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IBGE   TECNICO   Conhecimentos Gerais

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Uma crise entre o Congresso e o governo emergiu com a cassa-
ção do deputado Márcio Moreira Alves. A resposta foi o AI-5, o fechamento 
do Congresso e a concessão de poderes de exceção ao presidente. De-
sencadeou-se, então, violenta repressão do governo, estabelecendo censu-
ra prévia a órgãos de imprensa, livros e obras de arte além da perseguição 
e prisão de líderes estudantis, intelectuais e todos os opositores ao regime. 
Por outro lado, a explosão do movimento tropicalista, com Caetano Veloso 
e Gilberto Gil, provocava reações indignadas tanto em setores da direita 
quanto da esquerda. 
 
A Operação Bandeirantes (OBAN) - montada pelo governo - foi 
responsável por inúmeras prisões, torturas e desaparecimentos. Em con-
trapartida, grupos guerrilheiros seqüestraram o embaixador norte-
americano Charles Elbrick, exigindo para soltá-lo a libertação de presos 
políticos. Foram mortos os líderes guerrilheiros Virgílio e Carlos Marighella. 
No topo desse confronto, foi eleito presidente o general Garrastazu Médici, 
inaugurando a década de 70. 
 
A década de 70: da repressão à abertura 
Tortura e TV em cores 
 
Enquanto o Brasil conquistava o Tricampeonato Mundial de Fu-
tebol no México, embalado pela marchinha Pra frente Brasil, e os brasileiros 
acompanhavam pela TV a maestria da "seleção canarinho", vibrando com 
Pelé, Jairziriho, Tostão, Gerson, acontecia muita coisa nos porões do DOI-
CODI. Aos atentados terroristas de esquerda o Estado respondia com 
tortura, morte, desaparecimento. Anunciaram-se a Transamazônica e mais 
tarde a Itaipu. O ministro Delfim Neto proclamava “milagre brasileiro". Em 
1971, depois de torturado e morto pelas Forças Armadas, desaparece o 
deputado Rubens Paiva. Enquanto isso, o Brasil via, em cores, as primeiras 
emissões coloridas da América Latina, a propaganda do governo e seu 
lema: "Brasil, ame-o ou deixe-o". O ministro Jarbas Passarinho reagiu às 
denúncias, encampadas por organismos internacionais, de tortura no Brasil: 
Afirmar que a tortura, no Brasil, é praticada como sistema de governo é 
uma infâmia. 
 
Em 1972, a Rede Globo lançou a primeira novela em cores no 
Brasil - O Bem Amado - criada por Dias Gomes e estrelada por Paulo 
Gracindo. As novelas da televisão, ou telenovelas, passavam a ter cada 
vez maior repercussão e audiência. Em 1972, a população brasileira che-
gou aos cem milhões de habitantes. A televisão adquiriu a condição de 
moderadora de opiniões e comportamentos, quer pela padronização das 
informações quer pela propaganda e excitação ao consumismo. 
 
O cinema recompôs-se com a organização do I Festival de Gra-
mado (RS), onde o filme Toda nudez será castigada, de Arnaldo Jabor, 
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos 
Conhecimentos Gerais A Opção Certa Para a Sua Realização 5
sagrou-se o grande vencedor. Em 1977, Raquel de Queirós tornou-se a 
primeira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras. Com a "abertu-
ra" do governo Geisel, retornaram ao Brasil alguns líderes políticos e artis-
tas exilados no exterior. Ainda nesse ano, um manifesto de 1 046 inte-
lectuais exigia que o governo extinguisse a censura no país. Na mobiliza-
ção contra a censura, ganhou destaque uma campanha pela liberação da 
peça Rasga Coração, de Oduvaldo Viana Filho, proibida desde 1974 e 
liberada em 1978. 
 
