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Estado e Política Social 
Profa. Neiva Silvana Hack 
Aula 5 
 
 
 
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
Olá, caro aluno! 
Preparado para nossa quinta aula? 
Caro aluno, na aula de hoje vamos continuar conhecendo as políticas 
sociais setoriais e avançaremos no conhecimento sobre as políticas 
intersetoriais ou transversais. Aprenderemos sobre propostas de ação 
intersetorial e sobre direitos assegurados por lei que demandam esse tipo de 
estratégia para que se tornem efetivos. 
Com esta aula você estará apto a: 
 Distinguir e conceituar as políticas públicas intersetoriais; 
 Reconhecer as políticas setoriais que não estão compreendidas no 
tripé da seguridade social brasileira; 
 Conhecer as políticas públicas intersetoriais voltadas aos segmentos 
vulneráveis da população; 
 Conhecer as políticas públicas intersetoriais voltadas à defesa e 
garantia de direitos de públicos historicamente excluídos e 
discriminados 
 Compreender aspectos referentes às relações intersetoriais entre as 
diferentes políticas públicas. 
Explicaremos melhor a organização desta aula. Assista à videoaula 
disponível no material on-line! 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
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CONTEXTUALIZANDO 
Para iniciar nossa aula de hoje vamos refletir juntos sobre o seguinte 
caso: 
Em um município de pequeno porte, que ainda possui dificuldades na 
organização de suas políticas sociais, identificou-se que não estava 
funcionando o Conselho Municipal de Defesa de Direitos da Criança e do 
Adolescente. A situação foi levada até o Secretário de Assistência Social, que 
iniciou a tramitação para que o conselho fosse reativado. Observaram que já 
era momento de eleições para uma nova composição. E assim ocorreu, foram 
nomeados os representantes do poder público e eleitos os representantes da 
sociedade civil. 
Em seus primeiros meses de reuniões, os conselheiros municipais 
perceberam que as crianças e adolescentes da região não estavam tendo 
seus direitos assegurados de acordo com as previsões do Estatuto da Criança 
e do Adolescente. 
Contudo, não chegavam a um acordo sobre o órgão que deveria 
responsabilizar-se pela superação desta situação. Alguns conselheiros 
argumentavam que a responsabilidade era da Secretaria de Educação, afinal 
criança deve estar na escola. Outros defendiam que se tratava de uma 
questão de saúde, afinal não adiantava as crianças irem para a escola se não 
estivessem saudáveis, com a vacinação e o atendimento odontológico em dia. 
Outros ainda expressavam que, em sua opinião, a responsabilidade era da 
Secretaria de Assistência Social, pois a Constituição Federal prevê que essa 
secretaria promova a proteção à infância e à maternidade. E, assim, 
prosseguiam com seus argumentos, mas tinham dificuldade de chegar a um 
consenso. 
Na sua opinião, qual seria o órgão do município responsável por 
garantir que os direitos das crianças e adolescentes fossem respeitados e 
 
 
 
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efetivados? Você saberia assessorar o Conselho Municipal de Defesa de 
Direitos da Criança e do Adolescente nesta situação? 
Avance nos estudos desta aula e volte a refletir sobre esta questão ao 
seu encerramento. A videoaula correspondente a esta seção está disponível 
no material on-line! 
 
 
 
PESQUISE 
 
O que são políticas públicas intersetoriais 
Na quarta aula aprendemos o que são as políticas públicas setoriais. 
Na aula de hoje vamos conhecer o que são as políticas públicas 
intersetoriais, também classificadas como políticas transversais. Estas são 
políticas voltadas a uma temática que não está compreendida em um único 
setor, mas que ultrapassa seus limites, atingindo a outro ou outros setores. 
Para exemplificar, podemos tratar da política de proteção integral à 
criança e ao adolescente. Quando se pensa numa política voltada a este 
público, uma de suas bases legais fundamentais é o ECA – Estatuto da 
Criança e do Adolescente. No ECA estão previstos, para esta população, 
direitos de saúde, educação, esporte, lazer, cultura, assistência social e 
outros. Então para se pensar numa política da infância e adolescência se faz 
necessário articular diferentes setores e organizar esta política 
compreendendo o papel de cada um e sua inter-relação. 
As demandas sociais cotidianas exigem a intervenção intersetorial. 
Podemos trazer mais um exemplo em que essa situação ocorre: 
Quando pensamos em ações de enfrentamento ao abuso de álcool e 
outras drogas, são necessárias ações da área da saúde para promover o 
 
