de amputação), ou inutilização do mesmo, quando o membro já não pode ser utilizado para qualquer movimento rotineiro. Não há perda de membro/sentido/função em caso de órgãos duplos (olho, rim, etc.), mas sim debilidade permanente (§ 1º).
Deformidade
Tem a ver com dano estético capaz de gerar vexame e humilhação. Não se limita à lesões no rosto da vítima. A necessidade de cirurgia plástica para a correção da deformidade configura tal qualificadora.
Aborto
Aqui é extremamente importante que o resultado aborto não esteja abrangido pelo dolo do agente (crime preterdoloso), sob pena de configurar-se o crime do art. 125.
Lesão seguida de morte
Também chamado homicídio preterdoloso. Acontece quando o elemento subjetivo está voltado finalisticamente para alcançar o primeiro resultado, sobrevindo o segundo – mais grave – a título de culpa. Assim, necessária a previsibilidade do segundo resultado. Se a morte é imprevisível, só responderá pelas lesões. Se a morte é compreendida por dolo eventual, tem-se homicídio. Ausente o ânimo de lesar, e mesmo assim, da conduta imprudente sobrevém a morte, tem-se homicídio culposo.
1.6. Causa de diminuição de pena 
Relevante valor social
Relevante valor moral
Violenta emoção logo após injusta provocação da vítima. 
1.7. Substituição de pena (§ 5º)
Lesões leves (caput)
Ocorrência de qualquer das hipóteses do parágrafo anterior (causas de diminuição)
Lesões recíprocas. 
1.8. Lesão corporal culposa (§ 6º)
É aquela praticada através de comportamento humano voluntário, levada a efeito com inobservância de um dever objetivo de cuidado (imprudência, imperícia ou negligência). Embora o resultado produzido não seja desejado pelo agente, tal resultado é abarcado por uma previsibilidade objetiva (possibilidade de previsão do resultado).
1.9. Causa de aumento (§ 7º)
Inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício
Deixa de prestar socorro imediato à vítima ou não procura diminuir as consequências de seu ato
Foge para evitar prisão em flagrante
Praticado contra pessoa menor de 14 anos ou maior de 60 anos
1.10. Perdão judicial (§ 8º)
Constitui causa de extinção da punibilidade, conforme art. 107, IX do CP. Instituto de política criminal, com nítido caráter despenalizador. É direito público subjetivo do réu, não ficando ao mero arbítrio do julgador. Vide súmula 18 do STJ. 
1.11. Violência doméstica (§ 9º)
Constitui violência doméstica a lesão corporal praticada contra vítima com a qual o agente possui relação de parentesco, de convivência ou hospitalidade ou quando o agente se prevalece destas condições para a prática do crime. 
A lei 11.340/06 (Maria da Penha) dá tratamento mais severo para o caso em que, na violência doméstica, a vítima é mulher. É vedada a aplicação dos institutos da lei 9.099/95, a substituição de pena do art. 44 CP não poderá importar em pena pecuniária ou pagamento de cesta básica. 
Na violência doméstica, a pena será aumentada (um terço) nos casos de lesão corporal grave, gravíssima e seguida de morte, ou quando a vítima for pessoa portadora de deficiência. 
1.12. Pena, Ação Penal, Competência
A pena cominada para a lesão leve é de detenção de 3 meses a 1 ano. Nas formas qualificadas (grave, gravíssima e seguida de morte), a pena será de reclusão de 1 a 5 anos, de 2 a 8 anos e de 4 a 12 anos, respectivamente. A lesão culposa é punida com a detenção, de 2 meses a 1 ano. Pode ocorrer o aumento de um terço, nos casos do parágrafo 7ª. A Violência doméstica (leve) é punida com detenção de 3 meses a 3 anos; quando for caso das qualificadoras (§§ 1º a 3º) na violência doméstica, esta será punida com a pena prevista para a forma qualificada, com aumento de um terço. 
A ação penal será pública, condicionada à representação, por força do art. 88 da Lei 9.099/95, nos casos de lesão corporal leve e lesão corporal culposa. Nos casos de lesão grave, gravíssima e seguida de morte, a ação será pública incondicionada. Em caso de violência doméstica, perdura a discussão sobre a natureza da ação penal: condicionada, conforme art. 16 da Lei Maria da Penha; ou incondicionada conforme art. 41 da mesma lei. O STF discutiu a constitucionalidade destes dois dispositivos na ADC 19. A meu ver, a discussão quanto ao crime de violência doméstica já estava decidida pela própria lei, já que o crime de violência doméstica é tipo derivado (§9º) e não foi a ele que o art. 88 da Lei do JESP se referiu, mas às lesões do tipo básico (caput). Dessa forma, a ação penal nas lesões corporais praticadas em violência doméstica é de iniciativa pública, e de natureza incondicionada.
A competência, nas lesões leves e na lesão