Os anos 80 
Redemocratização, sindicalismo. Igreja 
 
As lutas pela redemocratização do país ganham força no início 
dos anos 80. As grandes redes de televisão tentavam reeditar os famosos 
festivais dos anos 60, sem o sucesso esperado, mas revelando alguns 
talentos. O processo de redemocratização do país era saudado pelos 
intelectuais, pela imprensa e pela Igreja, respaldada por amplos setores da 
sociedade. O sindicalismo dos últimos dois anos da década anterior torna-
ra-se importante movimento de conscientização e repolitização da socieda-
de. Os círculos reacionários, organizados em grupos e facções paramilita-
res, descontentes com o processo de "abertura", promoveram inúmeros 
atentados, entre os quais se contam uma bomba colocada na sede da OAB 
(que matou uma pessoa) e o episódio Rio Centro, em que uma bomba 
explodiu em um carro onde se encontravam oficiais do Exército, à paisana, 
com o intuito de sabotar a celebração do li de Maio. 
 
Os inúmeros conflitos de terra, medrados pela Igreja, multiplica-
ram-se pelo país. O papa João Paulo II visitou o Brasil, encontrando-se 
com os operários em São Paulo. Dois padres franceses foram presos por 
envolvimento em conflitos de terra no Araguaia. 
 
As cidades históricas de Ouro Preto e Olinda, bem como Brasí-
lia, a capital do país, foram consideradas "patrimônio cultural da humanida-
de'' pela UNESCO. O Brasil iniciou pesquisas na Antártida e lançou seus 
primeiros satélites de comunicações - Brasilsat I e II. 
 
Os filmes O Homem que virou suco, de João Batista de Andrade, 
e Pixote, de Hector Babenco, foram premiados internacionalmente. Depois 
de uma crise com a Embrafilme e outra com a censura, o filme de Roberto 
Farias Pra frente Brasil conseguiu ser exibido, recebendo o prêmio no 
Festival de Cinema de Berlim. Nelson Pereira dos Santos filmou Memórias 
do Cárcere, de Graciliano Ramos, estrelado por Carlos Vereza, que rece-
beu um prêmio no Festival Internacional de Cinema da Índia por seu de-
sempenho. O beijo da mulher aranha, produção brasileira dirigida por 
Hector Babenco, levou o Brasil até Hollyvvood e Eu sei que vou te amar, de 
Arnaldo labor, deu à Fernanda Torres o prêmio de melhor atriz no Festival 
de Cannes. 
 
Por ocasião da votação de uma emenda proposta pelo deputado 
Dante de Oliveira (PMDB) para eleições diretas como forma e condução da 
sucessão presidencial, no final do governo Figueiredo, explodiu uma das 
maiores manifestações populares da História do país, consagrada como 
"DIRETAS JÁ''. O comício da Candelária, no Rio, reuniu 1 milhão de pes-
soas. Era o fim da ditadura militar. 
 
Depois que a morte afastou Tancredo Neves da presidência, a 
Nova República começava com José Sarney. A proibição do filme Je vous 
salue, Marie, de Jean-Luc Godard, e Teledeum, em 1987, demonstrava a 
vigência, ainda que restrita, de mecanismos de censura de obras artísticas. 
 
O diálogo cultura-sociedade 
 
1930: reflexão sobre as contradições. A década de 30 continuou 
e aprofundou a reflexão crítica sobre a sociedade brasileira inaugurada pelo 
Modernismo. A sociedade que surgia via-se presa entre as contradições da 
ordem política internacional e as próprias contradições do embate interno 
entre as classes sociais divergentes e antagônicas. Essas intensas contra-
dições, ao lado da emergência de um combate ideológico em todo o mun-
do, foram aspectos decisivos para o impulso que orientou a cultura brasilei-
ra. O rádio, o cinema e a televisão, embora desenvolvam contornos e 
peculiaridades ligados às nossas especificações, quase sempre foram os 
meios de padronização, veiculação e sustentação das expressões culturais 
dominantes, sob forte influência dos EUA, a nação hegemônica do hemisfé-
rio ocidental. 
 
Depois do modernismo, a ficção regionalista espelhou situações 
que afetavam distorções e misérias presentes em nossa realidade. O traço 
local não impediu que certas características essenciais de toda uma socie-
dade fossem reveladas por Graciliano Ramos, José Lins e Jorge Amado. A 
visão crítica desses autores era ainda eficaz devido à força artística de 
suas obras. 
 
De outro lado, a própria cultura, como tudo o mais, passou a ser 
tratada, pela era de consumo de massa do capitalismo, como mercadoria. 
 
1940: americanização. A década de 40 marcou o período áureo 
do alinhamento político-ideológico do Brasil. Os traços já delineados da 
cultura de