 
 
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tratamento. Sendo assim, podem ser necessários suportes da assistência 
social relacionados a fortalecer vínculos familiares e comunitários, subsidiar 
transferência de renda quando necessário; ofertar acolhimento, se for o caso, 
como também podem ser necessárias ações de segurança pública em casos 
em que o envolvimento com traficantes ponha em risco o usuário ou sua 
família. 
Esses e outros casos incidem sobre a necessidade de que se 
desenvolvam ações integradas entre as diferentes políticas públicas. Não se 
trata de perder a especialização e qualidade específicas aos setores, mas de 
proporcionar ofertas conjuntas e completas, em que o cidadão seja visto de 
forma integral. 
A ação intersetorial implica em assumir responsabilidades em 
conjunto e superar a lógica do encaminhamento. 
Para alguns autores, a intersetorialidade caracteriza um novo modelo 
de ofertas de serviços, no qual o planejamento, a execução e a avaliação das 
ações são realizados de forma conjunta entre diferentes setores, tendo como 
foco a solução de problemas. Nesta perspectiva, um modelo intersetorial 
promove a cidadania à medida que oferta respostas de diferentes 
especialidades para resolver uma questão única e complexa (INOJOSA, 
1998). 
Ao defender a intersetorialidade como um novo modelo de organização 
das ações governamentais, são propostas estratégias de organização por 
território, por abrangência geográfica, superando a lógica das secretarias 
setoriais, tal como se observa na exposição a seguir: 
“No modelo tradicional o trabalho é organizado por equipes 
especializadas para o planejamento, a realização e a avaliação de 
ações e serviços específicos, em cada secretaria setorial. Essa 
dinâmica supõe um planejamento geral, com base territorial, acima das 
secretarias, que articule os planos particulares de cada uma delas e as 
respectivas redes de serviço. O novo modelo supõe uma outra 
dinâmica. Haverá, necessariamente, em cada secretaria, um 
planejamento referido à sua base geográfica e populacional próprias. 
A articulação desses planos, coordenada através de um colegiado, 
deverá mediar as eventuais desigualdades regionais, com caráter 
 
 
 
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redistributivo, privilegiando os grupos populacionais em situação ou 
risco de exclusão social. 
Esse modelo novo evidentemente não exclui equipes especializadas 
por serviços. As escolas, hospitais, centros de assistência, casas de 
cultura, equipamentos de esporte e lazer, usinas de asfalto, núcleos de 
fiscalização de obras etc. continuarão a existir com suas equipes 
especializadas. A diferença é que as equipes e serviços estarão 
integrados em uma única rede regional” (INOJOSA, 1998). 
 
Além da proposta já descrita, são comuns as iniciativas que buscam 
promover a articulação intersetorial de forma a assegurar respostas mais 
efetivas, principalmentedos órgãos governamentais, no atendimento às 
demandas da população. 
Outra característica que envolve a defesa das ações intersetoriais se 
dá numa nova perspectiva de avaliação de resultados. Entende-se que a 
lógica setorial limita a avaliação à análise de quantidade e resultados de 
produtos ofertados, tais como consultas, matrículas, aulas, acolhimentos, 
enquanto na perspectiva intersetorial se poderia avaliar a melhoria integral 
oportunizada no exercício da cidadania e na qualidade de vida dos 
beneficiários do conjunto de ações especializadas (INOJOSA, 2001). 
Assim, podemos concluir que a intersetorialidade pretende otimizar a 
qualidade das ações especializadas, a partir de planejamento, execução e 
avaliação integradas, de modo que o potencial de solução das reais 
demandas da população seja ampliado. 
Saiba mais sobre este assunto assistindo à videoaula da professora 
Neiva, que está disponível no material on-line! 
 
 
 
Políticas públicas setoriais, para além da seguridade social 
Na organização das políticas públicas brasileiras, constam também 
outras políticas setoriais, com alta especialização e com grande contribuição 
para a promoção e defesa dos direitos sociais. Para que você conheça 
 
 
 
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também estas, apresentaremos alguns exemplos. Selecionamos, para isso, 
as seguintes: educação, cultura, esporte e habitação. 
Assista à videoaula correspondente a este tema! Ela se encontra no 
material on-line! 
 
