Nicos Poulantzas   O estado, o poder e o socialismo
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Nicos Poulantzas O estado, o poder e o socialismo

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&11 llvro de Nicos Poulantus pr<>-
põ•M • enfrentar elgumaa da., mais
dlllcola que.Iões p0Utlcu do nOSBo
1tmp0, Sem dl)vlda, algumas delas J6
11110 dlllneadas em trabalhos anterlo-
rH o mumo, para o autor. no que dlt
rupelto 1 1lgu~1 dos aeuf aspectos
contraia. aatlsfatorlamente resolvidas.
Mas, 1uat1mente em rel1ção àquelu
mala denau de litfglo tlldrlco e con-
cenu1I. e1te trabalho testemunha 1m-
pon1nt• revtalta do eacrltOf • sua obra,
aubm11endo-a 10 crivo dos seus cr íti-
co• e de auas próprias aut<>-Critices.

Suas preocupações acabem por as,.,.
mlr .ciul uma dlmenaAo flnallst1: tr•
11"'0 de por no centNl dos debates o
problema da democracia o do 1ocl111•·
mo. Ou. mela preclHmente. o probl•
ma do eoclallemo democr6tlco, capet
de 1uper1r não apenu os conhecidos
llmlt11 da democrocio repreaentatlve.
m11 l~almenta apto a levar a uma
prlllla v11billtedor1 de um socialismo
detlnltlvemenle comprometido com o
d11envolvfmento das liberdades e com
o re1l poder e autonomia daa bases po-
lltlcu.

O intento· penetra fundo nos tempos
moderno,. No mundo c,çlde ntel, o E.ti·
todo H eglganta e ao complexitlca em
tllt proporç(IH, Qllt pªrft • irremedl•
velmonto assinalar o declfnlo das de-
mocraclea polltlcas. No llrnblto dos
paf11• chamados de • aociallsmo reel · ,
om lugor do definhamento do Esr.do,
til como provlsto por Marx e E1111els,
conatota"'e oeu revlvoremento cons-
tante, P1r9untaa são r,eoeuarlemonte
coloc1dA1: quala os fundamen1os e IS
lr1l\llotmaQÕee do Eatlldo e do poder
contomporlneosf Quais as ma1rltes do
1utorlterl1mo como pr,tlca e dlac..-so?
Ou111 01 lnetrumentoa quo a sociedade

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NICOS POULANTZAS

O ESTIDO,
O PODER,

O SOCIILISMO.

Reoi&to

per
SEVERINO BEZERRA

Fundador:

MAX DA COSTA SANTOS

..

•

APA '""'ª Maria 00111<,rt

Ficha Catalográfica

CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte
Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ.

PoUlantzas, Nicos.
P894e O Esta(lo, o poder, o socialismo / Nicos

Poulantzas. - Rio de Janeiro : Edições
Graal, 1980.

(Biblioteca de Ciências sociais; v. n. 19 >

Tradução de : L'état., le pouvoir, le so-
cialisme

1. Socialismo I. Título II. Série

CDD - 335
80-0769 CDU - 330.342.15

INDICE

Advertência ...... .. ... . ....... · · · · · · · · · · · · · · · ·
INTRODUÇÃO .......... · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · ·

1. Sobre a Teoria do Estado ........... · . · ·
li. Os Aparelhos Ideológicos:

o Estado, repressão + ideologia ....... .
111. o Estado, os poderes e as lutas .... . . .. .

PRIMEIRA PARTE

A MATERIALIDADE INSTITUCIONAL DO ESTADO
1. O trabalho intelectual e o trabalho manual ,

o saber e o poder .................... .
li. A individualização .... ... .............. .

1 - A ossatura do Estado e as técnicas
do poder .... . ........... . ....... .

2 - As raízes do totalitarismo .... "':· .... .
• 111 . A Lei ....... . ............. · · · ·

1 - Lei e Terror
IV. A Nação .... , ........ · · · · · · · · · · · · · · · · · ·

1 - A matriz espacial : o Território .....
2 - A matriz temporal e a historicidade:

a tradição ...................... .
3 - A Nação e as Classes ........... .

