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Resenha PCN

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO – UFOP
Instituto de Ciências Humanas e Sociais- ICHS
Resenha do texto: Os PCNs da análise linguística como objeto de ensino na educação básica.
Autores: Sueilton Junior Brás de Lima, Josefa Lidianne Paiva e Edmar Peixoto de Lima.
A forma como o professor encara o conceito de linguagem está implícita em sua postura em sala de aula. O professor como mediador entre o conhecimento e o aluno, tem a responsabilidade pela criação das dinâmicas de ensino em sala de aula que podem ser comprometidas de acordo com a visão acerca da linguagem que esse professor carrega em si.
Segundo os autores do texto, existem três concepções básicas de linguagem. A primeira delas apresenta a linguagem como expressão de pensamento, busca ensinar a estruturação de pensamentos sem levar em consideração contextos que envolvam interação do sujeito com o seu mundo cotidiano. Aqui se cria uma dicotomia perante a forma correta e a forma errada de se falar, levando a discriminação e consequentemente ao preconceito linguístico. 
A segunda concepção de linguagem favorece a compreensão de códigos linguísticos. Independentemente da maneira de se falar ou escrever, se o aspecto comunicativo for condizente e entendível então o objetivo foi alcançado. Basta que se domine a língua para que se consiga utilizar a linguagem como instrumento de comunicação. Nesta concepção as questões sociais não possuem relevância. 
A terceira concepção busca compreender a linguagem como elemento de interação do sujeito com o mundo e com outros sujeitos que fazem parte de sua realidade. Esta visão acerca da linguagem compreende que é a partir da interação entre os sujeitos que se tem o compartilhamento de ideias e construção de sentidos.
Havia, portanto, um grande desentendimento entre progressistas e tradicionalistas quanto à forma de se ensinar a Língua Portuguesa nas escolas. Os PCNs surgem como apoio pedagógico em oposição às concepções tradicionalistas de ensino que concebem uma forma certa de falar e escrever e desvalorizam a interação do aluno com seu meio social. Os PCNs tem o intuito de trazer esclarecimentos a respeito de como se deve dar o ensino da Língua Portuguesa e nortear o professor em sala de aula.
Cria-se então uma quarta concepção de linguagem a partir das recomendações contidas nos PCNs. Esse conceito nos traz a ideia de que todo conteúdo ministrado deve ser vivenciado pelos alunos em seu próprio contexto social. Sem a ligação da Língua Portuguesa com o cotidiano dos educandos, aumenta-se a dificuldade para compreensão do que lhes é ensinado. Desta forma o aluno enfrenta problemas quando se é necessário aplicar o conhecimento em seu próprio contexto social. 
Assim sendo, o objetivo do ensino da Língua Portuguesa apresentado pelos autores através das orientações advindas dos PCNs é ensinar aos alunos, através de sua interação com a sua realidade no meio em que vive, a interpretar e produzir textos de forma crítica dentro e fora da sala de aula. Dessa forma o aluno poderá enxergar além do que se está escrito, possibilitando assim a construção de sua própria visão acerca dos assuntos tratados pelo texto de forma consciente e responsável. 
Os autores pontuam que professores que tendem a ensinar de forma descontextualizada da realidade do aluno dificultam o entendimento deste em relação ao conteúdo ministrado. Além de muitas vezes reforçarem que há uma forma certa de se escrever, desvalorizando a diversidade e criando um ambiente de discriminação, onde os próprios alunos tem vergonha de si mesmos ao ouvirem que as formas como se expressam não condizem com o padrão estipulado e são avaliadas com negatividade.
Considerar as muitas formas de falar e escrever é trabalhar a autoestima do aluno e assegurar um melhor entendimento deste para com a Língua Portuguesa, já que seus conhecimentos e vivências também serão valorizados. Para mais eficiência no ensino, é preciso que o professor se desvencilhe do ensino automatizado e aprenda a entender melhor seus alunos e os meios em que vivem. Além disso, é necessário que os alunos sejam escutados não apenas por uma questão de respeito, mas também praticidade, já que considerando o que eles já sabem, os professores podem concentrar-se no que eles realmente precisam aprender e partir daí para ensiná-los com mais eficiência.