Educação 
A educação é uma das maiores políticas sociais e com a melhor 
organização, atingindo a população de diversas faixas etárias, regiões, 
culturas, condições socioeconômicas etc. 
A educação para crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos, no Brasil 
é obrigatória. É responsabilidade do Estado ofertar matrícula para todos, em 
escolas regulares, o mais próximo possível de suas residências. Além disso, 
é responsabilidade dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula e 
acompanhar a frequência escolar. 
A principal legislação no campo da educação é a LDB – a Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação –, aprovada em 20 de dezembro de 1996. 
Nela, estão definidas diretrizes, objetivos e critérios mínimos para oferta de 
serviços de educação no Brasil. Tanto escolas públicas quanto escolas 
particulares devem respeitar as prerrogativas da LDB para terem 
reconhecidas suas iniciativas educacionais. 
Aproveite e conheça, na íntegra, a LDB: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm 
 
Esporte e Cultura 
O esporte e a cultura não possuem tão grande capilaridade em suas 
unidades como a educação. Mas propõem ações de integração com os 
espaços escolares, de modo que os alunos que frequentam às escolas 
possam ter acesso às iniciativas do esporte e da cultura. 
 
 
 
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Esporte: 
Duas principais linhas de ação são compreendidas na área do esporte: 
o esporte escolar e o esporte de rendimento. O primeiro caso refere-se 
à oferta de práticas esportivas vinculadas aos currículos da educação 
infantil, ensino fundamental e médio. O segundo refere-se ao 
investimento na formação de atletas. Contudo, essa política 
compreende, também, ações de inclusão esportiva, promoção da 
saúde pela prática do esporte, socialização de acessos a práticas e 
eventos esportivos (MINISTÉRIO DO ESPORTE, 2005). 
Cultura: 
No campo da cultura, também há forte integração com os espaços 
escolares, para viabilizar que ações culturais que estejam presentes no 
cotidiano de crianças e adolescentes. O Plano Nacional de Cultura 
prevê diferentes ações que permitam ampliar o acesso à cultura para 
todas as faixas etárias, bem como valorizar diferentes expressões 
culturais (CASA CIVIL, 2010). 
 
Habitação 
A política de habitação se desdobra de formas distintas nos municípios 
brasileiros, mas conta, desde 2004, com uma diretriz nacional reconhecida 
como PNH – Política Nacional de Habitação. A PNH foi aprovada pelo 
Conselho das Cidades e faz parte de um Plano maior, a Política Nacional de 
Desenvolvimento Urbano, cujo órgão federal responsável pela gestão é o 
Ministério das Cidades. 
Esses foram alguns exemplos de políticas sociais setoriais. 
Essas e outras políticas podem ser conhecidas por meio de acesso aos 
portais dos Ministérios e Secretarias responsáveis por sua gestão. Se quiser 
saber mais, faça esta busca pela Internet! 
 
 
 
Políticas públicas por segmento 
As políticas públicas caracterizadas como políticas por segmento são 
aquelas voltadas a parcelas específicas da população, cujas características 
 
 
 
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diferem-se dos demais e demandam por proteções específicas. Como 
exemplo, temos as políticas voltadas às crianças e adolescentes, à juventude, 
às pessoas idosas, às mulheres, às pessoas com deficiência, entre outros. 
Tratam-se de políticas intersetoriais, pois sua operacionalização compreende 
a articulação e integração de diferentes setores. 
As políticas por segmento surgem de legislações específicas, que 
desdobram direitos assegurados a todos, mas que requerem especial atenção 
para que alcancem grupos específicos da sociedade, caracterizados por sua 
fragilidade e condições desiguais de acesso a serviços e de participação 
cidadã. 
Saiba mais assistindo à videoaula sobre as políticas e direitos voltados 
a grupos específicos. Acesse o material on-line. 
 