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132

SEGUNDA PARTE

AS LUTAS POUTICAS: O ESTADO, CONDENSAÇÃO
DE UMA RELAÇÃO DE FORÇAS . . . . . . . . . .. .. . . .. 141

1. O Estado e as classes dominantes . . . . . . . 145
li. O Estado e as lutas populares . : . . . . . . . . . 161

Ili. Para uma teoria relacional do poder . . . . . 167
IV. O pessoal do Estado . . .............. , . . 177

TERCEIRA PARTE

O ESTADO E A ECONOMIA HOJE . . . . . . . . . . . . . . . . 187
1. Sobre as funções econômicas do Estado . 190

li. Economia e Política ...... ~.............. 207
Ili. Os limites do Estado-Moloch . . . . . . . . . . . . 220
IV. Conclusões provisórias

............... . 226'

QUARTA P4RTE

O DECUNIO DA DEMOCRACIA: O ESTATISMO AU-
TOAIT ARIO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 233

1. Estatismo autoritário e totalitarismo . . . . . 233
li. A irresistível ascensão da Administração

de Estado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 250
Ili. O Partido dominante de massa . . . . . . . . . 269
IV. O enfraquecimento do Estado . . . . . . . . . . 279

PARA UM SOCIALISMO DEMOCRATICO . . . . . . . . . 287

(

- ....

I

/
ADVERT~NCIA

A urgência deste trabalho em sua origem deve-se,
inicialmente, à situação política na Europa. Se a ques-
tão de um socialismo democrático não está na ordem
do dia em todo o mundo - longe disso-, apresenta-se
todavia em vários países europeus. Essa urgência deve-
se igualmente à emergência do novo fenômeno - o
estatismo autoritário -, que marca grandemente o
conjunto dos países ditos desenvolvidos. Leva, enfim,
à discussão que tem lugar atualmente na França e fora
dela em torno do Estado e do poder.

Os trabalhos sobre esse assunto apresentam-se sob
uma forma dita teórica ou, ao contrário, sob uma forma
de intervenção politica direta numa conjuntura preci-
sa. Eis ai um velho hábito. Tentei livrar-m~ dele: os \
problemas atuais são suficientemente importantes e no-
vos para merecerem um tratamento aprofundado: Por
outro lado, hoje, mais que nunca, a teoria não pode
enclausurar-se em sua torre de marfim.

Tentar, porém, escapar deste hábito confortável
apresenta inconvenientes que nem sempre pude ou sou-
be evitar. Resumem-se na tendência a se fazer, num
sentido ou noutro, ao mesmo tempo em demasia. ou
insuficientemente. Em primeiro lugar, no campo teóri-
co, não pude, evidentemente, tratar de todos os pro-
blemas que se apresentam nesses domínios, assim como
não pude tratar em profundidade daqueles que abordo.
Este trabalho não apresenta, portanto, ordenação si.ste-

11

mática. Se suas partes se encadeiam e se relacionam
umas às outras, pretendem ser esclarecimentos de tais
ou tais aspectos das diferentes questões.

Em seguida, no campo politico, não pude tratar de
uma conjuntura politica concreta, a da França espe-
cialmente, em seus detalhes e particularidades.

De qualquer forma, a concepção deste trabalho ex-
plica o lugar reduzido ocupado pelas referências biblio-
gráficas. Sendo a literatura nestes campos imensa, e
querendo deixar de lado a rigidez acadêmica, decidi deli-
beradamente reduzi-las ao estritamente necessário, espe-
cificamente aos casos em que cito expressamente um
autor e às pesquisas efetuadas na França.

Isto é igualmente válido para o que se considera
como obras clássicas do marxismo, cujas referências
completas constam de meus livros anteriores. Mas no úl-
timo caso, não são somente estas as razões dessa decisão.
Há também uma outra : não pode haver marxismo orto-
doxo. Ninguém pode proceder como um guardião de
dogmas e textos sagrados. Não tentei me resguardar
atrás deles, o que explica também o emprego neste livro
do pronome pessoal e a referência a meus próprios tex-
tos. Não que pretenda falar em nome de algum marxis-
mo autêntico, mas por razões exatamente inversas:
assumo a responsabilidade do que escrevo e falo em
meu próprio nome.

12

INTRODUÇÃO

1. Sobre a Teoria do Estado
...

1

Quem escapa ao Estado e ao poder hoje, e, também,
quem disso não fala? A situação politica atual, não so-
mente na França mas em toda a Europa, é certamente
responsável por alguma coisa.

Embora não seja suficiente falar dela, é preciso ten-
tar compreendê-la, conhecê-la e explicá-la. Para fazê-lo,
não se deve hesitar em tomar, sem rodeios, os problemas
pela raiz. Convém, também, escolher os meios e não ce-
der às facilidades de uma linguagem analógica e meta-
fórica, por mais tentadora que seja e por mais