Política de proteção integral à criança e ao adolescente: 
A base legal que fundamenta as ações junto a crianças e adolescentes 
no Brasil está representada principalmente pelo Estatuto da Criança e do 
Adolescente – o ECA. 
O ECA regulamenta o artigo 227 da Constituição Federal, que 
reconhece crianças e adolescentes como sujeitos de direitos. Ele define os 
cinco direitos fundamentais da criança e do adolescente: 
 Vida e saúde; 
 Liberdade, respeito e dignidade; 
 Convivência familiar e comunitária; 
 Educação, cultura, esporte e lazer; 
 Profissionalização e trabalho protegido. 
Conheça o ECA na íntegra: 
 
 
 
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8069.htm 
Essa lei também reconhece crianças e adolescentes como pessoas em 
condição peculiar de desenvolvimento, e que, por isso, merecem atenção 
especial do Estado, da família e de toda a sociedade para assegurar sua 
proteção. A esse público também é assegurado o atendimento de suas 
demandas sob o princípio da prioridade absoluta. 
Uma política pública voltada à proteção integral da criança e do 
adolescente operacionaliza-se pela articulação com diferentes instâncias do 
Estado e da sociedade civil. O Conselho Nacional de Defesa dos Direitos 
da Criança e do Adolescente orienta a operacionalização das ações para a 
infância e adolescência, por meio do SGD, o Sistema de Garantia de 
Direitos. Dentro do SGD estão previstas instâncias de promoção, de defesa 
e de controle, que devem agir de forma integrada, resultando numa efetiva 
proteção àqueles com idade inferior a 18 anos. 
 
Política Nacional de Juventude 
Trata-se de uma das políticas mais recentemente conquistadas. Depois 
de cerca de uma década de tramitação, foi aprovado em 05 de agosto de 
2013, o Estatuto da Juventude (Lei Federal nº 12.852), que prevê ações de 
proteção e promoção a adolescentes e jovens entre 15 e 29 anos. 
Quanto aos adolescentes (menores de 18 anos) o Estatuto da 
Juventude não substitui o ECA, mas o complementa. 
Os direitos fundamentais assegurados por este Estatuto são: 
cidadania,participação social e política e representação juvenil; educação; 
profissionalização, trabalho e renda; diversidade e igualdade; saúde; cultura; 
comunicação e liberdade de expressão; desporto e lazer; território e 
mobilidade; sustentabilidade e meio ambiente; segurança pública e acesso à 
justiça. 
 
 
 
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Como você pode observar, há a necessidade de integração de 
diferentes setores para que se efetive a proteção assegurada por esta Lei. 
Para isso, o Estatuto da Juventude já prevê em seu texto legal a constituição 
do SINAJUVE, o Sistema Nacional de Juventude. A articulação nacional das 
políticas públicas para atenderem a esse Estatuto tem sido realizada a partir 
do Comitê Interministerial da Política Nacional de Juventude – COIJUV. 
Conheça mais sobre a política nacional de juventude: 
http://secretariageral.gov.br/iniciativas/juventude/politica-nacional 
E conheça também o Estatuto da Juventude em sua integralidade: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12852.htm 
 
Política Nacional do Idoso 
São duas importantes legislações que marcam esta política. 
A Lei Federal nº 8.842 de 4 de janeiro de 1994, que aprova a Política 
Nacional do Idoso e cria o Conselho Nacional do Idoso: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8842.htm 
E a Lei Federal nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, conhecida como 
Estatuto do Idoso: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.741.htm 
O Estatuto do Idoso compreende os seguintes direitos fundamentais às 
pessoas com idade igual ou superior a 60 anos: vida; liberdade, respeito e 
dignidade; alimentos; saúde; educação, cultura, esporte e lazer; 
profissionalização e trabalho; previdência social; assistência social; habitação; 
e transporte. 
Nas discussões mais atuais sobre este campo se tem substituído o 
termo “idoso” para “pessoa idosa”. Portanto, tem-se adotado expressões 
 
 
 
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como “direitos da pessoa idosa” e “políticas para a pessoa idosa”. Isso se dá 
de forma a afirmar a igualdade de direitos entre idosos e idosas, homens e 
mulheres, bem como para destacar o seu ser integral enquanto pessoa, que 
não pode ser restringido apenas a uma relação com sua faixa etária. 
 
 
 
Políticas afirmativas 
As políticas afirmativas também são voltadas a grupos específicos, 
caracterizados principalmente por sofrerem com situações de exclusão e 
discriminação. Diferenciam-se por compreender ações que pretendem 
promover a equidade de acessos. Tais ações são consideradas “ações 
afirmativas”. 
De acordo com o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação 
Afirmativa – GEMAA (2011): 
“Ações afirmativas são políticas focais que alocam recursos em 
benefício de pessoas pertencentes a grupos discriminados e vitimados 
pela exclusão socioeconômica no passado ou no presente. Trata-se de 
medidas que têm como objetivo combater discriminações étnicas, 
raciais, religiosas, de gênero ou de casta, aumentando a participação 
de minorias no processo político, no acesso à educação, saúde, 
emprego, bens materiais, redes de proteção social e/ou no 
reconhecimento cultural”. 
São exemplos de públicos de ações afirmativas: 
 Negros e afrodescendentes; 
 Mulheres; 
 LGBT: lésbicas, gays, bissexuais e travestis; 
 Pessoas com deficiência. 
 
 
 
 
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São exemplos de ações afirmativas: 
 Cotas para afrodescendentes dentre as vagas de universidades 
públicas e concursos; 
 Cotas para pessoas com deficiência em concursos; 
 Percentual mínimo de contratação de funcionários com deficiência, de 
acordo com o tamanho da empresa. 
A lógica das políticas redistributivas envolve a compreensão e defesa 
de direitos relacionados tanto à defesa da igualdade, quanto ao 
reconhecimento e valorização das diferenças. A base de construção dos 
direitos às quais estas políticas estão relacionadas é a Declaração Universal 
dos Direitos Humanos, aprovada em 1948, que caracteriza ao mesmo tempo 
uma conquista e um desafio: conquista no que se refere à igualdade, desafio 
no que se refere à diversidade. 
O fator motivador da proposição e aprovação da Declaração Universal 
dos Direitos Humanos foi a percepção, no período pós Segunda Guerra 
Mundial, de que as ideologias discriminatórias, que estabeleciam diferenças 
em direitos e dignidades entre os seres humanos, poderiam ser tão danosas 
ao ponto de destruir toda a sociedade. Foi a experiência tida com o nazismo. 
Logo, percebia-se a necessidade de se afirmar e defender que todos os seres 
humanos eram iguais, independentemente de sua raça, cor, sexo, credo etc. 
(COMPARATO, 2008; CAMPOS, 1999). 
Contudo, reconhecer a igualdade não é o suficiente para que todos 
desfrutem de fato de condições, acessos e relações iguais dentro da 
sociedade. Existem grupos com características naturais (ciclos de vida) ou 
históricas (discriminação) que os tornam mais frágeis, demandando especial 
proteção. Assim, começam a desenvolver-se políticas voltadas a grupos 
específicos, sob a lógica da promoção da equidade. 
 
 
 
 
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Diferenciemos igualdade de equidade: 
 Igualdade: todos possuem direitos iguais. 
 Equidade: aqueles mais vulneráveis recebem maiores apoios para que 
desfrutem igualmente dos direitos com os demais. 
Assim, surgiram legislações voltadas à proteção de segmentos, como 
as mulheres, a comunidade LGBT, as pessoas com deficiência, entre outros. 
Passa-se a reconhecer as diferenças. 
Mas, quando se lança a análise histórica sobre a desigualdade de 
condições vivenciada entre diferentes grupos, percebe-se a necessidade de 
se investir em ações afirmativas, ou seja, ações que possibilitem minimizar os 
efeitos da história de discriminação, que promovam a equidade e previnam 
novas ocorrências discriminatórias. 
Assim, a diferença é respeitada num reconhecimento legal e 
materializada nas relações cotidianas de acesso ao trabalho e à educação, na 
liberdade de expressão, na prática religiosa etc. 
As políticas afirmativas envolvem um princípio que é caracterizado 
como reconhecimento, no sentido de reconhecer a importância social de 
grupos, em suas especificidades. A discussão sobre o reconhecimento 
envolve a discussão sobre a promoção da igualdade com respeito às 
diferenças. 
Saiba mais sobre ações afirmativas e reconhecimento assistindo ao 
vídeo correspondente a este tema, que se encontra no material on-line. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Redes, sistemas e intersetorialidade 
As políticas intersetoriais exigem uma reestruturação das políticas 
públicas para que alcancem seus objetivos. 
Como você pode ver nas políticas por segmento e naquelas que 
congregam ações afirmativas, o real exercício dos direitos assegurados por 
lei a públicos específicos, de maior fragilidade, demandam ações de diversos 
setores e, mais do que isso, suscitam ações integradas. Não apenas que as 
diferentes ações setoriais se unam, é preciso que essas ações ocorram de 
forma organizada, com unificação em seu planejamento, execução e 
avaliação. 
Para implementar iniciativas de intersetorialidade, uma das propostas 
é a adoção das estratégias chamadas de articulação da rede. Essa 
estratégia integra cada política setorial em cada uma de suas unidades, bem 
como em instâncias representativas do poder judiciário, do poder legislativo e 
da sociedade civil, como sendo um“nó” da rede. 
A partir da relação que se estabelece entre os diferentes nós, esta rede 
vai tomando consistência e se tornando um tecido organizado e denso, que 
assegura a proteção e a defesa dos direitos. Não deve existir um coordenador 
ou presidente da rede, mas diferentes instituições podem assumir o papel de 
articulador e promover a contínua e qualificada relação entre todos. 
 
 
 
 
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A lógica das relações em rede pretende superar a lógica piramidal, ou 
seja, a estrutura hierárquica, onde o poder decisório é concentrado na mão de 
um indivíduo ou órgão e vai sendo delegado àqueles que estão mais 
próximos, em caráter intermediário. Cabe às bases mais a operacionalização 
do que a participação nas decisões. 
Dentro das redes, todos são solidários no processo de decisão, 
intervenção e avaliação, sendo que as responsabilidades diferem à medida 
que diferem as competências e especialidades de cada integrante 
(WHITACKER, 1993). 
Iniciativas de adoção da estrutura em redes, para firmar relações 
intersetoriais entre políticas públicas vêm sendo adotadas no Brasil. 
Como alguns exemplos, temos a rede de proteção às crianças e 
adolescentes vítimas de violência; redes de atenção em saúde; rede 
socioassistencial. Nestes dois últimos exemplos as redes partem de relações 
interinstitucionais dentro do próprio setor e avançam para relações com outros 
setores. 
Contudo, questiona-se o real caráter de rede das experiências 
adotadas pelas políticas públicas brasileiras. Isso porque a estrutura 
fundamental de organização destas se dá de forma hierarquizada, o que 
conflita com o conceito e proposta originais do trabalho em rede. 
A principal forma de organização das políticas setoriais no Brasil se dá 
por meio de sistemas. Como exemplos, temos o Sistema Único de 
Assistência Social e o Sistema Único de Saúde. Eles estão firmados em 
estruturas hierárquicas de tomada de decisão, em que os principais 
direcionamentos são dados pelas instâncias de caráter federal e as bases 
(municípios) assumem a responsabilidade primeira pela execução destas 
políticas. Nessa conjuntura, as redes que se estabelecem estão sujeitas e 
precisam adequar-se à lógica hierárquica dos sistemas. (LAVORATTI, 2013). 
 
 
 
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Outra dificuldade encontrada na promoção da intersetorialidade refere-
se ao enfrentamento da própria estrutura setorial, na qual cada política é 
responsável pela área de sua especialidade e chega a estabelecer-se um 
processo competitivo entre elas. Assim, estão presentes os questionamentos 
de uma sobre os métodos e serviços da outra, bem como deve ser 
considerada a própria disputa por recursos públicos para o desenvolvimento 
de cada uma. O histórico de ações setorizadas e mesmo fragmentadas 
impacta em resistência ao se vislumbrar ações articuladas e integradas. 
Assim, podemos dizer que as estratégias de ação em rede são 
propostas viáveis para a promoção da intersetorialidade entre políticas 
públicas. Contudo, no atual contexto, sua aplicação está condicionada à 
adaptação em estruturas hierárquicas. Também se evidencia resistência à 
intersetorialidade devido ao histórico de setorização e fragmentação das 
políticas públicas. 
Esse contexto de tensões, adaptações, resistências e avanços 
caracteriza a intersetorialidade entre políticas públicas no Brasil. Certamente, 
apesar dos desafios, existem conquistas na adoção de estratégias 
intersetoriais. 
Saiba mais sobre as redes e a intersetorialidade no Brasil assistindo à 
videoaula disponível no material on-line! 
 
 
 
TROCANDO IDEIAS 
Um dos temas que discutimos nesta aula foram as políticas 
afirmativas. Destacamos que se tratam de iniciativas que visam à promoção 
da equidade para públicos vulneráveis à exclusão e discriminação. 
 
 
 
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Compartilhe com seus colegas, neste fórum, iniciativas de políticas 
afirmativas que você tem observado em sua vivência cotidiana, seja como 
estudante, trabalhador ou como cidadão. Comente se você observou avanços 
na conquista da igualdade para os públicos beneficiados por estas ações. 
 
 
 
NA PRÁTICA 
Nesta aula aprofundamos nosso conhecimento sobre políticas setoriais 
e intersetoriais e aprendemos que uma das estratégias para articulação 
intersetorial é o trabalho em rede. Vamos, agora, exercitar nosso aprendizado. 
Siga as seguintes instruções: 
1. Se ainda tiver dúvidas sobre o que são políticas setoriais e intersetoriais, 
retome o conteúdo na quarta aula e o primeiro tema desta aula. 
2. Monte uma tabela com duas colunas. Na primeira, você deverá colocar as 
políticas setoriais que você conhece em seu município e, na outra coluna, 
as políticas intersetoriais do município. 
3. Depois, elabore um desenho, um diagrama, um mapa etc. no qual você 
possa caracterizar onde estão localizadas as políticas setoriais. 
4. Avance ligando os pontos quando você percebe que as políticas setoriais 
se unem ou podem se unir para alcançar um objetivo em comum. 
Assim, você tem um mapeamento simples das políticas disponíveis em 
seu município! 
Siga o exemplo a seguir: 
 
 
 
 
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Município: 
Políticas sociais setoriais Políticas sociais intersetoriais 
 Saúde 
 Educação 
 Assistência Social 
 Habitação 
 Esporte e Lazer 
 Proteção à criança e ao 
adolescente 
 Políticas para mulheres 
 
 
Agora, assista à videoaula para conhecer mais dicas de como 
desenvolver esse estudo! 
 
 
 
SÍNTESE 
Nesta aula tratamos sobre políticas setoriais e intersetoriais. 
Compreendemos que para a efetividade de certos tipos de direitos, são 
necessárias políticas públicas que requerem ações intersetoriais. Abordamos 
exemplos de políticas setoriais e intersetoriais, bem como a questão da rede 
enquanto estratégia de articulação intersetorial. 
 
 
 
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Em nossa problematização nos deparamos com um desafio à 
intersetorialidade, uma questão que não pode ser resolvida por uma única 
instância ou política, mas que exige a co-responsabilidade de diferentes 
representantes do poder público e mesmo da sociedade. 
Seguiremos com nossos estudos, avançando no conhecimento sobre 
as políticas sociais! 
Vamos recapitular tudo o que aprendemos nesta aula. Como? 
Assistindo à videoaula disponível no material on-line! 
 
 
Referências 
BRASIL. Estatuto da criança e do adolescente (ECA): Lei federal nº 8069, 
de 13 de julho de 1990. Brasília: Casa Civil, 1990. 
BRASIL. CASA CIVIL. Lei Federal nº 8.842, de 4 de janeiro de 1994. Dispõe 
sobre a política nacional do idoso, cria o Conselho Nacional do Idoso e dá 
outras providências. Brasília: Presidência da República. Casa Civil, 1994. 
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BRASIL. CASA CIVIL. Lei Federal nº 10.741, de 1º de outubro de 2003. 
Dispõe sobre o Estatuto do Idoso e dá outras providências. Brasília: 
Presidência da República. Casa Civil, 2003. 
BRASIL. CASA CIVIL. Lei Federal nº 12.343, de 2 de dezembro de 2010. 
Institui o Plano Nacional de Informações e Indicadores Culturais – SNIC e dá 
outras providências. Brasília: Presidência da República. Casa Civil, 2010. 
BRASIL. CASA CIVIL. Lei Federal nº 12.852, de 5 de agosto de 2013. Institui 
o Estatuto da Juventude e dispõe sobre os direitosdos jovens, os princípios e 
 
 
 
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 
 
 
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diretrizes das políticas públicas de juventude e o Sistema Nacional de 
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